As Crônicas Dos Retardados.

33 Afinal, filha de louca, pirada é.


Notas iniciais
Esse capítulo foi inspirado em um episódio de ICarly em que a mãe da Sam aparece e blábláblá... Espero que gostem! XD

POV. Carol Peruzzo.

Sete bilhões de pessoas no mundo, e logo o Malfoy tem que ser meu parceiro em Trato das Criaturas Mágicas. Obrigada, Hagrid, muito obrigada. E como se isso não fosse o suficiente, agora nós dois fomos mandados para a sala do Snape [N/Draco: Só para constar: Quem tacou fogo naqueles livros foi a Peruzzo] Cala a boca!

E o pior que amanhã é a visita a Hogsmeade! Eu queria tanto ir comprar algum doce! Eu amo doces! Não tanto quanto o Rony, mas mesmo assim...

Malfoy bateu na porta.

– Não interessa quem é, vá embora – disse Snape de dentro da sala.

– Você vai tirar pontos da Grifinória – eu suspirei.

A porta abriu-se imediatamente.

– Entrem – disse Snape sombrio.

Nós dois nos sentamos nas duas cadeiras na frente da mesa de Snape. Depois ele não quer que o chamemos de emo, mas aquela sala tem mais preto que o Chalé de Hades! Lana Del Rey tocava ao fundo (Snape é fã da Lana Del Rey? Ok, chega de viver nesse mundo).

– O que aconteceu para vocês estarem aqui? – perguntou Snape sentando-se a nossa frente.

Draco olhou para mim, forçando-me a falar. Respirei fundo e abri a boca para começar a colocar a culpa no Malfoy.

– Não interessa – Snape interrompeu antes mesmo de eu falar qualquer coisa – 10 pontos a menos da Grifinória.

– O que? Você nem escutou, seu velho seboso!

– Desacato ao professor. Menos 10 pontos.

– Mas...

– Contestou o professor. Menos 10 pontos.

Fechei a boca e fiz uma careta.

– Fez uma careta para o professor. Menos 10 pontos.

Xinguei-o mentalmente de todos os nomes que existem no universo.

– Ofendeu o professor mentalmente. Menos 10 pontos.

– O que? – exclamei exasperada – Qual seu problema, homem?!

– Novamente, desacato ao professor. Menos 10 pontos.

Fiz uma conta mental e vi que ele já tinha tirado 60 pontos da Grifinória. Depois eu mato, vou presa. Respirei fundo e disse calmamente:

– Professor Snape, Draco e eu estamos aqui porque, durante um infeliz mal entendido, nós acabamos por incendiar uma pequena coleção de livros do Prof. Hagrid. Ele ainda não descobriu o ocorrido.

– Qual pequena coleção de livros? – perguntou Snape.

– Alguma coisa chamada Cinquenta Tons de Cinza – disse Malfoy dando de ombros.

– Bem, isso é ótimo, porque Hagrid ficava me empurrando esses livros de cinco em cinco minutos – Snape bufou – Então, Peruzzo, estou sem paciência para detenções, por isso só vou proibir sua ida a Hogsmeade. Malfoy, você pode ir.

– Por quê? Ele também botou fogo nos livros! – exclamei.

– Ele é sonserino.

– E daí?

– Eu não dou castigos ou detenções para sonserinos. E, antes que eu me esqueça, 20 pontos da Grifinória, simplesmente porque eu não vou com a sua cara.

Bufei, levantei furiosa da cadeira e fui para a Torre da Grifinória. Sonserinos, odeio todos eles! (Ok, eu até gosto do Billie Joe Armstrong, mas só ele!).

* * *

– Hey, Carol, vamos? – perguntou Rony enquanto ele, Harry e Hermione saiam para ir a Hogsmeade.

– Não posso – falei – Snape proibiu porque queimei os livros eróticos de Hagrid.

Harry assumiu uma tonalidade esverdeada, como se fosse vomitar.

– É uma pena – disse Hermione – Ouvi dizer que vão estrear um novo doce na Dedos de Mel hoje – ela sorriu – O nome do doce é Carolina, dá para acreditar?

– Compre alguns desses para mim – falei deprimida – Quero ver se eu sou gostosa... Cara, isso soou muito estranho.

Eles saíram e eu fiquei lá, sozinha. Estava tudo quieto e deprimente.

– Ah, quer saber? – resmunguei para mim mesma – Que se exploda o Snape.

