As Crônicas de Calradia
4 Episódio 04 - O Banquete, a Viagem e o Beijo
Notas iniciais
Na sexta e última rodada do torneio, Peter aplicou mais uma moeda de ouro na mesa de apostas e utilizou machado e escudo durante a luta. O vencedor daquela luta levaria 200 moedas de pratas e mais o valor arrecadado em apostas, caso tenham apostado em si mesmos, o que era o caso de Peter. Ambos avançaram um contra o outro. O adversário de Peter, que também utilizava machado e escudo, tentou golpeá-lo verticalmente, não tendo sucesso graças Peter ter dado um passo atrás, desviando do golpe. Aproveitando o tempo de recuperação da posição de seu oponente, Peter utiliza o mesmo golpe horizontal, mas é bloqueado pelo escudo de seu adversário, que tenta novamente o mesmo golpe, mas é também bloqueado pelo escudo de Peter. Peter empurra o machado de seu adversário com seu escudo e mudando o estilo do golpe, dá um corte horizontal na direção de seu peito, que pega em cheio, já que seu adversário posicionou o escudo para cima, achando que Peter repetiria o golpe. Ao vencer o torneio, Peter ganha um montante de 39 moedas de ouro e 280 moedas de prata.
Ao cair da noite, Peter foi até o salão real, onde estava acontecendo um banquete. Lá estava Rei Ragnar, Sir Dirigun, Lady Svipul, Lady Afrid e Lady Alfrun, além de alguns huskarls que se certificavam da segurança do Rei, dois músicos que animavam o local e alguns funcionários da cidade que haviam sido convidados, incluindo o taverneiro, o prefeito e os comerciantes mais ricos da região, com seus filhos e filhas. Peter logo foi até Rei Ragnar, cumprimentá-lo em sua festa.
– Eu o saúdo, Rei Ragnar – disse Peter, batendo em seu peito e reverenciando-o.
– Olá, Sir Peter – disse Ragnar. – Que belo golpe você me deu no torneio. Com esta força, estou certo que honrará o juramento que fez a mim.
– Certamente, majestade – disse Peter. – É um belo banquete, meu rei. Acho que a última vez que fui a um banquete como este eu ainda era criança.
– Sim, eu me lembro – disse Ragnar. – Foi exatamente neste lugar, quando seu pai jurou ser meu vassalo fiel. A propósito, Peter... Tenho uma missão para você.
– Se estiver ao meu alcance, majestade – disse Peter.
– Com a habilidade que você possui, não será algo muito difícil – prosseguiu o Rei. – Eu estou com um pouco de pressa em relação ao treinamento de alguns homens e penso que meus huskarls não darão conta de ensiná-los tão rápido. Dar-te-ei seis recrutas nórdicos do meu exército para que você faça-os se tornarem guerreiros nórdicos. Achas que podes fazer isto?
– Certamente, majestade – disse Peter. – Mas não sei em quanto tempo conseguirei isto.
– Não se preocupe com tempo, Peter – disse o Rei. – Te darei 120 dias para cumprir esta missão. E tem outra coisa... Na verdade, é uma opinião pessoal sua. Acredito que você saiba que estamos em guerra. Se você fosse o rei, quem escolheria para ser o marechal?
– É difícil imaginar-me na posição de um rei, majestade – disse Peter. – No entanto, pelos poucos lordes que conheço, eu diria que meu tio, Sir Irya merece esta posição, haja vista sua bravura, coragem e desempenho no campo de batalha.
– Muito bem, Peter – disse o Rei. – A maioria dos lordes sugere que sejam eles mesmos os generais. Pelo visto, você é bem mais humilde que a maior parte dos lordes deste reino. De qualquer forma, é ele que eu tenho em mente. Foi o único que colocou suas tropas ao meu lado quando vencemos o exército de Rei Yaroglek. Agora vá, meu jovem... Não perca tempo com esteve velho, tire uma das ladys para dançar.
– Se assim deseja, majestade – disse Peter, reverenciando-o novamente e indo até uma das ladys.
– Boa noite, milady. Esta é uma bela festa, não é? – disse Peter, aproximando-se de Alfrun.
– Certamente, Sir Peter – disse Alfrun. – Eu tive a honra de ver você mais cedo lutando no torneio. Foi uma bela vitória.
