As Crônicas Dos Retardados.

14 Sou Filha de Quem Então?


Era um dia normal em Hogwarts... Mentira! Hogwarts nunca é normal! Principalmente hoje.

– Tudo isso é culpa sua – dizia Draco enquanto andávamos em direção á sala de Dumbledore – Se tivesse cortado as lagartas corretamente...

– Cale a boca, Malfoy – disse – A culpa disse, na verdade, é da sua mãe.

– Da minha mãe? – perguntou confuso.

– É – respondi – Se ela não tivesse te parido, nada disso estava acontecendo!

Vou explicar o motivo para Malfoy e eu estarmos indo para a sala do Dumbledore. Não, não vou não. Vou fazer melhor...

~~~FLASHBACK ON~~~

Snape tinha posto Draco e eu como dupla em Poções.

– Peruzzo, corte as lagartas enquanto eu pico as raízes – disse Draco.

Obviamente, eu cortei as lagartas de qualquer jeito. Então, chegou a hora de colocá-las na poção; no momento em que eu as joguei no caldeirão... BUM! Poção verde nojenta para todo o lado.

– Peruzzo e Malfoy – disse Snape respirando fundo – Sala do Dumbledore. Agora.

~~~FLASHBACK OFF~~~

Amo Flashbacks. Quando chegamos a escada que leva a sala do Dumbledore, dissemos a senha e entramos na sala do velho caduca.

– Srta. Peruzzo e Sr. Malfoy? – perguntou Dumbledore – O que houve?

– Ela explodiu um caldeirão! – exclamou Draco.

– Explodi uma ova! – disse – Na verdade, é. Foi isso mesmo.

– Sentem-se, por favor – pediu Dumbledore.

Nos sentamos nas cadeiras em frente para a escrivaninha e encaramos o professor.

– Bem – começou Dumbledore – Espero que saibam que...

– FERROU! FERROU! DESCOBRIRAM! CAROL, VEM COMIGO AGORA MESMO! – gritou Hermes invadindo a sala e berrando como uma bicha louca no cio.

Ele, a bicha louca no cio, estava acompanhado pelo meu pai. Poseidon, que sempre parecia um mendigo pescador, agora estava totalmente pálido e com uma aparência preocupada.

– Hãn... – disse Dumbledore – Senhores, receio que...

– RECEIA NADA, VÉIO! – gritou Hermes ainda desesperado – CAROL. ACAMPAMENTO. AGORA!

Hermes me puxou da cadeira.

– Esse garoto tem que ir também – disse Poseidon apontando para Draco.

– Por quê? – perguntou Draco.

– Porque está no script.

– Que script?!

– No script da vida – disse Poseidon com uma expressão solene.

– ISSO LÁ É HORA PARA FILOSOFAR, POSEIDON?! – gritou Hermes – VAMOS PARA O ACAMPAMENTO AGORA, AGORA, AGORA, AGORA, AGORA...

Dei um tapa na cara do deus dos mensageiros.

– Relaxa e explica o que Hades está acontecendo! – exclamei.

Hermes respirou fundo mais algumas vezes e disse:

– Que parte de vamos para o acampamento agora você não entendeu? – perguntou.

Se Poseidon não tivesse aparatado no Acampamento Meio Sangue junto conosco naquele momento, eu juro que daria outro tapa na cara de Hermes.

– Carol, venha – disse Poseidon puxando minha mão e correndo até o Refeitório.

Todos os campistas nos olhavam e comentavam entre si.

– Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo? – perguntei irritada.

– Agora não – disse Hermes, que, graças a ansiedade, subia no ar alguns centímetros com ajuda das suas sandálias voadoras. Felizmente, ele havia esquecido Draco em Hogwarts.

– Carol! – chamou Percy quando chegamos ao refeitório – O que... Como... Hãn?

– Aprende a falar, desgraça! – exclamei – O que houve?

– Olhe a lista – disse Percy simplesmente.

De fato, havia uma lista na parede. Fui até ela e li:

Melhores campistas do Acampamento Meio Sangue:

Percy Jackson, filho de Poseidon.

Annabeth Chase, filha de Atena.

Clarisse La Rue, filha de Ares.

Carolina Peruzzo, filha de ?

Franzi a testa.

– Todo esse alvoroço porque esqueceram que eu sou filha de Poseidon? – perguntei.

– Eu fiz essa lista – disse Rachel – E sei muito bem que você é filha de Poseidon. Mas o Espírito de Delfos disse que Poseidon não é seu parente divino.

– Eu sabia que esse dia ia chegar... – murmurava Poseidon nervoso.

Encarei o deus do mar.

– Como assim? – perguntei.

Poseidon me encarou com os olhos verdes brilhantes.

– Carol, eu não sou seu pai.

PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!

– Como assim?! – exclamei – Eu posso controlar a água! Eu respiro debaixo d’água! Eu faço terremotos! Você me reclamou!

– Eu só te dei o dom para que pudesse fazer isso – disse Poseidon – Mas você não é minha filha.

– Sou filha de Hermes?

– Não.

– Ares?

– Não.

– Íris?

