As Crônicas Dos Retardados.

9 Um Bebezinho Fofo... Ou Quase Isso.


– Own... Ela dorme como um anjo – ouvi Hermione dizer enquanto eu dormia.

– Concordo – disse a voz de Gina – E por concordar... ACORDA LOGO, CAROL!

Eu cheguei á conclusão que a Gina precisa ir se tratar no psicólogo [N/Gina: Olha quem fala...] Porque ela vive berrando comigo.

– Que aula é agora? – perguntei com o cobertor cobrindo a cabeça.

– Poções – respondeu Hermione.

Eu sentei na cama e fitei Hermione com uma expressão descrente.

– Você me acordou para ir á aula do Ranhoso? – perguntei.

– Carol! – exclamou Mione – Não chame um professor assim!

– Certo, então que tal... Professor Ranhoso? – perguntei levantando da cama e me espreguiçando.

Troquei de roupa, tomei café da manhã no Salão Principal e segui para as masmorras com Harry, Rony e Mione.

– Sabe, eu estava pensando – dizia – Quando um veneno passa da validade, ele fica mais ou menos venenoso?

– Menos venenoso – respondeu Hermione imediatamente – Com o tempo, os compostos químicos venosos vão perdendo a intensidade, de modo que...

– Já entendemos – cortou Rony.

Entramos na sala de Poções; Rony sentou-se do lado de Harry, Hermione sentou-se com Lilá e eu fiquei sozinha (de novo) no fundo da sala. Mas então, Malfoy chegou e sentou-se do meu lado.

Eu o encarei.

– Te dei permissão para sentar aqui, criatura? – perguntei.

– E eu pedi sua permissão para sentar aqui, criatura? – retrucou.

Revirei os olhos no momento que Snape entrava na sala.

– Pestes – cumprimentou educadamente – Hoje nós vamos preparar uma poção redutora, se ela estiver correta, a pessoa que a tomar voltará á ter oito anos. Trabalhem com a pessoa ao seu lado. O modo de preparar está na página 365 de seus livros. Comecem!

Draco e eu nos encaramos e bufamos ao mesmo tempo. Abri meu livro e comecei a picar os ingredientes enquanto Draco colocava a base da poção no caldeirão. Após quinze minutos, a poção estava pronta.

Snape fez os alunos tomarem suas poções. Os cabelos de Neville se tornaram roxos; a poção de Simas já tinha explodido á muito tempo; Harry e Hermione ficaram um ano mais novos, o que foi ótimo comparado ao resto da classe.

– Peruzzo – disse Snape – Porque não toma sua poção?

Abaixei os olhos para a poção que estava azul escuro ao invés de lilás.

– Não sei não – respondi – Eu já estou satisfeita, tomei um ótimo café da manhã...

– Tome a poção – disse Snape pausadamente, como se falasse com uma criança.

Suspirei e coloquei um pouco daquela mistura nojenta num frasco, alguns segundos depois, a poção descia goela á baixo.

POV. Draco Malfoy.

Sabe aquele momento em que você sente que uma merda catastrófica está prestes á acontecer? Então, aquele foi um momento desses.

Peruzzo tomou a poção bizarra e adivinhe o que aconteceu? Exatamente! Nada.

– Nossa – ela disse erguendo as sobrancelhas – Que legal. Não aconteceu nada!

– É porque a sua mentalidade já é de uma criança de oito anos – disse.

Quando ela ia me responder, começou á tossir como se estivesse engasgada.

– Que... Merda... – dizia entre cada tosse – Está... Acontecendo?

Snape franziu a testa e me perguntou:

– Cortaram as lagartas corretamente?

Meu sangue congelou.

– Que lagartas? – perguntei num fio de voz.

Carol (ainda tossindo) e Snape me encararam com raiva.

– Sr. Malfoy – disse Snape – Se você não colocou as...

