As Crônicas de um Ronin

5 Capítulo 5 - Uma nova perspectiva


Notas iniciais
DarkDoll aqui, até que enfim consegui voltar e atualizar a fic. Queria pedir desculpas pela demora, não vamos abandonar essa fic. E nem foi culpa da Antoinette, eu estive com alguns probleminhas e acabei não conseguindo postar, mas eis o 5 capítulo, espero que gostem. ;*

Assim que Ikuto e Kahina se retiraram da hospedaria, Ayame puxou Shiro para uma das mesas que ali haviam, não estava interessada em fazer as tarefas naquela manhã, queria saber tudo sobre as viagens do garoto. Ele sorriu, entregando o presente a garota aceitou, porém ficou extremamente sem jeito diante do ato. Assim como ele fez com a irmã, também ajudava a pequena a colocar o presente.

- Perfeita! — Ele sussurrou com uma expressão um tanto diferente, deslizou a mão sob a face corada da garota que desviou o olhar imediatamente. — O que foi? — Achou graça na atitude da pequena, recostou o rosto sob a própria mão, enquanto apoiava o cotovelo sob a mesa.

- Nada! Não é nada! — Ela disse sem graça. — Você... Shiro-kun, me conte, seu pai também voltou? Você não vai embora não é? — Ela agora encarou o garoto, notando o sorriso do mesmo morrer.

- Aya-chan, meu pai... — Ele sorriu tristemente, olhando para um ponto fixo atrás da garota, obviamente tinha coisa errada ali, ele não era daquele jeito, ela moveu os lábios tencionando perguntar o que estava acontecendo, mas foi surpreendida pela voz grave do garoto. — Ele morreu... Já faz um ano...

- O quê? — Ficou boquiaberta, observando os olhos marejados do garoto. — Quando? Como? Por que não voltou antes? — Estendeu a mão, segurando a do garoto, com uma expressão triste fixada no semblante.

- Depois que saímos daqui, meu pai fixou residência em Otsu, ficamos lá por quase quatro anos, quando finalmente decidimos retornar ele caiu doente, foi durante o inverno. Tentamos tudo que podíamos, mas era tuberculose, na verdade ele já estava doente há muito tempo, mas demorou um pouco para a doença dar sinais e então... — Ele levou uma das mãos até os próprios cabelos, bagunçando-os e então voltou a sorrir.

- Mas você sabe que poderia voltar, você sabe que o otoo-san te receberia de braços abertos, por quê você não veio? — Ela se levantou, enquanto algumas lagrimas caiam, molhando o rosto delicado. No fundo ela compreendia a dor daquele garoto, ele também não tinha uma mãe e agora o pai também havia partido, mas era diferente, ela tinha Kahina, tinha Tadase, mas e ele? Sentia-se extremamente magoada com a decisão tomada pelo garoto.

- Ayame-chan... — Ele começou. — Você sabe que desde quando éramos pequenos, eu... — Ele deixou transparecer um sorriso confortador e então se levantou, aproximou-se e limpou as lágrimas da garota. — Eu sempre amei você... Eu prometi que voltaria, eu disse que viria te buscar, não foi? E eu não desisti! Eu ainda quero me casar com você, eu te amo. — Ele confessou, enquanto alisava o rosto alvo da garota, ela corou novamente, abaixando o rosto, tentando evitar contato visual com o outro.

- Shiro-kun eu não... — Ele segurou o queixo da garota, fazendo-a encará-lo, colocou o dedo indicador sob os lábios dela pedindo silêncio.

- Não responda agora... Eu fiquei um ano fora, eu continuei os negócios da família, pretendo voltar a viver aqui por um bom tempo, vou abrir uma nova loja e espero que um dia você me aceite e então nós possamos ser felizes juntos. Agora vamos... Eu vou te ajudar com as tarefas, não quero que Tadase-sama pense que eu vim aqui para atrapalhar você nos seus afazeres. — Ele virou as costas deixando uma Ayame boquiaberta para trás, aquele era um plano maravilhoso, ou seria, se ela pudesse deixar para trás os próprios sentimentos, de certo ela não iria ficar no meio de Kahina e Okita, pois sabia que ela amava aquele homem e certamente ele iria perceber e não queria brigar com a irmã, mas não podia também mentir para Shiro. Sentia-se extremamente dividida naquele momento, foi quando viu Ikuto e Kahina entrarem, eles pareciam estar brigando como sempre, ela sorriu, esperando que eles guardassem as compras, iria contar a irmã sobre a proposta do garoto. Arrumou as mesas e limpou tudo e então foi em direção a cozinha encontrar com a irmã, mas teve uma enorme surpresa quando entrou, viu ambos abraçados.

