As Crônicas de Calradia

3 Episódio 03 - Vassalo do Rei


Notas iniciais
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Durante o ataque, Peter percebeu que cinco deles vinham a cavalo. Sabendo que eles não teriam chance contra cavaleiros, Peter começou a disparar várias flechas em direção a eles, conseguindo derrubar três cavalos. Assim que Peter os derrubou, um deles partiu para cima de Peter, que estava um pouco afastado do grupo, mas ele logo o cortou com sua espada, fazendo-o cair. Os outros dois cavaleiros foram derrubados pelo exército de Peter, que correu em busca dos cinco homens que estavam a pé. Sem pensar e com uma manobra digna de um mestre, Peter fez dois cortes horizontais com sua espada enquanto corria. O primeiro golpe foi da direita para a esquerda, matando um dos desertores. O outro foi da esquerda para a direita, cortando outro. Seu exército tratou de cuidar do resto. Ao término da luta, estavam feridos mais dois soldados nórdicos, um recruta nórdico e o médico Jeremus.

– Jeremus! – gritou Peter, ao ver que ele seu ombro havia sido atingido por uma espada e correndo em sua direção.

– Não se preocupe milorde – disse Jeremus, pacientemente. – Eu vou ficar bem... Só preciso que o senhor me ajude com este ferimento aqui...

– Apenas diga-me o que eu preciso fazer – disse Peter. – Não posso me dar ao luxo de perder o médico do exército – pensou. – Quanto a vocês, sigam o procedimento padrão. Coletem o que puderem destes desertores. Tudo o que for útil para nós! – disse ele, dirigindo-se ao restante do exército.

Com algumas instruções, Peter tratou do ferimento de Jeremus, que logo foi em busca dos demais feridos para lhes dar tratamento adequado. Peter promoveu todos os homens que lutaram naquela batalha a soldados nórdicos e um deles foi escolhido para ser elevado a soldado especial nórdico, sendo designado para liderar o exército na ausência dele. Seu nome era Klaus e ele era um dos camponeses que residiam em Odasan. Além de todos os capacetes, armas, escudos e vestes que encontraram desta vez, o exército de Peter ainda conseguiu capturar dois cavalos.

Após analisar os itens, Peter notou que alguns daqueles itens eram melhores do que os dele e dos que os que Jeremus estava utilizando. Assim, ele substituiu seu casaco de couro cru por um casaco de couro abotoado e seu antigo escudo de madeira, trocou por um grande escudo com algumas pequenas fendas. A Jeremus, ele deu um justilho de couro. Um dos cavalos, ele utilizou para o transporte de alguns suprimentos. O outro, ele passou a utilizar como montaria. Os demais itens ele distribuiu entre todo o exército e seguiu viagem, na direção do Castelo de Slezkh, onde estava seu primo Bulba.

Adentrando nas terras frias do Reino Vaegir, o exército de Peter logo começou a sentir o que realmente era frio. Eles estavam enfrentando ali uma temperatura que jamais haviam presenciado na vida.

– Nossa – disse Peter, massageando seus braços, com frio. – Como eles conseguem viver aqui?

Peter passou o dia viajando. Ao meio dia, Peter avistou a ponte que levava até o Castelo de Slezkh e ascendeu uma fogueira para almoçar alguns peixes fritos, mas antes que eles pudessem terminar de comer, um dos soldados avistou um lorde da casa dos Vaegir, que chegava com um exército de 30 homens. Antes que pudessem alcançá-los, Peter seguiu viagem para o castelo, mas ao ver que havia outro lorde presente, com mais ume exército que dobrava o número anterior, Peter seguiu para o sul, preocupando-se com o anoitecer que certamente os congelaria ali.

Peter viajou com seu exército para o sul do castelo, até encontrar um rio que corria todo o Reino Vaegir. Ao ver que o sol já estava se pondo, Peter decidiu acampar ali e ordenou a seus homens que ascendessem uma fogueira e revezassem a vigia. O grupo se manteve aquecido e alimentado durante toda a noite e com os revezamentos, todos puderam descansar.

Com todo o exército recuperado das feridas, Peter seguiu para o norte, buscando uma nova oportunidade de entrar no Castelo de Slezkh sem ser visto. Ao meio dia, Peter averiguou que os lordes que antes estavam ali haviam ido embora, então deu início a seu plano. Nas proximidades do castelo, Peter ordenou que todos ficassem ali, sob comando de Jeremus e que aguardassem seu retorno. Assim, ele retirou seu brasão e deixou suas armas para trás, pegando o antigo bastão de Jeremus, sua roupa de peregrino que ele havia guardado, além de 13 facas de arremesso, que seu exército havia pegado de um dos desertores que matou.

