As Cores
25 Capítulo 24
A garota pousou sua taça em uma mesa qualquer, enjoada.
Bufou, abrindo espaço entre as pessoas, ficando nas pontas dos pés, procurando Cissy ou Bella. Deu alguns passos para trás e tombou em ninguém menos que Papa Legba. Arregalou os olhos para o homem, que sorriu para ela antes de continuar a andar. Eu tropecei no bruxo mais poderoso da África, sussurrou ela para si mesma, sentindo um choque de adrenalina.
Avistou sua tia Walburga conversando com uma mulher ruiva de cabelo frisado. Agarrou o braço da tia, carinhosa, deitando sua cabeça em seu ombro.
— Ah, Jones, essa é minha sobrinha Andrômeda. — a mulher sorriu, educada, apertando a mão de Andie.
— É uma bela bruxa! — sorriu ela. — Me lembra uma jovem Rowena.
Andie arregalou os olhos com o elogio, rindo, nervosa.
— Não compare a menina a Rowena, aquela idiota arrogante. — resmungou uma mulher alta, com cabelos negros incrivelmente longos. — Só de lembrar daquela imbecil eu já sinto enjoo.
— Eu gostaria de ir até Hogwarts para conversar com Helena, ela era uma garota esperta... Pelo menos parecia ser. — comentou uma mulher loura, com um nariz mais empinado do que o de Druella.
A mulher sorriu para ela, tocando seu chapéu pontudo levemente, com suas unhas afiadas. A garota sabia quem elas eram, Joan Wytta, Margareth Jones e Alice Kyteler, as bruxas mais antigas do mundo bruxo. Todas adeptas a magia negra. Tia Walburga parecia muito amiga delas, mas Andrômeda ainda sentia-se desconfortável. Despediu-se do círculo e pensou em pedir uma poção para Kreacher, não estava se sentindo muito bem.
Parou em um pilar que dava no jardim, gemendo de desconforto, implorando para vir uma brisa gelada bem em sua cara.
— Tudo bem, docinho? — ela olhou Charlotte Avery de canto de olho. Ela sorria, dócil, sua uma pequena barriga, que acariciava com amor. — Quer um pouco de água?
— Melhor não. — Andrômeda estava fraca demais para sorrir. — Eu comi demais, eu sempre faço isso.
— Eu também estava tendo crises de enjoo até mês passado, quando completei três meses. — Ela conjurou duas cadeiras apenas com um estralar de dedos, assustando Andrômeda, que segurou-se no pilar, olhando a mulher com olhos arregalados. — Sente-se, querida.
Andie praticamente jogou-se na cadeira, sentindo-se tonta. Charlotte abriu sua pequena bolsa, tirando um frasco pequenino, com um conteúdo transparente.
— Tome, vai passar na hora. — Andrômeda pegou o frasco, com a visão turva, fraca até mesmo para respirar. Tomou todo o conteúdo, sentindo sua garganta queimar. Fechou os olhos com força, tocando seu pescoço, em segundos o suor gélido parou e o mal estar simplesmente sumiu, como se ela tivesse fingido até aquele momento. — Melhorou?
— Sim... Uau, muito obrigada. — sorriu ela, enxugando o suor em sua testa. — Pensei que ia morrer.
Charlotte riu e as duas se encostaram em suas cadeiras, observando o jardim lotado, na pista de dança improvisada. Andie riu quando viu Sirius levar um aperto de orelha de tio Orion, que o levava para longe.
A Avery semicerrou seus olhos e deu um breve gemido de reprovação, olhando para um homem pálido sendo apresentado para o pequeno Lucius Malfoy, ao lado de Abraxas. Andrômeda olhou a mulher rapidamente e então olhou o homem que andava com Bellatrix. Ela sentia algo estranho ao redor dele, não gostava em como ele vivia sussurrando coisas no ouvido de sua irmã, mas era tão incrivelmente bonito e charmoso que ela quase morria de vergonha quando ele a olhava.
