Notas iniciais
Novo capítulo. :3

As Crônicas do Arcano

Capítulo IV — A fé

Após muito tentar fazer uma arma decente, a Leafye conseguiu, porém acabou com mais da metade do seu estoque de materiais, mandei ela ir em um velho armazém um pouco longe de Pândora onde o exército guardava seus suprimentos. Ela então aceitou o desafio e foi viajar com uns soldados que estavam indo para lá também. Enquanto isso, resolvi continuar respirando um pouco do ar seguro da manhã desta cidade que um dia já foi bela.

Era uma tarde muito quente, por isso saí com uma blusa vermelha simples e minha calsa de sempre. Andei pelo pátio de um salão central onde várias pessoas conversavam e riam. Em minha cabeça, algo dizia que a maioria delas nunca ouviram os horrores do mundo. Depois que se sabe, é impossível continuar sorrindo.

Sentei em um dos bancos, respirei fundo e uma pessoa começou a rir ao meu lado chamando minha atenção. Olhei para ela e percebi os cabelos loiros voando para trás quando ele inclinava sua cabeça para o alto enquanto ria — provavelmente de mim — o que me irritou bastante.

– Posso saber o motivo do riso? — perguntei com a cara fechada.

– Fala sério Jon! Não percebeu ainda? — o loiro falou até que percebi que era Joseph, meu companheiro de guerra.

– Aaah, desculpa, não percebi. Você sem seu traje de guerra não é nada igual. Hehe — coçei a cabeça tentando disfarçar a falta de atenção.

– Que nada, e você? Ta passeando? Não sabia que o poderoso lorde descansava.

– Todos nós temos que largar a rotina cansativa, e se você poder esquecer que sou um lorde, seria um enorme favor. — falei baixo — Quero evitar transtornos aqui, sabe? Estas pessoas não entendem direito nossa situação.

– Haa sim, claro, claro. Desculpa a falta de atenção, Jon. — ele se desculpou — e as namoradas? Seria estranho saber que você não está com ninguém. Haha

– Nenhuma, não gosto disso. — mesmo falando decidido, senti meu coração apertar ao lembrar de Leafye que agora estava viajando com outros companheiros meus.

– Soube que você está com uma armeira nova, de boa postura se é que me entende.

– De fato, como profissional, acho ela exemplar.

– Não rolou nada? Mulher… armas… hahaha — Ele começou a rir tanto que chegou a chamar atenção de outras pessoas. — oh, perdão, passei dos limites.

Aquela conversa já estava me irritando, então me levantei e disse-lhe “Tchau” e parti em frente, olhei de canto e percebi que ele estava meio chateado pela minha saída rápida, mas continuar alí só iria me irritar mais ainda. Já estava anoitecendo então resolvi voltar para casa.

[...]

– Jon, ei, precisamos do senhor…

– O que houve? — após acordar, percebi que estava em minha cama e o imperador me sacudia.

– Jon, atacaram um armazém não muito longe daqui, levaram menos da metade de nossos suprimentos mas os soldados que foram para lá sumiram!

“LEAFYE”, minha mente gritou e despertou rapidamente. Não era possível, mandei ela em uma missão furada! Não conseguia parar de me culpar.

– Irei imediatamente, senhor. — falei me levantando e me arrumando, fitei a arma que ela havia feito. A empunhei e meu coração acelerou, eu tinha que resgatá-la.

Montei em meu cavalo branco e comecei a cavalgar sem parar por toda aquela cidade, até encontrar a estrada de barro que daría ao norte onde estava o Armazém, com minha vizão de águia, era possível perceber que tinha fogo saindo de lá o que me fez aumentar a velocidade.

[...]

Após tanto cavalgar, cheguei até lá e era possível sentir o cheiro de enchofre e muito sangue estava jorrado entre as paredes, ví uns braços, mas todos de homens. “Onde ela está?”, por favor senhor, me ajude, preciso encontrá-la.

– Procurando por ela? — uma voz endiabrada surgiu e uma figura feminina foi lançada ao chão.

– LEAFYE! VOCÊ ESTÁ BEM?! — gritei descendo do cavalo e indo até ela mas antes que eu pudesse chegar uma força me repeliu e me arremeçou para longe.

– O que é isto, quem é você? — olhei para todos os lados depois que percebi que ela estava apagada no chão.

– Estou desapontado, novamente não consegue perceber quem sou eu?

Saindo entre as árvores, uma figura familiar aparecia. “Joseph!”. Maldito… ele fez isso com ela? Mas por que? O que ela fez de errado?

– Você deve está se perguntando “Por que?” — falou Joseph — bem, somos inimigos nesta guerra. Eu e você? Nunca!

– Como assim? Você matou demônios comigo durante todo este tempo.

– Errado! Nunca cheguei a matar algum. Acha que é o único especial neste mundo Jon? Hahaha — rindo, ele mostrou suas mãos que estavam transformadas em mãos de demônio. — existem vários! Tudo que você leu naquele “livro” é mentira, alí só tem um terço da história verdadeira.

– Como? Eu não sou o escolhido? Por que você também?

– Acha que isto é um conto de fadas que sua mãe conta quando você está crescendo? Caramba! Nem mãe você tem. Idiota.