Snape não pode completar sua fala, porque nesse momento ouviu-se um estalo e Carol sumiu, deixando apenas uma pilha de roupas da Grifinória.

– Ah Meu Deus! – exclamei – Ela... Ela sumiu!

– Que ótimo! — exclamou Pansy batendo palminhas de alegria.

Potter, Granger e Weasley abriram espaço e me encararam.

– O que você fez? – perguntou Granger com a voz esganiçada.

– Eu não... – comecei a dizer, mas parei.

O monte de roupas da Grifinória mexeu-se e a maioria dos alunos deu um passo para trás. Andei até a cadeira onde Peruzzo estava sentada e tirei o casaco que ela usava de cima do monte de roupas; todos, inclusive eu, ofegaram.

Ali estava um bebê de um ano de idade, com pele pálida, pequenos cachos castanhos e olhos extremamente azuis.

– Carol? – perguntou Potter embasbacado.

– Saia da frente, Malfoy – disse Granger.

Ela me empurrou para o lado e pegou o bebê no colo, Carol começou á chorar imediatamente.

– Acho que ela não gosta de você, Granger. – disse.

Granger me encarou com raiva.

– Ah é? Se você acha que é tão bom assim, então tente você acalmá-la.

Granger me entregou Carol, eu me senti muito estranho com aquele bebê nos braços, principalmente se considerarmos que aquele bebê já me deu um tapa na cara.

Carol parou de chorar e ficou me encarando com seus olhos azuis.

– Milagres existem – disse Weasley – Acho que ela gostou de você.

Revirei os olhos.

– Calado, Weasley – mandei.

– Sr. Malfoy, venha comigo – disse Snape.

Snape e eu (carregando Carol, que brincava com a minha gravata da Sonserina) fomos até o escritório de Dumbledore. Snape disse a senha e nós subimos as escadas.

– Dumbledore – disse Snape abrindo a porta.

– Oh, Severo – disse o diretor sentado em sua escrivaninha – O que o trás... De onde veio esse bebê?

– Essa é Peruzzo. – disse Snape.

Dumbledore franziu a testa.

– Carolina Peruzzo? A semideusa?

– É.

– Como ela virou um bebê?

– Pergunte ao Malfoy – disse Snape.

– Bem – disse – Peruzzo e eu estávamos como parceiros na aula de Poções, deveríamos fazer uma poção redutora, mas então... Ela tomou a poção e virou um bebê.

Nós três olhamos para Carol, que sorriu banguela para nós. Eu preciso tirar uma foto para lembrar desse momento.

– Então... – começou Dumbledore – Acho que o mais sensato nesse momento é entregá-la para os colegas Rony, Hermione e Harry até que o Prof. Snape ache um antídoto.

– E quanto tempo isso demora? – perguntei.

– Uma semana, mais ou menos – respondeu.

Suspirei derrotado e sai do escritório de Dumbledore.

* * *

Carol estava sentada no chão e jogava os blocos de brincar para cima, o que não me incomodava, até um deles acertar minha cabeça.

– Por Merlin – disse – Essa garota é insuportável! Já era ruim na nossa idade, bebê então...

– Ela é um bebê com hiperatividade – disse Granger – No livro que peguei na biblioteca...

– Qual deles? – perguntou Weasley.

Granger lhe deu um olhar frio e ele se calou.

– Como eu ia dizendo, o livro diz que é nessa fase que os bebês tentem á querer conhecer o mundo. Ela só está curiosa.

– Quanta curiosidade – disse Potter – Ela está jogando blocos para cima á duas horas e ainda não se cansou.

O relógio no pulso de Granger apitou.

– Está na hora dela comer – disse.

– Você está controlando os horários? – perguntei.

– Claro! – respondeu – Ela tem que crescer saudável! E, Malfoy, pode chamá-la?

– Porque eu?

– Porque ela só escuta você.

Dei risada.

– Em que mundo? – perguntei.

