As Crônicas da Floresta Proibida - Livro I

2 Capítulo 2 – O riacho, corrida e senhora estranha


Notas iniciais
Helloooo Olha eu aqui de novo! Então, peço desculpas pela demora, culpa da criatividade, das provas e do not que tava dando uma de vida loka e não queria prestar. Esse cap tá um pouco grandinho, mas espero que gostem.

Assim que chegaram perto do riacho, por volta das duas e meia da tarde, pararam em frente ao local ao mesmo tempo, admirando a belíssima paisagem. Por mais que fossem até lá, era impossível não parar e admirar aquela obra-prima da natureza.

Eles tinham seguido pela estrada até chegarem numa bifurcação, onde seguiram por uma pequena trilha pela floresta (não a Floresta Antiga, Tia Gina jamais permitira isso) até chegarem lá. Era um pouco longe, mas a recompensa valia o esforço. Além do mais, estavam a cavalo, então...

Tudo que se podia ver ao chegarem lá era uma enorme campina, com um riacho cortando-a em 1/3, de forma meio irregular. A campina era vasta, cercada por árvores dos lados e “na frente” (isto é, o lado pelo qual eles tinham entrando, pela trilha) exceto aos fundos, onde havia vários montes ao longe, no lugar das árvores. O local era coberto por grama bem verdinha, e tinha sempre aquela aparência, como se estivesse congelada no tempo, igual a tudo naquele local, como se fosse à parte do mundo, um local de refúgio. Era quase mágico.

Assim que terminaram de observar aquela paisagem de tirar o fôlego, isto é, uns dois ou três minutos depois, Daniel e Clara se entreolharam e saíram cavalgando rapidamente pela campina, deixando Annie e Tia Gina pra trás. Annie suspirou, sabia que fariam aquilo na hora que chegassem lá, afinal, os dois amavam cavalgar e transformar tudo que faziam em competição, desde que cavalga mais rápido um se cansa por ultimo, até coisas ridículas, como quem come mais rápido ou faz a maior bolha de chiclete.

Tia Gina, olhando aqueles dois passarem por uma estreita passagem por cima do riacho para chegar ao maior lado da campina, sorriu. Por um momento, esqueceu-se da sua visão e de todas as preocupações que a seguiam desde o momento em que a teve, simplesmente focou-se naquele momento, naquela tarde normal em família, com aqueles jovens que tanto ama. Mas então olhou para Annie, e esta olhou em seus olhos e sorriu alheia a tudo que passava na cabeça da mais velha naquele momento, e tudo voltou como um enorme fardo para Gina, fazendo seus ombros vergarem com o peso emocional daquilo. Só mais esta tarde, disse tia Gina a si mesma, eles merecem aproveitar a sua inocência enquanto ainda podem. Então olhou de novo nos olhos da mais nova, que agora observava seus amigos e tudo ao redor com um brilho nos olhos cinza-tempestades, que agora tinham adquirindo um tom mais claro, e lembrou-se da sua antiga amiga, cujos olhos Annie tinha herdado da mesma. Fechou os olhos e suspirou. Tudo ao seu tempo.

—Tia? Você está bem? –perguntou Annie a mais velha, com um tom de voz preocupado, sua tia estava diferente, com uma aparência mais cansada.

— Eu estou bem querida, não se preocupe. –respondeu sorrindo, e Annie percebeu que aquele sorriso não chegava aos seus olhos. – São só velhas lembranças chegando para atormentar minha mente. Mas agora vamos aproveitar. Afinal, o dia está lindo, e o riacho esta nos chamando para brincar.

— Okay, se a senhora diz...

Elas seguiram direto para o riacho, deixando seus cavalos, Prince e Fala-Mansa, pastarem no lado de cá da campina. Enquanto isso, Daniel e Clara estavam, como sempre, competindo para ver quem era o melhor numa acirrada corrida.

— Desista Dan, eu já nasci pra vencer.

—Hahahaha, não sabia que era piadista. –sorriu pra ela, que devolveu o sorriso irônico que tinha sido dado a ela – afinal, até onde eu sei, quando se trata de corridas, você nunca ganhou de mim. –disse com um sorriso convencido.

— isso porque eu ficava com pena e deixava você chegar empatado comigo. Conforme-se, você nunca vai conseguir ser melhor do que eu em nada, Daniel.

— isso é mentira – ele estava ficando vermelho, o que só acontecia quando ele estava envergonhado ou com muita raiva. Acho que dá pra saber o motivo daquela reação naquela hora. – você nem sempre vence Clara, não de forma honesta.

