As Crônicas Dos Retardados.
46 I Wont Say It.
Notas iniciais
Draco: Aquecer? AQUECER? EU QUASE CONGELEI SEM O MALDITO CASACO!
Carol: Não seja exagerado.
Draco: Ah, sim, você não reclama porque estava com a droga do meu casaco!
Carol: É, eu estava! E se não ficar quieto, pego a sua carteira também!
Enfim, ignorem a briga do casal. Carol não quer que o mundo saiba como ela ganhou o Doninha e como Draco levou um tiro. E, pessoas que ainda não leram A Tormenta das Espadas ou não viram o episódio 3X09 de Game of Thrones, talvez vocês possam receber um pequeno spoiler da Carol.
Leitor 1: Porque?
Carol: Digamos que Draco serviu foi o Robb Stark do meu Roose Bolton... MUHAHAHAHA!
Draco: Me salvem dessa garota, socorro.
Quero agradecer a Cah Grace pela recomendação! Muito obrigada!
Sim, sei que eu tinha dito que o título do capítulo era "Um Sonserino Incomoda Muita Gente, Dois Incomodam Ainda Mais", mas o Nyah não aceitou esse título gigante e-e Tive que mudar para esse, que não é tão legal quanto o anterior...
Enfim, chega de enrolação... Espero que gostem!
POV. Carol Peruzzo
Se você é da Corvinal, eu só tenho uma coisa para dizer: Desculpem-me. Não foi minha intenção explodir seus dormitórios.
Bem, tudo começou com uma brincadeira infeliz de Ronald Weasley, para variar. Lá estava eu, dormindo tranquilamente no sofá do Salão Comunal da Grifinória, quando senti alguma coisa na minha perna. Abri os olhos, esperando ser minha gata, Morgana, mas me deparei com um palhaço.
Já comentei que tenho... Hum... Um pequeno medo de palhaços?
– AHH! – gritei pulando do sofá – É UM PALHAÇO! SER DO TÁRTARO! QUEIME E MORRA, FILHO DE GÓRGONA!
Peguei minha meia de manteiga. As coisas pareceram acontecer em câmera lenta: Rodei a meia no ar e joguei no palhaço do Hades. Ele arregalou os olhos e se jogou no chão. A meia passou voando pela janela, corri até lá para ver. A meia continuou voando e voando em direção a Torre da Corvinal.
– Não se preocupe – Hermione disse – A meia não vai chegar até lá.
Em resposta a isso, a meia chegou até a Torre da Corvinal, formando um buraco enorme e fazendo pessoas gritarem.
– UMA MEIA VOADORA! – ouvimos o grito de Luna – EU SABIA! OS NARGUILÉS VÃO DOMINAR O MUNDO! CADA UM POR SI E TODOS POR MIM!
Torre da Grifinória ficou no maior silêncio do mundo.
– Pelas barbas de Merlin – Rony tirou sua máscara de palhaço – Você destruiu uma torre milenar com uma meia de manteiga?
– Ares me deu aquela meia – respondi.
– Tá explicado.
Snape surgiu na janela montado numa vassoura quase nos matando de susto.
– Menos cinquenta pontos da Grifinória – ele disse e saiu voando, indo tirar mais pontos de pobres alunos. Cada drogado que eu encontro nessa escola!
– Atenção, alunos – o Sonorus de Dumbledore ecoou pela escola – A Torre da Corvinal foi... Ér... Danificada por uma meia de manteiga. Não sabemos quem foi o responsável.
– Foi a Peruzzo – disse o Sonorus de Malfoy.
– Vai se catar! – falei colocando o Sonorus na minha própria voz.
– É a verdade, Peruzzo.
– Quer outra verdade, Malfoy? Você é uma biscate oxigenada! – exclamei.
– Ei – disse Dumbledore – Draco arrasa nas baladas de sábado a noite, não diga isso dele.
– VOCÊ DISSE QUE IA MANTER SEGREDO, DUMBLEDORE! – gritou Malfoy.
– Se vão ter uma DR, não incluam Hogwarts nisso – pedi.
– Não, nós queremos ouvir! – disse o Sonorus de Fred.
– Babados quentes são sempre bem vindos! – disse George.