Assim que Peter entrou no castelo, foi direto para a prisão, onde encontrou com o carcereiro. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Peter retirou seu bastão e com dois golpes rápidos o nocauteou, antes que pudesse retirar sua espada. Sem ser visto, Peter pegou uma a chave e abriu rapidamente a porta, correndo para a cela de Sir Bulba.

– Peter?! – exclamou Bulba, ao vê-lo na prisão. – É você?

– Sim, meu caro amigo – disse Peter, retirando seu capuz. – Eu vim resgatar você... Vamos, temos que aproveitar enquanto a maior parte dos guardas está almoçando. Assim que notarem o carcereiro caído no chão, eles vão soar o alarme.

– Certo... – mas devo lhe dizer que estou desarmado... E que não tenho forças para lutar, pois me alimentei muito mal estes dias.

– Tudo bem... – continuou Peter, enquanto abria a cela. – Apenas corra o mais rápido que puder e se algum guarda vir fique atrás de mim.

Após abrir a cela, Peter e Bulba seguiram para fora da prisão. Logo, Peter se deparou com alguns guardas indo atrás deles. Peter então começou a sacar as facas e jogando-as, matou sete guardas. Neste momento, o sino do castelo começou a soar e Peter correu junto com Bulba para fora do castelo, onde encontrou seu exército fora do castelo. Peter montou em seu cavalo e disse a Bulba que subisse nele.

– Corram para o oeste, homens! – disse Peter. – Corram por suas vidas!

Peter então seguiu viagem com Bulba, acompanhando seu exército que corria a toda velocidade. Passando nas proximidades da grande cidade de Curaw e logo depois, perto da aldeia de Ismirala, Peter encontrou com Sir Surdun. Seu exército estava pronto para batalhar contra o exército de Boyar Naldera, do Reino Vaegir.

– Olá sir – disse Surdun, batendo em seu peito e cumprimentando Peter. – Vejo que você possui a bandeira da casa Heidmann, mas creio não lhe conhecer.

– Sou Sir Peter, herdeiro de Albert. Fui nomeado lorde há três dias por meu pai – disse Peter, retribuindo o cumprimento. – Vejo que está se preparando para uma batalha. Qual a situação?

– Seja bem vindo ao meu acampamento, Sir Peter – disse Surdun. – Eu tentei negociar uma rendição para Boyar Naldera, mas ele está em maior número e, portanto, recusou. Independente disto, eu e meus 21 homens marcharemos contra seu exército de 30 homens. Entre eles há alguns agricultores, que acredito vão durar muito pouco tempo. Meus homens já estão preparados para marchar contra o inimigo.

– Como pode ver, tenho 14 homens sobre meu comando, incluindo um médico. Podemos nos unir e deixar as coisas equilibradas – disse Peter.

– Como quiser Sir Peter – disse Surdun, subindo em seu cavalo. – Agora vamos! O inimigo já começa a marchar contra nós. Avante, homens! Avante!

Assim que Surdun gritou para que seus homens avançassem, ele e Peter cavalgaram lado a lado à frente de seus exércitos. Esta era uma características dos nórdicos. Eles nunca lutavam atrás de seu exército, mas sempre na frente. Ao chegar até o exército inimigo, eles começaram a bravamente lutar enquanto seu exército chegava para lhes dar reforço. De início, Peter direcionou seu cavalo para um infante da guarda vaegir e curvando-se para a direita, rasgou seu rosto com sua espada. Com o cavalo ainda em movimento, Peter deu meia volta e com o mesmo movimento, cortou o cavalo de um dos cavaleiros vaegirs, fazendo-o cair. Neste meio tempo, ambos os exércitos se encontraram e Peter, ao ver que havia arqueiros atirando em seus homens, correu para cima de um deles e inclinando-se para a direita e depois para a esquerda, cortou dois deles com sua espada. Ainda em seu cavalo, Peter cavalgou para o encontro de outro cavaleiro vaegir, que tentou golpeá-lo com uma clava, mas que foi defendida pelo escudo de Peter. Voltando contra ele, Peter brandiu sua espada com a dele, puxando-a para o lado esquerdo e num movimento rápido, voltou sua espada com um corte horizontal que rasgou o pescoço de seu inimigo. Ao ver que Peter estava causando várias mortes, um dos arqueiros apontou seu arco para ele, mas sua flecha pegou de raspão na cara do cavalo, fazendo com que Peter enfurecido corresse em sua direção e lhe cortasse a cabeça com uma leve inclinação para a esquerda, enquanto dava um corte horizontal no pescoço do arqueiro.

