As Cores
20 Capítulo 19
— Eu queria ter estado lá... Com você. — disse Ted, apertando a mão de Andie. A garota suspirou, olhando o mar. Ela não estava cem por cento segura da aparatação de Ted quando ele disse que deveriam ir para a praia de Brighton, mas não teve medo de morrer quando abraçou o garoto e fechou os olhos, esperando aparecer no local. Eles andaram por algumas horas até o local mais vazio da praia, onde Ted disse que sempre ia com com Frank e Arthur.
Mas estava fazendo frio o suficiente para que sequer se aproximassem da água, sentados nas rochas do local. Andrômeda ainda estava recuperando-se do luto, mastigando a nova realidade, com medo do que o futuro estava guardando.
— Eu nem lembro qual foi minha última real conversa com ele. — disse Andrômeda, focando-se nos olhos azuis de Ted. — Ele nunca guardava as conversas para mim, era como se... Ele confiasse em mim o suficiente para isso. Ele sempre tinha uma conversa para Bella e Cissy, mas para mim... Eu já sabia o que fazer, ele não precisava conversar.
O garoto beijou o rosto de Andrômeda, tentando sugar os pensamentos de sua mente. Ela o empurrou levemente, cansada. Ele segurou o riso, olhando o mar. Nem mesmo em luto ela deixava de ser rabugenta.
— E agora, o que vai acontecer com vocês? — indagou Ted. A garota deu de ombros.
— Bem, Bellatrix está tentando tomar a frente da família, mas não vai funcionar. Tudo que estava no nome de meu pai vai passar para tio Orion e depois para Sirius, e para Regulus e qualquer outro homem que aparecer.
— Mas isso não é bom? — a garota virou o rosto lentamente, o olhando enojada. — Desculpe, não é bom...
— Não importa se é bom ou ruim, é injusto. Ela não pode assumir as responsabilidades do meu pai só porque é uma mulher. Como se ela tivesse escolhido. Como se ela fosse burra ou incapaz por ser mulher...
— Que exagero. — riu Ted. Andrômeda o olhou tão séria que o garoto se assustou. — Desculpe?
Ela maneou a cabeça negativamente, o chutando para longe e levantando-se, indo para mais perto da orla da praia. O garoto suspirou e levantou-se, alcançando a menina, caminhando ao seu lado. Parou na frente dela e agarro seus braços, mexendo-se em uma dança. Andrômeda parecia um boneco de pano, sendo balançada sem nenhuma animação para.
Andrômeda acabou cedendo, dando alguns passos, rindo de como Ted não sabia nada sobre dança clássica. Os dois afundaram os pés na areia girando em passos improvisados e gargalhadas de tropeços.
...
Bellatrix parecia sentir o demônio a seguindo a cada passo.
Ouvia os saltos de suas botas afundarem no mármore escuro do prédio do Diretório Sangue Puro. Seu vestido negro rodeado de rendas e detalhes únicos arrastava-se pelo chão, cobrindo seu corpo por completo, até o pescoço. Olhou os detalhes das paredes, semelhantes as raízes da árvore genealógica na tapeçaria da Mui Antiga e Nobre Casa dos Black. Parou diante dos dois seguranças que protegiam a grande porta de mármore, que passaram suas varinhas levemente, a fazendo abrir-se para Bellatrix.
Manteve seu queixo erguido, ereta, por mais que seu coração estivesse perto de explodir em sua caixa torácica.
Entrou na sala falante, repleta de homens. A mesa oval tinha os vinte e seis (duas famílias foram extintas) representantes das famílias de sangue puro da Grã Bretanha. Ela ignorou o silêncio que deitou-se sob a sala e continuou emitindo o som profundo de suas botas a cada passo que dava em direção da cadeira de seu pai, sentando-se.
— Bom dia, senhores. — sorriu Bellatrix.
Ela estava apenas duas cadeiras de distância do homem idoso que sentava-se na ponta, Fleamont Potter, direcionou lentamente seus olhos azuis gélidos para Bellatrix, brincando lentamente com seu anel de serendibite, uma das pedras mais caras e raras de todo o mundo. Ele era o diretor do Diretório, os Potter, a família com mais vassalos e poderes aquisitivos.
— Senhorita Black, estavamos esperando... — ela sorriu docilmente para o homem, cruzando as mãos sob a mesa.
— Um homem? Meu pai também esperava. — sua voz era suave, mas seus olhos tinham o veneno de sempre.