– Obrigado, milady – disse Peter. – Diante desta conversação proveitosa, eu poderia ter a honra de saber seu nome?
– Oh, perdão milorde – disse Alfrun. – Não vejo como não lembrei este detalhe... Eu sou Lady Alfrun, irmã de Sir Logarson.
– É um prazer para mim, conhecê-la, Lady Alfrun – disse Peter. – Oh, veja... Eu adoro esta música. Você me concederia a honra de dançar comigo?
– Não vejo motivo algum para recusar esta proposta, milorde – disse Alfrun.
Com um sorriso no rosto, Peter puxou Alfrun para dançar. Lady Alfrun era uma donzela delicada, sempre com um sorriso alegre, mas com os olhos de uma pessoa amargurada. Lady Alfrun é loira, tem olhos azuis e sua pele é extremamente branca, quase que pálida. Durante sua dança, Peter e Alfrun conversaram sobre os mais variados assuntos. Mesmo depois que os dois cansaram, continuaram conversando enquanto comiam as delícias servidas no banquete. Ao término de sua refeição, Alfrun se retirou devido ao horário. Peter, vendo que a noite havia sido bem aproveitada, foi até Rei Ragnar para se despedir.
– Creio que já seja minha hora, majestade – disse Peter, reverenciando-o novamente. – Amanhã partirei de Sargoth em busca de mais tropas para enfrentar nossos inimigos.
– É o melhor a se fazer, Peter – disse o Rei. – Eu vi que você dançou a noite inteira com Lady Alfrun. Um dia, você terá que escolher uma das ladys do Reino dos Nords para se casar. Lembre-se sempre: para o trabalho de um lorde estar completo, ele necessita ter uma família que lhe gere descendentes.
– Certamente, majestade – disse Peter. – Antes de eu ir, gostaria de perguntar... O senhor sabe onde está Sir Rayeck? Preciso entregar-lhe uma carta de meu tio, Sir Irya.
– Da última vez que o vi, ele me disse que estaria indo para o Castelo de Chalbek – disse o Rei. – Talvez ele esteja lá.
– Obrigado, majestade – disse Peter, reverenciando-o mais uma vez. – Pelo convite, as informações e a boa conversa. Adeus.
– Adeus, Peter – disse o Rei, tomando mais um copo de vinho.
Ao acordar, no dia seguinte, Peter foi até o mercado. Chegando lá, ele comprou mais um cavalo de carga, um par de botas de malha, 50 pães e 30 cachos de uva, que lhe custaram 22 moedas de ouro e 34 moedas de prata. Assim que terminou de fazer suas compras, Peter reuniu os 19 homens de seu exército (incluindo os 06 do exército de Rei Harlaus para serem treinados). Ao amanhecer, Peter promoveu seis recrutas nórdicos a soldados. Durante a viagem, Peter recrutou quatro nórdicos em Kwynn e parou na grande cidade de Tihr para repousar, pois a noite já estava próxima. Assim que amanheceu, Peter seguiu viagem para oeste, indo para o vilarejo de Rizi, onde recrutou mais cinco homens para seu exército. De Rizi, ele foi direto para o Castelo de Chalbek, chegando lá no início da tarde. Ao subir para o salão do castelo, Peter avistou um homem e pensando ser aquele Sir Rayeck, foi até ele com a carta.
– Boa tarde, Sir – disse Peter, batendo o punho cerrado em seu peito. – É você quem chamam de Sir Rayeck?
– Boa tarde – disse o homem, retribuindo o cumprimento. – Não... Eu sou Sir Faarn, da casa Rockenbach, barão de Buillin e filho de Sir Aedin, duque de Tihr. Quem gostaria de falar com ele?
– Eu sou Sir Peter, da casa Heidmann, barão de Fearichen e filho de Sir Albert, barão de Odasan, cujo emblema é utilizado em minhas bandeiras – disse Peter. – Procuro Sir Rayeck para entregar-lhe uma mensagem enviada por meu tio, Sir Irya, duque de Wercheg.
– Sir Rayeck não está aqui, Sir Peter – disse Faarn. – Ele viajou para Sargoth tem algumas horas. A este momento, deve estar próximo a Haen.
– Certo – falou Peter. – Obrigado pela informação, Sir Faarn. Agora me retiro.
