As Cores

35 Capítulo 34


O sol parecia nunca agraciar aquele lugar no meio do nada.

Seus vizinhos mais próximos eram os Lovegood, e sempre que Andrômeda tentava chegar perto da residência, batia em uma parede transparente que a jogava tão longe que quase quebrou o tornozelo com o impacto.

No fim, os Weasley se mantiveram onde estavam, já que era uma família inteira de sangue-puro. Ted não ficava em casa, e o que antes lhe levava a pensar que estava fazendo aquilo para protegê-las, agora tem ódio, e acha que é para livrar-se. Amarra Nymphadora com um lençol em suas costas e anda pelos campos que rodeiam a casa, pela manhã, apenas admirando, pela tarde, volta, como se Deus estivesse a testando.

Abraão, sendo induzido por Deus a matar o próprio filho para provar lealdade.

Quem passasse por ali, não veria casa, e seria amaldiçoado caso tentasse chegar perto, ficaria confuso e sairia andando, rumo ao nada, até os pés sangrarem. Sua única companhia, estava experimentando outras coisas que não o leite materno, vaidosa como uma Black, não se envergonhando em jogar longe o que não gostava. O rádio não pegava nem mesmo enfeitiçado, mas Ted arrumou o problema quando apareceu depois de semanas, trazendo um outro rádio, que pegava um canal pirata.

Andie o mantinha ligado o tempo inteiro, para ter companhia. Ouvia as notícias e então mudava para música, querendo dissociar.

Às vezes, passava o dia inteiro com Nymphadora na cama, a vendo entreter-se tão facilmente, pura como um anjo, em completo desconhecimento do mundo que a rodeava. Não dormia, com medo de que alguém entrasse, por mais que Ted assegurasse que era difícil até mesmo para ele achar a casa, ela não podia ter certeza. Então tinha cochilos, pesadelos que lhe tiravam o ar e acordava ensopada, no escuro, ou durante uma tarde silenciosa.

Uma noite, conseguiu ver pela janela um homem aproximar-se, tirando a boina, para mostrar o cabelo colorido. Ted abriu a porta depois de quase um minuto de quebra de encantamentos, baixinho, como se fosse uma oração. Ele bufou, cansado, e colocou o casaco atrás da porta.

Andie continuou olhando o nada, um pouco dissociada. Ele sentou-se na cadeira de frente para ela, com a luz da vela no centro da pequena mesa iluminando seu rosto. Com apenas vinte e um, Ted parecia anos mais velho.

— Em uma coisa sua irmã estava certa. — ele pegou algo em seu bolso e colocou na mesa, pegando um para si. Andrômeda o assistiu acendendo o cigarro na pequena chama da vela. — Se não começou a fumar, é melhor começar.

Ele soltou a fumaça, brincando com os buracos da mesa marcada. Andie pegou um cigarro e também acendeu, dando um trago longo, na esperança que morresse de câncer de pulmão rapidamente.

— Se eu pudesse contar ao meu eu de treze anos que eu estaria nessa situação… — ela tragou novamente.

— Eu sairia no soco com meu eu de treze anos. — disse Ted, fazendo Andie segurar o riso, não resistindo e rindo, pela primeira vez em meses.

Uma vida calma era algo que Andrômeda sabia que teria ao lado de Rabastan, e em seus sonhos mais perversos, sabia que o caminho ao lado de Ted era caminhar com os pés em carne viva. O homem pegou sua mão, apertando e ela sorriu, emocionada. Renunciou sua vida tranquila, seu luxo, seu sangue, e o que mais lhe importava, o nome. A lealdade realmente era uma característica Black, e por muitos anos pensou que era algo manipulável.

Mas o coração quer o que ele quer.





Sirius fielmente ignorou Narcissa quando ela aproximou-se para sentar-se na mesa de concreto ao lado de Billius, que contava uma história a James Potter no pequeno jardim.

Ela sentou-se ao lado do ruivo, que lhe deu um breve beijo, voltando à piada. O pequeno Black não falou com a prima desde que os dois foram os únicos a presenciarem Andrômeda dentro Mui Antiga e Nobre Casa dos Black. Conhecendo bem o menino, Sirius ia para o túmulo com aquela informação, e Narcissa planejava fazer o mesmo. Agora Lucius não tinha absolutamente nada para ser usado contra ela, e se ele temia que ela abrisse a boca sobre Abraxas, saberia que Narcissa não era baixa a ponto de compartilhar segredos que não eram seus, uma questão de honra.

— Sem chances que você montou o dragão, Prewett — cortou o Potter, segurando um sorriso — Cacete, você é muito mentiroso.

Billius fingiu choque, parecendo ofendido.

