As Cronicas do Limbo
3 Capítulo 3
São 8:30 h, o despertador acabou de tocar.Me senti diferente hoje quando acordei. Me senti ansioso, vou fazer minha mochila, decidi que hoje eu finalmente vou matar ao menos uma das crianças, afinal, oque me impedia de fazer isso era a minha sanidade mental, coisa que tenho certeza não possuir mais.
10:00 h, estou no ponto de ônibus, decidi que o primeiro que passar que vá para alguma favela ou bairro violento eu vou entrar.Entrei em um que vai para uma favela, não vou falar qual, sinto que isso já não faz parte da minha obrigação.
11:45 h, percebo que meu caderno já está virando um diário. Que coisa imbecil. Finalmente cheguei na favela, e por sorte, ao chegar já vejo um moleque, aparentemente 9 anos, vestindo nada alem de farrapos como roupas e um chinelo aparentemente já remendado. Ele estava assaltando uma senhora de idade, obviamente já aposentada.
16:30 h, estou a tarde toda seguindo aquele moleque imbecil, desde o momento que desci do ônibus até agora ele já roubou 4 pessoas. A cada segundo que passa estou mais certo que ele é a criança perfeita para eu começar com a matança. Vou esperar mais um pouco, assim que escurecer eu vou esperar ele se descuidar e vou mata-lo.
19:58 h, já são quase 20:00h e esse moleque ainda está na rua, ouvi ele contando o dinheiro que consegui roubando, esse filho da puta conseguiu mais dinheiro em poucas horas do que eu consigo em 1 semana inteira de trabalho. Acho que finalmente ele está indo pra casa, vou segui-lo ainda mais.
20:15 h, ele chegou na porta de um orfanato. Será que ele é órfão? Se for , melhor ainda, assim ninguém vai sentir falta dele.
Oh merda, esse filho da puta me viu e está vindo para cá, vou pegar o punhal, e depois eu falo oque aconteceu.
Ele veio até aqui para me perguntar porque eu passei o dia todo seguindo ele.Aquele filho da puta tava era ajudando as crianças do orfanato. Merda, como vou conseguir mata-lo sabendo que é ele que sustenta todas aquelas crianças? Não posso fazer isso. Se eu o fizesse, como aquelas crianças do orfanato iriam sobreviver?Eu sei que tenho que matar 7 crianças, mas ali tem muito mais que 7 e eles são uma família, se eu causasse mau à uma criança sequer eles provavelmente iriam me denunciar.
-Que porra é esse que tu tá segurando aí?-disse o menino.
Merda, ele viu o punhal, provavelmente ele deve ter descobrido oque eu pretendia fazer.
-Galera! Tem um louco com uma faca aqui!Socorro, acho que ele quer me matar!
De repente uma duzia e meia de crianças apareceram armados com pedaços de madeira e estiletes, estou desesperado! Oque eu vou fazer? Será que...
Aconteceu, na verdade já matei todos. Até mais do que Lúcifer pediu. Me sinto ótimo, quero mais, você que nunca matou ninguém não vai intender o que estou sentindo. Ver todo aquele sangue escorrendo, aqueles rostinhos pedindo por piedade, os gritos roucos de terror, as lagrimas, o medo... Senti Lúck ao meu lado o tempo todo, aprovando cada golpe e movimento assassino que eu desferia naqueles pequenos corpos. Senti, naqueles poucos minutos que o punhal fazia parte do meu corpo, como se minha mão estivesse sendo fundida ao punho daquela ferramenta maldita que eu estava me apaixonando por.Já não me lembro mais como é ser são mentalmente e estou adorando isso.
22:45 h, cheguei em casa, acabei de tomar banho. Eu estava imundo de sangue. A cada movimento que eu fazia eu via litros de sangue misturados com água e com a espuma do sabão, aquela sensação era ótima. Eu quero mais, mais e mais. Quero ir para a rua de novo, matar mais, ver mais expressões de terror, ouvir mais gritos de panico, espalhar o panico.Toda vez que eu olho para aquele punhal eu me sinto bem, me sinto poderoso, forte, invencível!
4:37 h, acabei de ouvir algo, eu achava que após ter feito oque eu fiz eu não iria sentir mais medo. Eu estava enganado. Cada pelo do meu corpo se arrepiou.
-Tyller, quanto tempo meu camarada — era um senhor de idade vestindo um terno muito bem arrumado, no mesmo instante eu percebi.
-Oque você quer, Lúcifer? — eu disse tentando soar com uma tonalidade brava, porem saiu mais como um cachorro medroso choramingando. -Eu já fiz oque você pediu, já matei as crianças.
-E você gostou. — Ele disse calmamente.
-Não! — Eu protestei, mesmo sabendo que estava mentindo.
-Eu não perguntei, eu afirmei.Eu sei que você gostou, e sei que você quer mais. — O tom dele soou como uma faca riscando uma pedra nos meus ouvidos. — Sua feição, os sentimentos que você está criando pela Myáh diz tudo.
-Myáh? oque raios é Myáh? — Eu não estava intendendo mais nada.
-O punhal.Nele está aprisionado a alma de uma linda mulher, na verdade, de minha filha. — Ele disse com uma voz de desgosto, na verdade isso me espantou, eu achava que Lúcifer não tinha sentimentos. — Myáh lhe escolheu, Tyller, ela quer sair daquele punhal que lhe aprisiona à 23 anos, alem disso, ela quer se casar com você.
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