As Cores da Neve

3 Capítulo 3 - "Feliz" Natal


Notas iniciais
Trouxe mais um capítulo para vocês, tenho muita coisa a dizer nas notas finais. Desculpem qualquer erro, e boa leitura.

— Você não podia ter feito isso! — gritava alto, chamando atenção de todos os enfermeiros do hospital.

Era dia 24 de dezembro, haviam se passado 4 dias depois do acidente, Sakura havia ficado desacordada praticamente 3 dias e, o enterro de Sasori havia sido adiado aqueles dias, em consideração a Sakura, porém, Kizashi pediu para Akira realizar o funeral, só a sim a família Akasuna poderia ter um pouco de descanso.

— Era o melhor a ser feito, minha querida, tente entender! — Mebuki tentando confortar a filha.

— Vocês estão impedindo de me despedir dele, isso não é justo! Eu quero ir! Eu quero vê-lo, eu quero olhar para ele!

— Você não pode sair do hospital Sakura e, não poderá sair tão cedo! Não era justo com eles — Kizashi suspirou com pesar — Eu sei que não está sendo fácil para você querida, mas não podemos prolongar mais, eu sei que quando tudo passar você irá concordar que foi o melhor a ser feito.

Não podiam prolongar mais? O melhor a ser feito? E ela? Poderia jurar que surtaria a qualquer momento. Não importava quanto tempo se passasse, o quão rápido o relógio girasse, aquilo nunca teria fim, nem para ela, nem para a família Akasuna. Olhou para a janela com lágrimas nos olhos e viu a neve cair, tão branca e pura que a irritava só de olhar, era algo que ela tanto amava, mas passou a odiar, estava trazendo uma dor que ela queria esquecer, mas sabia que não iria.

— Eu irei ver o Sasori, vocês queiram ou não! — enfatizou mais uma vez.

Tentou se levantar e até mesmo arrancar os tubos que estavam ligados em seus braços, mas foi em vão, foi impedida pelas mãos fortes de seu pai e, mesmo lutando contra elas, não conseguia se livrar.

— Eu sei que perdeu o homem que mais amava, eu sei que você queria estar lá, mas por favor querida — viu finas lágrimas caírem dos olhos dele, o que fez seu coração se partir mais ainda — Não seja teimosa, eu e sua mãe lhe amamos muito, e... Eu quero que você fique bem logo, então não faça nenhuma loucura, se cuide pôr nós e principalmente pôr Sasori.

Como poderia ficar bem? Não iria se despedir do amor da sua vida, lhe dar o último adeus. Era como se ela tivesse presa em alguma dimensão que a torturava cada vez mais. Queria dormir e acordar, ouvir seu pai lhe dizer que tudo aquilo era apenas um mal-entendido, que tudo que os médicos lhe disseram era um terrível engano, que Sasori tinha resistido e, eles dali a alguns dias teriam alta juntos..., mas não era assim, tudo era real, a dor era real e não tinha nada naquele momento que podia faze-la se sentir menos pior.

***AWS***

Mei se olhava no espelho, seu rosto estava pálido e tinha olheiras profundas. O velório de Sasori havia sido rápido a pedido de Akira, tudo muito simples e somente para os amigos mais íntimos. Yuki não parou de chorar, o irmão parecia dormi em um sono profundo, parecia um anjo, ela não queria acreditar que estava passando pôr aquilo. Akira se manteve forte a todo momento, mesmo com o coração estilhaçado, ele tentava manter a compostura para conseguir pelo menos, falar com as pessoas que vinham lhe dar os pêsames. Mei não saíra do lado do caixão um minuto sequer e, mesmo depois de ter terminado tudo, ela ficou ao lado do tumulo pôr pelo menos uma hora. Agora encarando seu reflexo se sentia anestesiada, era como se nada estivesse acontecendo e a qualquer momento, Sasori fosse passar pôr aquela porta.

Viu Akira entrar no quarto e tirar a gravata, tinha recebido algumas ligações de alguns sócios que não puderam comparecer ao velório do filho. Se sentou na cama para tirar os sapatos, estava exausto.

— Yuki foi para casa com o marido, ela não se sentia bem — comentou tentando começar uma conversa com a esposa que se mantinha calada encarando o próprio reflexo no espelho — Mais tarde irei ao hospital visitar Sakura, ela deve estar muito magoada pôr não ter ido se despedir de Sasori — a mulher nada falava, não queria abrir a boca, tinha medo do que poderia falar no momento errado, tinha que guardar tudo que sentia para a hora certa — Acho que deveria ir comigo, se desculpar com a família Haruno e ver Sakura, ela apesar do que você pense, é sua nora.

