As Crônicas de Reddie Hunter

29 Isso é a imortalidade minhas queridas.


REDDIE

Eu havia saído do fundo do abismo.

Só pra tropeçar e cair num buraco.

Não cheguei a conversar com ela sobre muitos assuntos além de descobrir um jeito de acabar com sua imortalidade. Há uns momentos atrás, queria esganá-la e matá-la. Mas Sel provou no final das contas que conseguia ser uma boa pessoa. Não ser um monstro. Ela tinha se sacrificado, e eu sentia meu coração pesado por não ter mais a oportunidade de pedir desculpas por ser tão malditamente infantil.

Nicho a cobriu com sua camiseta. Então colocou uma mão em suas costas e outra abaixo dos joelhos da garota e a embalou nos seus braços. Nós o seguimos para fora. Ninguém falava nada. Ninguém sabia o que falar. Parecia que um abismo tinha sido aberto, e todos nós estávamos caindo nele em câmera lenta. O abismo da triste realidade. Selena estava morta. E não há nada que se possa fazer sobre isso.

Nicho murmurava coisas pra ela, embora ele mesmo soubesse que Sel não o estava ouvindo.

Ninguém protestou quando Nicho começou a andar em direção a casa de Sel. As pessoas lançavam olhares estranhos, mas devem ter concluído que Sel era apenas uma garota que bebeu demais fora do horário. Queria que fosse isso que tivesse acontecido, que ela havia tomado um porre de manhã, ou desmaiado numa balada de madrugada, e então depois acordasse reclamando de uma droga de ressaca.

Doía. A dor era familiar, embora que não fosse nem de longe tão intensa. Mas eu sempre sentia essa agulhada quando alguém estava morto perto de mim. Uma voz sussurrava na minha cabeça o quanto eu era inútil, que não conseguia salvar ninguém. Então o luto misturava-se com a impotência e eu me sentia uma completa idiota fracassada.

Merda, por que eu sou uma inútil?

E isso era freqüente demais. Porque eu tenho que lidar com pessoas que não consigo salvar e isso me machuca pra caralho.

Era como se estivéssemos caminhando para um velório. Só que o corpo não estava num caixão. Estava nos braços de Nicho, que chorava silenciosamente.

Queria ficar com Ethan, mas ele abraçava firmemente Luna enquanto caminhavam, e eu não iria interromper.

Chegamos a casa de Sel. Nicho entrou na frente e o seguimos, um por vez. Ele subiu a escada, a pôs na cama e sentou num banquinho que havia ao lado, a olhando, como se esperasse que ela iria acordar a qualquer momento.

Queria ir até lá abraçá-lo, mas dava pra sentir a aura de Nicho. O ar ao redor dele parecia uma neblina, estava criando um fina camada de gelo em tudo que tocava. Como se suas emoções vazassem do seu corpo.

— Podem ir, ela vai acordar daqui a pouco. – Nicho murmurou.

— Nicho... – Tentei falar, mas ele levantou a mão, e com esse ato senti meus cílios congelarem com uma baforada de frio.

— Ela vai acordar, Red. – Ele finalmente olhou pra mim, mas eu teria preferido não ter visto aquela expressão de aflito e ansiedade em seus olhos já vermelhos.

Ele estava se atando a esperança de que ela iria acordar. Mas todo mundo ali parecia pensar o mesmo: Selena não iria acordar.

Os amigos dela ficaram no aposento, Luna se sentou no chão ao lado da cama, e eu e Ethan resolvemos sair. Aquela tristeza estava me corroendo como ácido. Aliás eu prefiro não pensar muito em ácido. Nos sentamos na calçada do lado de fora da casa, olhando os carros passarem.

— Você acha que ela vai acordar? – Ethan me perguntou.

— Não. – Fui curta – Mas também não quero acreditar nisso.

— Também não. Ás vezes ter esperança só piora tudo.

Olhei pra ele, será que Ethan compreendia o que era acreditar que coisas ruins são apenas pesadelos? Eu não sabia. Abaixei a cabeça, imersa em pensamentos.

— Antes de lutar com Selena... Você disse que tinha perdido todo mundo.