– Mais a frente, você irá achar alguém que lhe conte, mas o Imperador te enganou toda sua vida. Mas agora, vamos fazer uma aposta, se você perder esta luta, ela morre. Mas se eu perder, você a leva para casa.

Empunhei a espada e soltei um grito “Não irei deixar você fazer nada com ela!” enquanto corria em sua direção e o acertava com um golpe que foi defendido com uma espada preta como a escuridão.

– Não tente me vencer, esta luta você não irá ganhar! — ele falou enquanto tentava furar minha defesa. — nem preciso está transformado para ganhar.

Com um leve e sutil desfeiche, ele girou seus pés e abaixou a espada a lançando novamente contra a minha fazendo-a subir e com o cabo da sua, lançar contra meu peito causando uma enorme fragmentação nos ossos.

A dor terrível estava retardando todo o meu braço, estava causando agonia e pavor ao mesmo tempo. Revidando, segurei o cabo que ainda estava em meu corpo e girei acerdando-lhe um chute na perna fazendo com que ela dobrasse um pouco, mas não o suficiente para quebrar. Mas o importante foi que ele sentiu.

Dei um tempo e pulei para trás, combater de frente por enquanto era inútil. Orei por todos os anjos e recebi os poderes deles, agora eu estava em forma de Arcano, seria uma luta mais acirrada.

– Vai se transformar? Então também vou!

Após isso, ele estava com os olhos vermelhos, seus cabelos loiros agora estavam negros e seus braços possuíam espinhos negros. Grandes e vermelhas asas cresceram em suas costas formando uma enorme aura negra em volta de si.

Não perdi meu tempo e peguei meu cinto lançando em sua perna mas que foi desviado por um rápido contra-ataque. Agora ele vinha em minha direção com sua espada e quase cortando meu rosto, se não fosse o estalo da minha em choque a sua.

Soltando a espada dele, que caiu no chão, agora ela se agachou e entrou em minha defesa, ficando entre minha espada e meu corpo. Fechou os olhos, e abriu três segundo depois, seu ataque tinha sido tão surpreso que fiquei sem saber o que fazer. Após abrir, uma enorme explosão aconteceu e minha espada quebrou, seus espinhos no braço agora arranharam meu rosto na lateral que sangrava muito.

– Eu avisei, que era impossível. Você perdeu Jon. E quem irá pagar, é ela. — Joseph disse apontando para Leafye. — o nosso trato foi a vida dela, não a sua. E espero que da próxima vez, você esteja mais forte.

Ele murmurou alguma coisa e a Leafye acordou, ela estava sem pupila alguma, seus olhos estavam totalmente apagados, meu coração estava em pânico, eu não podia me mecher, estava muito machucado.

– J-jon? É você? Eu só lembro de está abrindo o armazém e umas coisas estranhas aconteceram lá dentro, até que vários soldados morreram e meu irmão me deu um remédio pra eu dormir e prometeu que eu ficaria bem. Você está bem Jon? Parece machucado.

“Irmão? Como assim, Joseph e ela?” foi a única cois aque ecoou em minha mente.

– Haaa sim, eu e ela não somos tecnicamente irmãos, mas fui criado pelos pais delas. Até que “um acidente” fez com que eles morressem. Enfim, vamos direto ao trato, não é irmã?

– Que trato maninho?

– Este…

Joseph puxou ela pelos cabelos, erguendo a cabeça dela enquanto Leafye gritava de dor, ele pegou uma faquinha em sua cintura e ficou cerrando o pescoço dela, quanto mais ele fazia aquilo, mais sangue saia, mais minhas lágrimas escorriam. Os olhos dela se apagaram, sua voz não podia ser mais escutada, seu lindo e vermelho cabelo estavam nas mãos de um demônio.

Aquela memória deve ter durado no máximo dez segundos, mas para minha mente, foi uma eternidade. No momento em que a cabeça se soltou do corpo, o sangue jorrou no chão e o corpo caiu logo em seguida. Levando a cabeça até meu corpo, ele jogou em meus braços, deu um riso e chutou meu rosto.

Não me importava em sentir dor, todo meu coração estava agoniado pensando nos momentos breves que tive com ela. Não é possível ter acabado tão rapido.

– Adeus Jon, cuide de minha irmanzinha.

Joseph foi completamente embora voando pelos céus rindo muito, sua risada tenebrosa não era possível ser esquecida jamais.

– Eu orei por vocês! Eu clamei pela segurança dela! Por que? Por que fizeram isso com ela? Em? Eu não represento vocês? Eu pedi por isso, e vocês não ajudaram! Vocês não fazem nada, não percebem que só nós morremos? E vocês estão ai! No céu!. — gritei desesperado parao que os Anjos podessem me ouvir, nesta altura dos acontecimentos, eu não havia mais fé nenhuma neles.

Senti minha fé indo embora, assim como meus poderes. Acho que agora eu só era um simples humano sem nenhum valor. Mas do que importava? Faltava pouco para minha morte. Leafye morreu, nada mais importa, eu não posso viver com esta culpa.

Meus olhos se fechavam e nada mais era possível acontecer, nada mais.

– Oi? — uma voz ecoou em minha mente...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.