Notas iniciais
Do alto do Quinto céu, os Arcanjos e os nobres serafins deliberavam sobre o destino dos Sete Céus. O rumo de cada áurea pulsante estavam nas mãos de quatro arcanjos, pois agora já não se encontrava entre eles Lúcifer, O filho do Alvorecer. Yahweh continua com sua criação, isolando-se cada vez mais dos celestes que outrora criou a partir do seu próprio esplendor.

Estando Yahweh muito ausente por causa da grande criação, preocuparam-se alguns arcanjos. Reunidos na cúpula principal do Palácio Celeste, no quinto céu, Miguel Gabriel, Rafael, Uziel e os mais nobres Serafins, entres Sieme, a Mestre da Mente, debatiam acerca do que fariam para aproximar-se de Deus novamente.

– onde estará Lúcifer? – perguntou Miguel em extrema irritação – minhas vistas não o veem há muito.

– está na Gehenna – revelou Gabriel, virando-se para Rafael – temo eu que ele já não se abale com a ausência do Criador.

– o que dizes Gabriel – perguntou Miguel – o que sabes que não tenho ciência?

– os hashmalins o veneram, o louvam como um deus. Até alguns de meus ishins o seguem – advertiu Gabriel.

– Ouvi murmúrios sobre a influência de Lúcifer entre os querubins – alertou Uziel – Balberith, o príncipe da casta, alertou-me do desagrado de alguns anjos com a ausência do Altíssimo.

– até mesmo alguns dos elohins, que são sábios, demonstraram certa inclinação a Lúcifer – indagou Rafael – não sei o que trama, mas sei que abalará o equilíbrio harmonioso desta era de prosperidade e paz em que vivemos.

– não me preencham com falácias, irmãos – esbravejou Miguel, descontente pelo que ouvia – de sorte ele está atrasado por pura displicência, apenas isso. Tragam-me Lúcifer aqui – ordenou aos anjos.

– enviarei a Sieme – sugeriu Gabriel – A Mestra da Mente. Ela o trará em bom tempo, eu asseguro.

– não, meus irmãos – inferiu Rafael – irei eu mesmo ao encalço de Lúcifer, preciso ter com ele!

– é mais prudente que eu vá contigo, meu irmão – sugeriu Uziel – ou um dos meus querubins!

– me convém que eu ande só pela Gehenna, meu irmão – decidiu Rafael – Lúcifer é Prudente, certamente ouvirá minha voz!

– vá, pois, agora – ordenou Miguel – Traga-me aquele preguiçoso diante de mim, para que só então esta assembleia prossiga.

E desceu o arcanjo Rafael ao Gehenna

Lugar onde nunca fazia sol, onde frio e neblina sempre se faziam presentes, o arcanjo Rafael deparou-se com uma legião de hashmalins escoltando a fortaleza, por ar e por terra também. Ele assustou-se, mas não fraquejou, era como se já pressentisse que esse dia chegaria. Rafael estava com sua brilhante armadura e sua espada singular, que mais parecia uma lança, porém com dois fios de corte. Uma figura imponente, porém em tudo humilde, mirou o portão e avistou um anjo, com uma enorme e fina espada negra.

– dê-me passagem, anjo – inferiu o arcanjo – é de paz a minha vinda!

– lamento arcanjo – disse o anjo da casta dos hashmalins – tenho ordens para proteger a fortaleza e assim o farei.

– não pedi, anjo!

– cumprirei minha missão – insistiu o hashmalim

– não tornarei a me repetir. Obedeça.

– já disse senhor, não tenho ordem para permitir que entre.

– admiro sua coragem em me enfrentar, mas em nada me agrado – desabafou – acaso estaria Lúcifer cirando rebeldes, ao invés de soldados.

– seguimos ao iluminado porque nele vemos poder. Acreditamos que ele é o verdadeiro rei.

– deixe-o que entre! – ouviu-se uma voz saindo de dentro da fortaleza. Era Belial, um querubim de negros cabelos ondulados e bem domados. Era forte e tinha barba escura, seus olhos eram castanhos quase na cor do mel – é vontade do Mestre que o veja.

– mestre? – perguntou-se a si mesmo, Rafael.

– perdoe-me pelo terrível engano arcanjo Rafael – disse Belial, trazendo-o para dentro da fortaleza – esses hashmalins não a menor noção de autoridade.