— Você o conhece? — perguntou Andrômeda. Charlotte acariciou o pentagrama em seu pescoço, ainda de olhos semicerrados.
— Ele é o Prometido. — disse ela. — O Lorde das Trevas.
Andrômeda olhou a mulher com um escárnio reprimido. Wiccas, pensou consigo mesma, girando os olhos. Charlotte sentiu o descaso de Andrômeda e a olhou com curiosidade.
— Estranho você não ser religiosa, sua irmã é muito devota.
— Eu rezo para mim, por mim mesma. — retrucou Andrômeda, cética. Charlie a olhou, reprimindo um sorriso.
— Acho que deveria começar a rezar para a Deusa. — alertou ela, levantando-se, e passando a mão na cadeira, a fazendo sumir. Andrômeda a ignorou e continuou olhando o tal Lorde das Trevas, suspirando.
Narcissa tomou um gole de uísque e contorceu o rosto em uma careta, sentindo-se envenenada. Colocou o copo na mesa, forçando-se a não vomitar e pegou outra coisa, ainda enojada com o gosto forte.
Ela analisou o Salão com tédio, fingindo ouvir o que as garotas ao seu redor falavam. Olhou Nzogi de canto de olho, ainda pensando no que faria com ela pela traição. Sorriu, dócil, pensando sinceramente em envenená-la e deixa-la careca. Cissy sentiu um arrepio agonizante como se tivesse levado um choque. Seus olhos correram rapidamente para uma mulher negra de turbante não muito longe dela. Narcissa pareceu congelar no chão, não conseguindo desviar o olhar maligno.
Não demorou muito para a mulher atravessar o Salão em sua direção, com ninguém menos que Papa Legba atrás dela. Olhou para cima, ela não era tão alta, mas parecia tão grande que Cissy sentiu-se menor que um elfo.
— Uma veela... A última vez que vi uma quase tive minha cabeça arrancada com a fúria. — Nzogi soltou um gritinho de surpresa, ajoelhando-se em um segundo. Narcissa olhou a reação, confusa, mas a mulher não tirava seus olhos dela. — Levante-se, criança.
Nzogi levantou-se, trêmula.
— Eu não sou uma veela. — corrigiu Narcissa, tentando manter sua arrogância habitual. A mulher fingiu-se de surpresa.
— Não? Parece muito uma... — ela tocou o queixo de Narcissa. Ela sabia que a mulher estava lendo sua mente. — É francesa? Tem a mente de uma.
Cissy negou, temerosa.
Não ouse tocar Nzogi, a garota sentiu seus olhos se encherem de lágrimas enquanto a mulher de turbante sorria mais e mais, acariciando seu maxilar. É melhor nem tentar.
— Rainha Ifemelu, que prazer! — Narcissa abaixou o rosto, trêmula, não conseguindo evitar o choro baixo, nunca sentiu tanto medo em sua vida. Sentiu as mãos de sua mãe afundarem seus ombros e ela soube que podia sair dali. Passou, ainda de cabeça baixa, por Nzogi e Clementine, quase correndo para fora do Salão. A garota só sentiu sua respiração novamente quando chegou no jardim, tremendo violentamente.
Notou Andrômeda mordicando um aperitivo, assistindo o show no jardim, e foi até ela, ainda trêmula. Abraçou a irmã, apavorada. Andie a abraçou de volta, preocupada, perguntando o que acontecera.
— Tem uma bruxa de voodoo aqui! — esganiçou Cissy. — Ela entrou na minha mente!
Andie arregalou os olhos.
— É a Rainha Ifemelu! — disse ela. — Por que a Rainha Ifemelu entraria na sua cabeça?
Cissy congelou, engolindo seco.
— Ela pensou que eu era uma veela. — disse ela, segura.
— Ter a mente invadida pela deusa Ifemelu... — sorriu Andrômeda, olhando para o nada. — Eu queria ter esse privilégio.