—... Seu tio. — completou o Potter.
— O meu tio tem seus compromissos e eu sou a herdeira de meu falecido pai.
— Desculpe, quem é essa garota? — ela olhou o velho Crouch, colocando seus óculos. — Estou velho demais pra esta merda.
— Senhor Crouch! — riu Evan Lestrange, visivelmente desconfortável. — Esta é...
— Eu sou Bellatrix Rosier Black, senhor Crouch. — apresentou-se ela, levantando-se da cadeira, olhando para todos. — Sou a filha mais velha e herdeira do falecido Cygnus Crabbe Black, Ordem de Merlin, Segunda Classe, Grande Feiticeiro, Conselheiro da Suprema Corte dos Bruxos, Representante da Inglaterra na Confederação Internacional de Bruxos... — ela sorriu. — O homem mais poderoso que o mundo bruxo já viu.
— É, parece Cygnus falando... — ela olhou para o senhor Shacklebolt. — Mas creio que quem deva lhe substituir no conselho é...
— Senhor Orion Black, o sucessor legitimo. — cortou Fleamont Potter. Bellatrix virou seu rosto para ele, lentamente, o olhando friamente.
— A sucessão é de pai para filho. Meu tio Orion não tem nenhuma ligação com...
— O seu tio é o herdeiro de seu pai uma vez que ele não teve filhos homens. — exemplificou Fleamont, como se falasse com uma criança retardada. Bellatrix endureceu-se, ainda de pé, sustentando o olhar inclemente do homem.
— Eu sou uma Black. — sibilou Bellatrix, sentindo seu corpo falhar, determinada a não deixar transparecer toda a raiva que estava sentindo. Os homens na sala não ousaram mostrar apoio, apenas observavam a garota contra Fleamont.
— E eu sou um Potter. — sussurrou Fleamont, sorrindo com ironia. — Você não é o único floquinho de neve nesta sala.
— Se eu não puder me sentar nesta mesa, então eu retiro todas as ações e o nome dos Black do Diretório. — ameaçou Bellatrix, iniciando um burburinho. Evan Lestrange cobriu o rosto com a mão e Abraxas maneou a cabeça negativamente para ela, como um aviso. Fleamont Potter girou os olhos, aconchegando-se em sua cadeira.
— E o que mais? — sorriu Fleamont. Bellatrix sorriu para ele, tocando a mesa, inclinando-se levemente, custando para manter seu controle.
— Eu tenho as casas fiéis aos Black. — ela olhou para a mesa. — Os Parkinson, Carrow, MacMillian, Nott, Rosier, Crabbe, Rowle...
— Sim, sim, você é uma família nobre entre mais cinco. Não se esqueça dos Shacklebolt, Malfoy, Potter, Weasley...
— Os Weasley são uma piada! — cortou a garota, com escárnio. Fleamont deu-lhe um sorriso vitorioso, desviando seus olhos para Septimus Weasley sentado não muito longe dele. A garota ficou ereta novamente, tentando recolher sua compostura. — Eu...
— Somos uma piada, mas temos a família Lovegood, Prewett, Olivaras... — o homem ruivo parecia gentil com Bella. — E sua tia, Cedrella.
Bella engoliu seco, esticando seu vestido, olhando para baixo.
— Marcaremos essa reunião quando o seu tio puder comparecer. — encerrou Fleamont Potter, levantando-se, assim como os outros homens. Bellatrix sentiu seu corpo trêmulo enquanto ela expirava agressivamente, fechando as mãos violentamente, forçou um sorriso, erguendo o queixo para o homem velho.
— É uma pena que meu pai não tenha tido sua fertilidade. — ela virou-se, seca. — Os boatos não são gentis com Euphemia Potter. Me diga, qual das poções de Magia Negra ela usou para ter... Qual o nome dele? James, certo?
O homem aproximou-se, rindo, próximo o suficiente de Bella. Ela enrugou o nariz de nojo da pele flácida e envelhecida de Fleamont Potter, mantendo toda a arrogância que conseguia manter de pé. Ele olhou para ela com o mesmo odiável tom que Dumbledore a olhava, como se fosse apenas uma criancinha recém nascida querendo saber mais que todos.
— Você é incrivelmente parecida com seu pai, mas é vaidosa e arrogante. Cygnus foi um grande homem, todos sabem disso... Mas ele não construiu seu império sendo uma criança mimada.
