As Crônicas Dos Retardados.
41 Todo Mundo em Pânico
POV. Nico Di Ângelo
O acampamento estava no maior tédio de todos os tempos. Os sátiros cansaram de correr atrás das ninfas, Quíron está roncando na varanda da Casa Grande, Annabeth está relendo seus livros pela milésima vez... Ou seja, um tédio horrível.
Os campistas que cansaram de todo esse tédio foram para o chalé de Ares jogar o jogo favorito dos filhos do deus da guerra: Mortal Kombat. Mas como não temos aparelhos eletrônicos no Acampamento Meio Sangue, estamos jogando a versão 3D: Escolhemos duas pessoas, jogamo-los dentro da arena e eles lutam até alguém desmaiar.
Clarisse parece uma adolescente no shopping assistindo às lutas, com a única diferença de que em vez de gritar “OLHA AQUELE SAPATO NA PROMOÇÃO!”, ela grita “OLHA AQUELE SOCO NO ESTOMAGO!”. Ela é tão simpática.
Leo, Percy e eu estamos sentados nas arquibancadas observando a luta de Brutus Jones e Travis Stoll.
- Isso é ridículo – disse Leo – É óbvio que Brutus vai ganhar.
- Travis é rápido – argumentei – Se ele fosse menos burro, talvez pudesse ganhar.
Cinco minutos depois, Travis já estava no chão. Quando outro pobre coitado ia entrar na arena para lutar com Brutus, Fobos, o deus grego do medo, surgiu do nada. Aprenda: Se um deus grego aparecer do nada, CORRA!
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! – gritou ele furioso – NÃO DEI PERMISSÃO PARA NINGUÉM DAR MEDO EM NINGUÉM! SÓ EU POSSO DAR MEDO NAS PESSOAS! ISSO AQUI É SUA CULPA, NÃO É, JOHNSON?!
- Não! – exclamou Percy.
- SEU INSOLENTE! IRÁ SE ARREPENDER DISSO, PETER JOHNSON!
E, como se isso fosse muito normal, Fobos estalou os dedos e ele e Percy sumiram. Os filhos de Ares se entreolharam, deram de ombros e continuaram com as lutas.
- Será que os deuses não podem se ocupar com algo produtivo? – reclamou Leo – Sei lá, como tricô?
- Temos que resgatá-lo – suspirei – Que droga, estou com preguiça de deixar de ter preguiça.
- Eu também.
Levantei-me e estiquei as costas.
- Como vamos fazer isso? – perguntou Leo também se levantando.
- Temos que consultar a pessoa mais sábia do Acampamento – falei.
Ele arregalou os olhos.
- Não! – ele exclamou – Tudo menos isso!
- Se quisermos Percy de volta, temos que fazer isso, Leo.
Ele suspirou, cansado.
- Preferia lutar com as mênades de novo.
* * *
Abri a porta do Chalé 3, que estava escuro e sombrio. Um vento sinistro surgiu e arrepiou os pelos dos meus braços. A única parte iluminada do chalé era uma poltrona (que surgiu do nada) de couro preto, com estampas quase imperceptíveis de lulas gigantes.
Dou uma moeda para quem adivinhar quem estava sentada na poltrona.
- Carol – disse Leo – Porque você está vestida como uma mafiosa italiana?
Carol, com sua roupa e pose de mafiosa, acariciou as costas de um gato preto de assustadores olhos amarelos e nos olhou com sua habitual expressão de desprezo.
- Leonardo, Nicolau – ela disse com uma voz séria – Porque me procuram?
- Você sabe muito bem que Nico e Leo não são apelidos de Nicolau e Leonardo – falei.
Ela me lançou um olhar assustador e decidi ficar quieto.
- Carol, precisamos de sua ajuda – disse Leo – Percy foi raptado por Fobos! Acho que ele está no Olimpo e... Pare de acariciar esse gato!
Carol suspirou, como se Leo tivesse dito algo triste.
