As Crônicas Dos Retardados.
36 Botas, Psicopatas e Filho de Hécate. Muito normal!
Notas iniciais
Alguém aí já assistiu A Very Potter Musical? Cara, eu CHOREI de rir vendo!
"Só temos 3 regras aqui. Regra 1: Sem garotos... A menos que sejam gatinhos!
Regra 2: Sem alcóol... A menos que tenha para todo mundo!
Regra 3: Sem festas... A MENOS QUE CONVIDEM A MAMA UMBRIGDE!" - Lispector, Mama Umbrigde
hsuahsuahsua Ai, ai, eu preciso me tratar...
Obrigada a Serena Beaureguard pela recomendação! Eu amei *---*
Espero que gostem desse capítulo!
N/Leo: E também tenham o bom senso de NUNCA irem sozinhos a Floresta Proibida.
N/Carol: Nem obriguem seus amigos a usarem roupas ridículas. Isso pode acabar em problemas.
POV. Carol Peruzzo
Sete horas da manhã. Sábado. E como eu sou brutalmente acordada?
- DON’T CALL MY NAME, DON’T CALL MY NAME, ALEJAAANDRO! I’M NOT YOU BABE, I’M NOT YOU BABE, FERNANDOO! DON’T WANNA KISS, DON’T WANNA TOUCH, JUST SMOKE MY CIGARETTE AND HUUUUUUUUUSH! DON’T CALL MY NAME, DON’T CALL MY NAME, ROBERTOOO!
Quem diria que Percy Jackson, o salvador do Olimpo, era fã da Lady Gaga? Bem, só sei que a visão do Percy dançando Alejandro a essa hora da manhã me traumatizou muito.
- Vira macho, Perseus – joguei meu travesseiro nele.
- Querida, seu recalque bate e volta – e assim, ele saiu do chalé.
Deuses.
Coloquei o uniforme do acampamento, saí do chalé, tomei o café da manhã e fui para os estábulos montar os pégasos. Mas, no caminho, achei Clarisse e Brutus provocando um garoto. Isso é supernormal, ninguém se incomoda, mas sempre me dá um nó no estomago. Clarisse é minha amiga e tudo mais... Mas sinto vontade de matá-la sempre que ela espanca alguém (fora o Percy, claro. Aí pode espancar).
Nos meus anos no orfanato, as crianças me humilhavam muito. Empurravam-me em poças de lama, me batiam, uma vez chegaram a me trancar numa caçamba de lixo, mas isso não vem ao caso agora. Desde que fui para o acampamento, jurei que aquilo nunca mais aconteceria comigo.
Brutus e Clarisse empurravam o garoto de um lado para o outro, e o que mais me tocou foi que o garoto não fazia nada para se defender. Ele via que não tinha chance.
- Ei – andei até eles – Soltem ele, galera.
- Não enche, Peruzzo – respondeu Brutus.
Clarisse, relutante e com uma careta, parou. Mas Brutus jogou o garoto no chão e o chutou na perna.
- Ele é um otário – resmungou o filho de Ares.
- Você também é, mas eu não bato em você – meus olhos se estreitaram – Talvez eu devesse fazê-lo. Lembra-se quando Sr. D me nomeou como coordenadora pedagógica do acampamento?
O cabelo de Brutus ficou em pé. Sim, ele se lembrava.
- Então seja uma traidora como ele – resmungou Brutus antes de sair andando. Clarisse me lançou um olhar meio Desculpas meio Você vai se ferrar antes de ir também.
O garoto se levantou, estava ensopado de lama.
- Incantate: Mundabit – ele murmurou passando a mão pela camiseta.
Eu sei um pouco de latim, e consegui entender algo como “Feitiço: Limpar”. Como previsto, a lama sumiu. Logo entendi porque ele estava sendo atacado.
- Filho de Hécate – disse.
Ele me olhou. O garoto era magrelo, alto, pálido, olhos azuis esverdeados e cabelo preto, sem brilho. Parecia uma versão masculina minha.
- Filha de Poseidon – ele respondeu.
Notei que símbolos estavam por toda a sua calça e no casaco, como se uma criança o tivesse rabiscado com uma canetinha holográfica preta. Runas, disse uma parte do meu cérebro. Eu até poderia entendê-las se tivesse prestado mais atenção na minha aula de Runas Antigas.
- Qual seu nome? – perguntei.
- Lou Ellen – ele respondeu, sua voz era desconfiada, como se a qualquer momento eu fosse espancá-lo.