Após acabada a batalha, os homens começaram a vasculhar os corpos, com o intuito de coletar itens e achar Boyar Naldera, no entanto ele não foi encontrado. 2 soldados e um recruta nórdico do exército de Peter morreram e outros 5 soldados e um recruta ficaram feridos. Peter elevou cinco dos soldados sobreviventes a soldados especiais de sua força.

– Maldito seja Boyar Naldera! – disse Surdun. – O maldito fugiu durante a batalha e deixou seus homens aqui para morrer. Esses vaegirs não têm honra!

– Acalme-se, amigo. – falou Peter, embainhando sua espada. – Enquanto a honra estiver do lado dos nórdicos, nós venceremos esta guerra.

– Certamente, Sir Peter – disse Surdun. – Fique com alguma parte das pilhagens. Eu e meus homens seguiremos caminho. Adeus, Sir Peter. E obrigado por sua ajuda.

– Disponha Sir Surdun – disse Peter.

Peter levou um dos cavalos do inimigo até Sir Bulba, que estava junto a Jeremus, se alimentando e cuidando dos cavalos de carga de Peter. Ao chegar lá, ele desceu de seu cavalo e pediu para que Jeremus tratasse as feridas do cavalo enquanto seus homens retornavam com as pilhagens do inimigo.

– Aqui está, Bulba – disse Peter. – Um cavalo para que você vá até Wercheg, de volta para sua família. Infelizmente, não poderei acompanhar você, pois vou por outro destino. Boa sorte no caminho e mande minhas cordialidades a seus pais.

– Obrigado, Peter – disse Bulba, subindo no cavalo. – É bom saber que há mais um membro da família que se tornou um homem.

Após recolher algumas pilhagens e cavalos que o inimigo deixou para trás, Peter seguiu viagem com seus homens rumo a oeste, mas antes que pudessem recuperar-se da última batalha, uns grupos de 11 desertores vaegirs avançaram contra seu exército. Com apenas cinco homens em condições de luta, Peter desceu de seu cavalo e foi a pé, à frente de seu exército.

Os grupos rapidamente se encontraram e Peter indo à frente, enfrentou sozinho três dos desertores. Dando um golpe certeiro no primeiro, Peter defendeu o golpe dos outros dois com seu escudo e em dois cortes horizontais, fez cair os outros dois. Logo se virou para onde seu exército de três homens restantes lutava contra outros sete desertores. Peter avançou contra um dos desertores e o matou, enquanto seus outros três homens matavam um dos desertores e caíam no chão, com golpes dos outros cinco. Peter então lutou contra todos eles sozinho, golpeando-lhes um por um e recuando por trás de seu escudo a cada ataque, até que todos estivessem mortos.

Ao ver que todos os seus homens foram feridos e havendo um prisioneiro entre eles, com seus pés amarrados e suas mãos presas a um cavalo a alguns metros, Peter se dirigiu até ele.

– Estes desertores lhe mantiveram prisioneiro – disse Peter. – Por qual razão?

– Eu pertencia a um grupo de caçadores mercenários, milorde – disse o prisioneiro. – Nós vagamos por aí caçando desertores e bandidos, a fim de fazer justiça a alguns ou vendê-los para algum comerciante de escravos da região. Estes desertores mataram o meu grupo e quando viram que eu havia sobrevivido, eles me fizeram prisioneiro, talvez para comer minha carne quando sua comida acabasse. Agora eu tenho uma dívida com o senhor.

– Todos os meus homens estão feridos – disse Peter, soltando suas amarras, enquanto Jeremus e os demais soldados de seu exército caminhavam até ele. – Nós temos um médico conosco, mas demorará algum tempo para que ele trate todos os feridos, então acamparemos aqui. Diga-me, caçador. Poderia você abandonar a vida de caçadas e seguir um lorde nórdico em troca de comida, dinheiro e proteção?

– Eu ficaria honrado de seguir o homem que me salvou destes desertores – falou o caçador.

– Ótimo – disse Peter. – Eu me chamo Sir Peter, da casa Heidmann. Qual o seu nome, soldado?

– Eu me chamo Peter também, milorde – disse ele. – Peter Strauss.

– Seja bem vindo ao meu exército, Peter Strauss – disse Peter. – Agora me ajude a fazer uma fogueira para nos aquecermos neste frio. O sol já está se pondo.

