As Crônicas da Tempestade

19 Capitulo 16 - Batalha de Kyoshi Parte 3


Capitulo 16 — Batalha de Kyoshi Parte 3

Havia 2 tipos de silêncios em torno do Templo Sagrado de Kyoshi. O primeiro, um silêncio frio, sem humor e gélido como aquela noite, um silêncio respeitoso e temeroso, como se soubesse que ali cada ruído deveria ser contido. Já o segundo era diferente, talvez se alguém prestasse atenção durante algum tempo poderia percebê-lo, mais tenso e sombrio englobando tudo ao seu redor.

Mestre Yako jazia sentado no grande salão preparando o incenso. Procurava por respostas na meditação, algum meio de vencer a batalha que se aproximava. A seu lado descansava seu guan dao, uma lança longa com uma terrível lâmina na ponta, uma arma que o mestre esperava não precisar empunhar aquela noite.

O mestre ouviu passos apressados cruzar o grande salão.

— Mestre! Más notícias — um irmão do ar anunciou sem levantar a voz, não em um lugar sagrado como aquele. — As torres de rádio foram invadidas! Perdemos o contato com o exterior!

— E o Avatar? — Yako perguntou de costas.

— Desapareceu! Os médicos dizem que ela desapareceu levando consigo a rainha da terra ainda fraca após o parto. Não conseguimos encontrá-la em meio ao caos das ruas, senhor.

O mestre se levantou ainda concentrado, passou a mão pela vistosa barba e disse em tom autoritário e cansado:

— Prepare as tropas imediatamente, capturem os inimigos invasores e se preparem para defender essa ilha com suas vidas — Mestre Yako se virou para o mensageiro e ambos começaram a caminhar em direção à enorme porta de bronze — Se conheço bem o general Raidou, devemos nos preparar para uma noite bem longa. Convoque os anciãos de Kyoshi e os feridos que ainda podem ficar de pé e inicie a evacuação da população. Não quero nenhum civil por perto quando o confronto estourar.

— Sim, senhor.

E ambos pararam junto à porta para ver os raios lunares serem obstruídos pelas magníficas massas metálicas da esquadra de dirigíveis que cortava o céu noturno. O arauto da destruição se aproximava, o temível general demônio Raidou lançava suas presas sobre Kyoshi.

— Que os espíritos nos protejam nesses dias tão escuros! — Mestre Yako suspirou.

Lana não podia acreditar no que estava vendo. O homem encapuzado avançou lançando três pequenas facas em sua direção, e por um segundo pensou que realmente esse seria seu fim — porém os projéteis foram desviados por uma rajada de vento.

— Vá cuidar da sua vida Olhos de Tigre! Não se meta nos meus assuntos, seu gato vira-lata! — Dalai disse taciturno largando a garota ferida.

O mercenário lançou um sorrisinho astuto. Sim! Aquele sim era o homem quem esperava, aquela era a fúria que traria destruição e jogaria o mundo hipócrita no delicioso caos!

— Ainda temos negócios a tratar, Dalai! E ao que parece tirei a sorte grande! Além do Filho da Tempestade, também terei a honra de matar o Avatar!

Lana se tentou se erguer, mas cada movimento tornara-se incrivelmente doloroso.

— Quem é você? O que você quer? — ela gritou para a figura.

Olhos de Tigre a ignorou e avançou sobre Dalai com um velocidade assombrosa desferindo um chute invertido, contudo o rapaz desviou no último instante se jogando ao chão de costas e levantando novamente com os braços já se preparando para um gancho que por pouco errou seu alvo que desviou a cabeça um pouco para o lado.

O mercenário não era de desistir facilmente e atacou com suas garras sedentas por sangue. Dalai aparou o golpe do inimigo desviando sua mão para o lado e acertou seu peito com as palmas abertas forçando-o a recuar.

Dalai ofegava, sentia o melado quente escorrer pelo seu tronco onde os ferimentos de estilhaços da bomba se abriram. Se continuasse a lutar assim não teria muito tempo.

— Hahaha! Sim! Venha garoto! — Olhos de Tigre vibrou — Vamos! Deixe me ver o que mais pode fazer! Venha!