Depois de Dumbledore bradar sobre a liberdade de imprensa e de Snape ameaçar envenenar nossos almoços, tudo voltou ao normal. Mais ou menos. Desci da Torre da Grifinória e fui conversando com Harry e Rony até as cozinhas (comida grátis!).
Entramos nas cozinhas e os elfos domésticos já nos rodearam.
– Hey, Winky – chamei – Fez o meu bolo?
– Com certeza, senhorita! – ela sorriu. Ela me entregou um prato de bolo azul e sorri. Apenas para esfregar na cara do Percy.
– Hoje à noite temos aquela festa de Fred e Georg, não temos? – perguntou Rony enquanto comia biscoitos recheados. Essa praga vive comendo e nunca engorda, impressionante.
– Temos – concordou Harry.
– Festa? – perguntei – Porque ninguém me disse nada?
Harry mordeu o lábio antes de responder.
– Bem... Por que... Não sei, acho que... Ér...
– Ninguém te quer lá – respondeu Rony direto.
– O que? – perguntei – Por quê?! Eu sou uma ótima companhia!
– Lembra-se da última festa, Carol?
~~ FLASHBACK DA ÚLTIMA FESTA, NO QUARTO ANO ~~
– Ei, a festa vai ser superlegal! – gritou Carol animada.
– Festa? – perguntou Snape que passava por ali – Não haverá festa nenhuma! Menos cinquenta pontos e todos os alunos da Grifinória estão de detenção por duas semanas!
– VALEU, CAROL! – gritaram todos os alunos da Grifinória.
~~ FLASHBACK OFF ~~
Corei e abaixei a cabeça.
– Foi sem querer – murmurei cutucando o bolo azul com o garfo.
– Tudo bem – disse Harry – Vou conversar com Fred e George. Tenho certeza que eles podem te encaixar.
– Obrigada – sorri.
Depois de mais alguns minutos, resolvi ir embora e deixar os dois nas cozinhas. Coloquei as mãos nos bolsos enquanto andava. Porque ninguém quer festejar comigo? Quando eu acerto, ninguém se lembra. Quando eu erro, todos sempre lembram. Oh, claro, isso não importa mesmo, eu sou só a “irmã do Percy Jackson, o cara que salvou o Olimpo meio milhão de vezes”, não é como se eu fosse especial.
Okay, chega de papo depressivo. Comecei a imaginar um panda montado num unicórnio em um campo de margaridas com um arco-íris no fundo enquanto a música California Girls vinha de algum lugar. Essa é uma imagem que me deixa feliz toda vez que me lembro de que todo mundo sempre prefere o Percy, não a mim. E acredite, isso acontece muitas vezes.
Peguei meu IHephaestus (ele tem que se manter de algum jeito, e semideuses amam celulares anti-monstros), coloquei os fones de ouvido e selecionei I Found You. Enquanto virava um corredor, tropecei em alguém.
– Olhe por onde anda! – reclamou a pessoa. Ou melhor, a doninha. Revirei os olhos.
– Se você também estivesse olhando por onde anda, Malfoy, não teria tropeçado em mim – retruquei.
Malfoy estava acompanhado de outro garoto, muito mais interessante. Era alto, com cabelos escuros e olhos castanhos, mas, uau... Filho de Afrodite detectado.
– Você sabe que não podemos usar aparelhos eletrônicos em Hogwarts, não sabe? – Malfoy perguntou sarcástico.
– Sei – respondi no mesmo tom – Mas eu sou uma semideusa e estou pouco me lixando para as regras.
Ele franziu a testa.
– Está ouvindo I Found You? – perguntou arrancando o fone do meu ouvido. ELE NÃO FEZ ISSO!
– Essa música me deixa feliz – respondi puxando o fone de volta.
– Bem, tanto faz. Vamos – disse Draco já saindo andando – Temos treino de Quadribol e...
– Olá – o garoto que acompanhava a Doninha sorriu para mim, um sorriso tão bonito que faria Zeuza ter um ataque do coração.
– Oi... – olhei para seu nome bordado no uniforme sonserino de Quadribol – É... Espera, seu nome é Daemon? Tipo, um espírito?
– Na verdade, é Devon – ele sorriu como se eu fosse um cachorrinho fofo que espirrou – Sou Devon Sharper.
– Desculpe-me, tenho dislexia – dei um sorrisinho sem graça, tirei a mão do bolso e a estendi – Carol Peruzzo.