– Passou longe.

– Hades?

– Não.

– Ah, droga... – disse – Sou filha de quem então? E Hermes, o que você tem a ver com essa história?

– Fui eu quem realizou a troca – disse Hermes tentando se distrair jogando joguinhos no celular.

– Agora! – exclamou George – Mata ele!

– Vira para a esquerda! – aconselhou Martha.

– Senhores – disse Quíron com o rosto tenso – Essa situação não pode permanecer assim. Temos que solucionar esse problema.

– Pode apostar os seus bobs do rabo que vamos resolver isso, cavalão – disse uma voz atrás de nós.

Lá estava uma mulher caminhando em nossa direção. Ela tinha cabelos negros e ondulados, olhos azuis vibrantes e um sorriso sarcástico, usava calças jeans surradas nos joelhos e uma camiseta branca.

Hermes deu um suspiro apaixonado ao vê-la e passou a mão nos cabelos.

– Oi, Momo – disse com um sorriso sedutor.

A deusa olhou-o com desprezo.

– Não tem nada para entregar, Sedex? – perguntou.

O sorriso de Hermes sumiu. A deusa deu-lhe um sorriso sarcástico e estendeu a mão para mim.

– Olá – disse — Sou Momo, deusa do sarcasmo, das burlas e das grandes ironias.

Apertei sua mão.

– Nossa, acho que você é a deusa mais presente na minha vida – disse erguendo as sobrancelhas.

– Ironia é demais – disse Momo – Deixa tudo tão... Simpático!

– Você é simpática – suspirou Hermes.

Momo revirou os olhos.

– Vai pastar, Hermes – disse.

Poseidon encarou-a com raiva.

– Pare de se exibir, Momo – disse furioso.

Momo fez um muxoxo.

– Ah, Popo – disse — Ainda está com raiva por causa do touro? Eu só disse a verdade, meu querido.

– Touro? – perguntei.

– É – disse Momo – Há muito tempo atrás, os olimpianos me chamaram para julgar um concurso. Eu fui sincera com eles e o que ganhei? Fui posta na rua! Jogaram-me para fora do Olimpo.

– Você disse que Atena foi tola ao criar a casa, pois devia ter colocado rodas de ferro para que o dono a levasse nas viagens! – exclamou Poseidon.

– Verdade – disse Momo.

– Concordo com ela – disse Hermes.

– Tirou uma com a minha cara por ter feito o touro com os olhos sob os chifres – disse Poseidon bravo – E por fim, criticou Hefesto por ter feito Pandora sem uma porta para que pudéssemos ver o que ela mantinha oculto em seu coração.

– Seria bem conveniente considerando o que aconteceu – disse Momo dando de ombros.

– E, como se não bastasse – completou Poseidon – Teve a audácia de dizer que Afrodite não passava de uma tagarela e que usava sandálias que rangiam no piso do Olimpo.

– Eu menti? – perguntou Momo calmamente – Ela não cala a boca e aquelas sandálias são insuportáveis!

– E você causou a Guerra de Troia! – exclamou Poseidon.

Momo revirou os olhos.

– Não é minha culpa se Zeus não entendeu o meu sarcasmo! – disse.

– Chega de brigas – disse levantando as mãos – Se Poseidon não é meu pai, eu sou filha de quem então?

Momo sorriu.

– Adivinha – disse.

– Zeus?!

– Não.

– Ufa, ainda bem – disse suspirando – Não queria ser filha da Fabulosa.

Momo começou a rir.

– Essa é minha garota! – exclamou – Fabulosa? Eu adorei!

– Sua garota? – perguntei – Então... Eu sou sua filha?

– Hãn ham – disse Momo levantando a mão.

Em cima da cabeça, um Troll Face brilhou junto com um pequeno tridente azul.

– Salve Carolina Peruzzo, filha de Momo – disse Quíron – Deusa do sarcasmo, senhora das ironias e rainha das burlas e abençoada de Poseidon.

Oh My Fucking Zeus.

– Deuses – disse perplexa – Então... Quais são os meus poderes de filha de Momo?

– Você é sarcástica – disse Momo.

– Sim, e o que mais?

– Você pode criticar os outros.

– Sim – disse irritada – Mas quais são os poderes legais?

– Bem, você tem facilidade em convencer os outros, e é só isso – disse Momo – Você queria o que, filha?

Que bosta. Eu desci de Poseidon, senhor dos mares, para Momo, deusa do sarcasmo.

– E quem é meu pai mortal? – perguntei frustrada.

– Um homem realmente encantador – sorriu Momo sonhadora.

– Eu? – perguntou Hermes sorrindo – Não, querida, Carol não é nossa filha. Mas nós podemos ter uma se você quiser...

– Se enxerga, loser – disse Momo revirando os olhos – E seu pai é um bruxo que conheci a muito tempo. Um homem gentil ao mesmo que era sarcástico, o tipo perfeito!

– Mas qual o nome dele?! – perguntei irritada.

Momo sorriu.

– O nome dele era Sirius Black. – disse.

Oh My Fucking Zeus. De novo.