Após reunir-se com seu pequeno exército, Peter montou um acampamento nas proximidades do castelo d’Ismirala. Enquanto Jeremus tratava dos feridos, Peter elevou todos os recrutas a soldado e todos os soldados a soldados especiais, nomeando Klaus um guerreiro nórdico.

– Mãe! – clamou Bulba, abrindo as portas do salão de Wercheg.

– Meu filho! – disse Dria, correndo para abraçá-lo.

– Peter me resgatou do Castelo de Slezkh – disse ele.

– Sim, eu pedi para que ele fizesse isso – falou Dria.

– É certamente um rapaz com bastante talento – disse Irya, se aproximando de sua família. – Peter ainda trará muitas conquistas a esse reino.

– Certamente, meu pai – disse Bulba. – Peço-lhe perdão por não ter sido digno de sua estima, ao perder no campo de batalha.

– Não diga isso, meu filho – disse Dria. – Estou certo de que você lutou com bravura e honra!

– Sua mão está certa, Bulba – disse Irya. – Em nosso reino, não há vergonha alguma em perder uma batalha. A vergonha está em não lutar ao lado de seus homens e fugir como um cachorro sem dono. Você fez bem em lutar até o fim de suas tropas.

– Eu jurei isto quando o senhor me transformou em um lorde – disse Bulba. – Seria um desrespeito para nossa casa se eu fugisse de uma batalha.

– Certamente, meu filho – disse Irya. – É exatamente por esta razão que sua atitude foi honrada.

Irya e Bulba apertaram seus antebraços e sorriram um para o outro. Dria, que até então estava abraçada com seu filho, observou seu marido e filho e sorriu com eles. Ao cair da noite, Peter ordenou que seus homens menos feridos revezassem na vigia. Neste meio tempo, Bulba chegava a Wercheg. Assim que o sol nasceu, eles seguiram viagem para o oeste, em direção a Sargoth. Antes de chegar a seu destino, Peter passou por Fenada, uma pequena aldeia que pertencia a Sir Dirigun, onde recrutou mais um homem para seu exército.

Ao chegar à cidade de Sargoth, Peter foi até o mercado com seus homens para vender os itens que não estavam tendo serventia por seu exército, o que lhe rendeu 27 moedas de ouro e 61 moedas de prata. Peter também vendeu seu antigo cavalo, que estava ferido e comprou mais dois novos, sendo um cavalo de carga e um cavalo branco de passeio, com algumas pintas marrons e mais um escudo de cavaleiro, que lhe custou 06 moedas de ouro e 57 de prata. Saindo do estábulo e do comércio de armas e armaduras, Peter foi até a feira de alimentos e especiarias ao perceber que dos 50 sacos de peixe, só lhe restaram 09. Então Peter comprou mais 50 sacos de peixe e 50 pacotes com grãos, que lhe custou 100 moedas de prata, lhe deixando com um montante de 22 moedas de ouro e 314 moedas de prata.

Enquanto o Rei estava fora da cidade, Peter foi até a taberna e começou a tomar um pouco de vinho com os demais homens de seu exército. Logo Peter percebeu que havia um bardo cantando na taberna e admirando-o, foi até ele.

– Você canta bem, bardo – disse Peter. – Quanto me cobraria para me ensinar um poema?

– Obrigado, milorde – disse o bardo. – Eu posso ensinar-lhe dois de meus melhores poemas por apenas 06 moedas de ouro.

– Aqui está, bardo – disse Peter, entregando-lhe 06 moedas. – Mostre-me o que você sabe.

– Muito bem, Sir Peter. Veja o modo de recitar e ao final lhe darei um papel com os poemas escritos. Garanto que com minhas poesias poderás cortejar as mais belas ladys do reino. Preste bastante atenção – disse o Bardo. – O nome do primeiro poema é Kais e Layla. “O vento que sopra a poeira nas planícies secou, agitando as cortinas de sua torre. A lua ilumina o meu caminha para casa. Olho para você dormindo no seu pavilhão. Se eu gritar ao vento, poderia levar uma mensagem de meus lábios? Se eu chorava antes à luz do luar, será que me concederias apenas um vislumbre de seu cabelo de ébano? Apenas um vislumbre de seus lábios de rubi? Apenas um vislumbre de seus olhos gelados?” – terminou o bardo, recitando a poesia em tom normal.