- Eu sou... – comecei.
- Eu sei quem você é – ele me interrompeu – É Carol Peruzzo, filha de Poseidon e bruxa. Todos conhecem a irmã de Percy Jackson.
A forma como ele pronunciou o nome de Percy me fez franzir a testa.
- Qual seu problema com Percy? – perguntei.
- Nada pessoal – ele deu de ombros – Mas filhos de Hécate não gostam muito dele. Quero dizer, eu e Alabaster não gostamos muito dele. Só sobramos nós dois mesmo.
- Como assim?
- Na Batalha de Manhattan, lutamos no lado de Cronos e meus irmãos morreram. Meu outro meio-irmão, Alabaster Torrington, foi exilado do acampamento porque não quis obedecer às ordens dos deuses – ele suspirou – E eu fiquei aqui sozinho, com todo mundo sempre me olhando feio.
- Claro – concordei – Você lutou com Cronos. Nós não gostamos muito desse cara.
Lou me olhou com uma sobrancelha erguida.
- Diga-me, Carol, você nunca considerou, nem mesmo por um segundo, se rebelar contra os deuses?
Sim, claro que já. Todo semideus já considerou fazer isso. Os deuses não se importam se você vive ou se você morre, também não se importam como você se sente. Poseidon viu minha infância ser péssima, mas ficou lá, de braços cruzados, sem mover um dedo.
- Já – respondi firme – Claro que já. Penso nisso toda vez que vou fazer uma prova e amaldiçoo Atena.
- Então você entende o que eu quero dizer – Lou disse – Ou não. Você é filha de um dos Três Grandes, não sabe o que é ser filho de um deus menor e um traidor perpétuo, mesmo que a guerra já tenha acabado.
E assim, ele virou as costas e saiu andando. Garoto estranho.
* * *
- Carolina Peruzzo, por favor, se apresentar na Casa Grande – a voz de Quíron soou nos autofalantes – Tipo, AGORA.
Dei um último golpe na perna de Travis e embainhei a espada.
- Quando eu voltar, acabo com você – disse antes de sair da arena.
Isso não pode ser bom. Da última vez que fui chamada para a Casa Grande, tive que ir numa missão para recuperar o pônei de Ares (longa história. Mas era um pônei muito bonitinho).
- Hãn... Oi, povo – cumprimentei entrando na Casa Grande.
- Sente-se, Carol – pediu Quíron.
Sentei-me no sofá, de frente para o Sr. D.
- Sabe por que está aqui, Carlota? – perguntou o velho.
- Descobriram que eu incendiei o Chalé de Hermes? – perguntei.
- Não... – respondeu Quíron — Espera, o que?
- Nada...
- Você foi convocada para uma missão, das fáceis, devo dizer – falou Sr. D dando um gole no Diet Coke – Um objeto muito importante para Zeus foi roubado.
- O raio?
- Não dessa vez. Foi outra coisa, ele não quis nos contar.
- E porque eu tenho que ir nessa missão? E quem roubou Zeus?
- Rachel nos deu uma profecia ontem à noite – informou Quíron, e começou a recitá-la.
A sereia, a forja e a magia,
Juntos, contra as seguidoras.
Para o mago, será a chance de abandonar o pária.
Para recuperar o precioso de Zeus,
Uma Sirena brotaria.
Como é de costume, eu não entendi nada da profecia. Acho que nem rimar ela rima. Só peguei a primeira parte.
- A sereia, a forja e a magia – falei – O Percy pode ser a sereia.
- Não, é você mesmo – disse Sr. D.
- A forja julgo ser Leo Valdez – disse Quíron – E a magia...
- É Lou Ellen, filho de Hécate – terminei – Leo, Lou e eu para devolver algo a Zeus. Perfeito, como se eu não tivesse planejado nada para o meu sábado. Quem são essas seguidoras de quem a profecia fala?
Sr. D bufou.
- Eu bem sei quem são – falou – São as minhas mênades. Garotas totalmente piradas, até mais que você, Carla.
- Uau – ergui as sobrancelhas – Então elas realmente são doidas. Onde posso encontrá-las?
- Na floresta – Sr. D disse – Elas não deviam estar lá, mas estão. Pretendíamos expulsá-las mês que vem. Agora, Cátia, pode ir embora. Ah, e só uma coisa: Zeus quer o que lhe foi roubado até às cinco horas da tarde.
Olhei para o meu relógio. Agora era uma da tarde. Bufei.