— Ei, educação, ok? Sou mais velho que você. — Cissy riu e Billius pegou em sua cintura, sorrindo para James. — Conhece minha namorada?

O garoto de madeixas negras olhou Cissy brevemente, forçando um sorriso. Claro que conhece, Sirius deve ter feito uma ótima propaganda, pensou Narcissa, oferecendo a mão para que James apertasse. Ele tinha olhos cor de mel e sobrancelhas grossas que eram abafadas pelo óculos. Se fosse verdade que era fruto de muitas poções bem elaboradas para fertilidade, Euphemia teve sorte que ele não nasceu deformado. Na verdade era bem bonito.

— Prazer. — cumprimentou James, educado.

— Como vai seu pai? — ela apertou sua mão e ele congelou. Soltou a mão de Narcissa educadamente e assentiu, não conseguindo olhá-la por muito tempo.

— Ainda doente… Mas bem cuidado. Obrigado por perguntar.

— A gente devia ir — levantou-se Sirius. — Temos aula daqui a pouco.

— Que mentira, vocês não têm aula depois das 16h. — cortou Billius, quase levantando-se também.

— Acertou, só não quero ficar perto dela, me dá náusea — Sirius olhou Narcissa com desprezo e foi embora. James olhou para os dois, constrangido, e seguiu o amigo, não olhando para trás.

Billius sentou-se novamente e a garota continuou olhando o rapaz de treze anos caminhar em direção do Castelo, envergonhada demais para olhar Billius. Ela não pôde deixar de perceber que aquele breve namoro teria que realmente ser apenas à dois, já que envolver amigos e colegas era colocar Billius, um rapaz muito simpático e cheio de amigos, em situações desconfortáveis como aquela, que não era a primeira e provavelmente não seria a última. De um lado a olham torto por andar com um Prewett, e para Billius, os amigos permanecem mas sempre insistindo que ele estava cometendo um erro ao andar com uma filha de fascistas, termo que Narcissa ficou abalada ao ouvir pela primeira vez. Ela mordeu os lábios rapidamente, agora olhando a mesa, brincando com algumas folhas que estavam em cima dela.

— Bem, se serve de consolo, seu primo é meio idiota — Cissy riu, finalmente o olhando. — Deve ser de família. Posso garantir que ele vai piorar conforme cresce.

— Provavelmente — concordou Narcissa, sorrindo.

Quando perguntou se ele não se incomodava, Billius pareceu não ter vergonha em dizer que não.

Beirut — Gallipoli

— A vida é curta demais, prefiro me arrepender do que ficar pensando que eu poderia ter feito e não fiz — Então ele sempre pega em sua mão quando andam pelos corredores. A espera na porta até que sua aula acabe e possam almoçar juntos. Sempre com um presente novo, por mais que fossem simbólicos, Cissy os agradecia como se ele tivesse lhe dado uma pedra de ouro cravado.

Ele achava engraçado o jeito fútil de Narcissa, incomodada até mesmo se a colher estivesse muito arranhada.

— Acredita nisso? Colheres arranhadas para comermos tortas! — debocha ele, fazendo a garota gargalhar, envergonhada. E ela achava curioso como ele não tinha a menor vergonha de nada, absolutamente nada. Narcissa passava horas e horas no sofá da Sala de Duelos com Billius em cima dela, brincando com suas madeixas loiras, rindo e contando aventuras, como é sua família, chocando Narcissa com costumes que ela desconhece, festas barulhentas, com crianças correndo, piscinas improvisadas, gnomos baderneiros e jardins esburacados, picolés de limão azedos o suficiente para gerar caretas engraçadas.

— Minha mãe ia morrer se eu te levasse em casa, de vergonha, eu digo. — ele adorava fitar Cissy, não acreditando que alguém conseguia nascer com aquele rosto perfeito — Você é muito chique, muito rica, ela ia surtar.

— Que tipo de mulher ela acha que você iria namorar? — Billius deu de ombros e Narcissa sentou-se no sofá, chocada — Você é um bruxo de puro sangue, não foi prometido pra ninguém?

Billius gargalhou, ofendendo Narcissa um pouco.

— Não? — riu ele. — Merlin, vocês são intensos.

Ela olhou pela janela, ignorando o sol forte.

— Não planejamos nosso futuro tanto assim… Não sei o que ele vai me trazer, então não espero nada. Ele me trouxe você, e aqui estou.

O garoto ruivo passou a mão na coxa de Narcissa, a fazendo arrepiar. Ela encostou a boca no próprio braço, ainda pendurada no sofá, fingindo prestar atenção na vista.