Dalai moldou o ar e o atirou tão fino quanto uma navalha na altura do pescoço de seu inimigo. Anum bloqueou o ataque com um movimento duplo de suas garras. O rapaz comprimiu o ar sob os pés e se impulsionou para frente com uma cotovelada, Olhos de Tigre desviou para o lado, no entanto, e tentou contra atacar ao retalhar com suas garras, mas o dominador de ar já dançara para longe de seu alcance.

Lana observava tudo aquilo boquiaberta. Toda aquela selvageria, a violência diferia em muito o que aprendera com seus mestres, aprendera que a dominação era uma forma de se conectar com a natureza e buscar a paz interior, mas aquilo que testemunhava não passava de dois animais prestes a se destruírem.

— Você é incrível! — Anum exclamou sentindo a pele em êxtase — Não me sinto tão vivo em anos! Vamos Avatar! Entre também na festa! — o mercenário avançou sobre a jovem.

Novamente Dalai apareceu para segurar as garras antes que pudessem rasgar a garota.

— Por que está fazendo isso? — Lana indagou — Somos inimigos!

Dalai lhe deitou um olhar de desprezo.

— Você não pode morrer antes de me dizer onde escondeu o bebê! Então levante essa bunda mimada e lute por sua vida inútil, vadia!

As palavras a atingiram novamente como um pedregulho. Ela sempre se tornava um fardo, só mais uma pessoa a ser protegida. Ela não era como essas mulheres fracas, ela não era como a maldita rainha da terra! Ela era uma guerreira e uma vencedora!

Lana forçou seus joelhos a se levantarem e se afastou preparada para lutar. Anum se afastou também e bateu palmas sarcásticas.

— Bravo! Bravo! Que belo time temos aqui! O avatar todo poderoso e o ladrão assassino se unem para lutar contra um inimigo em comum! Venham! — ele berrou abrindo os braços, se entregando. — A vocês entrego minha carne! Vejamos do que são feitos!

Lana agiu primeiro. A garota se conectou com a água do oceano e a moldou em lanças de gelos e as atirou contra o Anum. O mercenário escapou com um rolamento para o lado e atirou uma bomba de fumaça no chão, desaparecendo dentro da cortina cinzenta como um fantasma.

Dalai chutou o ar cortando a cortina em duas — apenas para descobrir que Anum já não estava mais lá — correndo pelo flanco do avatar, o mercenário atirou outras duas facas. Lana ergueu um muro de terra para se proteger. Previsível, Olhos de Tigre pensou, podia lê-la como a um livro, quando passou a mão pela pedra saltou por cima do muro já passando para o chão agarrando o avatar pela cintura e jogando para o alto. Lana bateu as costas no chão e o ar lhe fora roubado dos pulmões.

Antes que Lana pudesse reagir o mercenário a agarrou pelo pescoço e pôs de pé. Em seguida desferiu um golpe preciso em seu braço direito e ela gemeu e seu membro amoleceu como se feito de gelatina. O avatar tentou revidar com um chute, porém novamente Anum se esquivou facilmente indo para sua retaguarda e lhe acertando no outro braço inutilizando-o também, em seguida com um chute violento nas pernas a derrubou novamente. Estava começando a ficar divertido!

Se não fosse por seus olhos certamente teria morrido. Se não tivesse visto o vulto se aproximar...

Por puro instinto, Anum jogou a cabeça para trás instantes antes de uma rajada de ar comprimido abrir um rombo do tamanho de uma laranja onde deveria estar sua cara no muro de pedra. Ainda surpreso, o mercenário deu a abertura que Lana precisava para lhe atingir com uma bola de fogo vianda da boca no peito e lhe afastar o suficiente para que pudesse fugir.

Por outro lado, Dalai se projetou pelo lado esquerdo chutando a perna de Olhos de Tigre desequilibrando-o, em seguida agarrou o mercenário pela cintura e lhe arremessou com as costas no chão com uma força assombrosa.

Sem deixar o mercenário se afastar, o Filho da Tempestade lhe prendeu no chão e socou seu rosto, de novo; e novo, e mais uma vez, até que o rosto do mercenário se tornasse irreconhecível. A visão do jovem dominador de ar oscilava, sua ira transbordava, ele não conseguia parar. Ele não queria parar.

— Dalai! — uma voz lhe despertou de seu frenesi. Laya vinha em sua direção escorada em Mizu, as duas pareciam bem. No entanto lá estava estampada em seu rosto. Medo.

