Mais um dia começava na grande QA e vários grupos selavam suas montarias no portal da cidade, trajando vestes de viagem e munidos de mantimentos para semanas. Aqueles que pareciam encabeçar as empreitadas eram facilmente identificados pelos narizes enfiados em maços de papeis e mapas, possivelmente absortos em suas estratégias e estudos das missões que se iniciariam logo mais.

Indubitavelmente era uma cidade inclusiva. Todas as raças e tipos de heróis imagináveis era possível se encontrar ali. Elfos altos trajando pedrarias passavam com ar de orgulho, enquanto anões barrigudos passavam de forma abrutalhada empurrando quem estivesse à sua frente e aproveitando para deixar alguns pisões acidentais nos pés de qualquer um que tivesse uma orelha pontuda amostra e meio-humanos cujo alguns se destacavam pelas aparências peculiares.

Cruzando com dificuldade por entre as pessoas que energicamente se aprontavam para deixar a cidade, uma figura jovem de cabelos loiros cujo alguns fios pendiam soltos frente aos olhos ansiosos e com um bandolim todo entalhado com runas em suas costas adentrava as ruas cheias, sorrindo alegremente, enquanto os homens mais próximos lhe direcionavam olhares cobiçosos.

A garota rumava até a rua principal da cidade e suspirou aliviada ao se ver livre da multidão, aproveitando para fuçar o bolso das vestes e tirar um papel amassado que fitou como quem já sabia o que estava escrito, mas que procurava algo além nas entrelinhas. Por fim, colocou-se a passos apressados enquanto cerrava os punhos com o papel.

O sol estava em seu ápice quando a garota reduziu o ritmo. Já havia atravessado toda a cidade e a julgar pela sua própria sombra podia deduzir que já passara de meio-dia – E pelos protestos de seu estomago ela provavelmente estava correta. Acabara de chegar à orla da Floresta Densa e deu passos largos até a única construção próxima. Uma pequena e silenciosa estalagem de madeiras escurecidas pelo tempo e escondida por algumas árvores de troncos grossos que cresciam ao redor. Apesar da aparência estranha do estabelecimento, uma brisa fresca tocava suas bochechas fazendo-a desejar ficar ali por mais alguns instantes.

Sentiu seu estomago protestar ainda mais alto, o que a fez sair de seus devaneios subitamente. Se aproximou da porta do local que poderia passar perfeitamente por abandonado, no chão ao lado uma placa velha com as letras garrafais tão gastas que tornava quase impossível de se ler a palavra gravada: Boteco – Ela riu de canto e empurrou a porta que rangeu alto antes de lhe dar espaço suficiente para passar e adentrar o local.