As Cores da Neve
1 Capítulo 1 - A primeira Neve
Notas iniciais
Era dia 20 de dezembro, a neve já caia do lado de fora do carro, Sakura observava cada floquinho de neve cair silenciosamente em cima do para-brisa como ela amava aquele tempo, o frio a neve tudo lembrava o dia que conheceu Sasori agora seu marido a mais de um ano. No momento ambos estavam indo para a comemoração do aniversário de casamento dos pais de Sasori, eram 30 anos de casados, sua sogra na época queria muito se casar no natal, mas como a maioria não poderia comparecer decidiu se casar antes, mesmo contragosto.
A rádio no carro começou a tocar "Cruisin" e Sasori que dirigia começou a cantarolar quebrando o silencio que o carro estava, Sakura começou a rir do marido, ele sempre fora assim engraçado e animado, era o filho preferido, mas a irmã dele não ligava pra preferência que a sua sogra dava a ele, ela até amava porque assim ela não se metia tanto em sua vida como se metia na vida de Sasori.
— "Cruise with me baby uhhh" – Sasori soltou em um dos refrãos da música.
— Você cantando assim parece até que estamos indo passar uma semana de férias em um risote – Sakura soltou um riso.
— Preciso relaxar, sabe que quando chegarmos lá minha mãe vai infernizar nossas vidas – revirou os olhos – E além do mais essa é nossa música.
— Claro nossa música – ela disse zombando, mas no fundo estava muito preocupada com que Sasori tinha dito, na realidade sua sogra não gostava dela, achava que Sasori tinha feito um péssimo casamento, Sakura era uma garota pobre que trabalhava de vendedora de bolsas em uma loja de marca e foi assim que conheceu Sasori, um homem lindo, rico e com uma mãe preconceituosa.
Não demorou muito para eles chegarem a grande casa da família Akasuna, era uma casa com um estilo moderno e ao mesmo tempo rustica, de longe se via a decoração, era uma mistura de pisca-pisca e decorações douradas, quem estivesse a quilômetros enxergaria aquele grande exagero que com certeza havia sido ideia da matriarca, Sakura conhecia bem seu sogro que ao contrário da esposa era um homem simples e gostava dela. Sasori estacionou o carro perto da entrada e assim que saíram do carro puderam ver o quão frio estava o lado de fora e como a neve já tinha tomado conta da maior parte do terreno da casa.
— Sakura! – Ouviu uma voz feminina estridente no hall da casa, ela sabia muito bem quem era e soltou um sorriso para sua cunhada que estava exuberante, um vestido longo assim como seu decote, um batom vermelho nos lábios e várias joias.
— Yuki! – se aproximou da cunhada dando um forte abraço – Está linda!
— Sabe que não faço muito esforço – gargalhou, a irmã de Sasori era uma figura, amava chamar atenção para provocar a mãe, ela era casada com um banqueiro que era o oposto de Yuki – Está linda essa noite também cunhadinha, amo quando veste verde – soltou analisando Sakura que deu ombros.
Ela estava totalmente o oposto da cunhada, um vestido simples na cor verde musgo com alguns brilhinhos no busto e um batom nude, ela não gostava muito de chamar atenção, sempre foi simples e pratica com tudo.
— Sasori precisa dar mais joias para sua esposa, esse vestido é tão lindo mais falta um cordão de diamante nesse lindo pescoço – Yuki disse para o irmão que agora se aproximava das duas mulheres com um pacote de presente para dar aos pais.
— Você sabe que não gosto dessas coisas Yuki – Sakura disse rindo da cara do marido enquanto ele analisava a irmã.
— Você está bem... extravagante – soltou Sasori com um olhar engraçado.
— Como eu sempre digo, se não for para brilhar eu não viria – levantou as mãos e deu uma rodadinha para mostrar o visual – Agora vamos entrar, pois está frio aqui fora e mamãe está lá dentro doida pra te ver.