– É um belo poema, bardo – disse Peter, após o término de sua recitação. – Com certeza valeu o dinheiro que eu paguei, mas você teria algum poema que se refira à cidade de Wercheg?

– Tenho sim, milorde – disse o bardo. – Se chama Helgerad e Kara. Ele é assim: “A luz perfurou a escuridão sobre as falésias de Wercheg, onde as ondas quebram na praia. Quando tudo se vestiu de cinza e a donzela na frente das ondas esbofeteou os véus, em um alvoroço de madeiras que racham, ela gritou para seus irmãos do peito, chamando-os para a guerra.”

– São poemas bonitos, bardo... Agora, vou beber um pouco. Tome mais uma moeda de ouro e cante para nós durante toda a noite. – disse Peter, dando-lhe mais uma moeda.

Peter e seus homens passaram a noite inteira na taberna, bebendo e se divertindo. Contando suas vitórias no Reino Vaegir e suas aventuras antes de estarem juntos. Apesar da nobreza, Peter era um homem humilde, que não se importava de tratar seu exército como um grupo de amigos. Talvez por isso, todos os homens que o seguiam eram leais a ele. Na noite seguinte, tudo foi repetido, até que um dia depois Rei Ragnar retornou a Sargoth e Peter solicitou uma audiência com ele, no salão real.

– Eu o saúdo, vossa majestade – disse Peter, batendo seu punho fechado em seu peito e inclinando sua cabeça para baixo. – Estou aqui para jurar lealdade ao Reino dos Nords.

– Peter... – disse o Rei. – Da última vez que eu o vi você era um garotinho. Antes de fazer seu juramento, diga-me. Seu pai já partiu para Nordland?

– Sim, majestade – disse Peter. – Ele partiu para Nordland na mesma noite em que me fez lorde.

– Ótimo – disse Ragnar, aproximando-se. – Estou ansioso para receber notícias dele. Agora se ajoelhe, Sir Peter.

– Sim, majestade – disse Peter, ajoelhando-se.

– Você jura ser leal, fiel, honroso e benevolente com seu rei, auxiliando-me com tudo o que eu lhe solicitar e representando o Reino dos Nords dentro e fora de nossas dependências? – perguntou Ragnar, pegando fechando as duas mãos de Peter com as suas.

– Sim, eu juro – disse Peter.

– E jura cuidar de seu feudo como se fosse sua casa, o protegendo e o ajudando a crescer, utilizando do seu próprio dinheiro, sangue e suor para isso? – prosseguiu Ragnar.

– Sim, eu juro – disse Peter.

– Levante-se, Sir Peter, nobre da casa Heidmann e Barão de Fearichen – disse o Rei, soltando suas mãos. – Que sua sabedoria abençoe aquelas terras que há muito não possui um lorde protetor. A propósito... Amanhã haverá um torneio e um banquete em minha casa. Eu ficaria feliz que você estivesse aqui, representando a casa de seu pai.

– Sim, majestade – disse Peter. – Eu ficarei. Mas agora estou um pouco cansado. Com a sua licença, majestade – disse Peter, batendo em seu peito e abaixando sua cabeça.

– Vá, Sir Peter – disse o Rei. – Nos veremos novamente amanhã.

Peter reuniu-se com seus homens e foi até a hospedaria, onde alugou quatro quartos, sendo um deles para seu uso pessoal. No dia seguinte, após o almoço, o mestre da arena declarou o início do torneio e, portanto, Peter e Jeremus dirigiram-se até a arena para participar dele. Os torneios em Calradia serviam para duas coisas. Primeiro, para mostrar a força dos nobres de um reino. Segundo, para divertir a massa e deixar o povo contente com os lordes das grandes cidades. Terceiro, para permitir aos nobres testarem sua força uns contra os outros no campo de batalha, neste caso, quando há algum banquete na cidade.

Os torneios nórdicos em Sargoth tinham um funcionamento muito simples. Em cada rodada do torneio, os participantes vestiam roupas de uma determinada cor e utilizavam armas de madeira para derrubar seus adversários. A última equipe que ficasse de pé classificava todos os seus membros para a próxima rodada. Em alguns casos, a última equipe a cair também se classifica, caso existam quatro equipes ao todo. No final das lutas, o vencedor é consagrado com o prêmio de duas moedas de ouro. Existe também uma mesa de apostas, onde o jogador pode apostar em si mesmo, caso esteja confiante na sua vitória.