Narcissa olhou a irmã como se ela fosse retardada e simplesmente arrancou o petisco de sua mão, comendo o doce. A garota não estava gostando nem um pouco daquela festa de casamento de Bellatrix, tinha muita gente estranha, e ela jurou ter visto um lobisomem ao lado de MacNair, conversando com o senhor Crabbe.
Andrômeda começou a mexer-se com a música, fechando os olhos, adorando a mistura delicada de instrumentos. Cissy continuou dura, relembrando do terror que passou, mas Andie realmente gostara da música e não hesitou em pegar a mão da irmã, a levando para o meio da pista, abrindo espaço entre um monte de gente, indo para bem perto do palco. Ela girou uma Narcissa irritada, que segurou um sorriso, fingindo estar achando tudo um completo tédio.
As duas deram passos de valsa, onde Andie fazia o papel do homem, gargalhando, com os pés de Narcissa em cima dos seus. Ela passou seus olhos nas duas cadeiras semelhantes a tronos onde Rodolphus e Bellatrix admiravam a festa. O homem parecia mimá-la, beijando sua mão, mas a jovem mulher parecia querer explodir tudo com os olhos. Andie largou Cissy e foi até Bella, lhe dando a mão.
Bellatrix olhou a irmã, forçando um sorriso leve, negando o pedido com a cabeça. Entretanto, Andie insistiu, pegando a mão de Bella ainda assim, a levantando. Bellatrix a olhou, irritada, mas não sentou-se novamente. Andrômeda a levou até a pista, onde Cissy girava sozinha, embalada pela música. A garota de cabelos castanhos pegou a mão da irmã mais nova, a fazendo dar a mão para Bella.
A de cabelos negros viu onde aquilo ia dar, ela ia fazer o círculo, algo que fazia quando eram pequenas, fazendo folhas flutuarem no centro. Bellatrix andou lentamente, como as outras duas, sem tirar seus olhos de Andrômeda, que olhava Narcissa, que olhava Bellatrix.
As cores se misturavam em um looping eterno, se completando. Cada peça era fundamental para que o degradê ficasse perfeito.
Do mais claro ao mais escuro, como se completassem em uma fórmula incopiável. Bellatrix finalmente sorriu e abraçou suas irmãs, rindo. Andrômeda beijou sua bochecha, apertando sua cintura da mesma forma que Cissy o fazia do lado contrário. Ela já não era uma Black, seu destino finalmente fora assinado. Andie voltou a sentir o mal estar, afundando seu rosto no pescoço de Bella, desconfortável, enquanto Narcissa olhava Lucius ao longe, lhe dando um sorriso confidente.
O garoto sorriu levemente, assentindo.
Tom observou as irmãs de longe, saboreando seu copo de uísque. Avery posicionou-se ao seu lado, também observando as mulheres Black. O homem ajeitou seu terno, parecendo ter corrido em vez de aparatado. Ele aproximou-se do homem pálido, passando a mão em seu cabelo.
— Nobby Leach está morto. — anunciou, arrumando a gravata. Tom sorriu lentamente, sem olhá-lo.
— Você deixou a mensagem? — questionou ele, sem tirar os olhos de Bellatrix com suas irmãs. Avery deu um leve riso, voltando a olhar para as meninas.
— Sim, senhor.
No dia seguinte, estava em todos os jornais bruxos no mundo a terrível imagem censurada do corpo morto do ex Ministro da Magia, Nobby Leach, pendurado na enorme estátua de um bruxo, no hall do Ministério da Magia da Grã Bretanha. Seu rosto estava desfigurado e sua camisa fora rasgada, onde seu torso fora marcado a fogo:
Morte aos Trouxas
A Marca Negra demorou para conseguir sair do teto do Ministério.
Voldemort sorriu lentamente, terminando todo o seu uísque. Virou-se para Avery, respirando fundo, assentindo.
— Vamos destruí-los. — sibilou o homem, colocando a touca de sua capa, voltando-se para o salão, acompanhado de Avery.
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