— É. – Minha garganta começou a se fechar.

— O que aconteceu?

— Não quero falar disso. – Soltei um suspiro – Dói.

— Respeito isso. Sei como é perder alguém.

Tive vontade de perguntar “E a sensação de perder tudo que te sustenta?”. Deitei a cabeça em seu ombro, dessa vez ele não recuou. Olhei para o céu, o sol estava perto de se pôr, uns quarenta minutos talvez, e poucas estrelas estavam lá. Por algum motivo lembrei de Selena ao vê-las. Talvez pelo seu moletom com estampa de galáxias, talvez por imaginar que agora ela era uma delas.

De uma coisa tinha certeza, Selena Cook, não é um monstro. Eu queria tê-la entendido melhor, mas com ela me atacando foi meio difícil discernir se ela era mocinha ou vilã. Talvez um pouco dos dois.

Odeio quando fico pensando nos talvez da vida e sei que não vou ter resposta.

Passou um tempo, nenhum de nós dois falando nada, até que o lado de dentro da casa explodisse numa gritaria de alegria. Eu e Ethan nos afastamos e nos olhamos. Eu não consegui evitar abrir um sorriso grande de esperança. Corremos para lá dentro, meu coração palpitando de expectativa, e Sel, ainda fraca, era base de uma pirâmide de gente. Meu sorriso se estendeu ainda mais enquanto meu sentimento de fracassada se dissipava um pouco.

E não é que ela é imortal mesmo?

Literalmente Nicho havia se jogado em cima dela e gargalhava, Jack logo após, Aaron, Rafa e Luna.

— Vocês vão matá-la de novo – Eu disse, mas não pude segurar o riso.

Selena começou a resmungar enquanto ria.

— Espera aí, meu povo. Eu sei que vocês me amam, mas eu voltei. – Ela disse sorrindo – Mas ainda dói pra caralho.

— Ok, ok. – Um a um, o povo foi saindo de cima dela.

Eu queria abraçar Selena e dizer o quanto eu estava feliz por ela estar viva. Ela se sentou, gemendo um pouco de dor e acariciou sua barriga. Então me olhou.

— Oi. – Ela sorriu pra mim.

— Oi. Bem vinda de volta – Sorri de volta pra ela.

É nessas horas que eu até queria fazer as pazes com a coleguinha. Luna deu um grande abraço em Selena que riu.

— Obrigada, Sel. – Ela sorriu – Você salvou a minha vida.

— É, eu te devo uma, baixinha. – Ethan disse – Valeu por salvar a vida da minha irmã.

— E valeu por salvar a vida do meu melhor amigo. – Sorri.

— Então vai parar de implicar comigo? – Ela arqueou uma sobrancelha.

— Por enquanto sim. – Dei de ombros. – Além disso, já vi que é impossível te matar.

— Morrer, eu morri. – Ela fez uma careta – Mas fazer o quê? Isso é a imortalidade, minhas queridas.

Ora, ora, temos uma fã de Pretty Little Liars aqui.

Nicho adotou uma expressão de bravo.

— Você ficou louca? Sabe o quanto eu fiquei preocupado? Quase me mata do coração! – Ele reclama – Não divido sorvete com você por uma semana.

— Primeiramente, eu sou louca. Segundo, o sorvete eu posso te roubar, e terceiro...

Ela segurou o rosto de Nicho e o beijou. O povo começou a aplaudir e assobiar enquanto Nicho ficava vermelho.

— É, posso pensar no seu caso, mas ainda não vou te dar sorvete – Ele sorriu meio atordoado.

Awnt. Mas eu só consigo pensar que ela tava morta uns tempos atrás.

Eu e o pessoal saímos dali para dar privacidade ao casal não assumido.

— Ei, por quê estão saindo?

— Pra vocês se agarrarem em paz. – Dei de ombros e quando todo mundo saiu, eu fui a última e antes de fechar a porta complementei. – Aproveitem.

Tive um último vislumbre de Nicho e Selena corados antes de bater a porta.

Então a gente ficou se olhando.

— O que a gente faz agora? – Ethan perguntou.

— Sei lá. – Rafa deu de ombros.

