As Crônicas Dos Retardados.
54 Feliz Natal, eu acho.
Notas iniciais
Draco: Você tem uma irmã gêmea chamada Karol, com K?
Sim, ela é uma recalcada.
Enfim, quero agradecer a Little Owl pela recomendação. Muito obrigada!
Espero que gostem!
POV. Harry Potter
Oh, Natal. Uma época tão bela e pura, onde todos se ajudam e quando a paz reina. A neve caindo, as lareiras acesas e os sorrisos nos rostos das pessoas. Tudo é tão mágico, tão maravilhoso, tão especial.
A menos que você seja da Grifinória. Então sua vida é uma zona.
Até que, quando acordei, tudo estava bem e nada explodiu na minha cara. Faltavam dois dias para o Natal, mas Hogwarts já estava mergulhada no maravilhoso clima natalino. Quer dizer, acho que os professores simplesmente não queriam mais dar aula, então resolveram começar a comemorar o Natal. Depois de me trocar, Rony e eu descemos até o Salão Comunal.
– Porque suas orelhas estão vermelhas? – perguntei para Carol. As orelhas dela pareciam tomates.
– Elas sempre ficam vermelhas no inverno – a filha de Poseidon puxou seu gorro azul escuro sobre as orelhas – Pareço o Dumbo, é ridículo.
Saímos da Torre da Grifinória para o café da manhã. Mas como tudo que é bom acaba logo, as coisas começaram a ficar no Nível 3 da estranheza.
Eu já lhes falei da Escala Potter para Estranheza? Bem, é assim:
Nível 1: Aceitável (Exemplo: Hermione lendo algum livro)
Nível 2: Anormal (Exemplo: Neville conseguindo acertar um exercício de Poções)
Nível 3: Levemente Bizarro (Exemplo: Dumbledore vestido de Papai Noel e Snape de Elfo)
Nível 4: Bizarro (Exemplo: McGonagall de biquíni)
Nível 5: Totalmente Bizarro (Exemplo: Rony sem fome)
Nível 6: Indubitavelmente Bizarro (Exemplo: Malfoy agindo como um homem, não como uma doninha)
Nível 7: Estranho (Exemplo: Snape dando pontos para Grifinória)
Nível 8: Totalmente Estranho (Exemplo: Hermione quebrando as regras)
Nível 9: Estranho DEMAIS (Exemplo: Sonserinos sendo gentis com grifinórios)
Nível 10: Tão Estranho que Chega a ser Impossível (Exemplo: Carol sendo bondosa e gentil).
Voltando ao problema no Salão Principal.
Dumbledore estava vestido de Papai Noel e McGonagall e Snape estavam vestidos como elfos. Não elfos domésticos, mas sim elfos do Papai Noel, com roupas verdes e tudo mais. Anormal, mas nada que pudesse estragar meu Natal.
– Peruzzo – Umbrigde veio marchando até a mesa da Grifinória assim que nos sentamos, ela usava uma roupa de rena natalina – Preciso de você. Separei os integrantes da Brigada Inquisitorial em grupos de três e um dos grupos ficou com uma pessoa faltando.
– E? – Carol perguntou passando manteiga numa torrada.
– E que você vai ser a pessoa que vai completar o grupo – Umbrigde deu um sorrisinho – A Brigada Inquisitorial irá ouvir os pedidos de Natal das crianças do primeiro, segundo e terceiro ano. Me acompanhe, por favor.
– Eu estou tomando meu café da manhã! – protestou Carol.
– Não ligo – Umbrigde jogou para ela uma sacola com roupas – Troque de roupa e me encontre no Salão dos Monitores em quinze minutos.
E saiu marchando. Encarei Carol com medo. Ela parecia prestes a pular no pescoço de Umbrigde e esfaqueá-la até a morte com a faca de manteiga.
– Você vai? – perguntou Rony suavemente. Um movimento errado e ele também seria esfaqueado.
– Vou – Carol levantou graciosamente da cadeira e pegou a sacola – Me deem licença. Vou ouvir os pedidos dos fedelhos, digo, das criancinhas.
POV. Draco Malfoy
O dia não podia piorar.
Entrar para a Brigada Inquisitorial foi uma ótima ideia, mas ouvir os pedidos de Natal daqueles otários do primeiro ano? Eu não sou obrigado!
O pior é que a Umbrigde tem um humor muito engraçado. Meu grupo, até o momento, é composto somente por Blaise. A Cara de Sapo foi atrás de mais algum otário. E adivinha do que eu estou vestido?
Um beijo para quem falou Papai Noel.
– Não acredito que estou vestido de elfo – resmungou Blaise enfiando as mãos no bolso do casaco – Me sinto ridículo.
