As Cronicas dos Kane - A Cura Imortal

3 Carter: Passeio em forma de galinha astral - Tenha uma “bah” noite


Ter muitos magos morando num mesmo lugar definitivamente é a formula certa para uma desordem total. E claro sem esquecer-se de um babuíno, uma deusa gata e um deus anão que apareciam às vezes, e um crocodilo albino na piscina.

Resolvi por fim dormir, já estava à noite. Era estranho, mas quando eu ficava na biblioteca meu senso de tempo se desregulava totalmente. Enquanto eu achava que estava na hora do chá das 5, já era hora do leite quente para dormir.

[Não Sadie, eu não uso uma mamadeira].

Fui em direção a escada para ir ao meu quarto, porém não sabia o que ocorria ao meu redor. O barulho, ou qualquer perturbação, não conseguia escutar como se eu tivesse em um transe. Definitivamente parecia um morto-vivo. Acabei chutando sem querer algo que não sabia o que era, quando olhei para baixo vi que era um pinguim. Meu transe acabou neste momento quando percebi o que havia acontecido. Felix me olhava com os olhos marejados de lágrimas e o pinguim estava deitado de barriga para cima balançando os seus pés e fazendo um barulho similar a um pintinho, só que mais forte e alto.

– Carter, porque você fez isso? – perguntou Felix quase em prantos. Eu gritei, mas você não parou. Por quê?

– Desculpe Felix, eu não o vi – respondi tentando arrumar as palavras certas para consolar o garoto.

– Como você não o viu ou me escutou? – disse Felix rapidamente. Uma lágrima havia escorrido dos seus olhos. Fiquei sem saber o que fazer a única coisa que eu precisava era que Felix chorasse.

Quando eu tentava juntar novamente as palavras, Jaz me interrompeu e pegou o pinguim que estava no chão e verificou que ele não estava ferido. Após averiguar, começou a mexer os braços e as mãos em movimentos aleatórios e disse algumas palavras sem nexo e de difícil compreensão, como se fizesse uma magia de cura.

– Pronto Felix, ele está muito bem agora – disse Jaz com uma voz suave e tranqüilizadora — Carter não fez por mal, tenho certeza. Né? E olhou para mim e sorriu.

A cara triste foi substituída por um sorriso grande no rosto de Felix que balançou a cabeça em concordância com o que Jaz havia dito e foi embora para outro cômodo da mansão brincar com os seus pinguins. Antes de ir, o pinguim que eu havia chutado bicou meu pé e foi embora. Admito doeu um pouco, até me assustei, não havia pensado que ele faria isso. Jaz ao perceber caiu em gargalhadas e fiquei ruborizado

– Obrigado – disse à Jaz. Foi a única coisa que pude dizer.

–Tudo bem – respondeu. Mas você está bem Carter?

– Sim estou, acho que só um pouco cansado.

– Então vá dormir porque sua cara ta péssima – disse Jaz um pouco preocupada.

– Sim, irei. Mas antes só me responda uma coisa. Você realmente teve que usar uma magia de cura no pinguim?

– Não. — ela disse e deu uma risada — Era só pra tranquilizar o Felix. Sabe como são as crianças.

– Sim, sei. Desconfiei que você não tivesse feito nenhuma magia, mas mesmo assim obrigado novamente.

Não havia reparado, entretanto Jaz havia crescido bastante desde que havia chegado à mansão. Estava se tornando uma grande mulher, e...

[Ei! Zia vai saber do que?]

Sadie, eu não estou apaixonado por Jaz, nem venha com essa. E Zia não vai saber de nada porque não há o que falar e pronto, fim de papo.

Então subi as escadas finalmente e fui direto para meu quarto. Estava tão cansado que deitei e esqueci-me do horrível e desconfortável, porém útil travesseiro que impedia do meu “ba” de passear durante a noite.

Pouco tempo depois de deitar, senti como se a gravidade não atuasse no meu corpo, eu estava ficando cada vez mais leve. E quando percebi já estava na minha forma de galinha com cabeça de Carter.

[Eu não boto ovos. Posso continuar, Sadie?]