Medo de mim, ele sabia, então olhou para suas mãos, vermelhas de sangue. O que estou fazendo? Não posso perdê-la de novo… mas não posso ficar com ela, não enquanto eu não domar essa fera que vive em mim. Antes que pudesse dizer qualquer coisa um pedregulho se chocou contra sua cabeça.


Jee a apoiou em um beco. Sua capitã parecia acabada, então imaginou se não estava tão ruim quanto ela. O mecânico verificou em seu relógio.

— Fase 2 iniciada. O general deve estar sobrevoando a cidade nesse instante — ele disse para Lian Fu e depois apalpou o lugar onde fora atingido pelo dardo de gelo — Certamente vou ganhar uma bela de uma cicatriz... Mas é ótimo ainda estar vivo...

— Não comemore ainda, Jee. Temos de chegar à costa e nos reunir com o resto do esquadrão para dar o fora daqui — a capitã lembrou já de pé. O fogo em seus olhar ainda ardia — Estão procurando por nós em cada canto de Kyoshi, nossa única opção é continuar nos movendo pelas sombras.

Jee passou seu braço pelo ombro e a ajudou a se apoiar enquanto continuavam a caminho.

— Sabe... Eu estava pensando, se sairmos dessa vivos, o que acha de sairmos para jantar?

Ela sorriu, de todos os momentos para esse tipo de coisa...

— De onde saiu toda essa coragem sua?

— Acho que quase morrer algumas vezes lhe mostra o quão preciosa é a vida, o quanto o tempo é curto — ele deu de ombros. — E se tem alguém que quero passar meu tempo é com você.

Lian Fu corou.

— Sabe que não boa com essas coisas de sentimentos! Está dizendo isso apenas para me deixar constrangida! Temos de manter o foco em sobreviver, e caso consigamos vou pensar na sua proposta

— Você fica muito fofa quando fica nervosa!

Jee abriu o maior de todos os sorrisos. Mal sabia ele que o tempo era mais curto do que imaginava.

— Acorda! Ei Acorda Dalai!

O rapaz abriu os olhos ainda confuso. Demorou algum tempo até sua visão voltar a se focar e reconhecer o rosto de uma Mizu preocupada ao seu lado.

— O que aconteceu?

— O Avatar! Ela o acertou enquanto estava distraído! — ela disse. Dalai tocou seu rosto feminino onde havia um hematoma roxo. — Eles a levaram Dalai... e eu... não pude fazer nada!

Dalai tomou sua mão nas suas e lhe fitou sério.

— Você já se machucou demais nessa batalha que não é sua — ele falou — Pegue o primeiro barco que encontrar e fuja de Kyoshi...

— Mas e você? Eu não posso...

— Não posso deixar que continue a se ferir por minha causa — ele disse decidido deixando bem claro que não haveria discussão — Você é tudo que me resta de uma família, é tudo que posso chamar de lar! Não posso te perder também. Então… por favor, Mizu, apenas saia daqui... Não quero te machucar de novo...

Lágrimas desceram de seu rosto e ela lhe deu um abraço forte e demorado.

— Volte para mim seu idiota! — ela disse e lhe beijou. Um beijo terno e carregado de seus sentimentos, sentimentos que nunca seriam retribuídos.

Sem dizer mais nenhuma palavra ela se virou e foi embora deixando-o ali sozinho com seus demônios. Está na hora. É agora ou nunca! Levanta, seu merdinha! Você não luta mais apenas por você, você luta pelo seu povo, por aqueles que você ama, pela Mizu e pela Laya! Reunindo toda força que tinha e a que não tinha, o jovem se levantou.

— Esse filho da mãe ainda continua a me impressionar! Bastardo durão... — Dalai sorriu para onde restava apenas uma poça de sangue de Olhos de Tigre. Assim começou sua caminhada até o centro de operações dos Nômades do Ar, o Templo Sagrado, onde esperavam por ele: o Avatar, o segundo maior mestre do Ar e o general demônio. Todos queriam um pedaço dele.

Os primeiros bombardeios começaram a atingir seus alvos no solo enquanto uma batalha aérea se desenrolava entre os dirigíveis da Nação do Fogo e os Nômades do Ar voadores. O general Raidou observou tudo de seu dirigível, taciturno, era com pesar que observava o Templo Sagrado de Kyoshi ser destruído dessa forma, certamente uma afronta aos dias de glória daquela cidade histórica.