— venço sim, não me importa como Dan, o que importa é vencer. –ela percebeu que ele estava cada vez mais vermelho. Ótimo, pensou ela com um sorriso malicioso, seu plano estava dando certo. – essa coisa de trapacear... Bom, só quem reclama disso são os fracos, e você, meu amigo, se encaixa perfeitamente nessa descrição.

Com isso, Daniel travou a mandíbula com raiva, deu grito e instigou Tempestade a ir mais rápido, e conseguindo uma pequena vantagem sobre ela. Clara apenas, sorriu, adorava irritá-lo, era um dos seus passatempos preferidos. Na verdade, ela sabia que ele ia ter exatamente essa reação, então não foi surpresa nenhuma quando ele, cego pela raiva, não se lembrou da pequena rachadura que tinha na campina, esquecendo-se de conduzir seu cavalo para contorna-la, e caiu lá dentro.

—Argh, mais que DROGA! –reclamou Daniel, deitado no chão ao lado de tempestade, que por um milagre não tinha se ferido.

— Oops, parece que alguém não prestou atenção no caminho, não é mesmo?

— cala boca Clara.

—Hahahaha, o que foi? Ficou irritadinho foi? Ninguém mandou perder a cabeça tão fácil.

—Ao menos eu não sou uma pessoa fria, sem escrúpulos nem sentimentos. –ele contemplou a expressão de Clara passar de deboche e divertimento para raiva e, logo em seguida, nada. Uma máscara, a mesma que ela usava quando não queria que vissem o quanto a tinham magoado. –Ai, droga, Clara eu não quis dizer...

— Quis sim Grigori, se não quisesse não tinha dito. –respondeu Clara e logo em seguida cavalgou para o sentido contrário, rumo à floresta. Ela não estava pensando, só queria ficar longe dele, e nem percebeu que a floresta que estava adentrando era aquela floresta, a Floresta Proibida.

— Clara, espera! Não entre aí, é perigoso! Não podemos!

— foda-se! Eu não me importo! Me deixa em paz Grigori!

Grigori, ótimo, pensou Daniel levantando-se fazendo uma careta, tanto pela forma como ela o chamou como pelas suas costas. A queda tinha sido feia. Rapidamente montou em Tempestade e seguiu Clara numa tentativa desesperada de evitar que ela entrasse lá.

— Clara! Não faça isso! – mas era tarde de mais, ela já tinha entrado na floresta, sem nem sequer hesitar, e Daniel o fez só por um segundo, a culpa, o remorso e a preocupação afogando rapidamente qualquer resquício de medo por ele próprio.

Ele a seguiu por uns dez minutos, sempre cavalgando rapidamente para não a perder de vista, até que finalmente ela parou.

— Clara! Você...ficou...louca, garota?! – começou a brigar com ela, que se manteve calada com uma expressão beirando entre cansaço e espanto, mirando algo logo à frente. – Sabe onde estamos?

— Daniel...

— Nós nunca, NUNCA, entramos tão fundo nessa floresta, está tarde, sabe que tia Gina vai logo sentir nossa falta, estamos encrencados e...

—Daniel!

— Ela vai me matar te matar e me matar de novo! Ai meu santo Apolo, eu sou lindo e novo de mais pra morrer! A culpa é sua!

— DANIEL!!!

— O QUE É PROJETO DE BRUXA? –replicou ele exasperado. Ela nada disse somente apontou pra frente, então o queixo dele caiu, a garganta ficou seca e começou a suar.

Ele estava tão concentrado em brigar com ela que não tinha sequer notado que na sua frente tinha uma velha cabana daquelas de caça, e da chaminé saia fumaça, o que indicava que era habitada. Os dois estavam cheios de perguntas, mas uma se destacava das demais: Mas quem diabos era louco o suficiente para morar naquela floresta sinistra?!

— Olá meus amores! -disse uma voz desconhecida, eles rapidamente viraram para trás assustados, e os cavalos relincharam, nervosos, fazendo com que Clara e Daniel trocassem um olhar preocupado, a briga momentaneamente esquecida. Na frente deles havia uma senhora de cabelos grisalhos, com algumas mechas ainda loiras, curvada e cheia de rugas e de estatura mediana. Sua cara se contorceu numa tentativa de sorriso, revelando seus poucos dentes que ainda restavam e fazendo Daniel engolir em seco, assustado.

— Estava esperando por vocês.

Notas finais
Então?O que acharam? E digam, preferem capítulos grandes ou pequenos?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.