— Pretty Little liars? – Aaron opinou.

— É uma boa. – Luna assentiu.

Então todo mundo se acomodou no sofá e estávamos ligando a Netflix quando alguém bateu na porta.

— Deixa que eu atendo. – Me ofereci e me levantei.

Eu sabia que quando aquela série começasse tão cedo eu não ia sair da frente da televisão. Abri a porta e lá estava Bryan com cara de paisagem.

— Agora que você chega?

— Que foi? Perdi muita coisa? – Ele indagou confuso, os óculos tortos na ponta do nariz.

— Depois da briga em que o senhorito fugiu, nós fomos atrás de uns monstros num prédio abandonado. Luna e Nicho morreram...

Os olhos verdes de Bryan reviraram e ele desmaiou caindo na soleira da porta.

— Quê que tá rolando aí? – Jack perguntou.

— Nha. Eu dou conta. – Comecei a arrastar Bryan pelos braços pra cozinha. – Me esperem, eu aproveito e trago pipoca.

— O que aconteceu com ele? – Ethan perguntou.

— Ele não esperou a parte em que Selena ressuscita Luna e tals.

— Beleza, mas eu acho que ele vai desmaiar mais umas duas vezes até o fim da história.

— Então você vai continuar a história porque eu não tenho paciência pra ser contadora de histórias.

Parei ofegante na metade do caminho para a cozinha. E olha que o caminho era curto. Coloquei a mão na barriga e quando olhei meus dedos, estavam tingidos de vermelho. Olhei o pessoal. Todo mundo arranhado, ensangüentado e sujo.

— Cara, vocês não perceberam que a gente precisa de um banho?

Todo mundo olhou seu próprio estado antes de concordar. Deixei Bryan no chão mesmo e corri pro banheiro mais próximo que estava com minha sacola antes que alguém entrasse.

Caramba, não me admira que Ethan não queira me beijar, eu tô um caco.

Tirei a roupa, mais uma que não daria mais pra usar. Menos a jaqueta de Ethan. Ela ainda estava inteira, só umas manchinhas de sangue aqui e ali, dava para salvar. Tomei um banho rápido do jeito que podia, afinal não tinha banheiro pra todo mundo naquela casa.

Cara, vocês já devem ter assistido um desenho animado em que o personagem fica enfaixado da cabeça aos pés. Eu sou praticamente esse pobre personagem.

A maioria dos arranhões passei remédios, mas muitos outros foram profundos e tive que colocar curativos e mais curativos, o ferimento da minha barriga tinha piorado e parecia que ia pegar infecção. Passei um bom tempo passando pomadas e colocando curativos.

Quanto a minha cara, com o olho e a maçã esquerda do rosto, roxos, eu não podia fazer nada além de maquiagem.

Coloquei um short preto, uma camiseta branca com mangas até o cotovelo e um chinelo, prendi meu cabelo num rabo de cavalo.

Saí finalmente do banheiro, e Aaron e Rafa praticamente voaram na direção, mas Rafa chegou primeiro, o que fez o outro garoto bufar e voltar para o sofá. Mas ele não estava tão ruim. Só uns arranhões. Eu que deveria estar pior. E Jack também. Eu não me arrependo nem um pouquinho de jogar aquela garrafa no miserável. Ninguém mandou falar da minha mãe. Então espero que ele fique catando caco de vidro dentro do peito até mês que vem.

Selena tava vivinha da Silva e se recuperando então o banho era só pra limpar a sujeira e o sangue seco mesmo.

Bryan ainda estava no chão, e quando cheguei perto ele gemeu de dor e esfregou a cabeça.

— Pensei ter ouvido você falar que Nicho e Luna morreram.

— Ouviu certo. – Dei de ombros enquanto ele arregalava os olhos em pânico – Mas calma aí, Selena ressuscitou eles. E aí ela morreu.

— Mas que porra...?

— Me deixa terminar caralho. Então agora a pouco Selena voltou a vida porque ela é imortal. Resumindo, foi isso que aconteceu.

— Meu Deus, eu só fui pra outra lanchonete e rola uma treta dessas.

— Pois é. Da próxima vez é só não sair correndo.

