As Crônicas dos Anjos: Aurora do Tempo
3 Os Arcanjos
Notas iniciais
Miguel, o primeiro. O mais poderoso. E ele sabia disso. Se sentia o mais próximo de Yahweh, por ser o primogênito. Era sem duvida alguma o mais abençoado dos Arcanjos, pois era chamado General-mor por seus irmãos.
Era alto e de pele claríssima. Seus olhos eram tão negros quanto o próprio vazio do cosmos e seus cabelos castanhos escuros e ondulados até a altura do ombro, ajudava a barba rala a esconder algumas cicatrizes que peculiarmente demoravam em sarar pela brutalidade das Batalhas Primevas. Tinha músculos que nunca falhavam e um olhar tão penetrante por causa do breu que chegava a incitar o medo. Sua forma era jovem e imponente e seus golpes cheios de certeza. Sua armadura era incrível, dourada e ornada de pedras preciosas vermelhas, como o rubi e a esmeralda escarlate, seu elmo ela grande e protegia-lhe todo o rosto, passava do queixo, inclusive. Suas asas eram enormes, cinzas e volumosas. Arem afiadíssimas, poderias cortar qualquer coisa pelas extremidades, serviam como escudo e faziam um barulho aterrador.
– quem poderá me despojar? Poderia alguma cria posterior a mim, ser tão magnífico e poderoso a ponto de subverter a mim e minha pujança? – pensou ele consigo mesmo – deveras eu rapidamente o aniquilaria, pois serei seu soberano. Nada temerei, nem mesmo ao esquecimento do Pai, pois ele me gerou primeiro. Nem mesmo Gabriel com seu poder poderá negar-se a menosprezar minhas ordens. Serei eterno e soberano. Yahweh e eu, juntos, por toda a existência.
Miguel era forte, porém tolo. Era temeroso pela substituição. Não importava o quanto dissesse a sim mesmo, ele continuaria temendo ser rechaçado pelo Pai. Seu coração não se enciumava com os irmãos, pois se julgava superior a todos eles, mas quanto às novas criaturas? Poderiam elas acabar com seu reinado perene?
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Lúcifer, o segundo. Sua beleza era magnífica. Sobre todo e qualquer outro arcanjo, embora a beleza de Rafael o fizesse questionar a si mesmo, em casos. Assim como Miguel, Lúcifer teve prazer belicoso ao subverter seu poder sobre os monstros de Tehom. Ele preocupava-se ao extremo com sua beleza, o que não o tornou o mais bravo dos guerreiros. Ele não se importava tanto com os deuses-monstros e Tehom, nem com os irmãos. Tudo o que ele queria era estar cada vez mais próximo a Yahweh, queria que ambos fossem um só, para jamais se apartarem um do outro. Ele também temia o esquecimento que poderia vir após a criação.
Apesar de não ter tantos músculos quanto Miguel, Lúcifer era dotado de um corpo escultural. Pele alva e barba rala. Seu olhar era chamativo e cativante, olhos azuis tão claros que chegavam a ser acinzentados. Sobrancelhas sempre arqueadas e volumosas, seria ele capaz de encantar qualquer um mesmo sem abrir a boca. Seu sorriso, porém refletia o desejo em seu coração. Os cabelos castanhos- escuro, iam diminuindo pouco depois das orelhas, antes da metade do pescoço. Sua armadura dourada era repleta de pedras preciosas verdes, como esmeralda, turmalina, ametista verde. Suas asas, que arem enormes, também eram cinzentas e plumosas.
– meu reinado será de glória e beleza – pensou ele – todo e qualquer criatura se curvará a mim, pelo meu esplendor e graça. Render-se-ão aos meus encantos e se prostrarão ao soar de minha voz, amarão mais a mim do que a Miguel e a qualquer outro. Vendo isto, Yahweh me tomará para si, e junto seremos como um só a reinar absolutos sobre tudo quanto vier a existir.
Ao longo de eras, Lúcifer cegou-se. Mas era astuto e jamais demonstrara aos demais. Yahweh estava presente em todos os lugares, mas não era onisciente. Ainda. Lúcifer fora capaz de se mostrar leal a Miguel, bem com aos irmãos. Mas ele esperava o fim da criação para ascender junto de Yahweh e reinar ao seu lado, por toda a eternidade.
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Gabriel, o terceiro. Sua paciência e mansidão seus maiores frutos. Yahweh muito se alegrava em sua presença, pois ele o ouvia de todo o coração. Sua pele era a mais morena e seus cabelos eram castanhos claríssimos, quase loiros e ultrapassavam as costas. Guerreiro valoroso. Tão forte e musculoso quanto seu irmão, porém nada belicoso. De sobrancelhas sempre mansas e olhos tão azuis que seriam capazes que colorir o ambiente. Sempre observador e calmo. Sua barba era mais acentuada que a dos irmãos mais velhos, trazia em seu rosto pequenos cortes superficiais, devido as Batalhas Primevas, contudo ele jamais se importou com isso, sua alegria era seguir seu Pai e Mestre. Ele e seu irmão mais novo, Rafael, que sempre estavam na presença do Criador, aprenderam a meditar para compreender não somente aos mistérios do Pai, mas também do que estava por vir.