– E eu estou vestido de Papai Noel – retruquei – Quer dizer, eu sou bom como o Papai Noel? Eu tenho cara de velho pedófilo?!
– Papai Noel não é um velho pedófilo.
– Isso é o que eles querem você acredite.
Sentei-me na cadeira vermelha almofadada que estava posta bem no meio da biblioteca. Eu estava usando uma fantasia completa do Papai Noel, menos a barba. Recuso-me a usar uma barba.
– Quem será que a Umbrigde vai trazer? – perguntou Blaise sentando-se em uma cadeira ao meu lado.
– Não importa – dei de ombros – Só aceitei fazer esse papel ridículo para poder cantar algumas garotas.
Ele me olhou assustado.
– Não quer dizer...
– Sim – sorri erguendo o livro – O Livro das Cantadas está aqui!
Abri uma página aleatória, pigarreei e recitei:
– Gata, se eu fosse o Chapéu Seletor, te escolhia para a minha casa.
– Se mata – mandou Blaise me olhando com uma cara estranha.
Umbrigde entrou caminhando triunfante na biblioteca. Quando eu vi quem a estava acompanhando, quase segui o conselho de Blaise sobre me matar. Era a Peruzzo. Ela usava uma roupa de elfo natalino igual à de Blaise e suas orelhas estavam vermelhas como a Grifinória. Eu até riria, se isso não custasse a minha vida.
– Draco, Blaise – Umbrigde disse com um sorrisinho no rosto – Essa é a sua companheira! Vocês devem ficar aqui até a hora do jantar. Até mais!
E saiu saltitando. Blaise gemeu de decepção.
– Que droga! – ele exclamou – Agora vou ficar aqui segurando vela enquanto vocês dois se agarram!
– Vá se catar – mandou Peruzzo – Vocês têm doces?
– Os doces são para as crianças – falei.
– Quem se importa com as crianças? – ela perguntou pegando o pote com os doces e abrindo-o.
Respirei fundo.
– Peruzzo, vamos ficar aqui o dia todo – falei – Tente não ser desagradável como você normalmente é.
– Tente não ser um babaca como você normalmente é – ela retrucou.
Blaise ergueu uma placa com a frase “Dracol 4ever”. Peruzzo arremessou um caramelo no olho dele.
– Então... – Carol mordeu um alcaçuz e me olhou com uma sobrancelha levantada – Porque escolheram você como Papai Noel? É a pessoa menos solidária que conheço.
– Também não sei – dei de ombros – Não me importo com o que as pessoas querem de Natal.
– Mas você poderia sentar no colo dele – Blaise disse com um sorriso malicioso.
– Vou jogar outro caramelo no seu olho – ameaçou Carol. Blaise se encolheu.
Ficamos em um silêncio tenso por alguns minutos. Caso Umbrigde não tenha percebido, ninguém vai à biblioteca no Natal. Ninguém.
– O que é isso? – Carol perguntou apontando para O Livro.
– Nada da sua conta – respondi.
Então, claro, ela puxou o livro da minha mão e abriu-o. O que esses grifinórios têm na cabeça?
– “Mesmo se você fosse um Dementador, eu gostaria de ganhar um beijo seu” – ela recitou e caiu na gargalhada – Quem escreveu essa droga?
– Draco – disse Blaise ao mesmo tempo em que eu dizia – Blaise.
– Ridículo – ela fechou o livro e jogou para Blaise – Esse é o seu jeito de conquistar garotas, Malfoy? Patético.
– Bem, para ele funciona – Blaise deu de ombros – Praticamente todas as garotas da Sonserina querem sair com o Draco, e alguns garotos também, mas isso é relevante. Ele é o Garanhão da Sonserina!
Lembram-se do comentário sobre me matar? Mudei de ideia. Agora quero matar o Blaise.
– Garanhão da Sonserina? – repetiu Carol com aquele sorriso malicioso no rosto – Isso é... Incrível.
Depois disso, o dia foi de ruim para totalmente péssimo. Os fedelhos, digo, as criancinhas adoráveis apareceram e começaram a falar sobre seu desejo de Natal. Merlin, eu não me importo!
Próximo ao meio dia, Potter e seus dois cachorrinhos apareceram.
– Papai Noel! – Weasley exclamou e pulou no meu colo – EU QUERO UM PANDA E UM KIT DA CASA DA BARBIE!
– Urgh, germes de ruivo! – o empurrei para fora – E porque diabos você quer o kit da Casa da Barbie?!
– A Barbie é legal – ele abaixou a cabeça triste. Ridículo.
– Isso aqui está bem parado, não está? – perguntou Granger olhando ao redor.
– É – Carol engoliu mais um caramelo – Estou quase dormindo sentada.