— General, o esquadrão de infiltração já chegou ao ponto de encontro e estão sendo recolhidos e tratados — um soldado lhe reportou

Raidou acenou com a cabeça. Ao menos uma boa notícia, aquela menina ainda lhe impressionava, realmente possuía algum talento, mesmo que um talento para algo tão terrível quanto a guerra.

— Diga aos homens da artilharia para se concentrarem em bombardear os soldados da Tribo da Água, que não representam perigo aéreo. Nossa blindagem vai dar um jeito nesses comedores de alface do ar. Se quiserem nos derrubar terão que passar por cima de nossos cadáveres. Concentre as tropas nos hangares, não permitam que o inimigo penetre nossas defesas!

O soldado fez uma continência.

— Sim, senhor!

— Vamos mostrá-los o orgulho da Nação do Fogo! — Raidou rugiu.

— Sim, senhor!

Mestre Yako estudou o dirigível principal. Certamente Raidou estaria lá, se ao menos pudessem eliminá-lo seus homens ficariam sem moral e bateriam em retirada. Mesmo assim...

— Alto lá! Quem se aproxima? — um dos nômades disse — Meu deus! É o Kaijin e o Avatar!

Lana abriu caminho entre os soldados até onde o mestre observava a batalha do terraço.

— Ora, ora, parece que o avatar lembrou de seus compromissos. Me pergunto onde estava enquanto o caos vinha até nós? — o mestre sibilou sem olhá-la.

— Não temos tempo para essa besteira, temos de abandonar a ilha imediatamente! — Lana exclamou — Temos a rainha da terra e podemos negociá-la por uma passagem segura para fora de Kyoshi!

Yako a fitou com desdém. Fugir? Nunca!

— Não iremos abandonar nosso posto, se Raidou quer tentar a sorte, que tente. Iremos destruí-los! — disse o monge e acrescentou amargamente — Com ou sem a ajuda do avatar.

— Essa luta é um erro!

— O tempo de fugir já passou há muito tempo. Tratem dos ferimentos da garota. — O mestre ordenou sem lhe dar ouvidos — Se ainda quiser lutar ao nosso lado fique à vontade, mas não atrapalhe!

Lana bufou indignada e foi empurrada, junto de Kajin que levava a rainha da terra, à enfermaria onde lavaram e enfaixaram seus ferimentos aplicando ervas e sprays analgésicos. Certamente o avatar atingira seu limite e forçá-lo traria consequências graves.

— Ainda posso lutar! — Lana insistira, mas a médica a mantinha junto à maca.

— Você não vai sair dessa cama! Eu não ligo pra quem você é ou o quê sabe Deus anda fazendo, mas dessa enfermaria você não sai! — a doutora disse e o avatar lançou um olhar de socorro ao companheiro.

Kaijin deu de ombros.

— Você está muito machucada. Tem pelo menos três costelas quebradas e aquela pancada na cabeça pode ter causado uma contusão. É melhor deixar as coisas quietas por enquanto, descanse um pouco...

Lana bufou indignada e virou o rosto fazendo birra.

— Obrigado por voltar por mim. — Ele disse num tom mais intimista.

— Amigos servem para essas coisas, não é? Como posso salvar o mundo se nem ao menos posso salvar aqueles que me são queridos?

Kaijin assentiu e se virou para ir embora, mas antes que pudesse sair Lana o chamou de volta.

— Kaijin — ela o encarou séria, tão séria como ele nunca a vira antes — Se as coisas ficarem fora de controle e ver que vamos perder... — ela fez uma pausa longa — mate a rainha.

Kaijin assentiu novamente e partiu.

Do lado de fora, Mestre Yako comandava seus irmãos em uma tentativa de defender o templo. Mestres do ar voavam de um lado para o outro afastando bombas e empurrando tropas secundárias para longe com rajadas poderosas. Ao seu lado, ombro a ombro com os nômades, dominadores de água erguiam em conjunto paredes imensas de gelo do tamanho de prédios para barrar os inimigos.