- Maravilhoso – e saí da Casa Grande.
* * *
Bati na porta do Chalé 9.
- Leonardo Roberto Fernando Estevino Rabastan Alejandro Valdez! Abra essa porta antes que eu a derrube! – exclamei.
Leo abriu a porta. Ele parecia que tinha acabado de sair da cama, com os cachos castanhos desordenados e emaranhados, olheiras debaixo dos olhos e usando uma camiseta branca e uma cueca samba canção prateada com detalhes de unicórnios (eu podia viver sem essa imagem na minha cabeça).
- O que é? – ele perguntou de mau humor – É sábado de madrugada e você me acorda?!
- Agora é uma da tarde...
- Madrugada. Eu geralmente acordo na hora do jantar nos sábados.
- Nós vamos numa missão – informei – Se arrume, coloque uma roupa decente, seu cinto de ferramentas e vamos entrar na floresta para recuperar algo que Zeus perdeu.
Ele bufou.
- Claro, o Garoto dos Reparos sempre tem que estar no meio das encrencas.
E fechou a porta na minha cara. Sei que ele entendeu o recado. Caso o contrário, eu invado esse chalé e o arrasto para a floresta de pijama mesmo.
Corri até o Chalé 20 e bati na porta. Como bruxa, não pude deixar de admirar o chalé mágico, com runas gravadas em todo lugar e uma áurea de poder emanando dali. Lou atendeu a porta com um avental de Beije o Cozinheiro.
- Lindo avental – comentei.
Ele corou e tirou o avental.
- Eu estava fazendo poções e... Bem, não importa – Lou disse – O que você quer?
- Temos uma missão – disse e expliquei para ele sobre a mini profecia, o nosso curto prazo e sobre o verso “Para o mago, será a chance de abandonar o pária”. Estava claro que, se concluíssemos essa missão, Zeus perdoaria Lou.
Mas Lou não parecia querer perdão.
- Eu não fiz nada de errado – ele reagiu – Só fiz o que todos os semideuses querem fazer.
- Lou, já leu Jogos Vorazes? – perguntei.
- Já.
- Katniss Everdeen lutou contra a Capital e várias pessoas morreram. A Capital é como o Olimpo: Nós só podemos aceitar e levar nossas vidas se não quisermos ainda mais problemas do que o normal.
- Mas Katniss venceu no final.
- Você quer casar com uma padeira?
- Se ela for bonita, sim.
Revirei os olhos.
- Lou, se você for nessa missão, eu te dou meus livros de Poções – disse.
Os olhos azuis esverdeados brilharam de animação e vi o primeiro sorriso de Lou.
- Estou dentro!
Leo se encontrou conosco e apertou a mão de Lou sorrindo. Ele não sabe sobre como Hécate é odiada no acampamento. Sabe, eu até gosto dela, acho que é por eu ser uma bruxa... Mas enfim.
Enchi uma mochila com suprimentos, para casos mais graves, e entramos na floresta. Depois de um tempo, a floresta começou a ficar quente e abafada. Leo brincando com uma bola de fogo não ajudava nada.
- Isso seria tão mais fácil se soubéssemos qual é o objeto que Zeus perdeu – lamentei.
- Se acharmos as mênades, achamos o objeto de Zeus – disse Lou – Só não uso um encantamento de invocação porque não quero um bando de garotas voando para cima de mim... Ou quero? Isso seria uma boa ideia...
- Sem garotas voadoras – franzi a testa para ele.
- Ah...
- Porque sem garotas voadoras? – perguntou Leo – Ouvi dizer que as mênades são lindas!
- E também são loucas e agressivas – completei.
- Você é louca e agressiva e nós não reclamamos.
- Você vai ver a louca e agressiva se não calar a boca.
E assim a conversa terminou. Andamos pelo o que pareceram horas. Olhei para o meu relógio e vi que eram duas e meia da tarde. Droga, porque os deuses não pegam o que querem de volta sozinhos? Bando de gente folgada!
Até que chegamos numa clareira do tamanho do estacionamento de um supermercado. Meu estomago se revirou com a lembrança.
- O Punho de Zeus – declarei, séria como poucas vezes.
- O que rolou aqui? – perguntou Leo.
- A Batalha do Labirinto – respondeu Lou – Nós, digo, o exército de Cronos usou o Labirinto de Dédalo para invadir o acampamento. Vários semideuses morreram.
- Como, por exemplo, Lee Fletcher – falei baixo. Não é que eu fosse apaixonada por ele, mas eu gostava bastante de Lee.
