As Crônicas Dos Retardados.
12 Romeu e Julieta, Uma História de Amor.. Só que Não
POV. Afrodite
Eu estava no meu templo no Olimpo vendo televisão. Naquele momento, nada particularmente interessante estava passando (só Apolo gosta de American Idol). Então, achei o canal de Hogwarts, que mostra tudo o que acontece com os bruxos.
– O que? – exclamei após cinco minutos de vídeo – Cadê o romance? Cadê o amor? Eu vou nessa escola e é agora!
Aparatei na biblioteca de Hogwarts. Carol, Harry, Rony, Hermione e Draco estavam discutindo, de novo.
– O que é isso?! – exclamei.
Todos me encararam.
– Um briga, dã – disse Draco.
– E onde está o amor? – perguntei
Todos se entreolharam e começaram a rir na minha cara. Ninguém ri na cara da deusa do amor.
– Certo – disse furiosa – Então vou mandá-los para uma época onde o romance existia!
Estalei os dedos, fazendo os cinco sumirem.
POV. Carol
MALDITA DEUSA CHAPADA! ESPERO QUE OS FILHOS DELA SEJAM FUNKEIROS E QUE PAREÇAM COM O NEYMAR!
Quando acordamos, estávamos numa floresta. O dia estava lindo; pássaros voavam no belo céu azul claro e um vinhedo próximo exalava um cheiro delicioso (Sr. D pira). Dois castelos grandiosos e bonitos erguiam-se um pouco mais á frente, um vermelho e o outro prateado.
– Onde estamos? – perguntou Rony levantando-se.
– Afrodite disse que nos mandaria para uma época em que o romance existia – disse Hermione tentando pensar.
– Isso é ridículo! – exclamou Draco irritado – Só podia ser invenção de grego mesmo!
– Algum problema com os gregos, Malfoy? – perguntei.
– Todo o problema do mundo!
– A culpa disso é sua!
– Minha? É sério?
– Claro que é! Afrodite nos viu brigando e decidiu que deveríamos vir para cá! A culpa daquela briga foi sua!
– Não foi nada! Foi sua, Peruzzo!
– Parem de brigar! – exclamou Harry – Quero um pouco de paz na minha cabeça!
– Castelos... – murmurava Hermione – Clima fresco... Vinhedos... Já sei onde estamos!
– Onde? – perguntamos.
– Estamos na...
– Romeu! — chamou uma voz atrás de nós – Que roupa é essa? Porque está aqui?
Viramos e vimos uma senhora de idade usando um vestido simples vindo em nossa direção.
– Romeu? – sussurrei.
– Romeu Montecchio, venha comigo agora – disse a senhora – Sua mãe está morrendo de preocupação!
– Ela está falando com quem? – sussurrou Rony.
A senhora pegou a mão de Draco e saiu arrastando-o para o castelo prateado.
– Certo, não sei o que está acontecendo – disse Harry.
– Estamos em Verona, na Itália, durante a Idade Média! – disse Hermione fascinada – Aquela senhora confundiu Malfoy com Romeu Montecchio!
– Quem? – perguntamos em uníssono.
– Sinceramente – disse Mione irritada – Eu fui a única que leu Romeu e Julieta, do brilhante William Shakespeare?
– É – confirmamos.
Hermione revirou os olhos.
– Os Montecchio e os Capuleto eram duas famílias ricas de Verona – começou – E as duas famílias viviam em pé de guerra. Então, Romeu Montecchio e Julieta Capuleto se apaixonam e tem que viver um romance escondido. Ao longo da...
– Vai logo para o final – pedi.
– No final, os dois morrem – disse Hermione – É um romance trágico.
– Romeu e Julieta é o caralho. Prefiro Sr. e Sra. Smith – disse – Acho que nós temos que...
– Julieta! Julieta Capuleto! – ouvimos uma voz feminina atrás de nós.
– Quem é agora? – perguntou Rony.
Uma jovem de vinte anos vinha em nossa direção.