- Eu não me lembro da última vez que você tenha me convidado para tomar um café em sua oficina, mesmo depois de eu ajudar a mantê-la arrumada – disse ela — Mas agora você vem até mim e diz: Dona Peruzzo, faça justiça. Mas não pede com respeito, não oferece amizade. Você nem mesmo pensa em me chamar de Madrinha. Ao invés disso, você entra na minha casa, no dia do meu programa favorito, e me pede para salvar alguém sem importância.
- Ele é seu irmão!
- Sem importância atual.
- Se você quer Amizade, vá ler Divergente – disparei – Nós não estamos aqui para negociar, Carol! Precisamos de um resgate rápido!
Ela revirou os olhos e o gato preto em seu colo ronronou.
- Não entenderam o que eu disse? – perguntou ela – Você vem até mim, pede-me favores... Mas não me dá o mais importante: Sua lealdade.
- Seu sobrenome não é Corleone, Carol.
- Calado, Nico.
Leo me cutucou com o cotovelo e sussurrou: Entra na onda.
- Dona Peruzzo, pedimos-lhe humildemente para ajudar-nos a salvar Percy Jackson – disse Leo.
Carol lançou-lhe um olhar curioso, como se dissesse Aleluia!
- E o que ganharei em troca, Leôncio? – perguntou ela.
Sério que ela acha que Leo é apelido de Leôncio?!
- Um pônei – disse Leo.
Os olhos de Carol brilharam.
- Um pônei? De verdade?
- Sim. Mas só se você nos ajudar a salvar Percy.
Ela sorriu.
- O acordo está selado – Carol ergueu a mão que acariciava o gato e vi o brilho de um anel de safiras – Beije o anel.
- O que?
- Beije o anel, Leôncio, então o acordo estará oficialmente selado.
Leo fez uma cara de WTF? e beijou o bendito anel. Ainda não entendi o porquê disso [N/Annabeth: É um gesto antigo de respeito. Começou na Roma Antiga, como forma de reverência a imperadores e...] Já deu, Annabeth. [N/Annabeth: Affs, emo revoltado].
Carol colocou o gato suavemente no chão, pegou uma maleta que estava do lado da poltrona e começou a mexer lá dentro.
- Então... – pigarreei – Não íamos salvar o Percy?
- Sua insolência vai custar-lhe a língua, Nicolau.
Suspirei exasperado. Não adianta discutir com filhos de Poseidon.
- Dona Peruzzo – falei tentando não soar sarcástico – O que você está planejando?
- Nunca deixe que ninguém de fora da família saiba o que você está pensando, Nicolau – ela sorriu enigmática e continuou mexendo na maleta.
Eu já estava quase saindo daquele chalé quando Carol fechou a maleta e colocou-se de pé.
- Pronto, vamos salvar o retardado que chamo de irmão – ela disse.
- E como você vai resgatá-lo de Fobos? – perguntou Leo – O cara é o deus do medo.
O sorriso que ela deu não poderia ser mais parecido com o sorriso do Gato Risonho do Alice no País das Maravilhas.
- Farei uma oferta irrecusável a ele.
* * *
Entramos no salão de entrada do Empire State com a maior classe do mundo. Viemos para cá de metrô, Carol queria que nós a carregássemos numa liteira. Sinceramente, acho que não foi bom deixá-la assistir a trilogia O Poderoso Chefão.
- Bill – Carol colocou a maleta em cima do balcão do recepcionista e o encarou sinistramente – Precisamos ir ao Olimpo.
- Primeiro: Garota, eu já disse que meu nome é George, qual é o seu problema mental? – falou o recepcionista – E o Olimpo está tumultuado hoje, não dá para deixar vocês três subirem.
Ela revirou os olhos, tirou algo que parecia uma caneta estranha, colocou óculos escuros e apertou um botão. A caneta emitiu um flash e a vista de George ficou desfocada, então ele voltou ao normal.
- Queremos subir ao Olimpo. Agora – disse Carol.
George obedientemente estendeu o cartão do Olimpo. Ela sorriu, pegou o cartão e foi saltitante até o elevador.