Corri para o dormitório, me arrumei, invadi o dormitório masculino, peguei a capa da invisibilidade de Harry e o Mapa do Maroto e saí da Torre da Grifinória. Coloquei a capa por cima da cabeça, peguei minha varinha e apontei para o mapa.

– Juro solenemente não fazer nada de bom – sussurrei ao mapa. Os traços começaram a surgir e, em questão de segundos, toda Hogwarts estava ali desenhada. Esse mapa é muito legal!

Fui seguindo as orientações do mapa e depois de quinze minutos, eu já saia do porão da Dedos de Mel. Meus agradecimentos aos Marotos por inventarem um mapa tão útil. Fui serpeando por entre as pessoas até chegar ao Três Vassouras, onde Harry, Rony e Hermione bebiam cervejas amanteigadas.

– Olá, pessoas – falei tirando a capa e fazendo Harry cuspir sua cerveja amanteigada em cima de Rony.

– Você invadiu o meu dormitório?! – exclamou Harry.

– É.

– Roubou meus pertences?!

– Hãn ham.

– Arriscou a vida do Mapa do Maroto?!

– Pode crer.

– Beleza, senta aí – Harry deu de ombros. Menino bipolar. Passei a tarde lá conversando e rindo, bem melhor do que aquela torre depressiva.

Mas como alegria de pobre sempre dura pouco...

– Peruzzo, venha comigo – disse Snape surgindo do além.

Droga.

* * *

– Carol – suspirou Dumbledore – Eu venho sendo legal com você por muito tempo, mas depois disso...

– Depois do que? – perguntei – Eu não matei, não roubei, não mandei o Rony para a Turquia nem joguei o Malfoy de uma janela, eu só fui para Hogsmeade tomar cerveja amanteigada com os meus amigos. Isso é um crime?

– Prof. Snape proibiu sua ida a Hogsmeade.

– De uma forma injusta, devo acrescentar – revirei os olhos.

– Carol, sinto em informar, mas terei que informar seus pais disso – disse Dumbledore.

Fiquei em silêncio por um momento, então caí na gargalhada. Dumbledore, que piadista!

– Do que está rindo? – perguntou o diretor confuso.

– Professor, meu pai é um deus grego, tem coisas mais importantes para se preocupar – falei ainda sorrindo afetada – E minha mãe... Bem, ela é uma Comensal da Morte foragida do Ministério da Magia. Só Zeus sabe onde aquela mulher se meteu.

Falar da minha mãe me deixava um tanto triste. Eu sempre pensava nela e por mais que tentasse pensar nela com carinho, não consigo. Depois de me abandonar num orfanato, não consigo gostar dela. E nas poucas vezes que nos vimos até agora, sempre houve discussões sobre eu ser grifinória, não ser comensal e blábláblá.

– Acontece, senhorita, que eu sei onde sua mãe se encontra – disse Dumbledore – E escrevei para ela sobre o acontecimento.

Suspirei e apelei para a minha última arma. Olhei para Dumbledore com o meu olhar Número 10, o máximo de fofura que eu consigo produzir. Ninguém nunca resiste ao olhar Número 10. Dumbledore fez uma careta, tentou desviar o olhar desconfortável e acabou por exclamar:

– Oh Meu Merlin! Pare de me olhar assim!

– Professor, por favor, não chame minha mãe em Hogwarts – falei ainda com a minha carinha fofa.

– Tudo bem, tudo bem! Mas pare de fazer esse olhar fofo! Isso é fofo DEMAIS!

Sorri, pedi licença e saí satisfeita. É assim que se resolve um problema.

* * *

Na manhã seguinte, entrei calmamente no Salão Principal, como sempre faço. Tirei meus permanentes e legais óculos escuros, guardei-os na mochila e quando eu estava quase alcançando a mesa da Grifinória...

– CAROLINA GODOFREDA ALEJANDRA ROBERTA MAMMA BRUSCHETTA GONÇALVEZ SOUZA FELTON HOULT HIDDLESTON SAMANTHA MARIANA ALÍCIA FLÁVIA CARLA MARGARITA ROSA SOUZA PERUZZO! – gritou uma voz. Só existe uma pessoa nesse mundo que me chama pelo nome todo.

Girei nos calcanhares e encarei Shelley Peruzzo. Ela estava de braços cruzados e me encarava com um olhar desaprovador – o olhar que ela reserva exclusivamente para mim.

– Oi – falei irritada – Você não tinha que estar, sei lá, matando trouxas ou algo assim?

Hermione empalideceu e abaixou a cabeça.