Ele a pegou e a beijou. Draco o olhou como se ele fosse ele estivesse dançando Lady Gaga com um macacão azul cheio de glitter (isso já aconteceu comigo, longa história) e eu corei tanto que provavelmente pareci uma Weasley.
– Prazer te conhecer – Devon disse galantemente.
Eu disse alguma coisa muito profunda e bonita como “Hãn... Hãn ham”.
– Vamos logo – insistiu Draco impaciente – Peruzzo pode esperar, o Quadribol não.
Devon o ignorou. Isso foi o gesto de amor mais lindo que eu já vi na minha vida.
– Infelizmente, Draco está certo, não podemos nos atrasar – disse ele — Então... A garota bonita quer sair comigo?
– Que garota bonita?
– Hum... Você, Carol.
Comecei a rir, joguei a cabeça para trás e dei uma alta e sonora gargalhada. Devon me olhou confuso.
– Eu? Sério? Legal essa piada, conta outra agora! – disse ainda rindo.
– Quer sair comigo ou não?
– Oh, você está falando sério? – olhei-o descrente – Tudo bem, vai... Vai ser legal.
– Ótimo – ele sorriu – Me encontre naquele restaurante de Hogsmeade, Bruxa Caolha.
Um lugar chamado Bruxa Caolha provavelmente não é um bom lugar para um encontro, mas assenti. Devon se despediu e saiu conversando com Draco. Fui praticamente saltitando para a Torre da Grifinória. Abri a porta e saltitei para dentro.
– Carol está saltitando – constatou Gina – CORRAM! OS PEIXES VÃO DOMINAR O MUNDO! TUBARÕES SERÃO OS REIS DO MUNDO E FILHOS DE POSEIDON PSICÓTICOS GOVERNARÃO! CORRAM O MAIS RÁPIDO QUE PUDEREM!
– Não é isso – revirei os olhos – A Revolução dos Peixes ainda é um plano futuro. Estou saltitando porque tenho um encontro!
– Com livros?
– Não.
– Com personagens fictícios?
– Não. Com um garoto da Sonserina, Devon Sharper.
Todos na Torre da Grifinória paravam o que faziam e me encararam. Meio segundo depois, começaram a gargalhar. Revirei os olhos.
– Um encontro? Sério? – perguntou Hermione rindo e enxugando uma lágrima de riso – Isso é mais impossível do que o meu cabelo ser bonito!
– Pegou pesado – falei colocando a mão no coração.
Uma névoa rosa perfumada estourou atacando a rinite de alguns alunos. De lá saiu ninguém mais, ninguém menos que a vaca do Olimpo. Não, não Hera, a outra.
– Oi, Afrodite – falei erguendo uma sobrancelha.
Afrodite me encarou desaprovadoramente com seus brilhantes olhos cinzentos. Ela usava um vestido azul curto de mangas compridas, saltos altos prateados e um casaco branco. Estava deslumbrante, só para variar.
– O que, em nome da minha filha Gabrielle Chanel, você está fazendo? – Afrodite perguntou estalando os dedos na minha cara – Eu já tinha feito um plano inteiro para a sua vida amorosa!
Afrodite pegou um bloquinho e uma caneta do bolso e começou a escrever furiosa.
– Lembrar-se... De ferrar... A vida... De Carol Peruzzo... – murmurava Afrodite enquanto escrevia.
– Espera, o que? – perguntei.
Afrodite guardou o bloquinho de anotações e deu um sorriso psicopata.
– Nada, flor. Venha, temos que te arrumar para seu encontro!
– Ela tem mesmo um encontro? – perguntou Rony descrente – Eu permiti isso?
Encarei-o.
– Quem é você para decidir algo, Weasley? – perguntei.
– Você praticamente mora na Toca – disse Rony como se fosse óbvio – Assim como a Gina, você é tipo a minha irmã, apesar de não ter o nosso brilho laranja. E a minha irmã não vai sair com qualquer um. Tenho certeza que Percy concordaria comigo.
– Que você e Percy caiam no Tártaro! – exclamei.
[N/Rick Riordan: Rony eu não sei, mas o Percy... rsrsrs]
– Ela vai sair com um sonserino – disse Afrodite risonha – Com o sonserino errado, na minha humilde opinião como deusa do amor, mas tanto faz. Vem, flor!