Lou iria falar mais alguma coisa, mas Leo disse:
- Esperem... Estão ouvindo isso?
- Isso o que?
Leo nos puxou para trás das pedras e nos mandou ficar em silêncio. Uma dúzia de garotas descalças saltou para dentro da clareira. Elas eram adolescentes usando vestidos largos roxos e vermelhos de seda ao estilo túnica. Seus cabelos estavam emaranhados com folhas, e muitas usavam coroas de louro. Algumas carregavam mastros estranhos que pareciam tochas. As garotas riam e empurravam umas as outras, tombando sobre a grama e girando como se estivessem tontas.
- Uau – murmurou Lou – Elas são gatas.
Revirei os olhos. Esse garoto precisa de uma namorada urgentemente. Talvez o Nico esteja disponível.
Quando as ninfas chegaram mais perto, notei detalhes estranhos. Seus mastros não eram tochas, eram tirsos – a arma oficial de Dionísio. As coroas de louro não eram coroas, eram minúsculas víboras. As garotas sorriam, gargalhavam e cantavam em grego antigo enquanto cambaleavam pela clareira.
- Elas estão bêbadas ou são retardadas? – sussurrei.
- Elas são as mênades – sussurrou Lou de volta – Ficam tão envolvidas ao culto por Dionísio que se entregam à diversão e às gargalhadas.
- Quem cultuaria o Sr. D? – Leo fez uma careta.
- Elas são loucas, o que você esperava?
Uma das mênades usava um par de botas pretas de couro lindamente polidas. Sorri de orelha a orelha.
- Zeus, sua puta – murmurei – Já sei o que Zeus perdeu.
- Aquelas são lindas botas, eu também ficaria bravo se as perdesse – disse Leo – Como vamos pegá-las de volta?
- A profecia diz “Para recuperar o precioso de Zeus/Uma Sirena brotaria” – recordou Lou – Sirenas são garotas bonitas que podem mentir bem e se passar por outras pessoas. A profecia diz que nós precisamos de uma gata que se passe por uma mênade para recuperar as botas de Zeus. Onde vamos arrumar uma garota assim?
Leo e Lou me olharam.
- Não – eu disse – Eu não vou...
- Então ficamos sem as botas e você não vai poder ajudar um pobre filho de Hécate – Lou me encarou.
Cerrei os olhos.
- Você é bom em negociação – notei.
- Sei lidar com terroristas.
Suspirei.
- Volto em cinco minutos – disse e aparatei para o Chalé de Poseidon.
* * *
Voltei exatamente cinco minutos depois. Leo e Lou me esperavam sentados quando eu aparatei entre as árvores, Leo não conteve uma risada baixa quando me viu.
- Eu vou matar vocês dois – ameacei.
- Você é uma hippie muito estressada, sabia? – perguntou Leo. Lou mordeu o lábio inferior para não rir.
Respirei fundo, coloquei o meu sorriso mais retardado na cara e saí saltitante pela clareira.
- Olá! – cantarolei. Pude ouvir os risos abafados de Leo e Lou atrás de mim. Malditos.
- Olá! – respondeu a garota usando as botas fabulosas – Você é Dionísio?
- Oh, não – respondi franzindo graciosamente a testa – Estou procurando Lorde Dionísio para a festa. Vocês o encontraram?
- Não, infelizmente não – respondeu a mênade – Você quer se juntar a nós? Eu me chamo Calícore!
- Claro, será um prazer procurar Lorde Dionísio com vocês! – exclamei batendo palminhas e fingindo estar encantada – Meu nome é Carol! Lindas botas, Calícore, onde as arranjou?
Calícore explodiu em risadinhas patéticas junto com as outras mênades.
- Oh, nós pegamos de Zeus, sabe? – ela confidenciou-me – Para a festa! Toda a festa tem que contar com lindas botas!
- Exato! – concordei. Estou exclamando muito esses tempos.
Olhei sobre o homem e achei Leo e Lou olhando apaixonadamente para as mênades. Revirei os olhos.
- Calícole, qual sua opinião sobre FILHOS DE HÉCATE E HEFESTO BABACAS QUE FICAM OLHANDO PARA AS BUNDAS DAS NINFAS E ESQUECEM DO PLANO? – perguntei alto o suficiente para eles se tocarem.
- Hum... São idiotas? – perguntou Calícole confusa – Mas não importa! Temos que achar Lorde Dionísio para a festa!