– isso é percebido, querubim – concordou – mas não vejo engano algum, todos nesta dimensão ou em qualquer outra, sabem quem sou. Minha áurea pulsante me entrega por onde quer que eu vá.

– sua áurea – adentrou noutro assunto, o querubim – foi exatamente por causa de sua áurea que meu Mestre me enviou ao seu encalço. Ele pode senti-lo quando entrou aqui na Gehenna. Meu amo almeja sua companhia e... Seu apoio.

Rafael estava confuso, mas não mostrou-se de fato – conheço o caminho querubim, seguirei só daqui em diante.

– sinto contrariá-lo, mas terei de escoltá-lo.

– sinto contrariá-lo querubim – ironizou – seguirei sozinho.

– é Belial – argumentou – e eu realmente preciso levá-lo.

– pois bem, querubim – ignorou seu nome – estou farto das insolências deste lugar. Vá ao teu mestre e diga que trago uma mensagem da assembleia superior, uma ordem de Miguel!

Sem mais insistir o querubim voou até o salão principal. Rafael seguiu pelo largo corredor de pedra escura sem portas ou janelas. Deparou-se com uma grande escadaria de mármore verde escuro que levava até o grande salão no centro da fortaleza, onde ele acreditava que estaria Lúcifer. Antes de chegar até a enorme porta de mármore, ela abriu-se, quebrando o silencio aterrador do ambiente sombrio. Lá estava lúcifer, sentado num trono enorme feito de pedra, sobre um altar. Lá estavam vários outros anjos de distintas castas. Viu ishins, querubins, até mesmo alguns de seus elohins. Preocupou-se com o que vira, pois aquilo jamais se vira nos Sete Céus.

– ó estimado irmão – começou Lúcifer com sua oratória – é muito oportuna sua vinda! Veja o que os anjos me prepararam.

– vejo bem, caro irmão. E é isto o que me turba o coração – entristeceu-se ao ver que o irmão crescia seu ego a cada manhã.

– você e suas preocupações vãs Rafael – ele riu para seus convidados e todos retribuíram as risadas – mas me diga... O que de tão importante Miguel quer comigo? Será que não compreendem que estou muito ocupado por aqui, já que não compareci na tal reunião?

– ocupado sendo bajulado por essas criaturas me mente inferior? – indagou Rafael

– ora – irritou-se – eu permito que venha aos meus domínios e é com insultos aos meus pequenos eu me agradeces Rafael. Você já foi mais educado. Yahweh não ficaria contente se soubesse da sua falta de respeito – ironizou.

– o que se passa aqui, Lúcifer? O que queres?

– venha meu irmão – ele abraçou o irmão e levou-o até o altar, bem ao lado do trono – veja, fique comigo, ao meu lado posso lhe dar coisas grandiosas. Seremos só você e eu, basta que me aclame seu deus.

– tolice! – esbravejou Rafael. Estava perplexo com a loucura do irmão – não há outro lado, se não o de Yahweh. Você estava lá, antes da aurora do tempo, quando Tehom e suas criaturas caíram por terra. Como pode tu se corromper Lúcifer. Só há um Deus!

– ah Rafael, meu estimado Rafael – ele sentou-se em seu trono, e tranquilo prosseguiu – você mais do que qualquer outro anjo sente a ausência se Yahweh em nosso meio. Tão ocupado, tão sonhador, que esqueceu-se de seus anjos. Esqueceu-se de nós. Não precisamos mais dele, nem mesmo você, meu irmão, embora não queira admitir. Eu serei aclamado deus, em Tsafon, o Monte da Congregação, me porei num lugar mais alto que o próprio Yahweh e regerei não somente os Sete Seus, assim como todo o resto. Clamarão a mim, pois eu serei o maior entre os arcanjos. Afinal não fora para isso que criou deus a mim e a você? Fique do meu lado Rafael, e eu te darei poder. Um poder que nem mesmo Miguel tem, e jamais poderia ter.

– traição! – esbravejou irado – sua ambição será a sua ruína. Os céus se voltarão contra ti e serás expurgado para sempre!

– que seja. Já me fartei de ti! Fuja da minha face, para que minha ira não recaia sobre vós, a fim de que tu não pereças!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.