– Vá em paz, Sir Peter – disse Faarn, sentando-se na mesa do salão para iniciar uma leitura.
Peter retira-se do castelo e vai em direção a Tihr. Chegando lá no início da noite, Peter aluga oito quartos na hospedaria para descansar. No dia seguinte, Peter eleva os dez recrutas nórdicos que sobraram em seu exército para soldados, então segue rumo a Sargoth. Chegando lá, Peter mais uma vez não encontra Sir Rayeck na cidade, mas conhece Lady Herjasa, esposa de Sir Gundur, que informa ter ele ido para o Castelo de Tehlorg. No final da tarde, Peter chega até o castelo e vai até o salão principal, onde encontra Sir Reamald com sua esposa, Lady Eir e suas cunhadas, Lady Hild e Lady Ingunn. Sir Reamald o informa que Sir Rayeck está fazendo uma patrulha na cidade e pede para que ele aguarde em um dos cômodos de seu castelo e assim que Sir Rayeck voltasse de sua patrulha, ele pediria para chamar Peter.
Assim Peter o fez, alugando oito quartos para ele e seus homens repousarem. No dia seguinte, Peter foi até Reamald novamente, que lhe informou que Sir Rayeck decidiu ir para o Castelo de Chalbek e que enviou apenas um mensageiro para que informasse isso. Mais uma vez, Peter reuniu seus homens e foi em direção ao Castelo de Chalbek. Próximo a Tihr, Peter encontrou alguns desertores, sendo eles 10 caçadores nórdicos. Assim que vistos, Peter e o caçador de seu exército cavalgaram a frente os demais em busca de seus inimigos. Peter, que atirou cinco flechas enquanto seu cavalo corria pra frente de batalha, acertou dois dos caçadores antes mesmo de chegar ao local, guardando seu arco nas costas e desembainhando sua espada logo em seguida. Pegando seu escudo, Peter rasgou o rosto de um dos caçadores, enquanto o caçador mercenário de seu exército lutava com outro caçador. Após Peter matar três caçadores com golpes verticais de espada, o resto do exército chegou ao local de batalha, enfrentando o resto. Quando apenas um caçador sobrou, Peter cavalgou em direção a ele e inclinando seu corpo para a esquerda, fez um corte vertical em seu rosto.
Como de costume, seus homens vasculharam todos os corpos e coletaram o que poderia ser usado por eles. Mas dessa vez acharam algo que nunca haviam achado antes. Um deles estava vivo.
– Sir Peter! – exclamou Klaus. – Este aqui está vivo. O que devemos fazer com ele? – perguntou.
– Amarre suas mãos e ordene aos soldados que o vigiem. Nós o venderemos para algum comerciante de escravos da região. Ou o levaremos para cumprir sua pena em uma prisão reforçada – disse Peter, cavalgando para leste.
Peter retornou para Tihr, para repousar antes de viajar novamente para o Castelo de Chalbek. Assim que amanheceu, Peter foi à direção do Castelo de Chalbek, mas chegando lá Sir Rayeck novamente não estava. Por sorte, um de seus guardas acabara de receber a visita de um mensageiro, que havia anunciado que Sir Rayeck estava para chegar. Sendo assim, Peter decidiu esperar. Ao por do sol, Sir Rayeck chegou ao castelo e foi direto para seu salão, onde Peter entrou logo em seguida.
– Boa tarde, Sir Rayeck – disse Peter, batendo em seu peito.
– Boa tarde... – falou Rayeck, retribuindo o cumprimento. – Você é?
– Sir Peter, da casa Heidmann. Cavalguei por quase todo o reino atrás de você. Trago comigo uma mensagem de Sir Irya – disse Peter, retirando a carta de um de seus bolsos.
– Quando foi enviada esta carta? – disse Rayeck.
– Faz onze dias, Sir Rayeck – disse Peter. – Infelizmente, não consegui achar o senhor antes e só pude entregar-lhe agora.
– Tudo bem... – disse Rayeck. – Dê-me ela aqui, talvez não seja algo tão urgente.
– Aqui está – disse Peter, entregando a carta.
– Oh sim... – disse Rayeck, enquanto a lia. – São notícias boas estas... Da próxima vez que vir Sir Irya, mande-lhe meus agradecimentos.