Elas explodiram em risadinhas e eu tive que acompanhá-las. Que droga.
POV. Leo Valdez
Será que meu cinto de ferramentas pode me dar uma câmera fotográfica? Porque eu simplesmente preciso tirar uma foto da Carol vestida como uma mênade [N/Draco: Pode me enviar algumas cópias? Eu vou distribuir por toda Hogwarts!] [N/Carol: Malditos].
Olhei no meu relógio. Agora eram três e quinze da tarde, o tempo estava acabando.
- O que podemos fazer? – sussurrei para Lou.
- Não podemos matá-las – ele respondeu em voz baixa – Dionísio elimina ou enlouquece qualquer um que faça mal a suas seguidoras. Mas, de tudo o que eu já ouvi por aí, as mênades não parecem tão más assim...
Nesse momento, um Drakon surgiu na clareira. Eu já lutei com monstros antes, mas nunca um como esse. Carol começou a dar passos para trás, fugindo do monstro. As mênades gritaram como se tivessem visto um cachorrinho fofo e correram para o Drakon. O bicho rugiu e cuspiu veneno, mas elas pareceram não sentir.
As mênades começaram a arranhá-lo e puxar partes de sua pele. Os olhos de Lou se arregalaram.
- Céus – ele murmurou perplexo – Elas não vão realmente...
Um barulho nauseante veio do Drakon, que gritou. As mênades puxaram e arranharam o monstro até que só sobrou pó dourado. Lou assumiu uma coloração esverdeada.
- Oh, elas fizeram...
- Elas o cortaram em pedaços com as mãos – eu disse com a minha voz uma oitava mais alta que o normal. Minha respiração parecia presa na garganta.
- Cortaram.
- Elas são...
- Monstros.
- E nós mandamos a Carol para o meio delas?
- Mandamos. Mas acho que a Carol é mais perigosa que todas aquelas mênades juntas.
Carol, no meio daquelas mênades, estava mais pálida que o normal e parecia que tinha perdido a habilidade de falar.
- Temos que salvá-la – disse Lou.
Eu quase ri. Geralmente é a Carol que nos salva, não o contrário.
- Como? – perguntei.
Lou fez uma careta de concentração.
- Você conjura fogo, não é? – perguntou.
- Sim.
O filho de Hécate deu um sorriso enorme.
- Eu tive uma ideia.
* * *
Na verdade, metade da ideia é minha, mas tanto faz. Eu vou atrair as mênades para uma parte mais limpa da floresta onde Lou vai lançar um feitiço que vai deixá-las desacordadas, Carol arranca as botas dos pés daquela mênade e sai correndo.
Mas então, você deve estar se perguntando: “Mas ó sábio, lindo, atraente e grande Leo, como você vai atrair as mênades?”
Simples. Enrolei as mangas da camiseta, arrumei o cinto de ferramentas, coloquei óculos de mecânico, penteei o cabelo para trás com óleo de motor e pedi para Lou desenhar uma caveira e dois ossos cruzados no meu braço com uma canetinha preta.
- Isso vai dar certo? – perguntou Lou me olhou com a sobrancelha erguida.
- Claro que vai! – falei – Ou eu vou ser feito em Leo a passarinho. Deseje-me sorte!
Entrei na clareira e assobiei. As mênades me olharam e Carol teve que morder sua própria mão para não estourar em gargalhadas.
- Ei, gatas! – gritei – Aqui é o McManeiro, o dono da festa!
- Quem é você? – perguntou uma mênade com algo que beirava ao desprezo.
- Eu sou Leo Valdez, o bad boy supremo. E as garotas amam um bad boy! – exclamei — Time Leo arrasa!
Elas me encaram. Deviam estar decidindo que eu era magrelo demais para cozinhar, então só iam me matar mesmo. Carol resolveu me ajudar.
- Time Leo! – ela exclamou – Time Jacob? Time Edward? Nunca! TIME LEO!
Logo as mênades começaram a murmurar entre si sobre o Time Leo.
- TIME LEO! – elas gritaram dando risadinhas e batendo palminhas.
- Agora, garotas – falei – Me sigam e vamos para a festa! UH!
- UH! – elas gritaram de volta, animadíssimas.
As ninfas malignas começaram a saltitar atrás de mim, e eu tive que me esforçar para não sair correndo pela floresta. Carol veio para o meu lado, ainda saltitando, e sussurrou:
- O que diabos você está fazendo, Bad Boy Supremo?
- Te salvando e recuperando as botas de Zeus – sussurrei de volta.