— Ela não é nada minha! Nunca foi — continuou a se encarar no espelho — Mas, acho que devo essa visita.

Akira tinha receio do que se passava na mente da esposa, era uma mulher fria muita das vezes, arquitetava tudo em segredo e o surpreendia de várias maneiras. Se arrependeu de chama-la para uma visita a Sakura, afinal, aquilo poderia piorar a situação toda, mas agora que o convite tinha sido feito não voltaria atrás. Foi para um banho, enquanto Mei foi para o outro banheiro da casa, encheu a banheira e colocou sais de banho, queria relaxar um pouco, mergulhou na água querendo apagar da memória qualquer resquício da dor, mesmo sabendo que era em vão, ela queria ter a sensação de paz pôr um momento. Fechou os olhos e memorias felizes vieram em sua mente. Quando engravidou de Sasori foi o momento mais feliz de sua vida, não que não amasse Yuki, mas com Sasori era diferente, era seu príncipe, seu tesouro, a única coisa nele que a entristecia era esposa, se lembrava perfeitamente o dia que ele a levou até sua casa para a apresentar.

***FlashBack***

— Não sei o motivo de estar tão nervosa, é só uma garota que ele vai nos apresentar mãe, não a rainha da Inglaterra — Yuki comentou divertida, sua mãe estava frenética.

— Pare de brincadeiras Yuki! É a primeira vez que seu irmão traz alguma moça aqui em nossa casa, claro que estou nervosa para saber quem é a mulher que lhe roubou o coração, quem é tão melhor assim que Hime — Hime era uma pretendente que Mei insistia para Sasoria noivar e, apesar de todos os dotes da garota, ela nunca havia chamado a real atenção dele, o que irritava um pouco Mei.

Algumas horas haviam se passado, Yuki tinha arrumado a mesa de chá várias e várias vezes a pedido da mãe, algum tempo depois ouviram o som do carro de Sasori se aproximar. Mei se olhou no espelho e correu até a sacada da casa animada, não podia estar mais ansiosa. Assim que seus olhos bateram no filho, um grande sorriso se formou, ele estava mais lindo do que nunca, mas quando seus olhos fitaram a garota ao seu lado o sorriso que ela tinha havia desaparecido, esperava que aquela que estava ao lado de seu filho fosse somente uma amiga e que ele havia desistido de apresentar a tal “namorada”.

— Mãe! — sorriu para Mei a abraçando.

— Querido, que saudades — retribui o abraço, depois que Sasori havia ido morar sozinho eles ficavam um tempo sem se ver — E essa ,quem é? Uma amiga? — perguntou se desfazendo no abraço.

— Não mãe, conversamos sobre isso — Sasori voltou a ficar do lado da menina que o acompanhava — Essa é Sakura Haruno, minha namorada eu falei dela para a senhora — Viu a rosada sorrir para ela, que não queria acreditar que o filho estava de romance com alguém daquele tipo. A analisava da cabeça aos pés, cabelos longos com uma cor estranha, uma blusa sem corte e sem graça, calça jeans rasgadas nas pernas e um tênis que na sua opinião era asqueroso.

— Olá Sakura, eu sou Yuki irmã mais velha de Sasori e é um prazer tê-la aqui, não é mamãe? — Yuki se pronunciou pela primeira vez, havia sentindo uma tensão vindo de sua mãe. Mei nada disse, só esperava que aquilo fosse um romance passageiro e nada mais.

***FlashBack off***

Ouviu umas batidas na porta e despertou, em sua opinião, de suas más lembranças. Levantou-se da banheira, se enrolou na toalha e abriu a porta deparando-se com Akira que a encarava com os olhos curiosos.

— Está tudo bem? — Perguntou preocupado. Ela só balançou a cabeça em resposta — Estarei te esperando no carro, não demore, não quero perder a hora da visita.

***

Ao chegar em frente ao hospital, um arrepio súbito subiu pôr toda dimensão de seu corpo e não era somente pelo frio que fazia ou pela neve que tocava levemente suas bochechas, eram as memorias que viam rapidamente sem piedade ao estar ali. Mei caminhou lentamente ao lado de seu marido a entrada do hospital e seguiu todo caminho em silêncio. Ao serem anunciados, respirou várias vezes para ter coragem o suficiente de encarar Sakura. Quando entraram no quarto, viu a rosada se enrijecer com sua presença, assim como os pais da menina. Akira se aproximou da nora a abraçando lentamente, era a primeira vez que a via depois do acidente. Sakura o abraçou de volta, apesar de tudo, ela sabia que seu sogro gostava muito de si.

