As Cores
1 Prólogo
Andrômeda olhou a Folha em silêncio, sentindo-se estranha.
Olhou para seus pés e para a Folha, quase anestesiada. Batidas irromperam seu silêncio, assustando-a. Tratou de pôr fogo na Folha de Lua e levantar-se do sanitário, dando descarga. Sua mãe a chamou e ela disse que já estava indo. Lavou as mãos trêmulas. Apoiou-se na pia, respirando fundo, seus pulmões estavam se apertando em volta do coração.
Saiu do banheiro e andou pelo corredor em direção do quarto de Narcissa, mas encontrou a irmã saindo do quarto, parecendo alterada. A festa de aniversário de Orion, tio das duas, estava animada no andar debaixo.
— Ciça... Preciso falar com você... — gaguejou Andrômeda, sentindo sua boca seca. Narcissa parecia a ponto de um colapso.
— Você não vai acreditar no que aconteceu, eu quero morrer! — choramingou ela, batendo o pé. — Aquele demônio quer acabar comigo!
— O quê? — indagou Andrômeda, molhando os lábios rachados, começando a ficar lenta. Tocou Ciça. — Irmã, eu preciso da sua ajuda...
— Sirius mandou uma calcinha minha para Lucius! Por coruja e tudo! — disse ela, a ponto de cair no choro. — E era calcinha usada! O que eu faço agora? A minha vida acabou! Ele vai pensar que sou uma aberração... Eu odeio Sirius, eu vou mata-lo! — a irmã mais nova desceu as escadas abaixo, ainda chorando, sem dar chance de sua irmã falar. Andrômeda respirou fundo e desceu as escadas, procurando sua irmã mais velha.
Adentrou em um dos corredores, provavelmente ela estaria no escritório com alguns amigos, ela costumava fazer isso. Andrômeda abriu a porta do escritório de seu pai e deu um passo para trás, chocada com a imagem. Bellatrix estava com metade do corpo deitado em cima da mesa, sendo que tudo que estava em cima fora jogado para o chão, enquanto Scabior simplesmente metia nela sem dó. A irmã mais velha estava tão concentrada que nem notou a irmã na porta.
— Bella! — sibilou Andrômeda, ainda chocada. Bellatrix olhou a irmã, um pouco assustada, mas nem ela e Scabior pararam.
— Drômeda... — gemeu ela, sorrindo maliciosa. — Sempre intrometida... Fecha essa porta!
A garota seguiu as ordens da irmã, ainda atordoada. Poucos minutos depois, Bellatrix saiu do escritório, arrumando-se. Sorriu para a irmã assim que Scabior saiu, dando um olhadinha para a irmã mais velha de Andrômeda.
— Eu não acredito! Podia ter sido Rodolphus a abrir a porta...
— É, mas não foi. Olha, eu estou casada, mas não morri, ok? Ao contrário daquele eunuco do Lestrange...
— Você fala como se você não fosse uma. — lembrou Andrômeda.
— E não sou. — murmurou Bella, com seus olhos verdes analisando pelo corredor. Andrômeda assustou-se com as olheiras profundas da irmã, provavelmente ela estava sem tomar seus remédios. — Então, o que você quer?
— Meninas! — chamou o homem no corredor. Elas se viraram para o tio Alphard. — Venham, o bolo já será cortado. Fiquem perto de Ciça e os meninos.
Bellatrix sorriu para o tio, agarrando a irmã, andando em direção da festa. Andrômeda não estava se sentindo nada bem, na verdade, estava péssima. A sensação de enjoo tornou-se mais forte quando ela bateu seus olhos nas comidas e bebidas nas mãos das pessoas. Avistou Evan ao longe, que acenou para ela, mas Andrômeda já estava sem forças até mesmo para sorrir. Posicionou-se entre Bellatrix e Narcissa, que esforçava-se para não chorar:
— Eu odeio você, eu odeio... — murmurou ela, choramingando. O pequeno Sirius girou os olhos, parecendo irritado.
— Já passou, que droga, ele vai ver suas calcinhas de qualquer jeito, ok? Só adiantei o processo!
— Bella... — sussurrou Andrômeda, apertando a mão da irmã. Sua visão começou a embaçar. Entretanto, a irmã mais velha estava ouvindo Narcissa relatar o que Sirius havia feito.
— Eu vou contar tudo para sua mãe! — ameaçou Ciça, mas Sirius apenas riu. — Ela vai te bater que nem daquela vez que você deixou o cabelo de Bella azul!
— Ohhhh, estou com tanto medinho! — riu ele, fazendo Bella se irritar.
— Não vai ser tia Walburga a te castigar, praga, vai ser eu! — ela arregalou seus olhos, calando Sirius.
— Meninas... — gemeu Andrômeda, agora apertando a mão de Ciça, mas ninguém estava prestado atenção nela, que já estava sem sentir seus pés.
— Eu não tenho mais medo de você, agora eu também tenho uma varinha! — defendeu-se Sirius, fazendo seu irmão mais novo rir.
— Grande coisa! Você me perguntou ontem se feitiços era com ‘s’ ou ‘ç’, quer que acreditemos que você sabe fazer alguma coisa com a varinha? — debochou Regulus, fazendo Narcissa rir, mas irritou seu irmão mais velho, que deu-lhe um soco no braço. — AI!
— Sirius, não bata no seu irmão... — Andrômeda sequer sentia a voz saindo de sua boca. Antes que pudesse terminar a sentença, seu corpo foi levado para trás por uma força forte o suficiente para apaga-la. A festa pareceu parar por um momento quando Drômeda dava suas últimas piscadas, com o Salão ficando cada vez mais escuro, com toda a força que tinha, aproximou o ouvido das duas irmãs ao seu lado, desesperadas, e contou seu segredo antes de apagar:
— Eu estou grávida... Estou grávida...
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