- Você é uma mafiosa ou é dos Homens de Preto? – perguntou Leo com uma careta.
- Os dois – Carol colocou o cartão na frente dos botões, o número 600 brilhou e ela o apertou – O mundo é tão difícil que uma pessoa precisa de dois empregos.
Sinceramente, ela está me irritando bancando uma de Vito Corleone. O elevador subiu enquanto ouvíamos uma musiquinha ridícula, e quando a porta se abriu, entendi o que George quis dizer com Olimpo tumultuado.
Os deuses iam de um lado para o outro, correndo animados. Ninfas riam animadas e saltitavam, ciclopes varriam o chão alegremente. Aqui era o oposto do Acampamento Meio Sangue.
- LICENÇA, KATNISS EVERDEEN PASSANDO! – gritou Carol empurrando Leo na frente da multidão – GAROTA EM CHAMAS PASSANDO! ELA ESTÁ INDO ATRÁS DO SEU PADEIRO!
- Cala a boca – mandou Leo emburrado – Porque não usa o Nico? Podemos pintar o cabelo dele de azul e dizer que ele é o Hades da Disney!
- A Katniss é mais legal que o Hades – respondeu a filha de Poseidon [N/Hades: Nossa, magoei aqui.]
Abrimos espaço até o lado de fora da casinha de Péon, o médico dos deuses. Ele colocou a cabeça para fora da janela e nos olhou.
- Posso lhes ajudar, semideuses? – perguntou amigavelmente – Têm alguma doença não resolvida?
- Não, nós... – comecei a dizer, mas fui interrompido por Leo.
- Na verdade, Sr. Péon, eu estou com uma micose braba no pé – disse o filho de Hefesto – Já tentei de tudo. Até já esfreguei a cabeça do bonequinho do Gimli que a Nyssa tem.
- Por quê? – perguntou Carol.
- Dizem que esfregar a cabeça de um anão dá sorte.
Péon suspirou e tocou a cabeça de Leo.
- Pronto – disse o deus – Agradeço a visita, agora tenho que ir ver meu programa: Então você pensa que brilha mais que Zeus?
- Adoro esse programa – disse Carol sorrindo – A Jolie foi eliminada?
- Foi.
- Eu sabia! Aquele cabelo só podia ser aplique...
- Foco! Salvar Percy! – exclamei – Vamos!
- Oh sim – Carol pigarreou e voltou a sua pose de mafiosa – Me sigam.
Ela foi em direção ao templo de Fobos em câmera lenta e com muito swag, e nós a seguimos.
- Porque estamos em câmera lenta? – sussurrou Leo.
- Não contesta – suspirei.
O templo de Fobos era um templo feio, grande, branco e com a tinta da entrada lascada, teias de aranha pendiam do teto e duas serpentes silvaram para nós. Carol recuou um pouco, mas respirou fundo.
- Eu sou corajosa – ela disse em voz alta – Corajosa, muito corajosa. Não tenho medo de serpentes. Posso lidar com duas dessas coisas rastejantes, venenosas, nojentas e que vão morder minha perna e me dar uma morte lenta e dolorosa. Vim salvar meu irmão. Por isso, eu digo... Nico, vá à frente.
Revirei os olhos e avancei. As serpentes se revelaram ilusões e sumiram quando eu me aproximei, empurrei a porta do templo. Os dois me seguiram. Por dentro, o templo era grande como uma igreja. Fobos estava sentado num trono negro no fundo do salão, assistindo semideuses correrem de seus medos. Annabeth corria de aranhas, Clarisse corria de robôs (?), Travis corria de um macaco raivoso... Cada coisa que eu vejo.
E, pendurado pelos pulsos em cima do salão, estava Percy assistindo a todos correrem desesperados dos seus medos. Okay, ele estava dormindo e babando. Acho que ele pode afogar as pessoas nesse salão com a baba.
- Bem vindos, semideuses! – bradou Fobos abrindo os braços como se quisesse nos abraçar – Venham enfrentar os maiores medos de suas almas!