— Me desculpe querida, me desculpe! — sussurrou em seu ouvido, ela sabia do que ele falava.

— Eu estou inconformada, com tudo — falou se soltando do abraço — Eu juro que estou tentando aceitar, entender, me conformar…, mas é impossível — ela respirava fundo para as lágrimas não caírem.

— Eu entendo.... Gostaria de amenizar sua dor, mas não consigo amenizar nem a minha, perdão.

Sakura balançou a cabeça em concordância, ela o entendia, não poderia exigir algum consolo quando todos estavam completamente desestruturados.

— Eu posso ficar a sós com você, Sakura? — Mei pela primeira se pronunciou.

— Eu não acho que seja uma boa ideia — Mebuki também falou pela primeira vez. Tinha medo do que Mei poderia fazer com Sakura, ainda mais ela estando tão debilitada — Me perdoe Mei, acho que minha filha não está em condições de...

— Tudo bem — Sakura respondeu cortando sua mãe.

— Sakura!

— Está tudo bem mãe, qualquer coisa eu chamo vocês — sorriu para eles, precisa saber o que sua sogra pensava, o que ela estava sentindo, elas precisavam ter aquela conversa.

Viu seu pai colocar a mão no ombro de sua mãe e apontar com o cabeça em direção a porta. Akira segurou em sua mão como quisesse lhe passar força para aquela conversa. Ao passar pôr Mei, Akira lhe lançou um olhar indecifrável, que foi ignorado pela mesma. Agora ambas sozinhas, o silencio tomou conta imediato do local, trazendo um desconforto terrível para ambas.

— Não pense que eu queria estar aqui e, muito menos vim pôr conta de Akira — começou a falar friamente — Eu queria ver com meus próprios você desfrutando da sua vida enquanto meu filho... meu precioso filho está morto!

— Acha que eu queria isto? Acha que não estou sofrendo? Eu perdi o homem da minha vida, eu perdi um filho dele!

— E acha que me importo? Meu filho era muito mais feliz antes de te conhecer, eu agradeço ao destino ou a quem quer que for pôr você não ter ficado com essa criança! — sua rispidez era terrível.

— Você não está bem Mei, então não vou considerar suas palavras...

— As considere, você sabe que falo com plena consciência das palavras que saem de minha boca. Dês do dia em que você chegou em minha casa, com aquelas roupas baratas e sorriso sínico, eu sabia que era uma interesseira vagabunda! Agora pode desfrutar de todo o dinheiro que meu filho deixou, não é mesmo?

— Eu amava seu filho, você só não quer admitir isso porque ele estava vivendo uma vida feliz e sem você! Nunca aceitou o fato de Sasori ter uma vida própria sem ter você inclusa em tudo! Veja o quão egoísta é, não respeita a minha dor, veio até aqui para me humilhar? Para fazer-me sofrer mais do que estou sofrendo? — estava se segurando para não gritar ou dar uns belos tapas naquela mulher.

— Eu vim até aqui porque quero que você saiba, que até eu morrer, vou lembrar a você que a culpa é sua! Você que deveria estar morta! Eu desejo que nunca mais seja feliz nesta vida, que você sofra, mais do que está sofrendo, que sinta dor, mais do que está sentindo! Assassina!

— Saia daqui! Agora! — gritou desesperada, não conseguia mais ouvir uma palavra sequer, Mei era completamente louca. Ao ouvir os gritos da filha Mebuki entrou desesperada no quarto, somente viu Mei passar pôr si com a cabeça erguida sem dizer uma palavra sequer.

Ao se aproximar da filha percebeu que Sakura tremia da cabeça aos pés, lagrimas finas caiam de seus olhos verdes. A abraçou, odiava ver vê-la daquela forma, odiava tudo que estava acontecendo, realmente, nada parecia ter fim.

***AWS***

24/12 — 21:00 pm — Centro da cidade

Ele corria o mais de pressa que podia, as várias sacolas em sua mão o atrapalhavam, mas não o fazia parar. A neve estava aumentando e ele odiava aquilo, atrapalhava tudo, transito, movimentação e até seu humor ficava alterado, porém, nada naquela noite poderia deixa-lo irritado. Seu livro que tanto lutou para escrever tinha sido aceito pela editora, “Não conhecia a dor, até te perder” tinha virado realidade e, logo estaria em todas as livrarias do país. Ao chegar ao seu destino, o hospital central, sorriu para a recepcionista que lhe deu um aceno.