– Mandarei sim, Sir Rayeck – disse Peter, cumprimentando-o e saindo do salão.
Peter alugou oito quartos no castelo para que seu exército pudesse se acomodar. Assim que os primeiros raios de sol cobriram Calradia, Peter foi em direção a Sargoth, mas antes passou por Haen, onde recrutou 07 homens e por Kwynn, onde recrutou mais 04. Ao chegar a Sargoth, Peter vendeu os pertences dos desertores por 137 moedas de prata. Enquanto estava no mercado, uma senhora aproximou-se de Peter e chamou-lhe pelo nome.
– Sir Peter? – perguntou ela.
– Sim, sou eu – disse Peter. – Quem deseja?
– Eu não sou importante, milorde – disse a senhora. – Eu trabalho para Lady Alfrun. Ela me pediu para que, se eu visse o senhor por aqui, te levasse até ela para que tenham um encontro.
– Oh, sim – disse Peter. – E como faço para encontrar-me com ela?
– Ela o estará esperando uma hora antes da meia noite – disse a senhora. – Ela estará na hospedaria real, no segundo quarto do primeiro andar. Eu estarei lá para garantir que o senhor entre sem que ninguém impeça. Lembre-se, milorde... Uma hora antes da meia noite.
– Avise-a que eu estarei lá. Agora vá. – disse Peter, com um sorriso no rosto.
Assim que Peter chegou aos alojamentos da hospedaria comum, Peter alugou onze quartos para a estada de seu exército em Sargoth. Depois de elevar um soldado a soldado especial, Peter foi para seu quarto e passou sua noite decorando os poemas que havia aprendido, em especial, o poema Kais e Layla. Faltando duas horas e meia para a meia noite, Peter tomou um bom banho e vestiu-se com sua melhor roupa, indo em direção à hospedaria real, onde a senhora do mercado havia dito para ele ir. Chegando lá, não havia ninguém. Apenas aquela senhora, que sem dizer nenhuma palavra abriu a porta da hospedagem de Alfrun. Ao entrar, Peter podia ver uma pequena sala. Lá havia uma estante com alguns livros e ao centro, uma mesa, onde Alfrun estava lendo um livro. Mais à frente, havia outra porta que provavelmente seria do quarto dela.
– Sir Peter! – disse Alfrun, se levantando. – O senhor veio...
– Como poderia eu deixar uma dama me esperando – respondeu Peter, dando um beijo em sua mão.
– Oh, Sir Peter... – continuou Alfrun. – desde o banquete, não consegui parar de pensar em você nem por um minuto sequer.
– Fico feliz que tenha gostado de mim – disse Peter. – Eu também não pude deixar de ter você em minha mente. Mas não é arriscado que eu esteja aqui a esse horário?
– Infelizmente, esta foi a única maneira de nos encontrarmos – disse Alfrun, baixando sua cabeça. – Meu irmão é muito ciumento. Ele não me deixa ter contato com nenhum rapaz, a não ser que seja em banquetes. Passo o dia aqui, trancada. E minha única alegria tem sido meus livros...
– Neste caso, ficarei contente em fazer-lhe companhia – disse Peter. – Eu vejo que a senhorita é muito dedicada aos estudos.
– Bem... – disse Alfrun, um pouco triste. –Esta é a única coisa que eu posso fazer nesta sala. São livros, livros e mais livros... Mas quanto ao senhor, por trás destes músculos existe um homem com o intelecto de um lorde?
– Não sou um mestre formado em universidade – disse Peter. – Mas eu estudava bastante quando adolescente. Agora é só batalhas e mais batalhas, afinal, um homem deve preocupar-se em manter a segurança de sua casa. Mas eu conheço alguns poemas... Você gostaria de ouvir algum?
– Eu ficaria maravilhada, milorde – falou Alfrun, com um sorriso estampado no rosto. – Existe alguma que expresse seus sentimentos neste momento? – perguntou, mordendo seu lábio.
– Certamente, milady – disse Peter, enquanto se aproximava aos poucos. – O vento que sopra a poeira nas planícies secou, agitando as cortinas de sua torre. A lua ilumina o meu caminho para casa. Olho para você dormindo no seu pavilhão. Se eu gritar ao vento, poderia levar uma mensagem de meus lábios? Se eu chorava antes à luz do luar, será que me concederias apenas um vislumbre de seu cabelo de ébano? Apenas um vislumbre de seus lábios de rubi? Apenas um vislumbre de seus olhos gelados? – recitou, olhando para seus olhos.