– Pare de comer os doces! – mandei.
Ela riu na minha cara. Típico.
– Me entregue isso – pedi gentilmente.
– Ér... Não.
– Peruzzo! Você não pode comer os doces!
– Malfoy! Sim, eu posso!
Puxei o pote com os doces, ela puxou de volta. Blaise, o Idiota Supremo, ao invés de me ajudar a recuperar os doces, ficou gritando e incentivando a briga. Peruzzo puxou o pote mais uma vez, o fazendo sair voando. A trajetória daquela desgraça foi em câmera lenta. Snape passava calmamente pela biblioteca, o vaso com os doces voou até lá e se partiu na cabeça do professor, o jogando no chão.
Um silêncio constrangedor tomou conta do lugar.
– Foi sua culpa – falei.
– Minha? – ela perguntou – Você que não me deixou comer os doces em paz!
– Os doces são para as crianças!
– Ai meu Merlin – Granger parecia prestes a desmaiar – Vocês atacaram um professor!
– Foi culpa do Rony! – exclamou Peruzzo.
– Perfeito! – concordei – Culpa do Weasley!
– Hein? – perguntou o ruivo franzindo a testa.
Levantei e fui até Snape. Ele estava jogado de uma forma nem um pouco natural no chão.
– Ele está vivo? – perguntou Potter.
– Claro que está – falei cutucando-o com o sapato – Só está desmaiado. Peruzzo, por favor.
– Por favor o que? – ela perguntou com toda a sua educação.
– Leve Snape para a Ala Hospitalar.
– Leve você!
– Não fui eu que atirei a jarra de doces nele!
– Também não fui eu!
– Vão os dois! – Blaise empurrou Carol na direção de Snape – Não vamos sentir falta de vocês, mesmo. Só tentem não se agarrar em um armário no caminho de volta!
Peruzzo mostrou o dedo do meio para ele. Que mal educada. Segurei um dos braços de Snape, ela segurou o outro e arrastamos aquele emo para fora da biblioteca. Quem diria que um professor pesava tanto? (Admito, nós o deixamos cair de cara no chão umas duas vezes. Ninguém precisa saber).
– Sr. Malfoy, Srta. Peruzzo – Madame Pomprey nos recebeu na enfermaria – O que... O que aconteceu ao Professor Snape?!
Entreolhamos-nos.
– Ele foi atacado por narguilés – Carol falou rápido. Revirei os olhos. Essa garota está falando demais com a Lunática Lovegood.
– O que são narguilés? – perguntou a enfermeira.
– São... Ér... – ela olhou para mim me mandando inventar uma resposta.
– São animais que... Que atacam professores – afirmei – Por isso atacaram o professor Snape.
– Mas como...
– NÃO PERGUNTE! – berrou Carol dramaticamente – ELE ESTÁ MORRENDO! AJUDE-O, MADAME POMFREY!
O surto de Carol fez a enfermeira surtar, jogar Snape em uma maca e começar fazer uma massagem cardíaca.
– Vamos embora – Carol puxou a manga do meu casaco – Não quero ficar para vê-la fazer respiração boca a boca no Snape. Meu psicólogo já é rico o suficiente.
– O que é respiração boca a boca? – perguntei enquanto saíamos da Ala Hospitalar.
– Droga, vivo esquecendo que vocês puro sangues não sabem nada dos trouxas – ela revirou os olhos e enfiou as mãos nos bolsos do casaco – Respiração boca a boca é quando... Bem, é quando uma pessoa reanima a outra pessoa soprando ar para os pulmões dela pela boca.
– Reanimação com a boca? Isso me parece... Suspeito – dei um sorriso malicioso e ela me deu uma cotovelada – Trouxas, todos estranhos. Você faz parte deles.
– Quantas vezes eu vou ter que explicar que eu...
– É puro sangue e meio sangue ao mesmo tempo – dispensei a explicação com a mão – Você fala demais.
– Eu falo demais?!
– Fala. O tempo todo.
– Ah, fique quieto.
O resto do caminho foi em silêncio. Os grifinórios estúpidos já tinham ido embora e Blaise roncava sentado em sua cadeira. Finalmente, Carol perguntou:
– Aquele livro tosco funciona mesmo?
– Funciona – garanti – Esse ano já consegui vários encontros com aquelas cantadas.
– Que coisa patética – ela revirou os olhos.
– Isso é ciúme, Peruzzo?
– Do livro? Não. Além de que não acredito em uma só palavra do que você fala.
– As cantadas funcionam – sorri confiante – Quer ver só? Aposto que consigo um encontro com a primeira garota que passar por aqui.
Ela gargalhou.
– Aposto a minha vassoura nisso!