– Dumbledore me mandou uma carta – disse ela – O que você aprontou dessa vez?

Antes que eu pudesse responder, Dumbledore chamou a mim e a minha mãe. Ele também chamou Harry, por algum motivo não identificado. Nós andamos até a sala do diretor, entramos e Dumbledore disse:

– Refleti muito e cheguei à conclusão de que vocês duas nunca chegarão a um acordo pacífico, estou certo? – concordamos com a cabeça – Então eu pensei em algo mais... Radical. Entrem naquele cômodo, por gentileza.

Minha mãe e eu nos entreolhamos. Nós não concordávamos em muitos pontos, mas nós duas entendemos que Dumbledore só podia estar fazendo alguma cagada irreversível. Como ele sempre faz, por sinal.

– Claro – disse minha mãe cautelosa – Vamos entrar ali.

Dumbledore abriu a porta e entramos cautelosas; era uma sala pequena, com uns seis metros de largura e sete de altura, paredes almofadadas, tapete cobrindo todo o chão e nenhuma janela.

– Mas que porra... – comecei. O diretor de Hogwarts empurrou Harry para dentro da sala e trancou a porta.

– VELHO FILHO DA PUTA! – berrou minha mãe dando um soco na porta, ela não abriu – EU DEVERIA TER TE MATADO, MALDITO!

– Eu só irei irá-los daí quando vocês se resolverem – a voz de Dumbledore chegou tranquila aos nossos ouvidos – Só quero informar que esse quarto é a prova de qualquer tipo de magia.

Bufei e fechei os punhos, enterrando as unhas na palma da mão. É isso que faço quando estou irritada, depois é só meter o soco na cara de quem me irrita. Bem simples.

Harry sentou-se no chão e começou a respirar rapidamente, ele suava, tinha um olhar de pânico e arranhava o chão.

– Qual teu problema, garoto? – perguntou minha mãe direta.

– Desde que eu morei no armário debaixo da escada... – começou Harry ofegante — Eu tenho... Claustrofobia... Esse lugar é muito pequeno! NÓS VAMOS MORRER!

– Harry, calma – falei.

– CALMA? CALMA? VOCÊ QUER QUE EU TENHA CALMA, MULHER? – ele gritou – ESSE LUGAR É MINÚSCULO! AHHH!

– Entendi porque milorde quer matar essa praga – mamãe revirou os olhos.

– Vocês duas – sibilou Harry – Se resolvam logo! AHH! VAMOS MORRER!

E começou a se contorcer no chão. Ele está em pânico ou tentando fazer Quadradinho de 8?

– Isso tudo é culpa sua! – exclamou minha mãe olhando para mim – Tinha que desobedecer o Snape?

A injustiça foi tão grande que fervi por dentro. Quem era ela para julgar o que eu faço ou deixo de fazer?!

– E você, tinha que ter matado o meu peixinho Sisífio quando eu tinha dez anos? – perguntei.

– Eu matei aquele maldito peixe porque Robert não gostava dele! – Robert foi um cara que a minha mãe namorou uns anos atrás.

– E isso não o impediu de nunca mais te ligar, não é?

– Bem... Eu nunca soube por que ele não me ligou de volta...

– Mas eu sei! Ele não ligou de volta porque eu disse para ele que você tinha virado uma prostituta e se mudado para Las Vegas!

– VOCÊ FEZ O QUE?

Harry gemeu de agonia e começou a se arrastar pelo chão.

– Você não tinha o direito de ter feito isso! – exclamou minha mãe furiosa.

– E você não tinha o direito de ter feito muitas coisas, mas você fez! – gritei.

– Não grite comigo! Eu sou sua mãe!

– Então porque nunca me tratou como uma?! – meus olhos estavam com lágrimas de raiva. É, eu choro quando estou com raiva, eu odeio isso.

– Não sei por que você está pagando de santa! – exclamou Shelley – Lembra-se de quando você foi presa aos doze anos? DOZE ANOS! Que tipo de pessoa é presa aos doze anos?

– Eu já te disse o que aconteceu! – exclamei – Eu fui presa por engano! Confundiram-me com o Bin Laden!

– Porque te confundiriam com um terrorista?! [N/Draco: Porque será, não é? Que mistério ¬_¬"]

– Naquela época eu tinha barba, droga! Eu usava um turbante irado, um vestido meio folgado... Então deu nisso! Mas não vem ao caso agora, o importante é que aquela foi a quarta vez que você me abandonou!

– Te abandonei? – perguntou ela me olhando descrente.