Na primeira rodada do torneio, Peter apostou uma moeda de ouro e ficou no time verde, utilizando uma espada longa. Eram quatro equipes com 03 competidores cada. Ao lado de Peter estavam um homem e uma mulher, ambos eram gladiadores. Enquanto o homem de seu time foi em direção ao time vermelho, Peter correu junto à mulher contra o time azul. Enquanto eles tentavam golpear a mulher, Peter bateu sua espada em dois membros do time azul, derrubando-os. Neste meio tempo, os outros dois membros de sua equipe caíram. Foi quando um homem do time amarelo veio por trás de Peter e o golpeou no ombro, que caiu, mas logo se recuperou e bateu sua espada fortemente na costela do homem, que também caiu. Logo, mais três gladiadores vieram em sua direção, sendo um do time amarelo e dois do time vermelho. Antes que o membro do time amarelo pudesse chegar até Peter, um dos homens do time vermelho o golpeou por trás, derrubando-o. Peter, aproveitando a chance, golpeou o homem, causando seu nocaute e então sobraram apenas Peter e uma gladiadora, equipada com machado e escudo. Peter levantou sua espada para um golpe vertical frontal, mas a gladiadora defende com seu escudo e utiliza seu machado fazendo um corte horizontal, que logo é desviado por Peter, que se inclina para trás e com um corte horizontal da direita para a esquerda, bate no ombro da gladiadora, fazendo-a virar e dando a oportunidade para Peter bater em suas costas e derrubá-la.

Na segunda rodada do torneio, Peter apostou mais uma moeda de ouro e ficou no time vermelho, utilizando machado e escudo. Eram duas equipes com 07 competidores cada. Ao lado de Peter estavam três mulheres e três homens, todos eram gladiadores. No grupo adversário, Rei Ragnar mantinha sua presença. Peter avançou junto com seus parceiros contra seus inimigos. Enquanto todos tentavam se acertar, Peter posicionou-se de um lado, estratégia que Rei Ragnar também utilizou, mas no lado oposto. Peter então deu três golpes de machado em um dos gladiadores, mas dois foram defendidos com o escudo, fazendo-o cair apenas no terceiro golpe. Com isso, sobraram apenas dois membros em cada time. Peter avançou contra Rei Ragnar, derrubando-o com um golpe forte em seu ombro, logo após ele derrubar um de seus companheiros. A este nível, sobrou apenas Peter, uma gladiadora de seu time e outro gladiador. Peter rapidamente avançou contra ele, que estava diferindo golpes no escudo de sua parceira e deu-lhe uma machadada, nocauteando-o.

Na terceira rodada do torneio, Peter apostou outra moeda de ouro e ficou no time verde, utilizando machado e escudo. Eram novamente duas equipes com 07 competidores cada. Ao lado de Peter estavam duas mulheres e quatro homens, todos eram gladiadores. Todos correram contra seus adversários e se amontoaram juntos num mesmo local da arena. Dentre muitas machadadas, Peter nocauteou dois gladiadores, sendo o resto nocauteado pelos demais membros da equipe de Peter, ao qual só foi nocauteado um membro.

Na quarta rodada do torneio, Peter apostou novamente uma moeda de ouro e ficou no time amarelo, utilizando machado e escudo. Eram duas equipes com 04 competidores cada. Ao lado de Peter estavam três homens, todos eram gladiadores. No grupo adversário, estava um gladiador campeão, chamado Kradus. Peter e seu grupo correram na direção do adversário e Peter iniciou o duelo tentando dar uma machadada numa gladiadora do grupo inimigo, que a defendeu com sua espada longa. Peter deu uma pequena recuada e então golpeou Kradus, nocauteando-o. Os demais gladiadores passaram a lutar cada um com outro gladiador e um membro do grupo adversário nocauteou um dos parceiros de Peter, que golpeou outro gladiador que estava quase vencendo um de seus parceiros. O outro gladiador que estava lutando ao lado de Peter nocauteou seu adversário e Peter deu fim à rodada golpeando o gladiador restante.

Na quinta rodada do torneio, Peter apostou mais uma vez uma moeda de ouro e utilizou machado e escudo durante a luta. Por se tratar de uma semifinal, só havia duas equipes, cada um com um único combatente. Peter enfrentou um gladiador simples que havia chegado até ali apenas por ter estado em seu grupo na rodada anterior. Eles correram um em direção ao outro e ao chegar perto, Peter projetou seu escudo à frente. O gladiador bateu em seu escudo com um machado e num movimento rápido, Peter o golpeou com seu machado em um golpe horizontal, nocauteando-o.

Peter agora estava a um passo de vencer o torneio, sobrando-lhe apenas a luta final.