As Crônicas De Nárnia - Expresso Londres
1 Secretária da Rainha
Notas iniciais
O sol adentrou pelas cortinas do meu quarto, naquela manhã quente e radiante, enquanto meus olhos se abriam instintivamente antes mesmo do relógio da cabeceira da cama despertar. Levantei-me e me dirigi ao banheiro para cuidar da minha higiene, depois andei até a cozinha onde deixei a cafeteira preparando o café, e me dirigi pelo corredor pequeno do apartamento rumo à porta, depois de ouvir alguém bater a mesma. Como não era novidade, assim que abri a porta dei de cara com meu vizinho.
_Trouxe café da manhã! _disse ele estendendo uma caixa com bolinhos.
_Tá se escondendo de novo? _escorei meu rosto na porta.
_Não posso simplesmente querer tomar café da manhã com a minha vizinha? _disse sério.
_Qual é o nome dela? _continuei encarando.
_Carly, ou Charlene! _ele riu. _Não tenho certeza!
_Você não tem vergonha na cara não?
_Vai me deixar entrar ou não?
Revirei os olhos e entrei no apartamento deixando a porta aberta. Caspian passou rapidamente para o lado de dentro, fechando a porta e me seguiu rumo à cozinha. Aquela não era a primeira vez que ele saia do apartamento dele logo cedo para evitar ter de dispensar outra garota com quem ele passara a noite. Meu apartamento já tinha virado refugio para suas fugas.
_Vou começar a cobrar aluguel pelo tempo que você passa aqui dentro. _disse indo rumo à cozinha.
_Que isso? Eu sempre te faço companhia no café da manhã! _ele riu assim que entramos no cômodo.
_Teria bem menos trabalho se dormisse na casa delas sabia? _me virei pegando a cafeteira.
_Intimo demais... _ele se sentou a mesa.
_Claro, até porque o que você faz com elas na sua cama não é nada intimo! _fui sarcástica. _Compreendo!
_Vai-me dizer como foi sua entrevista ontem? _disse abrindo a caixa com os bolinhos. _Vai trabalhar para o senador?
_Foi bem! Mas não é pra ele que eu vou trabalhar... Na verdade você tá olhando pra mais nova secretária pessoal da rainha! _me sentei.
_Suzana Pevensie? _ele ergueu as sobrancelhas. _Aquela gata?
_A própria... Que, aliás, é muito bem casada, com o rei Pedro! _apanhei um dos bolinhos cobertos com coco.
_Isso é só um detalhe! _ele deu um risinho de canto.
_Começo semana que vem... _servi meu café.
_Legal! _ele apanhou a cafeteira e se serviu também. _Isso significa entrada grátis para as melhores festas!
_Vai sonhando... _apertei os olhos encarando ele. _Não vou deixar você se aproveitar do meu cargo importante pra caçar não. Pode esquecer...
_Que garota malvada! _ele bebeu um gole de seu café e quente e queimou a língua.
_Tá quente... _eu ri.
_Não me diga!
Depois do café, nós ficamos conversando a mesa até as horas passarem. Caspian me pediu pra verificar se seu apartamento estava vazio, então eu abri a porta do meu apartamento e percebi que a sua companhia da noite passada estava descendo as escadas. Depois voltei à cozinha e avisei enquanto passava por ele.
_Ela já foi Romeu! Pode voltar pro seu apartamento agora...
Andei até a pia para lavar a louça. Caspian se levantou e se aproximou de mim, pelas minhas costas e então me deu um beijo dentro do ouvido me causando um arrepio. Virei-me rapidamente pelo susto e o vi rindo.
_Cara, eu odeio quando você faz isso... _resmunguei.
_Eu sei! _ele continuou rindo. _Obrigado pelo café!
_Se manda... _revirei os olhos e voltei à louça.