- Cadê o Lou? – perguntou Carol após saltitar na minha volta. Aquilo era patético demais!
Olhei para cima e Carol seguiu meu olhar. Lou estava caminhando pelas árvores até a clareira onde ele realizaria o feitiço. Chegamos à clareira e as mênades pararam, Carol tropeçou numa raiz, mas disfarçou rindo e agindo feito uma retardada – como as mênades fazem.
- Cadê a festa? – perguntou Calícole.
- Está... Aqui! – apontei para o espaço vazio, minhas esperanças começaram a sumir – Qualquer lugar onde o Bad Boy Supremo esteja há festa!
- Não ouço música – respondeu outra.
- Música? – perguntei – Claro! Hum... Ah! Eu sei uma!
E comecei a cantar (ou balbuciar, já que não sei a letra) a música da Macarena. Carol começou a dançar, o que incentivou as outras a seguirem seu ritmo apesar de atrapalhadas. Ninguém dança Macarena como Carol.
Lou surgiu em cima de uma das árvores, ergueu suas mãos, respirou fundo e pronunciou alto o suficiente para todos ouvirem:
- Incantate: Somnus!
Os olhos azuis de Lou tornaram-se verdes quando ele lançou o feitiço, mas logo voltaram à cor normal. As mênades não tiveram tempo de reagir antes de cair no sono. Infelizmente, o feitiço também atingiu Carol, que caiu desmaiada. Peguei as botas dos pés de Calícole. Meu relógio indicava que agora eram quatro e vinte da tarde.
- Alguém vai ter que carregá-la – eu disse apontando para Carol.
- Par ou ímpar? – perguntou Lou.
- Par.
Uma novidade? Eu venci no par ou ímpar. Sou ótimo nesse jogo. Lou teve que carregar uma Carol adormecida nas costas. Caso vocês não saibam, ela fala enquanto dorme, e isso é muito engraçado.
- Não, não levem meu pônei – murmurava Carol adormecida – Eu quero o meu pônei...
- Posso usar um feitiço para fazê-la calar a boca? – perguntou Lou irritado.
- Não – respondi sorrindo – Talvez ela diga algo constrangedor que possamos usar contra ela.
Ela não disse nada demais durante nosso percurso, só ficou murmurando sobre o tal pônei roubado e um cara chamado Jack Frost. Nada muito eletrizante ou constrangedor. Quando chegamos à Ala dos Chalés, todos os campistas estavam reunidos em volta de Zeus, que estava tendo um ataque de pelancas.
- CADÊ AQUELES SEMIDEUSES MALDITOS QUE VOCÊ MANDOU PARA PROCURAR AS MÊNADES? – gritou Zeus.
- Sr. Zeus, tenho certeza que eles já estão... – dizia Quíron, então ele nos viu – Oh! Ali estão eles, senhor! E... Porque Carol está dormindo?
- Foi um dos meus feitiços, senhor – respondeu Lou – Eu usei um feitiço do sono para apagar as mênades, e Carol estava no meio delas. Sinceramente, quanto essa garota pesa? Minhas costas estão doendo!
- Se ela te ouvisse falando isso, você já estava no Tártaro uma hora dessas – disse Percy.
Lou entregou Carol adormecida para Percy, que foi embora a levando para o Chalé 3. Zeus arrancou as botas da minha mão e as escondeu para que os campistas não vissem. Há! Quer ser fabulosa só no Olimpo, é?
- Lou Ellen, filho de Hécate e traidor – disse Zeus recompondo-se – Eu, Zeus, senhor do Olimpo, deus dos céus e deus dos deuses, declaro-o livre de toda a sua culpa e novamente aliado dos deuses por seu ato de honra.
Os campistas aplaudiram enquanto Lou corava e acenava.
- Eu também participei da missão! – exclamei – O Boy On Fire não ganha nada?
Zeus ergueu uma sobrancelha.
- Peça ao Time Leo. Talvez eles te deem alguma coisa.
E sumiu. Deuses, todos malditos!
- Então... – pigarreei – Quem é do Time Leo? UH!
Ninguém respondeu. Recalcados.
Notas finais
Carol: Leo, ninguém vai comprar essa camiseta porque NINGUÉM é do Time Leo!
Leo: Mentira!
Carol: Eu não sou do Time Leo.
Thalia: Nem eu.
Piper: Nem eu.
Quione: Muito menos eu.
Garotas do mundo inteiro: Nem eu.
Leo: e-e
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