Assim eles o fizeram, Sakura observou como tudo estava belo e bem decorado por dentro, algumas pessoas já se encontravam ali, pessoas importantes, banqueiros, donos de joalherias, donos de grandes empresas. Ela sempre se sentia mal quando ia a casa da sogra, pois só ia em momentos comemorativos a onde tinha pessoas na qual ela não se encaixava. Junto com Sasori ela cumprimentou algumas pessoas e foram falar com o marido de Yuki, que bebia alguma coisa enquanto observava tudo, depois de falar com todos se dirigiram a matriarca da casa que se encontrava no quarto ainda se arrumando.
Sasori deu leves batidas na porta e ouviu um baixo "entre", Mei Akasuna estava em frente ao espelho colocando um lindo colar de rubis que havia ganhado do esposo, quando viu o filho através do espelho se levantou rapidamente e foi abraçá-lo, ela vestia um lido vestido preto com detalhes dourados e o cabelo vermelho com alguns fios brancos estava preso em um coque perfeito.
— Meu querido filho – deu um beijo no rosto de Sasori que sorriu – Que saudades de você!
— Também estava com saudades mãe — A abraçou.
— Olá Mei – Sakura disse um pouco sem graça, já que como sempre sua sogra fingia na maior parte do tempo que ela não era esposa de seu filho.
— Oi Sakura — disse a analisando e fazendo cara de desdém para o vestido que a nora se encontrava – Por que não está com o vestido que mandei de presente para você?
— É que eu fiquei um pouco desconfortável então...
— Então decidiu vir com esse vestido sem graça? – era nítido o desdém que ela fazia.
— Mãe não começa com suas implicâncias – Sasori a repreendeu, odiava quando a mãe tratava sua esposa daquele jeito.
— Tudo bem querido – Sakura se aproximou do esposo entrelaçando suas mãos nas dele, sabia como a sogra odiava a demonstração de carinho dela com o filho.
— Bem cada pessoa se veste da maneira que lhe convém e mais combina com sua personalidade — soltou encarando a nora — Sakura é uma mulher humilde então se veste simples, pois combina com a mulher simples que ela é, não é mesmo, querida? – A rosada sabia que aquilo era um insulto, ela estava chamando Sakura de pobre de modo pejorativo, mas com outras palavras –Mas, vamos descer todos estão me esperando, e Sasori desceria comigo? Seu pai já está lá embaixo e quero passar um tempo com meu filho querido –aquilo era uma maneira de afastar Sasori de Sakura na festa.
— Mas mãe, Sakura é minha esposa não posso deixa-la sozinha.
— Sakura está com você todos os dias e você quase não vem visitar sua mãe, acho que ficar alguns minutinhos longe dela não terá problema, não é mesmo, querida? – a rosada não queria arrumar qualquer tipo de desentendimento, então concordou com cabeça e lançou um sorriso para o marido.
— Tem certeza amor?
— Claro querido, passe um tempo com sua mãe – sorriu falsamente. Então ambos saíram do quarto para participarem da festa e Sakura não via a hora daquela noite terminar.
***AWS***
Eram 21:30 da noite e depois que saiu do quarto da sogra não havia mais conseguido chegar perto de Sasori, Mei levava ele de um lado para o outro até mesmo seu sogro havia ficado de fora, mas não falaria nada, aquela noite estava preste a acabar e eles só se veriam no ano seguinte, pois ela e Sasori viajariam para comemorar as festas de final de ano no Hawaii.
— Minha mãe não sabe o quanto ela é ridícula grudada desse jeito no Sasori – Yuki se aproximou com um copo de vodca nas mãos um pouco bêbada.
— Sua mãe nunca vai me aceitar!
— Que se dane o que ela acha – bebeu mais um gole da bebida – O que importa é que meu irmãozinho te ama muito.