– Julieta! – exclamou ela com a voz aliviada – Onde estava? Que roupas são essas? Venha, você tem um jantar para se preparar!
A garota pegou minha mão e começou á me arrastar até o castelo vermelho. Pude ouvir a risada de Hermione atrás de nós.
– Até mais, Julieta Capuleto!
* * *
– Está linda, Julieta – disse a minha jovem criada, que descobri que se chama Rosa.
– É – disse sarcástica me olhando no espelho – Estou fabulosa.
Mas parece que nessa época o sarcasmo ainda não tinha sido inventado, porque a Rosa assentiu alegremente.
– Ainda acho um absurdo temos que convidar aqueles Montecchio – disse Rosa revirando os olhos – Eles são tão enjoados! Mas se essa é a ordem do príncipe, temos que seguir. Porém, Julieta, veja o lado positivo.
– Tem lado positivo? – perguntei.
– Claro que tem – disse Rosa animada – Páris irá vir ao jantar! Não é ótimo?
– Quem Hades é Páris? – perguntei.
Rosa ergueu a sobrancelha.
– Seu noivo, não se lembra? – perguntou confusa.
– Ah! – exclamei – Claro que me lembro. Só estava brincando, Rosa...
Rosa me conduziu através dos corredores do grandioso castelo. Paramos na frente de uma grande porta de carvalho. Rosa disse algo para um carinha usando roupa engraçada e esse carinha abriu as portas.
– Anuncio agora – gritou, tipo, muito alto mesmo – A senhorita Julieta Capuleto!
Todos olhavam para mim enquanto eu descia as escadas. Assim que cheguei ao chão, um garoto apareceu ao meu lado. Ele tinha olhos verdes escuros, pele bronzeada e cabelos negros.
– Julieta, linda como sempre – ele disse sorrindo para mim.
– Hãn... Obrigada – sorri amarelo segurando em seu braço.
– Agora, como meu primo decretou, temos que conversar por alguns minutos com os Montecchio – disse o garoto.
Andamos até onde Draco, usando uma roupa formal da Idade Média (vou zuar com ele por isso até morte), conversava com uma moça de cabelos negros e olhos castanhos.
– Romeu – cumprimentou o meu par olhando para Draco, depois virou-se para a moça – Rosalinda, bela como seu nome.
– Obrigada, Páris – disse Rosalinda.
– Páris, prazer em revê-lo – disse Draco. Fingido. – Ótimo te ver também, Capuleto.
Dei um sorriso sarcástico para ele.
– Digo o mesmo, Montecchio – disse – Diga-me, então, como vai sua família?
Draco estreitou os olhos e percebi que ele estava me xingando de todos os nomes possíveis mentalmente.
– Bem, obrigado – disse.
– Julieta, perdoe-me, mas tenho que sair de seu lado por um momento – disse Páris – Acompanha-me, Rosalinda?
– Claro – respondeu Rosalinda saindo com Páris.
Draco olhou de esguelha para mim e riu.
– Está rindo do que? – perguntei rudemente.
– Não achei que fosse viver para te ver usar um vestido – disse Draco sorrindo.
Bufei.
– Não sou eu quem está vestida como um bobo da corte – disse.
– Essa é uma roupa de época – disse Draco irritado.
– Carol! – exclamou uma voz atrás de nós – Minha ideia foi fabulosa!
Olhei para trás e vi Afrodite usando um belo vestido de época.
– Sua bitch – disse – Leve-nos de volta!
– Não – disse sorrindo – Eu sempre amei a história de Romeu e Julieta.
– Mas nós não somos Romeu e Julieta! – disse Draco – E afinal, o que você fez com os verdadeiros Romeu e Julieta?
– Ah, não se preocupem com eles – disse Afrodite – Eles vão aparecer na hora certa.
Nesse momento, um homem barrigudo de cabelos castanhos e outro de cabelos loiros se juntaram á nós.
– Filha – disse o homem de cabelos castanhos olhando para mim – Onde está Páris?