Quando percebi que ele já tinha saído, eu acabei sorrindo. Caspian era muito irritante, mas eu adorava a companhia dele. Ele sempre me fazia rir, até mesmo com as suas historias idiotas, sobre seus encontros mais idiotas ainda. Algumas noites quando não tínhamos nada pra fazer, ele vinha ao meu apartamento trazendo alguns DVDs que ele pegava na locadora e ficávamos a noite toda assistindo até ficarmos com sono. Depois ele voltava pro seu apartamento e voltava na manhã seguinte para o café...
...
Na semana seguinte lá estava eu no gabinete real, a espera da minha mais nova patroa. Quando as portas se abriram, eu me levantei imediatamente da poltrona onde estava sentada e fiquei ereta com minha pasta em mãos. Por entre as portas surgiu aquela mulher de cabelos castanhos impecáveis, com seus belos olhos azuis acinzentados e um sorriso amistoso na face.
_Rainha Suzana! _disse o senador. _Deixe me apresentá-la a sua mais nova ajudante pessoal. _ele estendeu a mão e me chamou. _Liliandil Ramandu.
_É um prazer imenso conhecê-la majestade! _disse tentando não parecer nervosa.
_Seja bem vinda Liliandil. _respondeu ela com um sorriso, mas com ar todo impessoal. _Ramandu é um sobrenome bastante distinto. De onde exatamente você é?
_Ah, eu nasci nos Estados Unidos, mas fui criada em Londres. _expliquei enquanto caminhávamos pelo corredor. _O sobrenome veio do meu pai, ele é indiano. Meu primeiro nome veio de uma estrela. Meu pai é apaixonado por astronomia e resolveu me batizar com o nome de uma estrela que ele diz ser a mais bela e brilhante de todas. _ela me olhava sem muito interesse na minha historia. _Pelo menos segundo ele... _sorri.
_Sei... Fascinante. _ela sorriu com ar desligado. _Se acha preparada para o cargo que está prestes a ocupar Liliandil?
_Pode me chamar de Lilian senhora... _corrigi. _Majestade! Desculpe...
_Então... Sente-se preparada para trabalhar pra rainha?
_Sim, claro! Eu me preparei a vida toda para uma oportunidade como esta.
_Certo! Sendo assim, creio que já podemos começar... _ela se afastou e seguiu em frente. _Por favor, me siga Lilian... _disse sem olhar pra trás.
O senador sacudiu a cabeça em cenho me mandando dar logo o passo, vendo que eu estava um tanto quanto paralisada onde estava. Então segurei firme minha pasta e apressei meus passos sem correr pelo corredor atrás da rainha. Passei o resto do dia correndo de um lado para o outro, atrás dos interesses da rainha Suzana. O resto da semana não foi muito diferente. Cada dia ela me deixava encarregada de uma missão cansativa e desgastante. Era quase impossível saber exatamente o que aquela mulher queria. E ela parecia desejar que eu adivinhasse exatamente o que ele precisava, como se estivesse me testando, ou tentando me deixar maluca. No terceiro dia, cheguei a pensar que ela queria se ver livre de mim, e para isso estava me dando àquelas tarefas ridículas e abusivas como, por exemplo, buscar suas roupas velhas e enviá-las para o tintureiro dar um jeito. Aquilo deveria ser trabalho para os empregados reais, ou talvez outra pessoa, menos para a secretária pessoal da rainha. Mas mesmo assim, ela insistia em me ordenar a cumprir tais tarefas.
Após aquela semana, eu finalmente tive algumas horas livres pra voltar ao meu apartamento, já que Suzana me deu apenas a metade do dia para regressar ao palácio real novamente. Quando estava com a chave na fechadura, ouvi Caspian sair do seu apartamento e se escorar no corrimão em frente a sua porta e dizer:
_Tendo muito trabalho com a rainha? _perguntou vendo uma pilha de pastas no chão.
_Nem queira saber... _abri a porta. _Aquela mulher tá me deixando louca...
_Espera! Eu te ajudo com isso... _ele fez a volta e me ajudou a levar as pastas para dentro.
_Obrigado... _entrei e fui logo tirando meus sapatos. _Meus pés estão me matando. Ela me obriga a usar esse sapato horrível o dia todo. _joguei os mesmo o mais longe que pude.