Por alguns segundos, Peter e Alfrun se entreolharam, até que Alfrun deu uma pequena mordida em seus lábios. Desviando o olhar, Peter abriu a boca e foi se aproximando de Alfrun, que se encostou à mesa. Ambos fecharam seus olhos e seus lábios se encostaram. Aos poucos, ambos foram descobrindo o que seria o primeiro beijo de suas vidas. Era inexplicável a sensação. De repente, parecia que o mundo havia parado e cada segundo passava como o que se parecia um século maravilhoso e feliz. Peter envolveu suas mãos na cintura de Alfrun, que se desencostou da mesa e abraçou-o, levando uma de suas mãos até sua nuca, acariciando-a. Seus lábios se pararam e seus olhos abriram. Peter soltou-lhe a cintura e pegou em suas mãos.
– Isso foi perfeito – disse Peter, ainda com seu rosto próximo ao dela.
– Foi sim, milorde – disse Alfrun.
– Por favor – interrompeu Peter. – Não me chame assim... Peter está ótimo.
– Está bem, Peter – disse ela, sorrindo. – Mas já está tarde e não é correto para uma lady estar com um homem depois da meia noite.
– Você tem razão, Lady Alfrun – falou Peter. – Mas quando poderei vê-la novamente? Mal posso esperar pela próxima vez que possamos nos encontrar.
– Quanto a isso não se preocupe – disse ela. – Eu darei um jeito de lhe avisar quando você pode vir.
– Tudo bem – disse Peter. – Mas antes de ir quero te pedir uma coisa.
– Se estiver ao meu alcance... – disse Alfrun.
– Eu quero mais um beijo – falou Peter, olhando para suas mãos com um sorriso no rosto, voltando a olhar em seus olhos logo em seguida.
– Isso não precisa pedir – falou ela, sorrindo.
Peter e Alfrun novamente se beijaram ainda mais apaixonados que da primeira vez. Ambos envolvendo-se um com o outro. Cinco segundos, cinco minutos? Quem se importa? Para o amor não existe tempo. Quando seus lábios se desencontraram novamente, eles ainda continuaram abraçados por algum tempo.
– Quando estou com você, parece que reencontrei alguém que há muito tempo não via – disse Peter.
– Eu sinto a mesma coisa, Peter – disse ela. – De repente, parece que nós já nos conhecíamos a muito tempo. Só não sabíamos.
– É exatamente assim que me sinto. – falou, pegando novamente em suas mãos.
– Mas agora vá – disse ela, após esbanjar um sorriso de alegria. – E fique atento. Sempre que eu puder lhe ver, darei um jeito de lhe enviar uma mensagem.
– Ficarei esperando – disse ele, soltando suas mãos e indo até a porta, com um sorriso estampado no rosto.
Ao abrir a porta, a mulher olhou de um lado e do outro. Então olhou para Peter e apenas balançou sua cabeça em sinal de confirmação. Peter então saiu do local e foi para seu quarto, na hospedaria comum, para descansar. Assim que amanheceu, Peter elevou 09 de seus recrutas a caçadores nórdicos, dando-lhes arcos e flechas. Logo depois, seguiu viagem para Wercheg, a fim de procurar por Sir Irya. Chegando lá à meia noite, Peter logo alugou alguns quartos e dormiu com seu exército nas hospedarias da cidade. Assim que acordou, Peter tomou conhecimento de que estava havendo um torneio na cidade. E que Sir Knudarr e Sir Aeric participariam. Sem muito pensar, Peter e Jeremus inscreveram-se.
Como de costume, Peter apostou seis moedas de ouro ao todo, sendo uma para cada rodada. Jeremus foi eliminado na primeira rodada, na qual Peter nocauteou quatro adversários. Sir Aeric na segunda, onde Peter derrubou três adversários. Na terceira rodada, Peter lutou a cavalo e nocauteou quatro adversários e Sir Knudarr foi eliminado. Peter nocauteou mais quatro adversários na quarta rodada, um na quinta e durante a final, venceu com apenas um golpe, quando montado em um cavalo. Peter ganhou 28 moedas de ouro e 283 moedas de prata. Depois do torneio, Peter foi até o salão de Wercheg, onde encontrou Sir Knudarr e Sir Aeric.