— Eu agi em legítima defesa.

Ethan desceu as escadas, agora com os cabelos molhados e arrepiados. Bryan olhou seu relógio.

— Por sinal, faltam 3 minutos pro sol se pôr.

ETHAN

Olhei pra ela. Ela olhou pra mim. E aí abriu um sorriso.

— Sei que vai sentir falta de mim assim.

— Acho que não. É mais divertido quando você tá no seu normal.

—Você é chato. – Ela bufou – Mas eu te amo mesmo assim.

— Espere – Peguei meu celular e liguei o gravador – Por favor, repita a última parte.

— Eu te amo. – Ela repetiu e eu dei um sorriso de satisfação ao desligar o gravador.

— É. Agora tenho uma prova concreta que você foi apaixonada por mim um dia.

Reddie arqueou uma sobrancelha. Pensei por um instante. Tinha algo que eu queria fazer ainda. Uma coisa que queria já fazia um tempo. E bom, não acho que teria muita chance depois que ela voltasse ao normal.

Me aproximei dela.

— Um minuto, pombinhos – Disse Bryan.

Reddie tinha um cheiro bom, algo de morango, baunilha e café. Era estranhamente harmônico.

Eu estava tão perto que tive que olhar pra baixo pra encarar seus olhos. Ela estava sem lentes e sua pupila começava a voltar ao normal. Meu tempo estava acabando.

Então fiz o que queria, enlacei meus braços ao redor do seu corpo e a dei um abraço apertado. Eu queria fazer isso desde que fiz aquela estúpida pergunta na cafeteria.

— Pode me odiar por isso quando voltar ao normal, mas não vou me arrepender. – Falei, com o queixo apoiado em sua cabeça.

O cabelo dela é macio. Ela riu, e ficamos assim. Era confortável e legal sentir meu coração bater mais rápido. Até que deu o horário. E ela se afastou.

Reddie entreabriu os lábios e olhou para os lados. Aí levantou o dedo indicador. E depois fechou a boca e abaixou o dedo. Rafa saiu do banheiro e Selena e Nicho desceram a escada.

— Ela voltou? – Nicho perguntou.

— Eu não sei. – Respondi.

Reddie se afastou um pouco mais.

E aí pegou impulso e me deu uma voadora que fez meu pulmão parar de exercer sua função.

— Sério isso?

— Tem sorte de eu não ter acertado seu pescoço. Cadê aquela desgraça bêbada?! – Ela gritou, ainda com o pé em cima do meu peito.

— É, ela voltou. E cara, eu nem fiz nada. Dá pra sair de cima de mim?

— Meu Deus. – Ela olhou pra mim e corou – Caralho. O que eu fiz?

— Só me assediou o dia inteiro. Não se lembra?

— Eu lembro idiota, foi uma pergunta retórica, me lembro até demais. – Ela gemeu como se estivesse sentindo dor – Eu vou matar aquele corno. Mas antes... – Ela se afastou e aí se apoiou na parede, enquanto escorregava até o chão – Deixa eu processar as merdas que fiz hoje, Ross. Nem tente falar comigo.

É, ela é mais divertida assim.

REDDIE

Sabe quando você faz merdas irreversíveis em que sua única vontade é fugir ou então imitar um avestruz e esconder sua cabeça debaixo da terra e nunca mais encarar quem presenciou essas merdas?

É o que estou sentindo agora. Que desgraça. Isso e estava pensando em como rastrear aquele Cupido bêbado e esganar seu pescoço gordo e matar ele antes que a cirrose faça isso.

Depois das frases que disse hoje, nunca mais eu quero ver Ethan na minha vida.

Meu Deus, será que dá pra alguém meter logo uma bala na minha testa? Eu vou meter uma faca naquele cupido viado assim que tiver uma oportunidade, deixe ele chegar perto de mim. Filho de uma égua. Bem feito ter levado um pé na bunda. Com certeza a fada do dente não merecia um merda que sai por aí destruindo a dignidade alheia. Ninguém mexe com minha mente desse jeito e sai livre.