Bellatrix manteve seu queixo erguido, com o rosto contorcido de ódio. Ele a analisou, gélido, afastando-se.
— Tome cuidado, criança.
...
Bellatrix praticamente invadiu o gabinete do Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia no Ministério da Magia. Orion Black olhou para a porta, alarmado, erguendo-se de sua cadeira, com as duas mãos sob sua enorme mesa. O homem com quem seu tio estava discutindo antes dela invadir o local era ninguém menos que o General do Quartel dos Aurores, Alastor Moody.
Ele avaliou a garota com mordacidade.
— Quem pensa que é para invadir meu gabinete, garota? — cuspiu Orion, visivelmente enfurecido. Moody levantou-se com dificuldade e a garota retorceu seu nariz com asco com seu cheiro. Ele fazia um barulho irritante com a quantidade de tralha que levava em sua capa e sua perna mecânica, deixando aos poucos de ser um homem forte e se tornando gorducho.
— Não vou ficar para ver briga de família. — ele bateu seu cajado com força ao passar por Bellatrix, molhando os lábios, olhando o torso da garota. — Tenho mais o que fazer, agora Orion... — ele apontou para o tio de Bella, ameaçador. — É melhor me dar a permissão de investigar os Avery antes que...
Orion ergueu-se, colocando os braços atrás das costas.
— Discutiremos isso outra hora, Alastor. — retrucou ele, gélido. O Auror bufou e saiu do gabinete, fechando a porta com violência. Orion sentou-se novamente, sem tirar seus olhos de Bellatrix.
— O que pensa que está fazendo aqui?
— Não me deixaram participar da reunião do Diretório. — ela sentou-se diante dele, de olhos arregalados de urgência. — Aquele maldito Potter...
— Merlin, o Diretório. — Orion apertou as laterais de seu nariz, parecendo exausto. — Me esqueci completamente disso. Maldito seja Cygnus por morrer logo agora...
— Tio, não precisa assumir as...
— Cale a boca, pelo amor de Merlin, Bellatrix, apenas Ele sabe o quão insuportável é a sua voz. — ele bateu na mesa e apontou para a garota. Ela olhou seu anel de ouro com o símbolo da Casa dos Black, ignorando seus dedo quase em sua cara. — Eu não sou seu pai e nem tenho a paciência que ele tinha com você. Devia ter me avisado da reunião e não ter ursupado meu lugar.
A garota abaixou a cabeça, profundamente irritada. Orion observou como ela movia-se para frente e para trás levemente, de forma recatada, diferente de quando era criança, que movia-se daquele jeito de forma quase violenta, parecendo uma louca. Suspirou e voltou para seus pergaminhos, assinando a inscrição dos novos alunos do Quartel. Deu um risinho de escárnio ao assinar a matrícula de Frank Longbottom.
— Por sorte sua, eu não quero nada de Cygnus. — a garota subiu seus olhos para o tio, ainda de cabeça baixa. — Nunca tive a paciência que ele tinha para esses negócios de reunião e planejamento. — Ele largou sua pena e cruzou suas mãos sob a barriga, sorrindo. — Sou um homem de batalhas.
— Então me dê seu voto, tio. Deixe eu representa-lo no Diretório. — implorou Bella. — Por favor tio... Eu sei o que fazer, se não soubesse eu não seria filha de meu pai.
Orion olhou para Bellatrix com deboche.
— Como tem coragem de se comparar a Cygnus? — riu ele. — Não, Bellatrix. Você pode até ter herdado a inteligência e a arrogância de Cygnus, mas quem herdou o calculismo e a frieza fora Narcissa.
— Vou provar que está errado. — retrucou ela, ainda de queixo erguido.
— Dane-se, não tenho interesse nos seus showzinhos. — ele pegou a pena novamente. — Falarei com Fleamont amanhã, você irá me substituir no Diretório — a garota sorriu enormemente, arregalando os olhos — mas...
Ele grudou seus olhos frios na menina, como dedo erguido para ela como aviso.
— Não pense que irá tomar uma decisão sequer sem me consultar primeiro. Vou lhe dar essa chance, mas não pense que sou Cygnus. — ele sorriu, perverso. — Um deslize e eu te mando para aquele manicômio na Polônia. Lembra?
Bella suou frio.
— Isso mesmo. — sussurrou Orion, sorrindo. — Agora suma daqui.
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