No entanto, o ataque maciço da Nação do Fogo continuava incessante, embora retardado, ainda assim penetrava entre as linhas inimigas, ceifando vidas por onde passavam. Pedregulhos e lanças de gelo eram atirados sobre os gigantes metálicos porem terminavam repelidas sem causar qualquer dano real às máquinas. O campo de batalha agora tornara-se irreconhecível, casas jaziam destruídas e prédios queimavam até não restar nada e o único som era o da destruição fúnebre a reverberar.

Em meio aquele turbilhão de matança, uma figura se esgueirava pelas sombras, avançava devagar, pois já não havia muitas forças restando, sentia os ferimentos antigos se abrindo e logo estaria sem tempo. Dalai sabia que se fosse encontrado estaria morto. A única maneira de entrar no templo seria aproveitando-se do caos. Assim, beco por beco, rua por rua, ele continuava, a única coisa que ainda restava fora a determinação, seu corpo podia fraquejar, mas seu espírito nunca!

Dalai pulou para um muro e o utilizou de apoio para agarrar um fio na qual subiu para o terceiro andar de um prédio prestes a tombar para o lado. Subiu mais dois andares pelas escadas e observou pelo rombo na parede. A sua frente podia ver o terraço do Templo Sagrado, se conseguisse um bom salto chegaria lá em um segundo. O único problema seria os soldados, sem dúvidas mestres, que se encontravam por lá afastando as bombas lançadas pelos dirigíveis.

O Filho da Tempestade respirou fundo, tomou impulso, comprimiu o ar nas penas e saltou por cima do campo de batalha. Merda! Ele pensou, calculara mal a distância e aterrissou com banque surdo sobre as telhas de barro. Os soldados o encararam por um instante aturdidos, porém logo depois se recuperaram.

— Dalai! Seu traidor miserável! — primeiro mestre urrou em sua direção e ordenou ao segundo — Chame mestre Yako! Diga que seu prêmio chegou!

O segundo levantou voo e planou até onde o mestre estava.

— Guilian! Não precisava fazer isso! — Dalai gritou cansado erguendo as mãos nuas em boa fé.

— Cale a boca, traidor! — o mestre Guilian berrou e atacou com uma rajada.

Dalai rolou para o lado desviando por pouco do ataque. O jovem já não tinha energia para lutar, se Yako chegasse sem dúvidas alguma seria o seu fim!

— Não tenho tempo para isso agora! — Dalai gritou e avançou como um louco na direção do mestre.

Guilian girou os braços reunindo uma quantidade considerável de ar e arremessou no rapaz. Dalai rebateu a rajada com um chute dissipando a corrente, depois deslizou no chão prendendo as pernas do monge e o derrubando. Em seguida trocou de posição para uma chave de perna onde se ouviu o som do osso se quebrando, depois o grito de dor do mestre.

— Iann teria vergonha de seu modo sujo de lutar! — uma voz conhecida disse ao seu lado.

Não houve sequer tempo para pensar. Yako surgiu ao seu lado já descendo com sua lâmina. Dalai por puro instinto animalesco agarrou Gulian pelas vestes e o rodou de forma que o velho mestre lhe servisse de escudo humano. Yako parou pouco antes de acertar o irmão, mas não podia negar que sentiu-se tentado a perfurar os dois.

Aproveitando essa chance, o rapaz empurrou o mestre caído com as palmas da mão jogando-o em cima de Yako fazendo ambos caírem para trás, em seguida jogou as pernas por trás da cabeça em uma cambalhota para se afastar.

Estava empapado de suor e inspirava profundamente ofegante. Ainda encarando Yako, o rapaz passou a mão pela camisa que grudara no corpo. Logo não conseguiria mais se mover...

— Não tem para onde escapar traidor! — Yako disse cercando — Apenas aceite sua morte como um homem!

Mestre Yako investiu novamente. Dessa vez o rapaz tentou se mover, mas as pernas não o obedeceram. Tudo pareceu desacelerar, ele podia ver a ponta da lança se aproximando em câmera lenta, em dois passos o acertaria. Dois passos e seria seu fim...

Nesse instante uma parede de chamas azuis surgiu entre os dois e uma voz rouca disse autoritária:

— Ainda não é sua hora, Dalai — a figura do general Raidou surgiu por entre as chamas, seus olhos dourados refletiam as chamas destruidoras que o acompanhavam. O general demônio se juntou ao confronto.