— É o suficiente para mim. — Estavam a semanas com Cissy decidindo se dava ou não aquele passo adiante, mas era inútil privar-se daquilo. Deixou que o garoto finalmente conseguisse dar um passo além do limite mal dado que ela estabelecera. Foi beijada da forma mais desejada que uma garota poderia ser, enquanto delicadamente ele tirava sua saia, e depois, sua calcinha, seu toque, até os mais apertados, eram de desejo, e não para machucá-la como Lucius fizera.

Cissy tremia, porque aquela realmente era a sua primeira vez, a sua primeira vez de verdade. Sentia medo de ser machucada como fora antes, mas Billius era delicado, paciente e amoroso. A garota desconfiou que ele já fizera aquilo tantas vezes que aquela era só mais uma vez para ele. E provavelmente era, pelo pouco que se lembrava de Billius nos anos que não se falaram, ele não desperdiçava suas oportunidades.

Quando o garoto beijou sua barriga, encaminhando-se para baixo, Narcissa morreu de vergonha, tapando o rosto, primeiro de constrangimento, que após alguns minutos, era de puro prazer. Billius assustou-se quando ela gritou e afastou-se, rindo em seguida ao perceber que Cissy tinha tido seu primeiro orgasmo. Beijou seu pescoço quando a penetrou, devagar, aos poucos, pacientemente, preocupando-se com o conforto dela.

Sequer precisava ser tocado, assistir a garota delirando de prazer era o suficiente para excitá-lo.

Em poucas semanas, que depois se transformaram em meses, Narcissa descobriu o que era ser bem querida, desejada e… Amada. Como um bom grifinório, Billius tinha um ar desafiador, era capaz de duelar com alguém que questionasse seu namoro. Riam na pequena praça de Hogsmeade em tarde de neve, depois de primavera, e também de verão. Já tinham piadas internas, e uma mesa preferida no Três Vassouras, onde se atualizavam dos acontecimentos.

Narcissa, temerosa, preferia ignorar que estavam em guerra, o que seria loucura se fosse um Grifinório mais orgulhoso, mas Billius não parecia muito preocupado com a Inglaterra desabando e nem que a garota pertencesse a uma família não muito respeitável. Embalou pacientemente uma pequena caixa, na véspera do início dos N.I.E.M’s, que estava enlouquecendo seu namorado, mesmo que ele não soubesse para que iria prestar.

Após a prova, o encontrou no jardim, visivelmente exausto.

— Olha, ainda bem que precisa de boas notas para ser Curandeiro, porque se deixassem qualquer um passar, eu matava alguém com o veneno que fiz hoje na prova. — bufou ele, deitando-se na grama. Cissy pousou a caixinha em cima de seu peito e o garoto pulou, sentando-se e sacudindo. — Que isso?

— Abra!

Billius tirou o embalo de forma delicada e abriu a caixa, paralisado.

Pegou o relógio de ouro, e Narcissa congelou, vendo Billius assustado pela primeira vez na vida. Ele a olhou de olhos embargados, tocando a boca, recompondo-se. Colocou o relógio no pulso e abraçou Narcissa, sem conseguir falar. Sabia que um relógio era um presente tradicional para um bruxo de dezessete anos, não achou que ele ficaria tão emocionado, provavelmente tinha recebido um da mãe. Ou não, pensou Cissy, sentindo-se idiota.

O garoto lhe enchia de chocolates e flores, mas como Lucius dissera, ele não tinha nem mesmo a primeira parcela daquele relógio, ou de seu anel de diamantes. E ainda assim, ele era duas vezes o homem que Lucius Malfoy nunca poderia ser. Sorriu para o garoto, fascinado com o relógio de ouro, o elogiando, porque realmente ficou bonito nele.

Ele merecia muito mais que um relógio.



O homem pousou o copo de uísque na mesa de Avery, observando o homem se achar entre papéis. Os dois tinham a mesma idade, mas o rosto de Tom envelhecia de uma forma diferente da de Avery, já visivelmente cansado. O Riddle observava suas rugas, sempre chocado com a natureza humana, que destruía o que construiu lentamente como uma árvore que viu demais.

Ele finalmente tirou os óculos de leitura e respirou fundo.

— Não quero mais fazer isso. — disse, encostando-se na cadeira.

Tom franziu o cenho.

— Como?

— Não quero mais me envolver nisso — Avery acendeu um cigarro.— Estou velho demais, meu filho precisa de mim. A última vez que fiz um trabalho para você, fiquei seis meses fora.

— Avery-

Não — Tom riu, desacreditado que alguém estava se “demitindo”. O homem o fitou, não temendo o Lord das Trevas — Chegou minha aposentadoria.

— Avery, eu preciso de você-

— Não, você não precisa mais — o homem sorriu. — Não mais.