Que cara simpático. Quando Leo e eu voltamos nossa atenção para Fobos, vimos que Carol já estava lá. Como ela passou por tanta gente tão rápido?! Corremos até lá. A filha de Poseidon sentou na frente do deus do medo, colocou a maleta no colo e estreitou os olhos.
- Fobos, que prazer revê-lo – ela disse.
- Carol, que desprazer revê-la – respondeu Fobos direto – Gostou das serpentes na entrada? Especiais para você.
- Adorei. E você? Vai gostar da minha mão na sua cara?
- Não se preocupe, minha doce filha de Poseidon – ele se reclinou no trono e sorriu com ironia – Ainda tenho seus três outros medos na palma da minha mão.
- Você só tem quatro medos? – perguntei – Uau! Você é igual o Tobias!
- Agora não é hora para Divergente, Nico – disse Leo me dando uma cotovelada.
- E eu tenho seu único medo nessa maleta – disse Carol — Quem começa? Quero levar meu irmão de volta para casa, ele é quem faz o meu chazinho da noite.
- Me dê as honras – Fobos se levantou, ergueu Carol pela mão e apontou para o salão. Os semideuses correndo e os medos sumiram, deixando tudo vazio. Leo e eu ficamos na ponta dos pés para ver quais seriam os outros três medos de Carol.
Uma tenda de circo surgiu e aquela música animada começou a tocar de algum lugar. Equilibristas surgiram e jogavam objetos para cima, dançarinos faziam acrobacias e um leão rugiu. Ela tinha medo de circo? Carol não parecia assustada.
Foi aí que apareceu o medo de Carol. E, sinceramente, eu esperava algo mais... Temível. Carol Peruzzo, a mafiosa, tem medo de palhaços. Eles riam de um jeito estranho e diziam piadas bobas, mas a filha de Poseidon ficou tão pálida que achei que ia desmaiar.
- Coulrofobia – Fobos cantarolou sílaba por sílaba – Medo de palhaços. Já viu aquele filme? Palhaços Assassinos do Espaço Sideral? Ah, sim, claro que já viu! Foi ele que lhe causou esse medo!
Com um espírito muito troll, o deus do medo empurrou Carol para o meio dos palhaços. Leo e eu tentamos ajudá-la (contra palhaços LOL), mas cordas surgiram e nos prenderam na parede.
- Você tem medo de palhaços, sério? – perguntou Percy ainda pendurado no teto – O medo das serpentes eu já sabia, mas palhaços? Cada dia você me surpreende mais, Carol.
Carol gritou quando um palhaço lhe ofereceu um balão em forma de cachorro e chutou-o na perna. Ela olhou para Fobos.
- Que jogo é esse? – ela gritou.
- Toda vez que você superar um medo, passará para o próximo, até acabar – informou Fobos – Quando tudo acabar, poderá negociar comigo.
- Como a paisagem do medo – falei alegremente – O terceiro estágio de iniciação na Audácia. Sabe, os iniciandos tem que...
- Nico, o que eu disse sobre Divergente nesse momento?
- Foi mal.
Os palhaços começaram a cercar Carol novamente. Ela respirou fundo e tirou uma meia de manteiga de dentro do casaco. Fobos franziu a testa.
- Ela geralmente leva uma meia de manteiga dentro do casaco? – ele perguntou para nós.
- É – dei de ombros – Ou é a meia de manteiga, ou o canivete suíço, ou a varinha, ou um spray de pimenta, ou uma lixa de unha...
- Uma lixa de unha?
- Nunca duvide de uma garota com uma lixa de unha.
Carol soltou um grito de guerra (“PELA NUTELLA!”), correu e espancou os palhaços com a meia de manteiga (nunca pensei dizer isso na minha vida). O cenário circense sumiu e tudo ficou vazio.
- Não vale ter uma meia de manteiga – fungou Fobos cruzando os braços – Trapaceira.
- Cala a boca – mandou ela irritada.