— Sei que estou atrasado, mas aqui estou eu — falou levantando todas as sacolas em suas mãos.

— Mais um pouco e eu não o deixaria entrar senhor Uchiha, as crianças tem de dormi cedo, mas sei que se elas não o vissem hoje ficariam baste tristes — a recepcionista sorriu olhando para todas as sacolas nas mãos do homem a sua frente.

Ele somente sorriu e correu para entrar no elevador. Ao chegar na ala pediátrica viu todas as crianças sorrirem e se animarem, aqueles sorrisos valiam muito mais do que todo dinheiro do mundo, até mesmo que o reconhecimento de seu livro, para ele não existia nada mais prazeroso do que ajudar a animar a vida daqueles pequenos seres, que mal haviam começado a vida e já sofriam.

— Tio Sasuke pensei que não viria mais — um menino pequeno e bem pálido disse de aproximando dele se apoiando nas muletas.

— Acha mesmo que eu esqueceria de vocês? Não poderia — o pegou no colo deixando todas as sacolas no chão.

— Eu já ia coloca-los para dormi, ainda bem que chegou, já estavam desesperados pôr não te-lo aqui — a enfermeira disse se aproximando deles.

— Obrigada Karin, com essa neve toda a cidade virou um caos, ainda mais em uma véspera de natal.

— Tio Sasuke o que são todas essas sacolas? — outra menina perguntou com seus olhos brilhando em direção aos pacotes, o que fez Sasuke soltar uma pequena gargalhada.

— Sabe o que é? Papai Noel passou mais cedo hoje, ele pediu para eu ajuda-lo a entregar todos esses presentes para umas criancinhas especiais que estão neste hospital, vocês sabem quem são? — perguntou divertindo, vendo todos eles sorrirem e gritarem “sim”. Entregou os respectivos presentes para cada um e, vê-los felizes já era mais que o suficiente.

***

Depois de entregar todos os presentes, ajudou a enfermeira a coloca-los em suas camas e conto-lhes uma história para dormi. Agora estava no refeitório tomando um café quente para espantar o frio e encarar a estrada, teria que viajar algumas horas para ir a casa de seus pais passar o final de ano junto a eles.

— Você não sabe o quanto sua ação é linda Sasuke, sério, essas crianças ficam o ano inteiro presas dentro deste hospital, entre exames, quimioterapias... obrigada — Karin falou se sentou junto a ele em frente a uma grande janela, que dava vista a rua, podiam observar a neve cair e se fundir com a luz da cidade, trazendo uma sensação de paz para ambos.

— Eu faço isso porque eu amo demais essas crianças, quero ajudar o máximo que eu puder — bebeu um gole de café — Gostaria de fazer mais pôr elas.

— O que você faz já é o suficiente — sorriu — Agora tenho que continuar meu turno, não vá embora muito tarde, a gente se vê depois das festividades, feliz natal Sasuke.

— Feliz natal — acenou com a cabeça enquanto ela se afastava, apesar de odiar quando nevava, aquele dia estava perfeito, não queria que acabasse nunca.

Notas finais
Meus amores, sei que já tem um tempo que não posto nenhum capítulo e sinto muito, de verdade. Primeiro, passei pôr um momento de mudança de casa, fora que tive que ajudar com pintura etc. Outra coisa era que essa fanfic para mim é muito especial, ela trás uma escrita bem pesada, sou bem exigente hoje em dia, então não quero trazer qualquer coisa para vocês. perdoe também o tamanho do capitulo. Eu tinha ficado com um bloqueio criativo, mas quero que saibam que não irei abandonar a fanfic, queria até pôr ela como original, mas ainda não sei se farei isto. Também estou me dedicando a meu novo projeto "FALE SOBRE VOCÊ" que estou postando como original no wattapad, assim como "frágil amor". Me perdoem de verdade, quem acompanha, favoritou a fic. Sobre este capitulo quis trazer o pior lado da Mei e o quanto ela realmente odeia e culpa Sakura pôr tudo. E pela primeira vez Sasuke aparece na fic, trouxe o contraste do dia para ambos, enquanto Sakura estava vivendo seus piores dias, Sasuke teve um dia maravilhoso. Espero que tenham gostado, comentem, favoritem, acompanhem se sintam a vontade ♥ Kisses da Cherry