- Gomen! — Ela disse sem jeito e se retirou do local, pôde escutar as risadas vindas de dentro da cozinha, era realmente muito bom aqueles tempo de paz. Queria viver daquele jeito para sempre, junto com os amigos, com a irmã, mas sabia que em breve teria mais problemas com aqueles seres que não a deixavam em paz.

As horas passaram ligeiras, tudo parecia estar indo bem, já fazia algum tempo que os clientes estavam comendo e bebendo, Ayame andava apressada, um pouco distraída, procurou em todo o dia tentar contar a novidade, mas acabou fracassando debilmente devido as intromissões de Ikuto e do próprio Shiro. A morena carregava uma bandeja, deixando-a na terceira mesa, com um leve sorriso no rosto quando foi chamada pela irmã que parecia mais animada do que nunca.

- Onee-chan! — Kahina chamou com um sorriso maroto no canto dos lábios.

- Hm... — Ayame suspirou, já imaginando que dali alguma confusão surgiria, já podia imaginar pela expressão da outra que ela iria aprontar alguma coisa.

- O Shiro-kun me contou! Você vai aceitar a proposta de casamento? — A garota de cabelos esverdeados disse em um tom de voz alto, chamando atenção de algumas pessoas que estavam bebendo nas mesas, assim como a do grupo de guerreiros que adentrava o salão.

Ela olhou petrificada para a porta, por ela o jovem dono de seu coração passava, com um sorriso gentil expresso no semblante e depois dele os outros companheiros, inclusive um em especial que ela nunca havia visto. Ela percorreu a face de Okita com os olhos, como se quisesse ler ali algum tipo de reação à revelação da irmã, todavia, ele parecia nem ter ouvido direito ou nem se importado, ela abaixou a cabeça meio sem jeito e quando voltou a erguer os olhos encontrou-se com o tal jovem misterioso. Ele era lindo, cabelos longos presos e jogados sobre um dos ombros, uma expressão de seriedade sem igual, lábios finos, pele alva, era simplesmente perfeito. Ela sentiu o coração disparar de uma forma que nunca havia sentido antes.

‘- Céus, mas... Quem... Okita-sama... Mesmo com Okita-sama meu coração... Eu nunca... Isso não é possível... Quem... Quem é esse homem? ’ — O pensamento invadiu a mente da garota, fazendo-a esquecer-se que a irmã estava ali. Ela apenas encarava aquela nova figura, era até mesmo incomodo, todavia, ela não conseguia mais ver nada. Somente aquele homem, a respiração aos poucos ia se alterando assim como os batimentos cardíacos.

- Oee... Aya-chan! Acorda! — Kahina praticamente chacoalhava a garota, tirando-a de seus devaneios, uma camada rubra tingiu o rosto da garota que simplesmente se desvencilhou dos braços da outra e seguiu para a próxima mesa onde o cliente praticamente gritava por atenção, mas não antes de olhar mais uma vez para o integrante misterioso daquele grupo, sentiu um calafrio ao cruzar olhares com aquele homem.

- Que vergonha! — Ela murmurou baixinho, enquanto tratava de pegar mais algumas bandejas, foi então que escutou a irmã chamar novamente, o tom de voz parecia um pouco chateado, ela se aproximou da mesa, carregando o pedido de sempre daqueles homens e então depositou ali, olhando vez ou outra para o rapaz misterioso, foi então que Sanosuke deixou escapar um risinho chamando a atenção da morena.

- Aya-chan! — Ele disse com um jeitinho maldoso. — Você vai... — Não deu nem tempo de dizer e a garota já tinha derramado a bebida e foi justamente em cima do integrante que ela tanto se interessou, ela fez uma reverência pedindo mil desculpas e então Okita começou a rir sem parar, fazendo a garota arquear as sobrancelhas.

- Que engraçado! Ayame-san, isso é hilário! — O capitão arqueava o corpo sobre a mesa, rindo até não agüentar mais, o outro apenas levantou-se parecendo indiferente, não havia fúria ou quaisquer coisa semelhante naquele olhar. Era como se ela nem existisse, obviamente ele não se agradou em estar agora com o kimono manchado pela bebida da garota, mas ainda assim nem sequer alterou o semblante frio.

- Da próxima vez tente prestar atenção no que está fazendo... — Disse friamente, enquanto se dirigia ao balcão procurando alguma coisa para se limpar.

- Eu... Eu... — Ela se segurava para não começar a chorar, não entendia o que estava acontecendo, assim que ouviu aquele tom de voz frio sentiu uma dor terrível, como se aquele tipo de coisa pudesse afeta-la profundamente, como podia se sentir assim diante de alguém que acabara de conhecer? Nem mesmo Okita, nem mesmo ele fora capaz de despertar o interesse da garota daquela forma.