Uma nuvem negra se formou em cima do salão e Percy ficou pálido como cal. A nuvem fazia um barulho estranho, algo parecido com um zunido, que me deixou confuso. Só entendi o que era a nuvem quando vi que o zumbido vinha de vários pares de asas batendo.
Era uma nuvem de baratas.
- MALIGNO! – gritou Leo. Ele ficou com tanto medo que suas orelhas pegaram fogo, estranho.
- SEM CORAÇÃO! – gritei me debatendo – BARATAS SÃO SERES DO TÁRTARO!
O deus do medo apenas sorriu desdenhoso. A nuvem de baratas voou sobre Carol, que gritou e se debateu. Ela caiu no chão e se encolheu, Fobos sorriu vitorioso.
- CAROL, ISSO NÃO É REAL! – gritei – LEMBRE-SE DO SEGUNDO ESTÁGIO DE INICIAÇÃO NA AUDÁCIA! NÃO É REAL! É SÓ UMA SIMULAÇÃO! CONTROLE-A!
Percy estava gritando como uma garotinha e se debatia como um peixe fora d’água (~ba tum bass~). Sério que esse é o cara que salvou o Olimpo?
Ela levantou a cabeça com uma careta de medo. As baratas ainda voavam e pousavam sobre ela, em seu cabelo, braços, pernas. Eu mesmo já estava com agonia só de ver. Carol se levantou, olhou para Fobos e, com as baratas ainda andando sobre ela, disse:
- Muito típico seu, Fobos. Copiar a ideia de um livro para se divertir com semideuses. Nem quero saber o que aconteceria se você lesse Cinquenta Tons de Cinza. Se você é realmente homem, vai negociar comigo sem seus poderes.
Uma dica para você, semideus novato: Nunca, em hipótese alguma, desafio o ego de um deus grego. Eles são muito orgulhosos e provavelmente vão te transformar em um golfinho (pergunte a Alex Goldstein. Um filho de Hermes que disse que Dionísio é gordo. Hoje ele vive alegremente como um golfinho no Oceano Atlântico).
Fobos fez um movimento com as mãos e as baratas, as cordas que amarravam Leo e eu e “paisagem do medo” sumiram. Percy continuou lá pendurado. Carol recompôs-se, pegou a sua maleta que estava jogada num canto e veio andando até o deus do medo. Uma mesa surgiu de algum lugar junto com duas cadeiras.
- Ninguém nunca descobriu meu medo – gabou-se Fobos – Duvido que você consiga.
- Se eu conseguir – disse Carol – Posso ir embora com meus amigos?
- Pode.
- Vou ganhar um pônei?
- Vai.
- Posso te dar um soco?
- Hãn ham.
- E você vai sair pelo Acampamento Meio Sangue usando uma roupa coladinha e um cartaz dizendo “Trinta centavos a hora”?
- Vou – Fobos sorriu – Mas se você não conseguir, o que eu ganho?
- Eu te dou a minha coleção de bonequinhos do Star Wars.
Leo, Percy e eu ofegamos.
- Não! – exclamou Leo – Deixa-me ficar com o Darth Vader!
- Eu quero o Luke Skywalker! – gritou Percy.
- EU QUERO O YODA! – berrei.
- Aceito sua oferta – disse Fobos – Muito bem, filha de Poseidon, qual é o meu maior medo?
Carol abriu a maleta e tirou de lá um livro. Não devia ter mais de duzentas páginas, mas Fobos gritou como se fosse o monstro mais temível da humanidade. O nome do livro?
- Cinquenta Tons de Zeuza? – perguntei – Quando eu achava que nada mais ia me surpreender...
- Esse é seu maior medo – disse a filha de Poseidon – Tem medo de ser obrigado a ler Cinquenta Tons de Zeuza. O que é um medo compreensível, mas tanto faz. Agora, otário, solte-os.
O deus do medo fez um gesto com a mão e as cordas que prendiam Leo e eu sumiram. Percy começou a cair, mas Carol o parou com um feitiço. Ela jogou o livro na cara de Fobos, deu-lhe um soco que o atirou no chão, colocou seus óculos escuros e saiu gingando do templo.
