As Crônicas De Nárnia - Expresso Londres
17 Meu Desejo Sempre Foi Você
Notas iniciais
POVs Lilian
Acordei sentindo fortes dores de cabeça, como se tivesse sido atropelada por um ônibus e eu nem mal conseguia me mexer sobre a cama sem sentir o peso dos meus movimentos. Olhei para debaixo das cobertas nas quais eu estava enrolada feito um pacotinho, e percebi que estava apenas de calçinha e sutiã e que ambos pareciam estar meio úmidos. Franzi a testa tentando lembrar do que tinha feito a noite passada e sem saber como cheguei em casa, então levantei e coloquei os pés no chão sentindo o carpete da beira da cama suavizar a decida. Apanhei um roupão e vesti logo me dirigindo ao banheiro onde tomei um banho quente e depois joguei uma camiseta larga por cima de um short preto de malhação e andei até a cozinha de onde parecia vir um delicioso cheirinho de café fresco.
- Caspian? –me manifestei enquanto via o mesmo de bermudão, chinelo de dedo e camiseta branca de gola V preparando umas torradas.
- Ah! Oi bela adormecida! –disse ele com um sorrisão aberto. – Achei que ainda estivesse dormindo!
- E você tá fazendo o que aqui?
- Seu café! –disse erguendo uma espátula de plástico.
- E por que tá fazendo meu café?
- Você não lembra o que aconteceu ontem? –disse ele em um tom divertido.
- Meu Deus, não. –eu franzi a testa e coloquei a mão sobre a mesma. – Você passou a noite aqui?
- Você não me deixou ir embora! –ele riu e deixou algumas torradas em um pratinho.
- Você... –apontei pra ele ainda muito confusa tentando ligar as coisas. – Você e eu...
Caspian parou por um instante como se estivesse tentando ler meus pensamentos então, disse antes que eu pudesse terminar minhas ideias precipitadas:
- Você bebeu, e praticamente entrou em coma. Eu te trouxe pra cá, e te coloquei na cama.
- E quando você me encontrou eu já estava sem roupa?
- Não. –ele riu. – Mas não se preocupa, eu não sou tão babaca assim pra me aproveitar de uma garota em coma alcoólico. –ele se afastou indo até a pia e desligando a torradeira.
Afastei a cadeira e me sentei escorando as mãos na cabeça dando graças a Deus por não ter dormido com Caspian enquanto estava bêbada. Ele por sua vez, deu alguns passos até a mesa, serviu uma caneca grande de café bem quente e colocou diante de mim dizendo:
- Bem forte, vai te ajudar com a dor de cabeça! –eu ergui meus olhos e o vi sorrindo pra mim amigavelmente.
- Obrigado. –agradeci me sentindo um pouco confortável com a presença dele ali.
- Ressaca nunca é bom! Você sabe o que bebeu? –disse me servindo torradas fresquinhas.
- Vinho no jantar, e acho que uma garrafa de champanhe.
- Uma inteira? –ele arregalou os olhos.
- Eu roubei uma garrafa...
- Resolveu radicalizar? Furto e alcoolismo na mesma noite? –e ele continuava sorrindo.
- Foi uma péssima ideia. –desviei o olhar e bebi um gole do café.
- Quer falar sobre isso?
- Não.
- Como tá o café?
- Forte... E amargo.
— Ajuda na recuperação!
- Eu gosto. –voltei a olhar pra ele.
Por um momento apenas ficamos em silencio olhando um para a cara do outro até que eu tomasse a iniciativa de dar sequencia a conversa:
- Eu tava muito mal?
- Você se agarrou em mim e pediu pra eu não te deixar vomitar. –disse fazendo uma expressão divertida.
- Ah, que horror. –revirei os olhos me sentindo envergonhada. – E o que mais?
- Só isso... Você não estava em condições de fazer muita coisa.
- Eu falei alguma coisa? –perguntei preocupada, eu não sabia o que tinha feito, mas sabia o que tinha me levado a beber.
- Não! Você resmungou um monte de coisas sem sentido e depois apagou.
- Que bom. –disse baixando os olhos na minha caneca.
Caspian se sentou na cadeira do outro lado da mesa redonda e escorou os cotovelos sobre ela e ficou me encarando.
- O que foi? –perguntei.
- Nada! –ele sorriu e serviu uma torrada para si.
- Você dormiu aonde Caspian?
- No sofá... –disse ele sem olhar pra mim.
Fiquei fitando a face dele, sabendo que ele tava mentindo.
- Obrigado.
- Não tem que me agradecer, eu não podia simplesmente passar por você na rua e fingir que não te conhecia. Não no estado que você tava. –dessa vez ele falava sério. – Qualquer um poderia ter te encontrado antes de mim Lilian. –ele me olhou. – E no estado em que você se encontrava, não teriam trabalho algum pra colocar você dentro de um carro e te levar pra onde quisessem.
- Foi uma ideia muito estúpida. –ao ouvir ele falando aquilo eu percebi o risco que tinha corrido.
- Da próxima vez que decidir beber, me promete que vai fazer isso em um lugar seguro com pessoas que você confie.
- Eu não pretendo voltar a beber desse jeito tão cedo, aliás, eu não pretendo colocar álcool na minha boca nunca mais.
- Me sinto melhor ouvindo isso!
- Pode me dizer por que eu tava molhada e o meu vestido tava jogado no canto do banheiro?
- Choveu.
- Hum, e você me colocou molhada em cima das cobertas?
- Eu sabia que você ia ficar preocupada com os seus lençóis e a sua roupa de cama! –ele riu sacudindo a cabeça negativamente.
- Você cuidou de mim a noite toda sozinho?