Ficamos em silêncio esperando alguém aparecer. A primeira garota que apareceu foi a Granger.
– A próxima – fiz uma careta.
Depois foi a Weasley.
– A próxima – repeti.
E, como sou simplesmente sortudo, apareceu a Lunática Lovegood.
– A próxima – repeti cansado.
– Não, chega de esperar – Carol sorriu daquele jeito irritante – Você vai sair com a próxima garota que aparecer.
– Você conta como uma garota?
– Sim, mas não vou sair com você.
– Sei que você quer – pisquei e as orelhas dela ficaram vermelhas, ou talvez estivessem vermelhas o dia todo. Prefiro pensar que ficaram vermelhas.
– Se enxerga, Malfoy – ela mandou revirando os olhos.
* * *
Contagem regressiva para a hora do jantar. Para você ver como a situação estava crítica, estávamos quase morrendo de tédio sentados nas cadeiras e Carol colocou uma placa dizendo “Papai Noel foi sequestrar mais criancinhas para usar como escravas”.
Mais nenhuma criança apareceu depois disso.
– Ali – falei apontando para uma garota da Corvinal que procurava livros – Duvida que eu saia com ela, Peruzzo?
– Duvido – ela falou olhando para suas unhas.
Peguei O Livro, escolhi a melhor cantada e, quando a garota passou, soltei:
– Gata, meu nome não é Luna, mas eu sei como Lovegood – e pisquei. A garota me olhou com desprezo e saiu andando.
Blaise quase caiu da cadeira de tanto rir.
– Draco, não diga essas cantadas – aconselhou ele — Você parece um retardado.
– Ele é um retardado – Carol falou sorrindo.
– Bem lembrado.
Os dois fizeram um high-five. Mereço. Os dois maiores idiotas que eu conheço são amigos agora. Talvez se casem e tenham filhinhos idiotas. Awn.
Quando o relógio finalmente bateu sete horas da noite, comemoramos. Blaise jogou seu chapéu de elfo no chão e disse que ia trocar de roupa antes de ir jantar. Carol me deixou acompanhá-la até o Salão Principal (ou pelo menos ao disse nada quando comecei a andar ao seu lado).
– Me lembrei de uma coisa – falei enquanto andávamos – O que você quer de Natal?
– Não pensei nisso – ela deu de ombros e pensou por um momento – Um unicórnio. Sempre quis ganhar um unicórnio.
– Bem – pigarreei – Por você eu roubava um unicórnio da Floresta Proibida.
– Uau. Essa cantada foi tão ruim que nem vou te dar um tapa na cara – ela riu.
Bufei. Depois não posso chamar os filhos de Poseidon de lerdos. Acabei de dar em cima dela e ela nem percebeu!
– E você? – ela perguntou – O que quer de Natal?
– Um beijo.
– O Harry está logo ali.
– De uma garota...
– Pansy está na mesa da Sonserina.
– De uma grifinória...
– Hermione? Urgh. Não sabia que ela era o seu tipo.
– Você está brincando comigo? – exclamei.
Carol gargalhou.
– Claro que estou, idiota – ela sorriu de uma forma meio psicopata, meio fofa (acho que essa é descrição perfeita para ela) – Já vou indo. Bom Natal, Malfoy.
Ela virou as costas e saiu andando.
– Carol! – exclamei – Hoje à noite, em Hogsmeade, vai ter um show daquela banda bruxa famosa no mundo dos trouxas, Panic! At The Disco. Você quer ir?
A grifinória me olhou de cima a baixo como se eu fosse uma máquina complicada que precisava ser desmontada.
– Te encontro no Saguão Principal depois do jantar – ela falou – Não se atrase.
E finalmente saiu andando.
Até que foi um Natal muito produtivo.
Notas finais
"- Percy, sua bunda não é bonita!
- É sim.
- Ninguém pediu sua opinião, Nico!"
"- Uma missão... Vocês precisam ir nessa missão.
- Que missão é essa, afinal?
- Bem, Carlota, mesmo uma estúpida como você deve saber que Prometeu roubou o fogo dos deuses e o deu aos mortais.
- Sim, e daí?
- E daí que ele não roubou o fogo. Quem precisa de fogo? Ele roubou uma coisa mais preciosa..."
"- Carol! Que roupas são essas?
- Minhas roupas normais
- Vamos invadir um Baile Funk! Não pode usar essa roupa!
- O que? Você achou que eu ia me fantasiar de funkeira? Você não sabe nada, Nico di Angelo"
" - Deception and perfection are wonderful traits
One will breed love, the other hate
You'll find me in the lonely hearts
Under "I'm after a brand new start...
- Prometeu está cantando Marina and the Diamonds?!
- Incrível!"
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