– É verdade – disse Weasley – Quer ver? CAROL! OLHE AQUI!!

Carol continuou jogando os blocos para cima e tentando agarrá-los novamente.

– Sua vez – disse o ruivo.

– Hum... Certo – disse – Carol, olhe aqui.

Carol olhou em nossa direção com os olhos azuis faiscando de curiosidade.

– Medonho – disse Potter.

Granger levantou-se e pegou Carol no colo, que imediatamente começou á chorar. Isso acontecia muito; sempre que Granger se aproximava, Carol chorava.

– Ah, qual é? – disse ela tentando acalmar o bebê – Ela tem algum problema comigo.

Suspeito que seja o cabelo da Granger, mas não vou dizer isso. Não quero levar um Estupefaça na cara.

Granger me entregou Carol, que imediatamente parou de chorar encostou a cabeça no meu peito.

– Ela está de sacanagem comigo, só pode – disse Granger – Eu desisto de tentar cuidar dessa menina!

Weasley sorriu com malícia.

– Eu tenho que tirar uma foto dessa cena para mostrar para Carol quando ela voltar ao normal – disse.

– Principalmente quando você dizer que Malfoy a pegou no colo – disse Potter prendendo o riso.

Franzi a testa.

– Será que vocês dois podem calar a boca? Ela é só um bebê! – exclamei mesmo que sentisse as bochechas quentes.

Nesse momento, Creevey entrou correndo no Salão e veio até nós.

– Harry! Harry! – ele disse – O Prof. Snape mandou-me para avisar que já tem o antídoto.

– Vamos – disse Potter levantando-se.

Levamos Carol para a sala de Snape, que estava com um caldeirão em sua mesa.

– Granger – disse Snape entregando-a um frasco – Esse é o antídoto para Peruzzo, o efeito deve ser imediato.

– Obrigada, professor – ela agradeceu.

Granger misturou a poção ao leite que Carol iria tomar, afinal, não dá para fazer um bebê de um ano tomar uma poção verde estranha.

Assim que Carol tomou a poção, ouviu-se um estalo e...

POV. Carol Peruzzo

– O QUE EU ESTOU FAZENDO COM ESSA ROUPA DE BEBÊ? – gritei e depois: — PORQUE ESTOU SENTADA NO COLO DO MALFOY?

Levantei e encarei os presentes.

– Ah, droga – disse Rony – Você era um bebê realmente fofinho. Mas agora você vai voltar á gritar feito louca e...

– EU ME LEMBRO, OK? — disse e vi Draco empalidecer um pouco mais – VOCÊ, SEU JEGUE RUIVO, ME DERRUBOU NO CHÃO UMAS DUAS VEZES!

– Foi sem querer – murmurou.

– Eu vou trocar de roupa! – disse com raiva e sai triunfalmente da sala, o que foi meio difícil, já que eu estava com um macacão de bebê.

* * *

No dia seguinte, tudo já tinha voltado ao normal, e eu estava indo de novo para a aula de Poções.

E, de novo, Malfoy sentou do meu lado.

– Hãn... Oi – ele disse.

Encarei-o.

– Quem é você e o que fez com Draco Black Malfoy? – perguntei e ele sorriu.

– Há, Hilária – disse Draco – Eu só... Você se lembra do que aconteceu quando você era bebê e...

– Sim, eu lembro – disse – Mas... Hum... Fica só entre a gente, certo?

– Claro, claro...

– Alunos – disse Snape – Hoje nós vamos refazer a poção redutora. Podem começar.

Quinze minutos depois...

– Weasley – disse Snape olhando para Rony – Tome sua poção.

Rony assentiu, engoliu em seco e tomou a poção. Em seguida, ouviu-se um estalo.

Harry foi até onde antes estava Rony, lá estava um bebezinho ruivo com sardas no rosto fofo.

– Ótimo – disse Hermione batendo a mão na testa – Mais um para eu cuidar...