– Não me chame de flor, Afrodite.
– Tanto faz, flor!
Revirei os olhos enquanto Afrodite me puxava escadas acima. A deusa do amor abriu o meu guarda roupa e gritou.
– O que foi? – perguntei.
– O QUE FOI? – ela repetiu escandalizada – OLHA ESSE GUARDA-ROUPA! CADÊ O ROSA? CADÊ O BRILHO?
– O brilho está em mim, não na roupa!
Afrodite ergueu um dos meus casacos de moletom cinza e estremeceu.
– Você não tem o menor senso de moda – ela disse.
– Penso que isso é uma questão pessoal e...
– Você precisa desesperadamente de Chanel – Afrodite suspirou.
Encarei-a, peguei minha escova de cabelo e apontei para ela.
– Boa sorte em tentar, Tia dos Pombos – falei.
Afrodite sorriu desdenhosa. Droga.
POV. Draco Malfoy
Lá estava eu, fazendo o que melhor faço depois de divar: Pentear os meus sedosos cabelos loiros [N/Hermione: Meu cabelo é mais sedoso que isso] Calada, Granger!
Enfim, ignorando a sangue ruim de cabelo feio, devo dizer que meus fios estavam perfeitos tanto para esfregar na cara dos recalques quanto para bater cabelo [N/Carol: Nem preciso dizer: Esse pégaso é harpia] Fique quieta! Você é outra recalcada de cabelo feio!
– Draco! – gritei Blaise da Sala Comunal – Viu minhas calças de festa?!
– Tenho cara de prostituta? – gritei de volta. Affe, essas pessoas que não entendem que esse momento entre o meu cabelo e eu é muito especial.
– Na verdade, tem!
Revirei os olhos.
– Não vi, ignorante!
Penteei meu cabelo uma última vez e saí do dormitório. Encontrei Blaise ainda só de cueca correndo de um lado para o outro da Sala Comunal e dando gritinhos. Como é que nós vamos ter moral para chamar os grifinórios de idiotas agora?
– Pare de correr! – exclamei. Ele continuou correndo e gritando, dei-lhe um tapa na cara – SE ACALMA, HOMEM! VAI PELADO MESMO!
Blaise parou de correr e considerou por alguns minutos.
– Boa ideia – ele disse.
– Eu estava sendo sarcástico... – falei franzindo a testa, mas o imbecil não me escutou.
Blaise Zabini colocou seu casaco e saiu assobiando do Salão Comunal da Sonserina, só de cueca e meias. Nem vou andar perto dessa coisa, podem ligar minha imagem a isso.
Devon desceu as escadas do dormitório assoviando alegremente. Eu o encarei descrente.
– O que está fazendo aqui? – perguntei – Você tinha um encontro com a Peruzzo!
– Hein? – ele me olhou – Ah, é! Eu decidi não ir, sabe, ela não é assim tão bonita.
– E você pelo menos avisou a ela?
– Não, fiquei com preguiça.
Fiquei encarando-o incrédulo. Admito que eu não seja um exemplo de pessoa, mas deixar a garota esperando sozinha é sacanagem. Astoria Greengrass passou por mim e piscou.
– Te vejo na festa, Draco – ela sorriu encantadoramente.
Respirei fundo. Não acredito que vou fazer isso.
– Não, não vai não – saí da Sala Comunal e fui correndo até Hogsmeade.
Mentira, eu sou preguiçoso, não corro nem que me mate, então fui andando até Hogsmeade, o que levou uma meia hora. Cheguei ao Bruxa Caolha, um restaurante velho com uma estátua de uma bruxa caolha na entrada. Pela janela pude ver Peruzzo. Uma garçonete foi até ela.
– Com licença – disse Carol – Você tem mais alguma comida que seja de graça? Eu já comi todo o pãozinho que estava aqui.
– Moça, terei que pedir que libere a mesa – disse a garçonete.
Ela mordeu o lábio.
– Não posso esperar mais um pouco? – ela perguntou.
– Cheguei! – falei entrando – Cheguei! Estou aqui, não se preocupe.
Carol me olhou com algo que beirava a desprezo. Ah! Eu andei meia hora só para não deixá-la aqui como uma idiota! Ela devia me tratar com mais respeito! A garçonete deu de ombros e foi embora.