— O que as meninas tanto conversam? – Seu sogro de aproximou pela primeira vez aquela noite, mas era justificável teve que fazer sala para muitas pessoas importantes. Akira Akasuna era um homem bonito para idade que tinha, usava um terno simples e estava visivelmente cansado.
— Estava dizendo para Sakura o quanto minha mãe é patética fazendo essa cena toda em volta do Sasori.
— Me desculpe Sakura pela minha esposa, é só uma mãe que ama muito seu filho e por vezes não conhece os limites – comentou um pouco sem graça.
— Tudo bem, já tem um tempo que eles não se viam – tentou ser gentil – Se me dão licença irei ao toalete.
Precisava de um pouco de ar, tudo ali não combinava com ela. Foi para a varanda a onde não tinha ninguém, colocou seu casaco, queria ver a neve que agora caia pouco, mas a relaxava. Viu Sasori se aproxima e sentar do seu lado, colocou a cabeça nos ombros do marido, como amava estar ali do lado dele e sentir seu perfume doce.
— Desculpe pela minha mãe.
— Você não tem que se desculpar – estava encarando o chão com neve – O que importa é que você me ama, não ama?
— Claro que amo – fez ela o encarar– Eu não sei que seria de mim sem você Sakura, e não me importo com que minha mãe pensa, eu te amo! – Ela sorriu para o jeito exagerado dele dizer as coisas, se aproximou e beijou o marido com desejo, naquele momento ambos queriam muito mais que aquele beijo, mas tinham que se contentar por enquanto.
— Eu te amo mais ainda – ela sussurrou e seu ouvido – Para sempre e sempre.
— Sempre e para sempre – e novamente se beijaram, eles não podiam estar mais felizes do que estavam, nem mesmo sua sogra podia acabar com aquilo que ambos sentiam um pelo outro – Preciso ir ao banheiro – Sakura comentou rindo. Então deram mais um selinho e a rosada se pois a ir ao banheiro da casa, estava feliz e não via a hora deles chegarem em casa. No caminho foi parada por Mei que a olhava com desgosto.
— Soube que vão viajar nesse final de ano para o Hawaii — soltou ranzinza.
— Sim.
— Com certeza isso foi ideia sua para meu filho ficar mais longe de mim do que ele já está, quanto mais conquista-lo mais dinheiro dele você leva não? – Sakura não podia acreditar no que ouvia, esse era a primeira vez que sua sogra falava tão descaradamente o que pensava para ela.
— Eu não estou com seu filho por dinheiro Mei, e sim porque eu o amo!
— Poupe-me de seus discursos de boa moça, um dia eu conseguirei abrir os olhos do meu filho para ver a mulher com quem ele se casou – assim saiu deixando Sakura para trás boquiaberta, ela já estava ultrapassando todos os limites possíveis. Respirou fundo e foi atrás de Sasori que agora se encontrava ao lado da mãe rindo de algo que um dos convidados havia dito.
— Querido podemos ir – o encarou – Não me sinto bem.
— O que está sentindo? — perguntou preocupado.
— Nada grave, mas prefiro ir embora – disse desconfortável com o olhar de reprovação que Mei lhe lançava.
— Então vamos...
— Porque não passam a noite aqui? Esta nevando, não é bom sair com essa neve pela estrada que vocês vão – Mei sugeriu para que o filho não fosse embora.
— Prefiro ir pra minha casa Sasori – Sakura enfatizou o que fez o ruivo perceber que sua esposa não queria passar nem mais um minuto naquela casa, então concordou em iram embora.
— É melhor eu ir pra casa mãe — olhou nos olhos da mãe – Vamos nos despedir dos convidados então partiremos!
Assim fizeram, se despediram de todos que foram muito educados. Mei olhava tudo furiosa, achava que Sakura era uma péssima esposa para estar ao lado do filho, não tinha classe nem elegância, era uma mulher simples não estava à altura da família Akasuna.
— Eu ligo pra senhora no Natal – Sasori disse abraçando a mãe.
