Notas iniciais
É, hj erh meu recorde, devo ter postado uns tres ou quatro caps >.
pelo menos tento compensar a demora prevista pelas minhas voltas as aulas na segunda, mas ja vou avisando... EU NAO VOU ABANDONAR A FIC!!

Invasão

— Lena, venha rápido! – gritou Edmundo, puxando-a pela mão em direção às escadas.

Ouviam-se uivos, rosnados, gritos. O castelo estava uma confusão. Havia narnianos correndo para todos os lados, em direção à saída ou em direção às armas que estavam enfeitando as paredes do palácio, mas que na verdade, estava ali para casos de emergências como este.

Enquanto Lena corria pelas escadas, com Edmundo segurando firmemente sua mão – a outra segurava o vestido preto para que não caísse –, arriscou uma olhada por cima do ombro. Viu o momento exato em que os lobos arrombaram o portão e entraram, pelo menos, cem deles. Com certeza um décimo dos que a Feiticeira tinha como aliados. Não estavam em maior número, mas estavam na vantagem por terem pegado-os de surpresa.

Lena sentiu um solavanco no braço direito quando Edmundo a puxou pelo corredor em direção aos quartos femininos.

- Edmundo, o que está fazendo?!

Ele não respondeu, apenas continuou a correr pelos corredores que Lena reconheceu que levariam em direção ao próprio quarto.

- Edmundo, eu preciso descer e ajudar os outros!

Ele a ignorou novamente. Afinal, era o único modo de protegê-la. Edmundo prometera a si mesmo que não deixaria que nada a machucasse e estava mais do que disposto a levar a promessa adiante, mesmo que Lena não tomasse consciência dela.

Ao chegarem ao quarto de Lena, abriu a porta rapidamente e a empurrou para dentro.

- Edmundo, eu vou ajudar! – gritou Lena, por cima dos barulhos da batalha que ocorria no salão.

Edmundo tentou fechar a porta, mas Lena foi mais rápida e colocou o pé na frente, impedindo-o.

- Fique aqui, Lena, por favor! – falou, mas sabia que não adiantaria.

- Mas... – Lena tentou argumentar, mas Edmundo teve uma ideia. Não parecia que iria funcionar, mas precisava ao menos tentar.

- Não posso deixar nada nem ninguém te machucar! – falou Edmundo.

Rapidamente e sem pensar muito ele se aproximou dela e selou seus lábios. Lena ficou paralisada no lugar, de olhos fechados, sentindo os lábios macios de Edmundo pressionarem o seus. Seu coração falhou duas batidas e voltou a bater de uma maneira tão forte e rápida que pensou que poderia desmaiar.

Já Edmundo não fechara os olhos. Não movimentou seus lábios sobre os dela, apenas os pressionou de leve e observou-a enquanto fazia o que tinha que fazer. Enquanto pegava as chaves de trás da porta e as passava para o lado de fora, observou os olhos fechados da garota e suas bochechas que aos poucos ficava mais rosada.

Tinha que admitir que mesmo sendo apenas um selinho, fora o melhor beijo que dera até aquele momento. Poderia passar a vida inteira tentando, mas jamais conseguiria descrever o gosto dos lábios dela, confidenciou mais tarde com Lúcia e Susana.

Quando os barulhos da batalha tornaram-se mais fortes, Edmundo finalmente voltou à realidade. Uma realidade que não queria encarar sem Lena, mas sabia que era preciso.

Rapidamente separou seus lábios e, no segundo seguinte, trancava Lena dentro do próprio quarto. Pode ouvir quando a garota se jogou contra a porta, irritada, e começou a gritar com ele.

- Sinto muito, Lena. – falou e ela pareceu escutar, pois seus gritos cessaram rapidamente. – Prometi a mim mesmo que não deixaria ninguém te machucar.

Após essas palavras, correu até o lado oposto do corredor. Arrancou da haste uma das espadas e correu de volta ao salão, para ajudar na batalha.

Lena estava furiosa. Como ele pode fazer isso comigo?!, pensou. Lena até admitia que achava fofo o modo como ele dissera que iria protegê-la, mas ela podia cuidar de si mesma. Os outros precisavam dela, não podia decepcionar ninguém.