– O que você faz aqui? – perguntou Carol surpresa. Ela usava um vestido preto, sapatilhas romanas e tinha o cabelo preso em um coque. Estava bonita, ou pelo menos, mais bonita que o normal.
– Você, Srta. Educação, tinha que me agradecer – falei revirando os olhos – Perdi a festa do ano e andei meia hora só para vir aqui te dizer que seu namorado é um otário. Ele não queria sair com você.
Ela pareceu decepcionada, mas deu de ombros, como se estivesse acostumada. Deu um pouco de pena, na verdade. Carol me olhou curiosa.
– E porque você se deu ao trabalho de vir até aqui? – ela perguntou.
Dei de ombros.
– Sei lá, só achei que era o certo.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
– Isso é tão legal – ela disse começando a chorar num guardanapo – Você... Você se preocupou comigo! Talvez você não seja uma vadia, Draco!... Quer dizer, uma vadia você é e sempre será, mas talvez seja uma vadia legal!
E ela ficou lá chorando. Juro que não sei o que fazer quando as pessoas choram na minha frente. Pigarreei e comecei, muito timidamente e torcendo para ninguém ouvir:
– She wants me to come over, I can tell her eyes don’t lie. She’s calling me in the dark. She moves, I swear the room around her lights up like the sky. Confidence like a rockstar – Carol levantou os olhos do guardanapo e me olhou curiosa. As pessoas me encaravam como se eu fosse doido, talvez fosse, mas continuei — I wanna put my hands on her hands, feel the heat from her skin, get reckless in the star light.
Carol riu e continuou:
– I'm moving to the beat of her heart, I was so lost until tonight, tonight!
E, como os dois idiotas que nós somos, cantamos:
– I found you in the darkest hour! I found you in the pouring rain! I found you when I was on my knees! And your life brought me back again! Found you in a river of pure emotion! I found you, my only truth! I found you and the music played! I was lost, ‘Till I found you, you, you! ‘Till I found you, you, you!
– Parem com isso! – gritou a garçonete – Vão embora! Agora! Antes que eu chame os Aurores, seus loucos!
Saímos dali às gargalhadas e começamos a andar tranquilamente em direção a Hogwarts. Quase não pensei na festa que estava perdendo.
ISSO!, gritou uma voz feminina na minha cabeça, ISSO É O QUE EU CHAMO DE AMOR JUVENIL! ISSO É TÃO LINDO QUE EU VOU MORRER!
Você é imortal, Afrodite, disse uma voz ao fundo.
Tanto faz, Hefesto, Afrodite disse na minha mente, Mas esses dois são TÃO fofinhos que acho que vou explodir em um milhão de pedacinhos de glitter!
Saiam da minha cabeça!
Foi mal, fofucho, disse Afrodite, Mas eu tinha que me intrometer na vida da Carol, simplesmente porque eu quero. Enfim, você vai fazer exatamente o que eu dizer.
Revirei os olhos. Tudo bem, o que tenho que dizer?
Diga que os olhos são bonitos.
– Meus olhos são bonitos – falei em voz alta. Pude ouvir Afrodite batendo a mão na testa.
– Ér... – Carol me olhou confusa – Acho... Acho que sim, não sei.
Não, seu estúpido, é para falar que os olhos DELA são bonitos, disse Afrodite.
Oh, pois sim.
– Eu quis dizer... – pigarreei – Seus olhos são bonitos. São de um tom de azul brilhante.
Ela corou e sorriu.
– Obrigada – agradeceu.
Viu?, Afrodite perguntou satisfeita, Na minha época, os garotos davam os casacos para as namoradas.
Que bom.
Draco, dê seu casaco para ela.
O que? Por quê?! Está frio!
Exatamente.
Exatamente! O casaco é meu.
Draco Malfoy, dê esse casaco para essa garota antes que eu vá aí o arranque de você!, exclamou Afrodite furiosa.
Bufei.
– Carol, está com frio? – perguntei. Diga não, diga não, diga não...
– Um pouco – ela admitiu.
Viu, Afrodite? Ela só está com um pouco de frio, ela não precisa do...
DÁ A DROGA DO CASACO PARA ELA!