—Me ligue mesmo querido, já estou com saudades!
— Sakura querida se divirta no Hawaii e faça muito sexo — Yuki comentou divertida, sabia que a mãe odiava aquele tipo de comportamento.
— Tenha modos Yuki – a repreendeu, Sakura e Sasori fingiam não escutar o que as duas falam enquanto se despediam do patriarca da casa.
— Tem certeza que não prefere ficar querido? Como eu disse dirigir com essa neve é um tanto perigoso – perguntou novamente na tentativa de fazer o filho ficar.
— Tenho mãe, Sakura prefere ir pra casa e eu também – Respondeu –Estamos indo.
Assim foram em direção ao carro, Sakura não poderia estar mais aliviada em sair daquele meio, não aguentava mais olhar para cara da sogra e tinha medo que aquela noite acabasse mal. Os viu do hall da casa acenando com um sorriso, e acenou de volta mais por educação.
— O que senhora fez? — Yuki perguntou olhado para mãe.
— Eu não fiz nada, só coloquei aquela menina no lugar dela!
— Acho que está na hora da senhora conhecer seu lugar mamãe.
— Não me provoque, ela não serve pro Sasori – Disse ainda observando o carro a distância.
— E quem é que serve para seu príncipe não é mesmo? – Yuki deu ombros e entrou, na realidade achava que sua mãe era controladora de mais e não suportava o jeito que tratava Sakura.
***AWS***
O carro se encontrava em total silencio, Sakura estava cansada daquele dia e não queria aborrecer Sasori com as sandices da mãe. O ruivo observava bem a estrada, mas estava preocupado com Sakura que depois de entrar no carro não dizia nenhuma palavra, estava certo que sua mãe havia feito alguma coisa.
— O que minha mãe falou para você? – foi direto ao ponto.
— Nada querido, não se preocupe com isso.
— Vamos Sakura diga, eu conheço você e tem algo te incomodando – a rosada suspirou, não conseguia esconder nada dele era inevitável.
— Ela disse que eu estou com você por causa do dinheiro.
— Como é? – não estava acreditando no que a mãe havia feito e falado, aquilo tinha passado dos limites – Eu vou voltar lá agora e resolver isso, minha mãe não pode te tratar desse jeito.
— Sasori deixa do jeito que está – disse preocupada – Estou acostumada com sua mãe e se voltarmos lá será mais um motivo para ela me odiar.
— Mas querida...
— Tá tudo bem, estamos indo viajar e vamos ficar longe disso tudo, só nos dois – segurou nas mãos dele, que retribui-o sorrindo.
— Só nós dois... –quando ia falar algo mais, ambos os dois sentiram o impacto que o carro teve. O automóvel deslizou pelo gelo e caiu de uma ribanceira fazendo um grande estrago.
***
O telefone não parava de tocar, eram 23:30 quem seria aquela hora. Muito contragosto parou de tirar a maquiagem e atendeu o telefone com mau humor.
— Alo?
— É a senhora Mei Akasuna? — dava para ouvir barulho de sirenes.
— Sim... quem está falando? – seu coração agora estava apertado e não sabia o porquê.
— Sou o oficial da polícia e sinto lhe informar que seu filho e sua nora sofreram um acidente de carro — Agora ela tremia da cabeça aos pés, estava com medo do que viria em seguida, as lagrimas já caiam dos seus olhos.
— A onde está meu filho!? — não obteve resposta – Responda! – já se encontrava aos berros e todos da casa agora estavam ao seu redor, logo em seguida seu corpo caio feito papel no chão e o telefone junto.
— Querida o que houve? – Akira perguntou aflito.
— N-nosso f-filho – lagrimas caiam ela não conseguia falar.
— O que tem nosso filho? – ela nada respondia, então Akira apertou forte os braços dela e balançou seu corpo com força – Diga mulher!!
— Ele está morto! – gritou o que fez todos arregalarem os olhos – Ele morreu!!
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