As Crônicas De Nárnia - A Sucessora
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Este texto em particular foi escrito por Rafaela S.R., e é proibido seu uso sem autorização.
A história foi inspirada no livro/filme "As Crônicas de Nárnia", existem referências frequentes no desenvolvimento de tal.
As amarras estão firmes, como sempre estiveram. A maior árvoredo bosque continua sustentando o balanço, e continuo me sentando láquando devo refletir. É um bom lugar, a árvore fica bem no alto de ummonte, e de lá, consigo ver quase todos os Arvoredos da Vida. Algunsainda pequenos, sutis e pouco copados, outros já crescidos, e commuita folhagem, ou melhor, com muitos pingentes, pois as folhasparecem mais com gotas de água congeladas.
Ultimamente, este tem sido o único lugar seguro para mim, ondetodas as más lembranças, não parecem mais do que pequenos ciscos,que não fazem a menor diferença. Os Bosques Ocultos, e seu arsempre fresco e úmido, são capazes de aniquilar tudo que te atormenta,e por um momento, parece que não existe nada mais do que aquelapaisagem. As árvores luminosas e radiantes, se misturando as de tomazulado ou arroxeado. As flores de cores estonteantes que entram emperfeita harmonia com as cachoeiras de água turquesa. E o céu, ah océu. De uma noite eterna, clara e acolhedora, coberta de estrelas.Como o Outono que se mistura à Primavera, em uma fusão surreal einacreditável. Para todos os lados que se olha, existe apenas aquelavisão. E qualquer um desejaria viver lá para sempre, se não fosse, claro,eu, a única a ter acesso. Não foi sem motivos que Aslam colocou todosos berços, ou seja, todos nossos lares, tão distantes das almasnarnianas. Estamos lá desde sempre, e continuaremos até, quem sabe,depois do fim.
Como todas as outras, estou há muito tempo em Nárnia, entãoposso dizer com toda certeza, que nossa terra nunca passou portempos tão difíceis. É complicado se conformar com eles acreditando,que o passado não passa de lendas, quando, na verdade, é mais realdo que o que acontece agora.
Sou responsável pelos sonhos. Então, diferente de algumas denós, estou forte e saudável. Não dependo deles para viver, e mesmoque dependesse, não mudaria nada. Todos os seres de Nárnia – nãoque saibam disso – são afetados pela falta de Aslam, e essa ausência,já completa quase um milênio. Sendo assim, nos sonhos é o único lugaronde podem se contentar, e faço questão de implantá-los, como se eumesma fosse tê-los. Por causa desse trabalho, sei exatamente o que sepassa nos corações de todas as almas narnianas. Até o pensamentomais profundo, residente da essência de seus seres. Através de tantosanos, percebi que até os bárbaros mais insanos, desejam uma Nárniamelhor. Até os líderes mais cruéis, desejam reinar em uma terra maisperseverante. E até aqueles, que por descendência, deviam crer namagia de Nárnia. Veem-na apenas como um mito.
Mas, enfim, tudo isso começou a mudar em uma doce manhã –eu pude perceber, pois, apesar de nos Bosques Ocultos ser semprenoite, a posição da luz muda – quando, enquanto sentada no balançodo monte, notei um Arvoredo da Vida, eu vivo nos Bosques Ocultosdesde que fui criada, conheço cada canto daquele lugar, e tinha certeza,aquele arvoredo não estava lá no dia anterior. Dirigi-me até ele o maisrápido que pude, eu podia estar enganada. Mas não. Para chegar até látive que tomar um caminho que nunca usara antes para chegar a umArvoredo da Vida. Passei por alguns cedros deslumbrantes e pelo rioque passava pelos bosques, notando as cavernas de pedras negras elisas, onde tinha que recorrer, quando deveria implantar algumpesadelo, e finalmente cheguei. Pode pensar que era o arvoredo de umbebê que nascera durante a madrugada, mas não, recém-nascidos nãotem arvoredos, mas sim pequenas mudas, que logo viram pequenasárvores – e consequentemente, crescem e morrem com eles – e sempingentes. Este não, já era crescido, esbelto, e com uma copamaravilhosa. Há tempos não via algo tão incentivador. Eu estavacorreta, havia algo estranho lá. E isso se confirmou, quando peguei umpequeno pingente, e o vislumbrei. Foi então que tive uma surpresa, osonho tinha imagens de algo que acontecera em Nárnia há milênios, eubem me lembrava de como foi lindo o acontecimento, mas eu nãopoderia me distrair, aquele sonho não fora implantado por mim, e eu eraa única em Nárnia que poderia fazê-lo. Segurei outros pingentes,seguidos de decepções, eu não havia implantado nenhum dos sonhosdaquele arvoredo, mas alguns deles se referiam à minha terra. Entãoalgo me veio à cabeça, era uma alegria tão extrema que mal podiaconter dentro de mim, um alívio, que me fez soltar um longo suspiro,seguido de um sorriso de satisfação, que foi limitado por uma serenapreocupação. Eu deveria avisar a Guardiã, informa-la rápido, e foi o quefiz. Chamei Thorine, um belo unicórnio branco, que logo apareceu. Elenunca me deixava.
A viagem não foi longa, também, Thorine era rápido, e entidadescomo eu, podem realizar alguns truques. Logo estávamos na frente aoPalácio, muito mais belo do que me lembrava. Havia mais cor, maisvida. Os espelhos de que era feito estavam refletindo o Sol fielmente.Quando me notei, eu também estava mais viva, minha pele e meusolhos brilhavam mais. Agora tinha certeza, minha suspeita era real. Abrisa tocou-me, fechei meus olhos, e senti, estou certa, que aquele erao sopro de Aslam. Ao descer de Thorine, as portas do Palácio seabriram, a Guardiã me esperava. Nós, fadas, temos uma aparência bemjovial, porém a Guardiã parecia mais adulta, mais velha que nós, mesmonão sendo. Ela sentira minha presença, e fora me receber. Eu deviaparecer aflita, pois ela logo me perguntou, com a mesma voz sutil desempre:
_Ember, o que houve? Faz muito tempo que não vem até aqui.
_Hoje, mais cedo – percebi que falava oscilando – um novoarvoredo, já crescido, com sonhos que não são meus. – Ela escutavaatenciosa, como sempre, e não demonstrava espanto na expressão.
_Mas como? – disse calmamente – Não pode ser!
_Mas é. Eu confirmei. Pelo tamanho tem uns quatorze ou quinzeanos. – ela abaixou a cabeça, parecendo pensar.
_Agora se encaixa. – disse ela, e fiz provavelmente um rosto dedúvida, pois ela continuou. – Sabe que algumas fadas já se foram. Essamanhã, pensamos que Glen havia se juntado à elas. Mas acaba devoltar, por ordem dele, afirmou.
_Por Aslam! Quer dizer que... – não terminei, havia outra coisamelhor para se falar – Ybelle. Você sabe que isso já aconteceu antes.
_Sim, Ember. Mas há milênios ninguém entra em Nárnia. – a falaconfirmou que ela sabia do que eu falava.
_Talvez seja a hora. – e eu sabia que era
Depois de dizer essas palavras, notei uma presença atrás demim, eu conhecia bem aquele debater leve de asas. Não fomos só Glene eu, a sentir os sinais. Logo depois, muitas mais chegaram.
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