* * *
- Nossa – Piper fez uma careta – A bunda de Fobos é muito feia.
- Acho que ele colocou Botox – disse Carol – Mas, sim, ainda é uma bunda feia.
- Não tem metade do tamanho da minha – Leo deu de ombros.
Todos olharam para ele. Leo Valdez, a Valesca Popozuda do acampamento. Fobos está usando um top rosa choque, uma calça lycra com estampa de oncinha, um salto de quinze centímetros e segurando a placa “Trinta centavos a hora”. Aposto que pegou tudo isso no armário de Zeus.
Ah, e claro, não posso esquecer-me de dizer que Carol finalmente tem seu pônei. Ela abandonou a fase mafiosa, espero. Agora está andando muito com Tyson e falando sobre My Little Pony.
- Carol – chamei-a – No templo de Fobos, ele disse que você tinha quatro medos. Um era de palhaços, outro de serpentes e outro de baratas. Qual é o último?
Ela sorriu sem graça.
- Eu também tenho medo de ser obrigada a ler Cinquenta Tons de Zeuza – confessou – Todos os meus medos estão entrelaçados, na verdade. Quando eu era uma jovem semideusa inofensiva...
- Você já foi inofensiva? — perguntou Piper.
- ... Fui capturada por palhaços – Carol continuou ignorando Piper – Eles acharam que eu era o Bin Laden e iam me entregar para o FBI. Minha cela no circo ficava ao lado da cela das serpentes, então peguei um medo enorme daqueles bichos nojentos. Consegui escapar causando um terremoto. Era noite e eu saí correndo do circo. No caminho, passei na frente de uma boate chamada Aloka Vida, onde estava Zeus. Ele me entregou um exemplar de Cinquenta Tons de Zeuza. E assim surgiram meus medos.
- E o medo de baratas? – perguntou Leo.
- Baratas são baratas, dã – ela fez uma careta – Preciso de um motivo para ter medo daquela praga?
É, baratas são malignas.
Notas finais
Pônei: http://www.oscavalos.com/images/fotos-poneis.jpg?phpMyAdmin=9ea091c51a5aa3cf876fb3cf0a5f7f3d
Cinquenta Tons de Zeuza: https://fbcdn-sphotos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/404382_105900669594155_1988442759_n.png
~~
E NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
"- Ei! ME SOLTA, SUA GALINHA ESTÚPIDA! EU TENHO ADVOGADOS! OK, EU NÃO TENHO ADVOGADOS, MAS MINHA MÃE É UMA COMENSAL DA MORTE! MINHA MÃE VAI SABER DISSO, SEUS SANGUES RUINS! AHH!"
"- Olá, flores do dia! Fico tão, tão feliz que tenham vindo ajudar na minha lanchonete! Eu realmente estava precisando de garçonetes! A Rosas & Margaridas é a lanchonete mais popular do Olimpo, que funciona desde...
- Não interessa, nós vamos ganhar dracmas?
- ... Sim.
- Então beleza"
"- Espero que a gorjeta seja uma melhora na minha vida amorosa, Eros.
- HAHAHAHAHAHAHAHA Não."
"- Você fica linda de rosa!
- E seu olho vai ficar lindo de roxo."
"- Não creio nisso! VOCÊ JOGOU REFRIGERANTE NA CABEÇA DO DEUS DO MEDO?
- Sim.
- Legal! Ou mais ou menos legal, porque agora estamos desempregadas."
"- E o que você vai fazer?
- Eu? Eu vou fazer o que melhor faço.
- Besteiras?
- Divar, Clarisse. Divar."
"- I CANT BE TAMED! I CANT BE TAMED! I CANT BE BLAMED!
- Nossa, que diva."
"- Vamos vazar daqui. Se alguém me reconhecer como dançarina do show do Travis Cyrus, pulo do topo do Empire State."
Fale com o autor