– Sir Knudarr – disse Peter, cumprimentando-os.
– Bem vindo, Sir Peter – disse Knudarr, retribuindo o cumprimento.
– Sir Aeric – falou Peter, batendo novamente em seu peito.
– Olá, Sir Peter – disse Aeric, retribuindo – Você teve uma bela vitória no torneio.
– Ele é filho de Albert, Aeric. – disse Knudarr. – Eu não esperaria algo diferente.
– É bondade sua Sir Knudarr – disse Peter.
– Olá Peter! – disse Lady Dria, entrando no salão.
– Bom dia, tia – disse Peter, colocando sua mão aberta no peito e reverenciando-a.
– Um dos huskarls me avisou que você chegou ontem à noite aqui. Se eu soubesse da sua vinda, teria mandado prepararem um quarto na hospedaria real para você.
– Está tudo bem, tia – disse Peter. – Eu já me acostumei a dormir nas hospedarias comuns das cidades que passei. Como estás? – perguntou.
– Estou ótima, meu sobrinho – disse ela. – Desde que você resgatou meu filho Bulba, estou em dívida com você.
– Dívida? – perguntou Peter. – Não há dívidas entre nós. Bulba é meu primo. Senti-me honrado em poder resgatá-lo daquele calabouço.
– Mas eu insisto em dar-lhe uma recompensa – disse Dria, retirando uma bolsa. – Aqui estão 15 moedas de ouro. Aproveite-as bem.
– Muito obrigado, tia – disse Peter, aceitando as moedas. – Mas eu vim aqui por outro motivo. Estou com 39 homens sob meu comando e soube que meu tio foi nomeado Marechal. A senhora sabe onde ele está?
– Infelizmente, não tenho notícias dele. Quando os homens saem para a guerra, não há quem os encontre – disse Dria.
– Eu venho do sul – interrompeu Aeric. – Da última vez que vi Sir Irya, ele estava indo para o Castelo d’Ismirala. Você pode procurá-lo por lá e pedir mais informações no caminho.
– Obrigado, Sir Aeric – disse Peter. – Neste caso, me retiro. Pretendo chegar até ele em menos de três dias.
– Vá, meu sobrinho – disse Dria. – E me traga notícias dele, caso você venha para cá antes dele.
– Eu trarei tia – disse Peter, saindo.
Ao sair de Wercheg, Peter elevou seus dois recrutas a caçadores nórdicos, dando-lhes arcos e aljavas. Antes de seguir seu destino, Peter passou por Jayek, onde recrutou mais três homens e seguiu viagem para Fearichen, seu feudo. Lá, Peter recrutou dois homens e ordenou que colocassem sua bandeira em todas as casas da aldeia. Além disso, ordenou que construíssem uma casa para ele e um posto de mensagens, que pudesse ascender uma fogueira sempre que a aldeia estivesse em perigo. Para isso, Peter entregou, ao ancião da aldeia, 12 moedas de ouro. Depois de acertar os detalhes, Peter seguiu viagem para o Castelo d’Ismirala, que estava sendo sitiado por vários lordes do reino. Quase no final da noite, Peter avistou um acampamento que estimava ter por volta de 300 homens. Ao chegar, sua bandeira foi reconhecida pelo lorde que guardava a parte de trás do acampamento.
– Casa Heidmann... – disse Haeda, cumprimentando Peter. – Imagino que você seja Sir Peter, correto? Eu sou Sir Haeda, Visconde protetor do Castelo de Jelbegi.
– Olá Sir Haeda – disse Peter, batendo em seu peito. – Sim, eu sou Sir Peter, barão de Fearichen. Eu e meus homens estamos aqui para me unir ao exército do marechal.
– Imaginei isso, Sir Peter – disse Haeda. – Monte seu acampamento aqui, junto ao meu. Os exércitos de Sir Irya estão construindo um cerco para que nós possamos invadir o Castelo e tomá-lo. Sir Irya, o marechal, está conduzindo o acampamento. Pela manhã, nós nos reuniremos para discutir a estratégia de batalha.
– Obrigado, Sir Haeda – disse Peter. – Acorde-me para a reunião, Klaus.
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