- Oee... Ele é exagerado demais! — Okita deu os ombros, tomando uma pequena dose de sakê. — Ayame-san, deixe-me apresentar, esse é Kondou-san. — Apontou para o mais velho que permanecia apenas apreciando o chá. — E aquele ali com cara de quem não gosta de nada, o senhor certinho... — Apontou para o rapaz que permanecia de costas, para todos, tentando inutilmente limpar as vestes dos vestígios do ‘acidente’. — É o Saitou! Hajime Saitou.

- H-Hajime-sama... — Ela murmurou, encantada, Sanosuke arqueou a sobrancelha, notando o tom de voz da garota, até mesmo Okita que parecia mais lento notou o jeito diferente dela chamar aquele homem, todavia, preferiram ignorar, pois uma briga havia começado. Ikuto estava batendo em um dos cliente, chamando atenção de todos que estavam ali. Os amigos daquele homem se levantaram já tencionando arrumar mais confusão, seguravam as espadas, ameaçando partir para cima de Ikuto que ainda parecia bastante ocupado batendo no pervertido que se atrevera a tocar em Kahina.

- Isso... — Ayame começou, tentando abrir passagem entre os briguentos, uma roda havia se formado, mesas quebradas, copos, uma confusão enorme. — Parem! — A garota falou em meio as vozes exaltadas, nessas alturas Shiro já tinha entrado na briga tentando apartar e impedir que os outros fossem para cima de Ikuto também. — Por favor, parem! — Ela tentou mais uma vez sendo prontamente ignorada por todos.

- PAREM! — Foi a vez de Hajime que deu um baque enorme sobre o balcão, fazendo com que todos o encarassem. — Se vocês não pararem com essa confusão eu vou prender todos vocês! Em nome do Shinsengumi! — Ele afirmou, mantendo uma expressão de indiferença, a voz ligeiramente alterada do capitão assustou até mesmo seus companheiros, pois ele não era muito de falar. Que dirá de fazer escândalos, ele parecia estar realmente zangado.

- Maldito! Quem você pensa que é? — Um bêbado se levantou exaltado, praticamente cuspindo aquelas palavras, seguidas de um risinho débil provavelmente provocado pelo álcool. — Hahaha... Aniki mostre a ele quem manda! — Ele continuou, enquanto o outro se erguia da mesa, um homem imenso, corpulento e igualmente bêbado.

- Calem a boca! — Hajime disse novamente. — E vocês dois, eu quero vocês fora daqui! — Ele ordenou, arrancando mais risadas de alguns homens que já estavam para lá de bêbados. — Eu estou avisando... — Ele se afastou do balcão encarando um por um.

- Saitou! — Okita chamou a atenção do companheiro. — Vamos, não exagere, tente não brigar aqui dentro, se você destruir tudo onde é que vamos beber? — Ele disse ainda sentado, enquanto escorava o corpo sobre a parede próxima a janela.

O capitão franziu o cenho em sinal de clara irritação, infelizmente tinha que admitir que Okita estava com a razão, não por que quisesse de fato ir ali encher a cara como o outro, mas não podia destruir o fruto do trabalho de um homem honesto apenas por capricho. Deixou escapar um longo suspiro. — Vou dizer uma ultima vez... Quero que saiam daqui, do contrário eu vou prender todos vocês! — Dessa vez direcionou o olhar para o homem que parecia ser o ‘líder’ dos encrenqueiros. Os orbes azulados brilhavam de uma forma deveras assustadora, tanto, que o homem recuou, acabando por derrubar algumas garrafas de bebida que estavam sob uma mesa próxima.

- Malditos cães do Xogunato! — Murmurou humilhado, enquanto dava as costas ao capitão. Os outros baderneiros acabaram por seguir o homem fazendo comentários nada agradáveis. Não iria ficar assim, um dia teria sua vingança e isso podia contar como certo. Virou um pouco o pescoço mirando o capitão por cima dos ombros. — Um dia... Você irá pagar por isso!

- O que foi que você disse? — Foi a vez de Sanosuke erguer-se com uma expressão nada contente no rosto. Encarou os homens e deu uma olhada para Saitou que apenas anuiu positivamente.

- O que você ouviu! Por acaso está ficando surdo? Seu cão imundo! — O homem corpulento acabou por virar-se novamente, mas dessa vez em direção a Harada, de cenho franzido, as pernas bambeavam devido a bebida.