Tá certo que o outro desgraçado tá perambulando por aí, mas um dia eu acho ele. Pressionei os dedos nas minhas têmporas, como se isso pudesse fazer minhas memórias sumirem. Tenho um novo trauma agora. Vi Aaron descer até o porão.

— Selena! – Gritou Aaron.

— O que foi, esterco?

— É assim que se fala com o amigo, sua vaca?

— Vaca é você seu boi! – Ela gritou de volta e então desceu o porão. Dei uma risada fraca.

Me levantei do chão e deitei de bruços no sofá, decidida a me sufocar lentamente até morrer. Espero que ninguém note e me deixe morrer em paz. Aliás nem posso, tem uma listinha de pessoas que preciso me vingar antes disso.

— Galera, a informação é que tem um monstro indo pra um baile do dia dos namorados! Ou seja, nós vamos pra um baile do dia dos namorados! Todo mundo se arrumando.

Tive que me virar.

— Você acabou de ressuscitar.

— E daí? – Deu de ombros – Se duvidar, morro de novo hoje. – Ela riu como se não fosse nada.

— Quais vão ser os nossos pares? É um baile, certo? Do dia dos namorados, ainda por cima. Tem que ter isso. – Luna. Cala. Esta. Boca.

Depois dessa eu não quero nem olhar pra cara de um garoto.

— Então faz assim, Reddie e Ethan, Luna e BRYAN – Sel gritou e Jack revirou os olhos – Eu e... Nicho, Aaron, Rafa, Jack. E a minha dignidade?

Aí eu processei o fato “Reddie e Ethan”.

— Desculpa, Sel, mas eu acho que não ouvi direito, deve ter sangue no meu ouvido. Você disse Reddie e Ethan?

— É só um baile, Red.

— Eu já fiquei agarrada com ele o dia inteiro! Não preciso ficar mais tempo junto dele! E a minha dignidade? Não acha que isso é pedir demais, não?

— Não – Direcionei a Selena meu olhar mais mortífero e ela sorriu.

Eu bufei. Esse é um dos piores dias da minha vida.

— Como você vai explicar para o cara da entrada que tem quatro namorados? – Luna perguntou.

— Eu não tenho quatro namorados, eu tenho namorados fictícios por hoje.

— Só o Nicho é real, né? – Eu brinquei sorrindo e Sel corou.

— Eu dou um jeito de falar com o cara da entrada. – Ela fez um gesto de descaso com a mão e saiu correndo pro quarto.

— Olha, eu tô um caco, uma das desvantagens de ser humana. Não vou poder ajudar.

— Você pode ser uma distração.

— Com a barriga desse jeito? – Ela chegou perto de mim e tocou no meu ombro.

Imediatamente comecei a sentir um alívio. Como se minhas tripas desfizessem um nó. Selena cerrou os dentes enquanto as veias negras subiam pelo seu braço. Toquei minha barriga. O ferimento. Eu não sentia mais nada.

— Você realmente tava ferrada hein. – Ela soltou um bufo – Mas agora acabou suas desculpas.

— Não sei se te agradeço ou se te xingo porque agora tenho que ir.

Ela riu novamente.

— Já decidiu o que vai vestir?

— Claro, Sel. Até porque eu ando com vestidos de baile sempre na mala.

— Esse é um problema que eu posso resolver.

Ela me pegou pelo pulso e praticamente me arrastou até seu quarto, junto com Luna. Então revirou seu guarda roupa e tirou duas caixas com estampas de listras brancas e azuis.

— Tá aí – Ela entregou uma caixa pra cada – Provavelmente cabem em vocês, eu só usei uma vez na minha formatura, estão novinhos.

Tirei a tampa da caixa, onde tinha um vestido tomara que caia preto. Eu odeio o nome desse vestido e maldito seja quem o batizou. Tomara que NÃO caia esta merda. Mas ele era lindo. Com um laço na cintura e acima dela era justo. A parte debaixo era uma saia franzida que provavelmente dava acima dos joelhos.

Bom, estou indo a um baile com um acompanhante indesejado, então o vestido é o lado decente.

— Valeu. Então acho que é hora de ir num baile – Falei, dando de ombros.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ Beijoos, vou começar a escrever na escola tbm, o professor de matemática é chato ;-;