– Ele saiu com Rosalinda... papai – disse me sentindo estranha por chamar um cara que nunca vi na vida de pai.
O meu “pai” olhou para Draco com desgosto.
– Pois bem, Montecchio. Como vai?
– Bem. – respondeu Draco simplesmente.
O homem fez cara de ofendido.
– O que eu fiz? – perguntou Draco.
– Que educação seu pai te deu, garoto? – perguntou meu pai.
– A melhor de Verona – disse o homem loiro.
Os dois homens começaram á discutir.
– Hãn... Hora de ir – disse puxando a manga de Draco.
Achamos Harry, Hermione e Rony (eles eram os empregados há há) e eu os mandei nos esperar lá fora.
– Onde estão indo? – perguntou o suposto pai de Draco nos seguindo junto com o meu pai e mais um bando de curiosos.
– Corre, Draco! – disse.
Nós dois corremos castelo á fora, tentando chegar o mais rápido possível na Floresta onde nós chegamos á essa época. Imagine o seguinte: Uma garota com roupa de princesa suja de grama e um garoto pálido com roupa de bobo da corte [N/Draco: Ei!] correndo como loucos nos jardins de um castelo sendo seguidos por uma multidão.
De repente, esbarramos com duas pessoas. Uma garota de olhos azuis e cabelos castanhos e um garoto loiro de olhos cinza.
– Quem são vocês agora? – perguntou Draco.
– Eu sou Romeu Montecchio – disse o garoto.
– Eu sou Julieta Capuleto – disse a menina.
Draco e eu nos entreolhamos.
– Tem uma multidão furiosa atrás de vocês – disse – Boa sorte. Vamos embora, Draco!
Deixamos o casalzinho para a multidão enquanto entrávamos na floresta. Rony, Harry e Hermione já estavam lá.
– Legal – disse Rony – Cadê Afrodite?
Harry encarou Draco.
– Porque está vestido como um bobo da corte? – perguntou.
– É uma roupa de época, caramba! – exclamou Draco furioso.
– E eu estou aqui – disse Afrodite saindo do meio das árvores – Acho que vocês já podem voltar...
– AGORA, AFRODITE! – gritei – EU ESTOU USANDO UM VESTIDO RIDÍCULO E UM CORPETE! NÃO É LEGAL USAR CORPETES! ELES SÃO MUITO, MUITO APERTADOS! E EU AINDA TIVE QUE IR NUM BAILE COM ESSA ROUPA RIDÍCULA E VER ESSE IDIOTA DO MEU LADO USANDO UMA ROUPA DE BOBO DA CORTE! ENTÃO EU QUERO VOLTAR PARA A MINHA ÉPOCA AGORA MESMO! VOCÊ ENTENDEU, AFRODITE?
Afrodite sorriu.
– Você gostou do baile? – perguntou esperançosa.
– NÃO! CLARO QUE NÃO!
Afrodite deu de ombros sorrindo.
– Tudo bem – disse – Hora de voltar.
A deusa louca do amor estalou os dedos e tudo ficou preto.
* * *
Acordei e eu estavamos todos na biblioteca de Hogwarts.
– Aleluia – disse Rony colocando a mão no peito – Tudo voltou ao normal.
– Acho que não – disse Draco olhando para mim.
Eu ainda estava com o maldito vestido.
– Merda de deusa! – exclamei ficando de pé – E Malfoy, você ainda está com aquela roupa bonitinha.
Draco olhou para si mesmo e praguejou. Nós dois saímos furiosos da biblioteca, passando por McGonagall e Snape. Os dois professores nos encararam.
– Srta. Peruzzo, porque está com um vestido de festa? – perguntou McGonagall.
– Longa história, professora – disse suspirando.
– E, Sr. Malfoy – disse Snape – Porque está vestido como um bobo da corte?
– ISSO É UMA ROUPA DE ÉPOCA! – gritou Malfoy bravo.
O bobo da corte saiu pisando duro pelo corredor.
– Eu, hein – disse – Ele é o bobo da corte mais estressado que existe...
Fale com o autor