_Não vejo mais voce no apartamento... Ela deve estar arrancando seu coro! _ele riu deixando minhas coisas sobre a mesinha.
_Ela me odeia... Tenho certeza... Nada do que eu faço parece bom o suficiente pra ela... _me joguei no sofá e ergui os pés para cima da mesa.
Caspian sorriu depois se aproximou, pegou meus tornozelos e se sentou sobre a mesinha e passou a fazer massagem nos meus pés. Fechei os olhos sentindo o toque dos dedos dele levando meus pezinhos cansados ao delírio.
_Ah, isso é muito bom! _eu praticamente sussurrei as palavras. _Eu precisava mesmo disso...
De repente me lembrei de quem estava mexendo nos meus pés e puxei os mesmos colocando-os no chão e o encarei desconfiada.
_Espera! _disse. _O que você quer?
_Nada! _ele riu.
_Ta fazendo massagem em mim por quê?
_Nada! _ele riu de novo. _Só to sendo gentil!
_Você sendo gentil? Sem interesse algum? _franzi a testa e o encarei meio de lado. _Conta outra.
_Tá me ofendendo!
_Desembucha...
_Eu não posso ser legal sem que você pense que eu quero algo em troca? _ele se levantou.
_Eu te conheço Caspian... Alguma coisa você ta querendo...
_Tá bom, eu tava mesmo sendo gentil com você sem interesse algum. Vendo como você ta cansada, eu pensei... Por que não ajudar? Mas...
_Mas?
_Preciso de um favor! _ele sorriu com aquele ar sínico.
_Sabia... _levantei. _Tá vendo só? Você é muito dissimulado.
Andei até a cozinha para beber um copo de suco. Caspian veio atrás de mim e parou e pé na porta escorando-se com os braços cruzados e me olhando.
_Fala logo o que voce quer pra eu poder dizer não e te expulsar do meu apartamento pela cara de pau... _o encarei e andei até a pia onde me sentei bebendo meu suco.
_Queria saber se voce me empresta as chaves do seu apartamento. Só pra eu não ter que me esconder na lanchonete do outro lado da rua toda manhã...
_Você é muito cara de pau. _apertei os olhos.
_Como você não tá por aqui, eu fico sem ter pra onde ir... _ele andou em direção a pia onde eu estava.
_Experimenta ficar no seu apartamento pra variar! _bebi um gole de suco e quando dei por mim Caspian estava diante de mim, tocando meus joelhos.
_Prometo que entro e saio daqui sem mexer em nada! _ele sorriu me olhando com aquela cara de sem vergonha.
_Não vai tocar em nada dentro desse apartamento... Nem entrar no meu quarto... _o encarei.
_Prometo ficar longe da gaveta de calçinhas! _ele riu.
_Caspian se você tocar nas minhas coisas... _eu o empurrei e desci da pia.
_Eu prometo que não toco em nada! _ele riu e me segurou pela cintura.
_Tudo bem... _concordei. _Agora me faz um favor...
_Manda.
_Sai do meu apartamento que eu preciso tomar um banho... _me virei e segui rumo a sala.
_Não quer ajuda? Posso esfregar suas costas! _ele me seguiu.
_Cai fora... _andei até a porta e abri-a.
_Se mudar de ideia! _ele passou por mim e se inclinou aproximando o rosto do meu.
_Eu deixo as chaves com você antes de sair...
_Tá bom! _ele sorriu sem mostrar os dentes só me olhando com aquele olhar malicioso.
Depois saiu e eu bati a porta. Às vezes ele era muito descarado. Me tirava do sério quando ele ficava cheio de piadinhas pra cima de mim. Não seria nada mal investir nele, afinal, Caspian era muito gato, adorava o olhar dele, o jeito como ele sorria, a maneira profunda como ele me olhava, mas, não dava pra ignorar o fato do cara ser um tremendo galinha que só se aproveitada das mulheres. E eu queria distancia de caras assim. Ficaria fora da cama dele, o que seria o mais correto e seguro a fazer.
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