- He... Você é realmente um homem de coragem! Vamos lá fora e eu te mostro o ‘cão’. — O ruivo complementou com um sorrisinho maldoso adornando os lábios. Estava louco para ter uma boa briga, não que considerasse que aquele homem serviria para qualquer coisa, mas ainda sim não iria ficar sentado escutando aquelas ofensas. — Anda, vamos lá fora!

- Iie! Por favor, parem com isso... — Ayame implorou com um tom de voz choroso, não queria mais confusões e sabia que aquilo não terminaria ali. Mesmo que eles lutassem, sem dúvidas aqueles homens voltariam e então uma luta desnecessária aconteceria de novo e de novo. Estava cansada de batalhas, odiava ter que lutar. Colocou-se no meio de ambos, com uma expressão praticamente suplicante. — Harada-san, por favor, pare!

- Mas Ayame-chan... Esse homem não pode sair impune, veja só... — O capitão apontou para a confusão que o outro havia feito, mas ela apenas abaixou a cabeça entristecida. Odiava ver mulheres tristes e chorosas, deu um suspiro de desgosto e estava prestes a dizer que deixaria passar, mas o homem segurou a garota pelo kimono e a trouxe mais para perto.

- Sua vadia! Ninguém perguntou nada! Não se meta em assuntos de homem! — O tom de voz era realmente irritante e assustador de certo modo, Ayame virou o rosto tentando evitar aquele cheiro desagradável de álcool. Quando o fez o homem acabou por desferir um tapa contra o rosto da garota fazendo-a cair sobre algumas mesas que haviam ali. Ela ergueu o rosto estupefata pela reação do homem, um pequeno filete de sangue escorria pelos cantos dos lábios da mulher. No calor da briga o homem havia perdido o juízo pensou Sanosuke enquanto o olhava deveras irritado, estava prestes a acompanhar o homem para fora do local, mas em vez disso viu Hajime abrir caminho e passar por ele como se nem o tivesse visto.

Ele retirou a katana rapidamente da bainha e acabou por cortar fora a mão do homem, o outro nem havia visto de onde tinha vindo o golpe. Ficou alguns segundos em silêncios e depois um grito quase gutural escapou pelos lábios retorcidos em dor e desgosto. A mão jazia aos pés do homem, enquanto ele gritava e na fúria acabava por destruir varias coisas que haviam no local e também esbarrava em algumas pessoas.

- Aniki! — O mais novo gritou, colocando-se ao lado do suposto irmão e tentando fazê-lo parar de se mexer. O sangue já havia sujado todo o assoalho de madeira e mesmo a garota tinha o kimono manchado pelo sangue que havia espirrado. Hajime se mantinha quieto, apenas observando-o com um olhar praticamente demoníaco no semblante. — O que você fez? Por que? — O outro reclamou, observando o capitão com uma expressão fria como o gelo.

- Saitou... — Okita finalmente se levantou e tocou o ombro do companheiro com uma expressão preocupada. — Dessa vez você exagerou... Cortar a mão dele... — Começou, mas logo foi calado por um olhar nada amigável. O capitão guardou a katana e se abaixou ajudando a garota a colocar-se de pé.

- Você está bem? — Perguntou casualmente, ela ainda parecia em choque, sentiu o coração doer de certo modo. Não queria mais sangue, mas só de saber que aquele homem a havia salvado fazia o coração da garota aquecer-se. — Eu fiz o que deveria ser feito! Não pensem que o Shinsengumi não toma conta de seus afazeres, esse homem é um arruaceiro e agora pensará mil vezes antes de fazer algum escândalo. E principalmente antes de bater em uma garota indefesa.

- Hai... Arigato... — Fez uma pequena mesura, mas quando voltou a erguer a cabeça ele já estava na porta da hospedaria, não se dignou a nem olhar para trás apenas assentiu com a cabeça de forma positiva. Os outros já haviam se levantado e ido se desculpar com o dono da hospedaria. O homem mutilado fora arrastado para fora com a ajuda do ‘irmão’ e de alguns outros bêbados que estavam junto dele.

Shiro e a irmã já haviam se juntado a ela que permanecia a observar as costas de Hajime, os outros membros retiravam-se dali calmamente, ele foi o ultimo a sair, ela cerrou os próprios punhos perguntando-se o quão ’indefesa’ ela era, afinal, já havia matado muitos homens e entrado em diversas confusões. Aquelas palavras apesar de serem agradáveis e gentis de certo modo faziam-na sentir-se culpada e suja. Caminhou calmamente até a saída e observou os homens de manto azulado desaparecerem na rua praticamente deserta. A imagem daqueles olhos azuis não conseguiria sair da mente dela por um longo tempo.