Correu os olhos pelo quarto, procurando uma forma de escapar. Lembrou-se então que podia viajar pelas sombras. Não para muito longe, apenas no máximo cinquenta a cem metros de distância. Mas raramente fazia isso, pois lhe gastava muita energia.

E antes que se juntasse à batalha, precisava se livrar daquele vestido. Não ajudaria em nada se ela tentasse manejar as katanas enquanto tentasse não pisar na bainha do vestido.

Rapidamente retirou o traje de festa e o jogou na cama. Ajeitou o espartilho preto para que a protegesse no busto e abdômen e correu até penteadeira. Colocou o cinto que tinha as bainhas próprias para a faca e a adaga, colocando-as ali logo em seguida. Prendeu em seu cinto um cantil de água também – poderia precisar contra inimigos. Foi até o guarda-roupa branco e puxou de lá uma grande capa de viagem cinza com capuz.

A capa escondia todo seu corpo, deixando apenas os tênis All Star de fora; o capuz, que Lena já havia puxado por cima da cabeça, deixava seu rosto pálido nas sombras. Deste modo, poderia viajar tranquilamente, pois ajudaria a gastar menos energia.

Lena sorriu. Era tão insegura de si na maioria das vezes. As raras vezes que conseguia acreditar seu potencial eram quando estava em batalha, quando suas habilidades com os elementos fluíam naturalmente.

Lembrou-se de quando a Rainha Susana e o Rei Pedro chegaram. Susana era tão confiante, gentil. Tão cheia de si. Sentiu inveja e intimidação. Mas é claro que jamais admitiria, apenas tentaria seguir o exemplo dela.

Balançou a cabeça, tentando se livrar desses pensamentos e se concentrar na batalha que acontecia fora daquele quarto. Correu até a cama e pegou as katanas penduradas na parede. Pendurou-as nas costas por cima da capa cinza. Olhou rapidamente no espelho e sorriu ao ver que com aquela capa escondendo seu corpo e o capuz deixando sombras sobre o rosto, quem não a conhecia bem seria incapaz de reconhecê-la.

Sorrindo ao pensamento de dar um susto em Edmundo, fechou as janelas e se aproximou das sombras que o grande guarda-roupa projetava. Concentrou-se e sentiu o solavanco que o corpo deu quando se misturou às sombras.

Dentro castelo estava uma grande confusão. Os lobos da Feiticeira atacavam sem piedade, procurando por Edmundo e Lena. Sim, eles estavam ali para sequestrá-los. A Feiticeira, após ser derrotada por Aslan a mais de um milênio, procurou interpretar melhor a Magia Profunda que comandava o destino de Nárnia.

Na Profecia, os cinco reis mencionados iriam se aliar. Mas o que outros não entendiam era que para destruir inverno de uma vez por todas, apenas dois deles eram necessários. Teriam uma nova experiência e daí, tirariam forças e motivações para ir mais longe e derrotar Jadis. Para que pudessem finalmente ficar juntos.

Após muito ela refletir sobre a Magia Profunda e os detalhes que o espião lhe dava, chegou à conclusão que precisava sequestrar e matar Edmundo e Lena. E era exatamente isso que seus lobos tentavam fazer em Cair Paravel.

Eles matavam todos que estavam desesperados ou desarmados. Não deixaria que nada interrompesse sua missão. Mas muitos estavam sendo mortos pelos soldados presentes e, principalmente, por Pedro e Edmundo, que não demorara muito a voltar.

Ragrien, o novo líder do bando de lobos, avistou Edmundo matando seus irmãos. A raiva fervilhou dentro dele e ele deu a volta, planejando atacar por trás dele.

Pedro avistou de longe o maior lobo. Ele estava indo por trás de Edmundo, planejando atacá-lo. Mas seu irmão não percebeu, pois matava lobos um seguido do outro. Pedro matou um dos lobos que pulou em cima de si e gritou para o irmão.

- ED, ATRÁS DE VOCÊ!

Mas Edmundo demorou um pouco para raciocinar e se virar. Ao se virar, viu que o lobo já pulava em cima dele, com a boca, pronto para devorá-lo. Pulou de costas no chão, tentando escapar dos dentes afiados, mas nem foi preciso.

Um vulto de capa de viajem cinza, que escondia todo o corpo e um capuz apareceu de repente, com uma espada estranha em mãos e se jogou contra o lobo, enfiando a espada em seu pelo com uma graça angelical. Com certeza é uma mulher!, afirmou mentalmente.