- Você não dá muito trabalho quando bebe, na verdade você dá mais trabalho quando tá sóbria!
- Engraçadinho. –parei um tempo e as imagens da noite anterior começaram a vir na minha memória. – Você se deu a todo aquele trabalho?
- Só tentei manter você aquecida pra não ficar doente.
- Você me deu banho, secou meus cabelos com um secador e ainda ficou comigo a noite toda.
- E faria tudo de novo. –disse ele me encarando nos olhos.
- Eu fui tão estúpida com você todo esse tempo e mesmo assim você cuidou de mim.
- Não é grande coisa.
- É sim. Se não tivesse me encontrado eu estaria até agora em alguma sarjeta por aí. Provavelmente teria sido assaltada ou pior. E ainda ficou pra preparar meu café.
- São só torradas! –ele riu.
Notei que ele tava sendo modesto, ou sei lá o que, e por alguma razão eu conduzi minha mão sobre a mesa e segurei a mão dele fazendo com que ele me olhasse e depois segurasse a minha também.
- Eu senti sua falta Caspian. –resolvi expressar de vez o que tava sentindo. – Não queria ter brigado com você.
- Esquece isso.
- Susana me disse o que aconteceu naquela noite. Ela disse que não aconteceu nada entre vocês... Por que você disse que sim?
- Era o que você queria ouvir.
- Não, não era.
- Era o que você esperava Lilian. E eu não te culpo por esperar sempre o pior de mim. –disse soltando minha mão e se levantando.
Caspian seguiu até a pia onde ele começou a lavar a louça, provavelmente tentando fugir do assunto, mas então me levantei da cadeira, me sentindo ainda um pouco cansada da bebida e andei até ele que estava de costas pra mim.
- Caspian. –eu disse tocando suas costas com ambas as mãos.
Ele respirou fundo e parou o que tinha começado e olhou pela janela, depois me olhou virando apenas o rosto. Eu me aproximei um pouco mais, e então levei uma de minhas mãos até a face de Caspian, enquanto ele me olhava nos olhos, então o puxei para mais perto e me ergui nas pontas dos pés que estavam descalços e o beijei. Não por impulso, não por uma atração descontrolada como foi com Pedro, mas... Porque eu simplesmente queria aquilo, e provavelmente queria há muito tempo.
Enquanto eu sentia os lábios dele encontrando os meus, meu coração acelerava no peito provocando uma sensação nova em mim, que me causou um calafrio desde a espinha até o pescoço deixando os fios de cabelo da minha nuca eriçados. Conforme movíamos nossos lábios em perfeita sincronia abrindo caminho para que nossas línguas se tocassem, eu senti as mãos de Caspian ao redor da minha cintura rapidamente me apertado contra ele. Nosso beijo tomou cada vez mais forma, e paixão então senti meu corpo sendo erguido pelas mãos dele e logo eu estava sentada sobre a pia com Caspian entre minhas pernas, me tocando e me beijando de uma maneira totalmente calorosa e deliciosa me fazendo sentir como ninguém mais me fazia.
Enquanto o fôlego começava a faltar, eu acabei afastando nossos lábios e buscando ar erguendo meu rosto para o alto enquanto a boca quente dele avançava rumo ao meu pescoço. Então por um momento ele mesmo se afastou e disse tocando meu rosto.
- Eu não quero ser só mais um arrependimento pra você Lilian. –ele dizia ofegante entre sussurros.
- Você não vai ser.
- Eu não te machucaria, preciso que você saiba disso.
- Eu sei. Agora eu sei... –disse logo o puxando de volta pra mim e beijando.
- Lilian... –ele se afastou de novo e me encarou mais uma vez.
- É Lil... –eu sorri. – Naquela noite você disse que eu queria... E você tinha razão Caspian... Eu ainda quero. Todo esse tempo era você que eu queria. E eu já esperei demais... Você ainda me quer como disse que queria?
- Muito...
- Então me beija...
Caspian me olhou profundamente nos olhos por um momento, então segurou firme meu rosto entre suas mãos e voltou a me beijar, de uma maneira ainda mais apaixonada ainda mais quente e provocante. Então envolvi minhas pernas ao redor da cintura dele, e me impulsionei para cima do mesmo enquanto ele me segurava firme pelas ancas e me tirada da cozinha me levando para o meu quarto. Eu não tinha duvida alguma de que eu o queria, e não pararia até que todo o eu desejo fosse saciado. Caspian se livrou da minha larga camiseta assim como eu me livrei da dele, assim como de todo o resto logo em seguida. Em poucos segundos estávamos ambos completamente nus, sendo que ele estava com todo seu peso sobre mim e sem mais demora eu pude me entregar a quem eu realmente desejei todo aquele tempo. Não me importava com quantas garotas ele tinha estado antes de mim, só me importava que naquele momento, eu pertencia a ele, e ele a mim.
Aquela manhã foi a o dia mais mágico que eu já tive na vida, e talvez fosse por causa do que eu sentia por Caspian, ou talvez simplesmente por que ele era bom, eu não sei, mas nenhum homem com quem eu havia estado antes chegava sequer perto do que Caspian era. Era como se o corpo dele tivesse sido feito especialmente para preencher o meu, e vice e versa. Foi uma manhã longa, e a mais prazerosa que tive na vida. Talvez por que esperávamos ambos isso há muito tempo, mas prolongamos aquelas horas o máximo que podíamos até não aguentar mais e cair nos braços um do outro tomados de cansaço e totalmente satisfeitos. Um sorriso era a única coisa que conseguíamos esboçar depois de tudo. E era o que bastava pra mim...
Fale com o autor