Jamais deixara sua espada de lado, a pesar de torcer para jamais usá-la outra vez, pois esperava do Pai um reino de paz e prosperidade. Sua armadura dourada era cravejada de turquesas, azuis esverdeadas, de tom incomum. Suas asas igualmente alongadas eram de uma tonalidade bege claríssimo. As asas jamais falharem em suas lutas intermináveis. Afiadas e sempre alerta, faziam dele muito veloz.
– o Reino de Deus será bom, e próspero – já vislumbrava a criação – porque tudo quanto Ele faz reflete o que Ele é. Perene serão os nossos caminhos. O Pai, e Criador, nos incumbiu de reger tudo quanto Ele criar. Em graça não o decepcionaremos, e cumpriremos com gozo nossa infinita missão.
Gabriel amava a Yahweh mais do que a si mesmo e o seguiria por qualquer caminho. Mas ele não enxergava as ambições irmãos mais velhos, não seria corrompido, contudo poderia esvanecer com as atitudes dos primeiros.
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Rafael, o quarto. Era singelo e humilde. O mais singular entre todos. Sua beleza era incrível, quase comparada a de Lúcifer. Era fato que eles eram muito parecidos em aparência. Pele alva e sem manchas ou marcas, devido a sua descomunal destreza para as artes da guerra. Suas madeixas cacheadas e bem domadas eram castanho-claro e caiam além dos ombros, porém não tão longos quanto os de Gabriel. Ele possuía uma fina trança na partição do cabelo, no lado esquerdo que ia até quase a altura do peito. Era mui formoso e de corpo extraordinário. Suas mãos eram firmes e cuidadosas. As asas eram claríssimas e brilhava tanto que pareciam ter luz própria. A armadura era algo colossal, feita de ouro branco e muito bem polida, era adornada com diamantes e pérolas, fazendo o arcanjo reluzir mais do que qualquer outro, seu brilho era tão intenso que foi chamado por Gabriel e Uziel de O Reluzente. Seu elmo era diferente do demais irmão, protegia-lha a cabeça, mas não ao rosto, as fileiras de pedras preciosas formavam magníficos desenhos no capacete.
Sua postura era correta e firme. O mais sábio entre os arcanjos. Incansavelmente reto e justo, buscava sempre os mistérios do Altíssimo, jamais saia de sua presença, compreendia e transmitia os conhecimentos do Pai aos irmãos. Quase sempre era o porta-voz do irmãos. Ele conhecia o coração de Miguel e de Lúcifer, entretanto jamais se corrompeu com os maus pensamentos dos irmãos. Sua mente buscava sempre a verdade e o bem, a justiça e a coerência. De Miguel herdou bravura, de Lúcifer herdou beleza e de Gabriel herdou a mansidão.
– justos são os caminhos do Senhor. Em sua infinita bondade e misericórdia governaremos sobre a criação, sempre guiados pelo Pai. Seguiremos seu legado e jamais nos apartaremos de sua maravilhosa presença. Daremos exemplos aos frutos da criação, viveremos em justiça, fé e amor, sobretudo amor. Se, porém, o mal voltar a nos assolar, será repreendido e corrigido, afim de que não feneça, mas seja perene na presença de Yahweh.
Rafael jamais se desvencilharia dos desígnios do Senhor. Nem sua beleza ou poder o afastaria do seu objetivo principal. Medo nem ciúmes turbaria o coração do quarto entre os arcanjos. Permaneceria puro e integro, sobretudo imparcial, para o resto de sua existência.
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Uziel, o ultimo dos cinco. De todo humilde e de coração reto, ele era quem mais ouvia a Miguel. O aclamava como príncipe e sempre era visto próximo de seu irmão mais velho. Era alvo e com intensos olhos verde turmalina. Seus cabelos castanho claro e finos, estavam sempre postos para trás, de forma frugal e iam até o fim do pescoço. De todos os irmãos era o mais pacífico, porém um dos mais valorosos guerreiros. Em tudo disciplinado, sabia ouvir e obedecer. Seu coração sempre se alegrava em Yahweh, mas tomava parte de tudo o que Miguel o compelia.
Sua belíssima armadura era de ouro vermelho, cravejado de pedras de safira, contrastando com o bronzeado da armadura. Sua fala era calma e ordeira jamais se corrompera com a tolice dos irmãos mais velhos, contudo ele não podia ver a verdade em seus corações. Sempre foi fiel a Miguel, reconhecia seu valor como primogênito de Yahweh e general dos generais. Venceu os deuses-monstros de Tehom com louvor e se alegrava em ouvir a voz do Mestre.
– Guiados por Yahweh e liderados por Miguel, agraciaremos as novas criaturas com nossa sabedoria e experiência. A virtude em nossos corações prosseguirão por todos os cantos das existências e eles saberão que somos governadores mais propícios. Nos amarão, e entoarão louvores ao Senhor. A eternidade em graça e esperança será o nosso galardão.
Mas Uziel não era o mais sábio dos arcanjos. Cumpria a missão de reconhecer Miguel, mas não percebia que a fraqueza do primogênito o levaria a ruína também.
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