Isso não era um sonho, disso eu já sabia, porque eu podia ver meu corpo logo abaixo dormindo. Na verdade meu “ba” iria a algum lugar,que eu ainda não sabia qual era.

Nunca me acostumo com essa sensação de ser uma espécie de “fantasma” e não poder controlar essa minha nova forma cintilante de asa e penas, que de acordo com Sadie é uma galinha.

Como sempre senti como se uma rajada de vento estivesse me levando e como disse eu não podia controlar onde estava me levando. Sobrevoei algumas casas e apartamentos. A noite estava realmente bonita hoje, a lua estava cheia e tinha muitas estrelas no céu.

Por um momento não consegui ver nada estava tudo um breu. Fui envolto em escuridão e uma névoa densa. Porém quando esses se dissiparam pude ver algo uma silhueta coberta por uma capa preta, que logo começou a falar.

– Carter Kane, o famoso mago. Que prazer conhecê-lo

– Quem é você? Onde estou?

– Perguntas previsíveis como sempre. -disse em debocho. Você não está em posição de questionar nada, no momento apenas escute atentamente.

Não gostei desse cara. Mal sabia quem era, e já comecei a ter raiva e claro, não segui o que ele havia mandado e continuei perguntando. Tentei ver o rosto por baixo daquela capa, mas em vão, a pouca iluminação não estava ajudando muito.

– Ei, não me mande ficar calado. – disse com a raiva tomando totalmente o meu corpo.

– Nossa! Que medo. O Carter galinha vai me bicar agora? – disse o homem encapuzado e depois riu.

Queria bater naquele homem, mesmo não sabendo quem era. Contudo estava na forma de “ba” e não podia fazer nada a respeito.

– Esse lugar é muito escuro, então estou em alguma parte do submundo? – perguntei.

– “Din din din” – ele imitou o barulho de uma máquina caça-níquel quando raramente alguém ganha. Carter está juntando as peças sozinho,estou até emocionado.

Ignorei a eminente ironia vinda de suas palavras e continuei.

– Então você é o deus do submundo, Anúbis?

Será que poderia ser ele? Não acreditava muito, porque Anúbis era bom e aquele cara ali não parecia ser um amigo. Mas esperei a resposta que um nó na garganta. O homem encapuzado ficou alguns segundos pensativos e quebrou o silêncio com outro riso.

– Deus do submundo? Gostei do título, porém infelizmente não sou ele. Se fosse, as coisas seriam um pouco diferente por aqui.

Fiquei realmente aliviado depois de ouvir aquelas palavras. Ele não era Anúbis, menos mal. Mas quem seria?Ainda não sabia quem era.

– Agora escute – continuou a falar. Seu amigo e namoradinho daquela pirralha metida a maga, Sadie, está prestes a morrer.

– Ei não fala assim da minha irmã! – falei com veracidade. Só eu podia falar mal dela, qualquer outro não tinha este direito.

[De nada Sadie]

– E você está falando de Walt? –completei.

– De quem mais eu estaria falando? – exclamou o homem. Agora só não venha querer ganhar o troféu “Adivinhador do ano”. Você ouviu o que falei, Walt está morrendo. A maldição que ele carrega, logo irá acabar com a sua vida. Então se apresse para tentar ajudá-lo.

Não acreditei por um momento. Tinha que ser mentira. Sabia que Walt carregava uma maldição e que poderia morrer, mas assim tão rápido e de repente? Não tínhamos conseguido uma cura ainda, isso não podia está acontecendo.

– Porque você está me dizendo isso? E onde poderemos encontrar uma cura?

– Perguntas e mais perguntas. Você não sabe fazer outra coisa? – disse o homem. Já te disse o que realmente importa. Walt está quase morrendo, então se apressem e achem uma cura. A não ser que queiram seu amigo morto. Por ora é isso, agora está na hora de você voltar.

Senti aquele vento de novo, agora me puxando de volta para casa. Tentei resistir e ficar, pois tinha muita coisa para perguntar. Mas já estava de volta ao meu quarto. Olhei pra baixo e vi Sadie desesperada tentando me acordar. Algo estava errado. Meu “ba” voltou ao meu corpo e levantei rapidamente.

– Sadie o que está acontecendo?

– A mansão está sendo atacada. Vamos!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.