São 4:37 da manhã, acabei de acordar de um pesadelo horrível. Tô suado e todo descabelado, ainda tentando entender o que estava acontecendo no meu sonho. Só lembro de estar numa floresta sombria, sozinho, sem nada alem das roupas do corpo e uma lanterna com baixa bateria. Na verdade, descarte a lanterna, pois nos primeiros 3 minutos as pilhas já haviam acabado, me deixando mergulhado naquela escuridão arrepiante. Me lembro que no sonho eu pensava: "Só quero achar algum lugar pra dormir. Estou cansado, com fome, sede, sono e medo", antes de sair floresta à fora procurando alguma cabana. Infelizmente eu tinha achado uma...

Ao entrar na cabana ouvi alguém dizendo:

–Tyller, vá embora , ou se não...

Na hora eu congelei, pois a propósito, meu nome é Tyller.

Eu estava tentando entender como algo que eu nem se quer tinha visto sabia do meu nome e, além do mais, de quem era esta voz?

Havia uma mesa na minha frente, e, em cima dela, um punhal sobre um tabuleiro cujo havia um pentagrama esculpido coberto por algo que parecia sangue.

Peguei o punhal sem nem me importar com o sangue, numa tentativa idiota de me proteger de algo que eu não sabia nem o que era, e, nesse momento ele apareceu. Um senhor de idade, muito elegante, vestindo um terno de marca todo arrumado e bem cuidado, sem uma pluma sequer. Ele veio até mim e disse:

–Tyller, eu disse para você ir embora, não foi? porque me desobedeceu? você não deveria ter feito isso. Afinal, sabe quem sou? Ou melhor, sabe onde está? Este é o limbo, lugar pra onde os pecadores e impuros vão após a morte... Mas só aqueles que eu vejo e percebo que apesar de tudo, são fracos e não merecem ir para lá comigo. Você é um deles. Um daqueles seres especiais, que não pertence à mim e nem à "aquelezinho" que você já deve imaginar quem é. Acho que você já sabe quem eu sou. Por favor, me chame de Lúck, um apelidinho para Lúcifer.

E assim acabou meu pesadelo... Ou melhor, começou.

Depois de me levantar e me certificar de que eu estava em casa e que o que havia acontecido era só um sonho fui até a cozinha tomar um copo d'água, pois eu tinha suado muito e eu poderia me desidratar. Meu Deus, como eu desejava não ter ido até a cozinha...

Ao chegar lá olhei em cima da mesa e me deparei com um objeto estranho, algo que eu já havia visto em algum outro lugar, mas não em casa.

Era o punhal, o mesmo do pesadelo e, preso a ele havia um bilhete que estava escrito:

"Tyller, Tyller, Tyller, meu caro amigo Tyller, lembra desse punhal? É, esse é o mesmo do "sonho". No momento que você tocou-o no limbo ele passou a pertencer ao mundo dos vivos, mais exatamente a você. Esse é o seu dever Tyller, para definir se você vai para o Inferno ou para junto daquele carinha lá... Use o punhal para matar, Tyller, esse é o seu dever, você deve matar ao menos 7 pessoas. Assinado, Lúck"

Quando eu li aquilo me apavorei, tentei rasgar o bilhete, mas, quando o fiz apareceu no outro lado da folha algo escrito:

"PS:Já estava me esquecendo... Você tem 7 dias, e, alem disso, dessa vez quero fazer diferente, quero que as 7 pessoas sejam crianças, dentre elas, 3 recém nascidos".

Foi aí que eu realmente me desesperei. Como assim "Desta vez"? Ele já havia feito isso antes? E alem disso, EU matar 7 crianças? Não consigo fazer mau a uma mosca sequer, sempre fui medroso. Aquele tipo de criança que ao ver um inseto corria e agarrava as pernas da mãe, usando-as como meio de proteção. Era impossível eu fazer aquilo, mas, eu sentia que por algum motivo, pelo meu bem, pelo bem da minha família e amigos, eu deveria fazer aquilo.