Havia duas bainhas nas costas dela, uma vazia e outra ocupada por outra espada. A espada que ela segurava lhe parecia familiar, mas toda aquela adrenalina o impedia de forçar a memória o suficiente.

A mulher de capa se aproximou de Edmundo e lhe estendeu a mão. Edmundo aceitou a ajuda e, enquanto se levantava, tentou olhar pelo capuz para ver o rosto dela.

Viu o sorriso nos lábios da mulher e empalideceu. A mulher abaixou o capuz, revelando ser Lena e seu sorriso aumentou ao ver a reação de Edmundo.

- Lena?! Pensei que tinha te trancado em seu quarto para que não se machucasse!

Lena riu, enquanto se virava e cortava a cabeça do lobo que sentiu se aproximando por trás. Edmundo virou-se também, atacando outro lobo. Ficaram com as costas pressionadas levemente, enquanto continuavam a lutar.

- Acho que se esqueceu de que viajo pelas sombras. – respondeu Lena.

- Droga de habilidades especiais! – retrucou Edmundo.

- Falando nisso... – hesitou Lena, atacando outro lobo que avançava em cima dela. – Acho que está na hora de acabar com isso de uma vez.

Lena cravou a katana que tinha na mão no chão, causando um grande terremoto no salão. Os lobos ficaram assustados o suficiente para dar tempo dos soldados os atacarem e os que sobraram – uns vinte – fugissem.

- Alguém precisa descobrir onde vão! – gritou Pedro.

Quinze narnianos começaram a se mexer, mas Lena gritou um sonoro não, fazendo todos ali pararem e a olharem.

- Sinto muito, Rei Pedro. Já sabemos que vão para a Calormânia. – falou.

- Ah. – disse Pedro, um pouco confuso, se aproximando de onde Lena e Edmundo estavam. – Temos então que cuidar dos mortos.

- Não tem como! – intrometeu-se Edmundo. – Eles vão voltar com reforços.

Os dois olharam-no um pouco confusos e Edmundo engoliu em seco, preparando-se para se lembrar da época que insistiu tanto em esquecer.

- Quando eu estava... Com a Feiticeira... – ele desviou os olhos de Lena, receando que ela o julgasse por sua covardia quando mais jovem. – Ela sempre atacava um lugar e, quando precisava recuar, mandava reforços.

Ficou encarando o chão, esperando a reação deles. Não se importava muito com a de Pedro, mas se preocupava com o que Lena diria. Mas, para sua grande surpresa – e de Lena também, pois agiu por impulso –, a menina segurou sua mão livre, entrelaçando os dedos.

- Então precisamos ir. – ouviu sua voz, ainda sem olhar em seu rosto, apenas encarando seus dedos aos dela e sentindo seu estômago em queda livre.

- Para onde iremos? – Pedro dirigiu-se a Lena.

Lena parou um segundo para tentar raciocinar. Guardou a katana de volta na bainha atrás das costas e sorriu.

- O refúgio construído envolta da Mesa de Pedra.

Pedro também sorriu. Desviou o olhar das mãos entrelaçadas de Lena e Edmundo, feliz por seu irmão parecer ter encontrado alguém.

- Ótimo. Vou avisar os soldados e procurar Susana e Lúcia. – disse.

- Não. – falou Lena. – Você vai avisar os soldados e eu vou achar Susana e Lúcia.

- E os aldeões, como ficam?

- A Feiticeira não está atrás de narnianos. – disse Lena, seriamente. Ela conhecia a Magia Profunda e a Profecia, mas não compreendeu como Jadis. Sabia apenas a parte dos cinco reis. – Ela está atrás de nós.

Pedro franziu o cenho, irritado. Não deixaria que nada acontecesse com nenhum dos narnianos.

- Então melhor nos apressarmos! – disse.

- E eu? – perguntou Edmundo, finalmente voltando à realidade.

- Você vem comigo, Bela Adormecida. – respondeu Lena, puxando-o pela mão para procurar as meninas, que foram encontradas cuidando dos feridos com o elixir – o suco da flor de fogo – de Lúcia.

Deixaram Pedro para trás, pensando em como será que os dois iriam se resolver. Está escrito na testa deles que se gostam, pensou.

Notas finais
e ae o que acharam?? ficaram tao emocionadas quanto eu?! >.