Tirei o casaco e entreguei para ela.
– Pegue – falei.
Carol me olhou como se eu estivesse usando um vestido de carne e cantando Love Game. Acredite, já aconteceu.
– Porque está sendo legal comigo?
– Pegue o casaco antes que eu me arrependa.
Ela pegou o casaco e o colocou sobre os ombros. Uma rajada de vento frio surgiu de algum lugar e quase me fez arrancar o casaco daqueles ombros pálidos, mas acho que Afrodite me espancaria até a morte.
Sim, eu faria isso, ela concordou.
A lua pareceu mais brilhante, as flores mais coloridas e o som de um violino veio do restaurante por onde estávamos passando. Virei-me para Carol.
– Carol, eu... Eu queria te dizer uma coisa – falei.
– O que? – ela perguntou me olhando com os grandes e bonitos olhos azuis refletindo a lua.
Abri a boca para falar e... Fui atingido por um tiro de tinta de paintball. Caí de cara no chão e Carol xingou em grego antigo [N/Afrodite: Uma coisa posso dizer: Essa menina tem a boca mais suja da Inglaterra]. Levantei-me de joelhos e olhei para os lados. Vários soldados de paintball vieram correndo na nossa direção.
– Que zona é essa? – bradou Carol. Fiquei de pé me apoiando numa árvore e toquei minhas costas doloridas, minha mão ficou azul com a tinta.
– Hoje é o sábado do paintball! – exclamou um dos caras – A regra é atingir qualquer um que acharmos pela frente.
Um dos caras apontou para Carol, mas ela lhe deu um olhar ameaçador e rosnou:
– Se atirar em mim, vai desejar nunca ter nascido.
O soldado abaixou a arma e fez uma reverência.
– Sim, senhora!
Carol bufou, pegou minha mão e me puxou para fora dali resmungando pragas como “Filhos de górgona” e “Maldita Afrodite”. Parte de mim tentava entender o que ela estava falando, a outra parte estava concentrada no fato de que as minhas costas estavam doendo por causa do tiro de tinta. Oh, sim, e uma pequena parcela do meu cérebro registrou que Carol estava segurando a minha mão, mas isso não é importante.
DESISTO! VOU EMBORA!, gritou Afrodite revoltada na minha mente. Já foi tarde.
Carol parou de me puxar depois de um tempo.
– Aqueles idiotas – ela disse – A noite do paintball é sexta, não sábado! E... Olha, uma barraca de bichinhos de pelúcia!
Não acreditei quando a vi correndo até uma barraca de bichinhos de pelúcia. Carol parou e ficou olhando um Nemo de pelúcia.
– Sabe, o motivo para eu ser tão triste... É que meu antigo bichinho de pelúcia foi assassinado brutalmente... – ela confessou.
Olhei para ela, olhei para o peixe, então olhei para ela de novo e finalmente olhei para o vendedor.
– Me dê aquele Nemo, por favor – falei já pegando minha carteira do bolso. Quando você é rico, pode comprar o que quiser.
Paguei pelo peixe e o entreguei a Carol. Ela me olhou como se eu fosse um príncipe encantado montado num cavalo branco [N/Carol: A interpretação correta: Eu o olhei como se fosse um Divergente bonitão chamado Tobias montado numa Harley Davidson, mas você está MUITO longe de ser isso] Obrigado pelos elogios.
– Você comprou um bichinho de pelúcia para mim – ela disse maravilhada.
– Hum... Sim, comprei – dei de ombros – Não é grande coisa, mas...
– É perfeito – ela abraçou o Nemo – Eu amo o Nemo. Vou chamá-lo de Doninha, em sua homenagem.
– Me sinto lisonjeado – ergui as sombracelhas.
Ela riu e continuamos andando.
Peeta Mellark conquistou uma garota com um pão, eu conquistei uma com um Nemo de pelúcia. Quem é o foda agora?
Chegamos a Hogwarts, subimos as escadas e entramos no Salão de Entrada. Carol me olhou e cruzou os braços no peito.
– Bem, obrigada por ter... Por ter sido legal o suficiente para não me deixar feito uma otária no restaurante – falou.
– Não foi nada – respondi.
E se instalou um silêncio constrangedor. O que eu faço agora?
Dance a Macarena, ironizou Afrodite.
Sério?