Tom respirou fundo, assentindo. Como ele iria fazer para manter seu melhor duelista ao seu lado sem obrigá-lo, pois sinceramente sua mão coçava para lançar um Imperius. Mas não, nem ele nem Avery precisavam daquilo. Olhou o escritório do homem, lembrando-se que há vinte, trinta anos atrás, aquele foi o lugar em que estudou muitas coisas. E por aqueles corredores ele andou, exausto depois de um turno da Borgin and Burkes, e também por aqueles corredores andou quando retornou após anos de viagem, estudando.

Concordou, também acendendo um cigarro.

— Tudo bem — concordou Tom, fazendo Avery franzir o cenho. — É justo.

Os dois se olharam, em silêncio. Avery era seu mais fiel companheiro, e Tom, para Avery, era um amigo. Esquisito, mas um amigo.

— Por favor, fique com seu cargo no Ministério, como um presente, por todos esses anos. Não preciso mais que me passe informações — Riddle pegou seu copo. — E para a sua segurança, irei me mudar.

— Tom…

— Ninguém me chama desse jeito há um bom tempo, Avery — alertou Riddle, tragando seu cigarro. — E é melhor que esqueça esse nome.

Kiasmos — Dragged

Avery maneou a cabeça negativamente, não impedindo que o homem de madeixas negras se levantasse. Levantou e ignorou a mão que Tom lhe oferecia para que apertasse, o abraçando brevemente. Tom bateu em suas costas, retribuindo brevemente. Tom Riddle sorriu, dando um tapinha no rosto do velho amigo, antes de partir, como se o universo lhe desse sinais, as coisas estavam para mudar.

E mudavam.

Ele só precisava mandar, quase não presenciava nenhum atentado que lhe davam tamanho crédito. Após o ataque de criaturas mágicas à Londres, ele já não precisava fazer muito para assustar a população bruxa. Como um professor ancião, ensinava alguns Comensais mais preciosos para ele, como Bellatrix, Dolohov, Travers, Yaxley… E conforme o tempo passava, os mesmos viraram seus auxiliares, também ensinando outros. Chegou ao ponto de ter tantos seguidores que poucos se conheciam entre si, apenas os que estavam ao seu lado há anos.

Quase no fim do sétimo ano de Lucius Malfoy, ele lhe enviara uma carta dizendo que tinha conseguido um infiltrado na Grifinória, não oficial, mas que com os anos, e com as pessoas certas que Lucius deixara em Hogwarts, ele se tornaria um ótimo espião.

Sobre a espada, Tom precisava de um grifinório sangue-puro para manipular, alguém que tivesse uma forte descendência com Godric Gryffindor. Quando acharam um, Tom foi em pessoa até Hogsmeade, coberto em negro no Cabeça de Javali, olhando o garoto de madeixas negras e rir e se divertir com amigos em uma mesa não muito longe de onde ele se sentou com Lucius e outros garotos.

É o Potter — Sussurrou Lucius, e Tom se contorceu de ganância. O sangue que corria pelas veias daquele garoto era quase ouro, uma linha genealógica pura feito água cristalina, tinha que ser ele. Assim como ele, o garoto levava o sangue de um bruxo poderoso nas mãos. — Eles vão dar sequência ao trabalho.

Tom finalmente prestou atenção nos garotos sentados ao lado de Lucius. O primeiro ele reconhecia, Regulus Black, quase um bebê quando Tom pisou na Mui Antiga e Nobre Casa dos Black pela primeira vez. Olhou o garoto, desconfiado de que ele conseguiria fazer muita coisa, o irmão mais velho dele sempre chamou mais atenção de Tom. Ao seu lado, um menino franzino não teve coragem de olhá-lo.

— Esse é Severus Snape, é da mesma idade que o Potter. — Tom olhou o garoto de olhos negros quando ele finalmente levantou a cabeça. — Um pequeno gênio em Poções, já ganhou um concurso e tudo…

Lucius continuou vendendo a imagem do garoto, que finalmente olhou o homem que o encarava.

Tom Riddle lhe cedeu um breve sorriso, mas Severus Snape não retribuiu.

Notas finais
Gente, eu sei que esse relógio é do Fabian, mas foda-se hahahahahahahahaha Agora é um presente geracional do Billius. E fuçando até demais o wiki, apesar do sobrenome Prewett, não dá pra saber se ele era ele era primo ou era irmão da Molly. Os gêmeos, pequei em esquecer da existência deles, então vamos colocá-los com uma idade mais próxima da Molly do que do Billius, então já estão formados. Outra coisa interessante pra mim nesse capítulo é o Tom querendo o James para pegar a espada sendo que anos mais tarde quem pegaria, além do Harry claro, é o próprio Snape kkkkkkk
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.