Notas iniciais
Olha eu aqui de novo!

POV Gael

Um filete de sol insistia em ficar em meu rosto. O peso do corpo de Edmundo sobre o meu corpo faziam meus músculos ficarem levemente doloridos. Mas eu não o tiraria dali, o meu corpo era seu lugar no mundo e nós nos pertencíamos de uma maneira que ninguém mais podia. Continuei a observar ele dormir enquanto acariciava seus cabelos negros. Muitos anos se passaram e eu nunca enjoei de seus cabelos.

Não foi difícil acostumar-me com minha nova família. Pedro sempre fora adorável e Lucia e Suzana eram minhas melhores amigas. Cair Paravel era um ótimo lugar para se viver, adorava a brisa do mar entrar em meus pulmões.

Edmundo começou a se mexer, passou o nariz em meu pescoço e se acomodou melhor. Ele já estava acordado, eu sabia, mas ele não queria sair dali. Edmundo já não era mais o jovem de dezesseis anos com quem me casei. Ele era um homem feito, embora eu continuasse com a mesma aparência de menina.

Eu o amo, aprendi a ama-lo no dia em que nos casamos. Ele nem era tão difícil de amar afinal. Agora ele se meche de novo, mas dessa vez de olhos abertos.

Edmundo: Bom Dia – boceja

Gael: Bom dia, querido.

Edmundo: Está acordada a muito tempo?

Gael: Um pouquinho...

Edmundo: Por que não me acordou? – ergueu o corpo e franziu a testa

Gaia: Porque você já estava acordado... – sorri. Edmundo aconchega seu corpo nela novamente

Edmundo: É que tá tão bom aqui... – afunda o rosto na dobra do pescoço dela.

Gael: Mas não é hoje que vocês vão atrás do cervo branco? Aquele que realiza desejos?

Edmundo: Puxa vida, é verdade!

Ele levantou da cama atrapalhadamente, enroscou o pé no lençol e caiu no chão. Tudo o que pude fazer era rir, rir muito alto. Só para ganhar seus olhares de repreensão. Quando finalmente conseguimos nos vestir, descemos para o café, onde todos esperavam ansiosamente.

POV Edmundo

Estava realmente ansioso para ir atrás do cervo branco. Dizem que esse cervo realiza desejos e por isso procuramos por ele há muito tempo. Sei exatamente o que pedir quando conseguirmos captura-lo. Embora minha vida com Gael seja perfeita, sei que ela não é totalmente feliz. Estamos juntos há muitos anos e sei que o fato de não termos filhos é frustrante para ela. Eu nunca me importei com isso, afinal, ela sempre me bastou, mas a felicidade dela é a coisa mais importante para mim. E se para ela ser feliz eu precise ir atrás desse cervo, é isso o que vou fazer.

Estávamos na mesa tomando café, mas Gael não comeu direito de novo. Ando preocupado com a saúde dela. Ela anda com dores de estomago, sempre indisposta e com dor nas costas e na cabeça.Ela já está assim há meses e ainda não descobrimos o que lhe causa esses desconfortos. Ultimamente, a única coisa que não faz mal ao seu estomago são morangos e ela os come ferozmente durante todo o dia. Quando terminamos, ela disse que ficaria para descansar um pouco, pois estava indisposta, eu ia desistir do passeio para cuidar dela, mas ela insistiu que estava bem, então eu fui.

Cavalgávamos pela floresta pela floresta com rapidez, eu, Lucia, Suzana e Pedro. O cervo branco estava bem próximo a nós, mas o meu cavalo Phillipe, ficou cansado e resolvi dar tempo para que ele descansasse. Enquanto descansávamos, Pedro avistou uma arvore muito estranha.

Pedro: O que é isso? – todos desmontam do cavalo. – parece familiar...

Suzana: Como se fosse um sonho...

Lucia: Ou o sonho de um sonho – conclui pensativa – sala vazia... – Lucia sai andando por entre as arvores.

Pedro: Lucia! – todos seguem Lucia.

Suzana: De novo não...

Pedro: Lu!

Lucia: Venham! – continuam andando por entre as arvores até observarem algo estranho

Pedro: Não são galhos...

Suzana: São casacos...

Edmundo: Suzana você tá pisando no meu pé!

Lucia: Pedro, saia.

Pedro: Eu vou primeiro!

Suzana: Eu não pisei no seu pé.

Num súbito, estamos no chão de uma sala vazia na beira de um grande guarda-roupa. Crianças de novo. Nos entre olhamos assustados, tentando assimilar o que acabara de acontecer quando o professor Kirke entra na sala.

Professor: Aí estão vocês... O que faziam dentro do guarda-roupa? – eles se entre olham novamente.

Pedro: Se nós contássemos, não iria acreditar senhor... – Professor joga uma bola de beisebol na mão de Pedro.

Professor: Experimentem – sorri.

Naquela noite, tive dificuldades para dormir. Não podia deixar Gael, não podia deixa-la sozinha. Reviro-me mais uma vez em busca de seu corpo ausente em minha cama e decido me levantar. Caminho quase que instintivamente até o guarda-roupa e encontro o professor Kirke fumando na janela.

Professor: Acho que não vai voltar pra lá dessa maneira... Sabe...eu já tentei. – sussurra quase que pesaroso.

Edmundo: Voltaremos algum dia? – olha para o guarda-roupa e deixa uma única lágrima cair de seu rosto.

Professor: Espero que sim. Mas deve ser quando você menos esperar... – abraça Edmundo de lado – enquanto isso é melhor abrir bem os olhos.

POV Gael

Já estava escurecendo e nada do Edmundo. As minhas dores estavam cada vez piores e eu mal conseguia respirar. Havia algo errado eu sabia que havia. Pedi para que Os Leões Dourados fizessem uma patrulha para procura-los. Mas as dores ficaram insuportáveis. Deslizei meu corpo até o chão do quarto, fechei os olhos e senti uma lágrima solitária, cheia de saudade e medo escorrer pelo meu rosto. Aquela lágrima não era minha. Nesse momento Tumnos bate na porta e entra.

Tumnos: Majestade, os soldados voltaram da busca e ainda não os encontraram. Eles desejam saber se continuam hoje ou esperam até amanhecer...

Gael: Cancele as busca Tumnos. Nossos reis e rainhas não estão mais em Nárnia... – diz com voz embargada

Tumnos: Como senhora? – diz com espanto

Gael: Aslan os levou... eu posso sentir — grui de dor e abraça a barriga

Tumnos: Majestade, a senhora esta bem? – não há resposta só um urro de dor.

Notas finais
Esse é o fim de "O leão, a feiticeira e o guarda roupa. No próximo já iniciamos "O príncipe Caspian". Ficou pequeno, mas não me matem! O proximo é maior eu prometo! Aguem é Suspian ai? Bye.