NÃO! OH DEUSES, VOCÊ É MAIS LERDO QUE O PERCY! BEIJE-A!
Beijar o Percy?
NÃO, A CAROL!
Oh, você não explica. Não precisa gritar.
Antes que eu pudesse reagir, Carol se aproximou e pousou uma mão na minha cintura. Prendi a respiração (Eu sou o que? Uma garotinha?). Ela me puxou mais para perto, olhou bem nos meus olhos e segurou meu rosto gentilmente.
Afrodite? Ainda está aí? Como se respira? Socorro.
Deixa de ser um viado, praticamente pude ver a deusa revirando os olhos.
Carol lentamente se inclinou e sussurrou no meu ouvido:
– Os Lannister mandam suas lembranças.
E me deu um soco no peito. Não foi muito forte, mas quase me jogou no chão. Não que eu seja fraco, ok?... Um pouco.
– CARA! – gritei furioso – NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO, PERUZZO!
Ela riu. NA MINHA CARA. É por isso que os grifinórios são idiotas!
– Você achou que eu ia te beijar? Se toque – Carol jogou uma mecha do cabelo para trás da orelha e deu seu sorriso convencido – Obrigada pelo peixe, Malfoy. Te vejo segunda-feira.
E saiu andando.
Isso me dá uma conclusão: Ser bom não ajuda em nada.
POV. Carol Peruzzo
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Okay, já me recuperei.
MENTIRA! HHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA Viram a cara de perdedor dele? Há-há!
Subi as escadas em direção a Torre da Grifinória e passei pelas estátuas das Nove Musas. Sim, essas pragas me perseguem até em Hogwarts. Foi quando eu ouvi belas vozes cantando.
– If there's a prize for rotten judgment, I guess I've already won that. No man is worth the aggravation… – olhei para cima — That's ancient history, been there, done that!
As Musas ganharam vida, até porque isso é muito comum, e começaram a cantar apontando para mim.
– Who'd'ya think you're kiddin', he's the Earth and heaven to you! Try to keep it hidden, honey, we can see right through you. Girl, you can't conceal it, we know how ya' feel and who you're thinking of!
Franzi a testa
– Estão cantando a música de Hércules? – perguntei – Esse é o pior filme de todos os tempos! Tipo, Hércules é um babaca e...
As Musas me olharam bravas, como se quisessem que eu continuasse a música.
– Eu não sei cantar! – protestei.
– Canta! – mandou uma delas.
Pigarreei.
– No chance, no way, I won't say it, no, no. – falei.
– You swoon, you sigh, why deny it, uh, oh! – cantavam as Musas.
– It's too cliche, I won’t say… Espera! – parei e encarei-as – Essa música implica que estou apaixonada pelo Malfoy? Ridículo!
– Mas você está – uma das Musas sorriu afetuosa.
– Não estou não!
– E esse Nemo na sua mão? – perguntou outra Musa erguendo as sobrancelhas e cruzando os braços.
Olhei para o Nemo. Ele é tão fofinho e eu sempre quis um bichinho para substituir o falecido Sr. Gold (assunto delicado, mas ele foi morto pelo Octavian).
– O Doninha não é nada de mais – falei – E não perderei meu tempo com recalcadas estátuas de mármore!
E saí andando. Eu realmente discuti com estátuas falantes? Qual o meu problema?
Mas, sabe, ser abandonada em um encontro me ensinou uma coisa.
[N/Afrodite: Que você vai casar com Draco e ter dois filhos oxigenados chamados Catherine e Scorpius?]
Não, aprendi que eu tenho que me vingar do Devon.
[N/Nêmesis: Vingança? Estou dentro!]
Ótimo, mas acho que essa história fica para depois.
Notas finais
Para as pessoas que não tiveram infância/não se lembraram da música, aqui está a música que as Musas recalcadas cantaram: I Wont Say Im Love, do filme Hércules da Disney!
http://www.youtube.com/watch?v=LatebhRicTY
Isso me cheira a infância ♥
Carol: Isso me cheira a recalque de Musa, a Megara é legal demais para o Hércules!
Zoe: NÃO CONFIASTE NESTE CANALHA, MEGARA! HÉRCULES ÉS UM APROVEITADOR!
Hércules: e-e
Okay... Gostaram do capítulo?
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