– EU SOU FILHA DO SIRIUS?! – berrei – EU SOU UMA BLACK?! EU SOU PRIMA DE SEGUNDO GRAU DA BELLATRIX?! EU SOU PARENTE DA BELLATRIX?! ALGUÉM ME DÁ UMA ADAGA QUE EU VOU ME SUICIDAR!

– Não! – exclamou Poseidon – Carol, entenda. Nós precisávamos de te esconder, por isso eu te adotei, por assim dizer.

Ergui uma sobrancelha.

– Esconderam uma bruxa filha de Momo como uma bruxa filha de Poseidon? – perguntei – Não é o melhor esconderijo, sabia?

– Sabemos – disse Hermes – Mas Poseidon é meu amigo. Ele me ajudou para ganhar o coração da minha gata aqui...

Hermes ia colocar o braço em volta dos ombros de Momo, mas ela deu-lhe um tapa.

– Não toque em mim – sibilou a deusa do sarcasmo.

– Então, está bem – disse – Eu vou para o Chalé 3. Filhos de Momo podem fazer isso?

Poseidon sorriu com tristeza enquanto eu seguia para o Chalé 3. Abri a porta e senti pela última vez o cheiro de maresia que sempre está presente ali. Peguei a adaga que sempre guardo no sapato e pus em cima da mesa.

Então, tive a ideia de ir para o único lugar fora o Chalé 3 onde eu me sinto bem vinda. Os estábulos.

Sentei no chão coberto de palha, encostei as costas na parede de madeira e fiquei olhando os outros campistas.

Hey, chefia! – disse Black Jack se aproximando – Como vai? Trouxe um donut para mim?

– Não – respondi brincando com a palha no chão – E eu não sou sua superior, Black Jack.

Se pégasos pudessem franzir a testa, Black Jack teria feito isso.

Como assim? – perguntou – Você é filha do Senhor Poseidon!

– Não sou não – disse – Só sou abençoada por ele. Eu sou filha de Momo, deusa do sarcasmo.

Bem, isso faz sentido – disse Black Jack – Mas você sempre cuidou bem de mim, gosto de você. Quer dar uma volta, só pelos velhos tempos?

Impressionante como pégasos são mais legais que pessoas. Subi nas costas de Black Jack e ele disparou céu azul acima, logo nós já tínhamos entrado em Nova York.

– Black Jack, pare – ordenei – Quero dar uma volta em Nova York.

Ele pousou em um terreno baldio. Eu segui andando sozinha por Nova York. O que será os meus amigos estão fazendo agora em Hogwarts? Rony deve estar comendo alguma coisa (ó novidade).

– Veja – riu uma voz reptiliana (Ui! Que chique!) atrás de mim – Uma dos Três Grandes sozinha!

Uma górgona estava atrás de mim. ESSA MERDA NÃO DEVERIA ESTAR NO TÁRTARO NÃO?!

– Não vem não, seu dejeto andante! – exclamei – Eu estou estressada!

– E?

– E que eu não sou a melhor pessoa para irritar! – disse – Pergunte para Connor Stoll, ele vai te mostrar o hematoma que tem nas costas!

A górgona pulou e começou á voar em minha direção. ESSA PORRA TEM ASAS? DESDE QUANDO ESSA PORRA TEM ASAS?!

Abaixei para pegar a adaga que guardo na bota e... Eu deixe-a no chalé 3. Merda.

– AH! – gritei e sai correndo pela rua, com a górgona me seguindo.

Um mortal que visse aquela cena veria uma garota louca correndo rua acima sendo perseguida por um pombo, ou um cachorro, sei lá o que eles veem.

A górgona jogou uma lata de lixo em mim, eu me desviei pulando. Isso estava me lembrando daquele jogo do Mario, em que aquele macaco joga latas de lixo no Mario.

A única diferença é que eu não sou um encanador.

Então (só Merlin sabe como) a górgona tirou um chicote de algum lugar e prendeu a minha perna.

– ME SOLTE! – gritei me debatendo.

– Seus ossos enfeitarão o meu ninho – riu a górgona. Que mulher simpática.

Peguei a tampa da lata de lixo e taquei na cara da górgona. Saí correndo e entrei em um beco. Só uma dica: Se você é um meio-sangue que está sendo perseguido por um monstro, NÃO entre num beco.

A górgona entrou logo em seguida e sacou uma adaga, ela correu na minha direção, levantou a adaga e...

– AH! – gritei sentando-me na cama.

– Carol – disse Percy sonolento, ele ligou o abajur azul do chalé 3 – O que houve? Teve um pesadelo?

Olhei descrente para Percy. Depois olhei para o quarto. Nós estavamos dentro do chalé 3.

– É – confirmei aliviada – Tive um pesadelo. Eu sou sua irmã?

Ele franziu as sobrancelhas.

– Hãn ham – concordou Percy – Nós dois somos filhos de Poseidon, com o diferencial que você é uma bruxa.

Sorri para Percy e desliguei o abajur.

– Então tudo bem – disse deitando-me novamente na minha cama.

– Boa noite, Carol – disse.

– Boa noite, Percy.