– É! – gritei com raiva. Harry ainda se contorcia de pânico no chão – A primeira quando eu tinha oito meses, você me abandonou num orfanato de Manhattan! A segunda quando eu tinha dez anos. Aos onze, quando você teve o profundo desgosto de ver que sua filha era grifinória. E aos doze, quando eu fui presa e, posteriormente, mandada ao reformatório juvenil!

– Eu não te abandonei... Não na primeira vez – sua voz estava mais baixa – Naquela época, as coisas para os Comensais estavam ótimas, mas perigosas. A Ordem da Fênix nos caçava com mais intensidade. Com a queda de Voldemort, os Aurores vieram atrás de mim e tive que te deixar – lágrimas surgiram. Lágrimas? De Shelley Peruzzo? Parece difícil – Tive que fugir, Carol, e não podia te levar. Mas eu te amava tanto...

– Amava – repeti – No verbo passado. O que já é um avanço, considerando que... HARRY DÁ PRA PARAR DE GEMER, PORRA? NÓS ESTAMOS NUM MOMENTO EMOCIONAL, SUA VADIA!

Harry empurrou as paredes, como se pudesse quebrá-las, e gritou em pânico de novo.

– VAMOS MORRER! AHH! ESPAÇO MINÚSCULO!

Respirei fundo e decidi ignorá-lo.

– Carol, todas as mães se preocupam com seus filhos – disse Shelley – Posso não ser a mãe mais carinhosa, mais presente, mais simpática (mas com certeza sou a mais bonita), mais prestativa ou atenciosa, mas você é tudo para mim.

Aquela raiva que senti dela todos esses anos murchou feito um balão.

– Mas mesmo assim – tentei cruzando os braços – Você...

– NÃO TEM MAIS NADA, CAROL! – berrou Harry rolando no chão em pânico – SE ABRACEM PARA PODERMOS SAIR DAQUI!

– Filha, sei que nós duas temos inúmeros defeitos – disse minha mãe – Você, por exemplo, não é sonserina.

– Por favor! – exclamou Harry ofegante – A Carol é tão sonserina quanto o Malfoy!

– Jura? – os olhos da minha mãe brilharam.

– Palavra de grifinório tendo uma crise de pânico – e voltou a ter seu surto.

Minha mãe me olhou orgulhosa.

– Eu tenho muito orgulho de você – ela disse – Já espancou um filho de Hades, dois deuses, saiu no tapa com Deméter e com Voldemort. E, mesmo não sendo comensal da morte ou sonserina, eu não poderia pedir uma filha melhor.

Sorri.

– Obrigada – disse – E... Talvez eu deva ligar para Robert e dizer que você não virou uma prostituta em Las Vegas.

– E eu vou comprar um peixinho novo para você – ela falou sorrindo, abriu os braços — Agora vem me dar um abraço, minha fofucha!

– Só dou o abraço se você nunca me chamar de fofucha.

– Tudo bem...

Abracei-a com força. E ficamos lá, dando um abraço que durou três minutos (com Harry ainda tendo seu ataque de pânico). A porta abriu-se revelando um Dumbledore sorridente. Harry saiu correndo dali imediatamente.

– Bem, acho que resolvemos o problema – disse Dumbledore serenamente – Porque, o que importa no fim das contas, é o...

Estupefaça! – exclamei apontando a varinha para o diretor. Ele caiu desmaiado.

– Filha! – minha mãe exclamou me olhando surpresa. Dei de ombros.

– Ele estava me irritando – falei.

Ela me abraçou de novo, sorriu e disse:

– É, acho que você é mais parecida comigo do que eu pensava.

– Ótimo. Melhor do que ser uma mendiga marinha igual o Poseidon.

Nós rimos e saímos da sala de Dumbledore, fomos para os jardins de Hogwarts, me despedi dela e vi-a sumir, indo para Hogsmeade aparatar para algum lugar. Meu humor estava incrivelmente fantástico, nada pode mudá-lo hoje...

– QUEM QUEIMOU OS MEUS LIVROS DO CINQUENTA TONS DE CINZA? – o berro de Hagrid espalhou-se por toda Hogwarts.

Bufei. Claro, sempre tem algo para estragar o dia.

Notas finais
Minhas outras fics:

Acampamento Júpiter:
http://fanfiction.com.br/historia/293030/Acampamento_Jupiter/

Como Estragar Uma Escola:
http://fanfiction.com.br/historia/360807/Como_Estragar_Uma_Escola/