As Cores

8 Capítulo 07


— Tem certeza que vai passar o dia inteiro me ignorando? — indagou Ted Tonks, sorrindo para a garota que massageava agressivamente sua panturrilha ruim. — Eu sou perito em ignorar. Eu consegui ignorar meus familiares por dez dias. Em uma viagem. Eu fingi que era um cativo.

A garota acabou não conseguindo segurar o sorriso que seu rosto queria colocar para fora. Ela tinha que admitir, ele era extremamente engraçado, era difícil se manter séria. Levantou-se e tirou seus cachos do rosto, tentando não olhar para sua perna deformada pela Varíola. Ela escolheu um dia ensolarado para o quarto treino, em um campo deserto, distante do centro de Londres, ela sabia que os Lovegood moravam por ali, mas não fazia ideia de onde.

— Como vai sua irmã? — questionou ele, tendo dificuldade para se levantar. Andie subiu em sua vassoura, unindo a sobrancelhas para ele.

— Por que?

— Ué, eu me preocupo com meus clientes. — sorriu ele. A garota fez uma expressão de nojo e o ignorou, dando partida. Eles sobrevoaram o campo, tomando o ar fresco no rosto. Andie tinha certeza de que seria uma jogadora de Quadribol, já dissera aquilo mil vezes a sua família, mas ninguém a leva a sério. Sente seu sangue ferver quando seu pai olha seu talento como um bichinho de estimação bonitinho, em que ele deixa fazer algumas artes de vez em quando.

Eles ficaram no ar por algumas horas, enquanto Andrômeda mostrava a Edward como manter-se firme na vassoura e dar impulso sem precisar tanto das pernas. O garoto quase caiu algumas vezes, então ele abaixaram um pouco, temerosos. Após quase quatro horas de treino, eles resolveram guardar as coisas.

Mesmo depois de três semanas de treinamento, ele ainda estava fraco.

— Vamos almoçar! — sugeriu Ted. — Já comeu cachorro quente?

A garota o olhou, apavorada, o garoto gargalhou.

— É uma comida... Que não envolve cachorros.

— Não, obrigada. — ela colocou sua vassoura nas costas e começou a andar em direção da trilha. Ted pegou suas coisas as pressas, tentando alcançar a garota.

— Não seja má comigo, eu quase morri de Varíola. — ele fez um biquinho, mas Andrômeda apenas girou os olhos. — Vai, eu sei que você está com fome.

Ela o olhou, ainda cética. Apertou a vassoura em seus ombros, olhando ao redor, pensativa. O garoto a analisou, segurando um sorriso. Ela vestia-se feito um garoto de alta sociedade com aquelas calças de montaria, a camisa e o colete. Seu corpo não ter as formas definidas ajudavam mais ainda em sua aparência masculina.

— Ok. — disse ela, recomençando a caminhada, virou-se quando viu que Ted estava tendo dificuldades para andar. — Vai logo, você não está me pagando hora extra!

...

Bellatrix olhou a rua de sua casa, desconfiada.

Coçou seu pulso mais uma vez, desta vez, arrancando a pele de vez, sujando suas unhas de sangue. Tocou a boca, trêmula. Seus olhos não queriam piscar. Ela não voltaria a piscar enquanto Andrômeda não aparecesse naquela calçada. Ela tinha sido sequestrada, sabia disso. Ele estava usando uma das pessoas mais importantes de sua vida para prejudica-la.

Balançou a cabeça negativamente, com os olhos piscando freneticamente. Coçou a cabeça, embaraçando seu cabelo mais ainda. O pequeno Kreacher apareceu na sala, novamente com o frasco de poção. Bella arrancou a varinha de seus seios e apontou para o elfo, que recuou sem dizer nada, saindo da sala. Ele não sabia, mas aquela poção era veneno. Tinham entrado na casa e envenenado seu remédio para que morresse.

Subiu as escadas bruscamente, tropeçando em um dos degraus. Entrou em seu quarto e caiu de joelhos diante do pentagrama no chão. Encostou suas mãos cruzadas e testa no chão, trêmula, sussurrando uma oração a Deusa repetidamente, contorcendo-se de agonia

Ó crescente dos céus estrelados, ó florida das planícies férteis... — engasgou em um choro agressivo, apavorada, sentindo que O Homem poderia invadir seu quarto a qualquer momento. Ficou de joelhos novamente, apertando o pentagrama em seu peito, ofegante. — Ó fluente dos sussurros dos oceanos, ó abençoada da chuva suave, ouça meu canto dentre as PEDRAS erguidas, abra-me para sua luz mística...

A porta fora aberta bruscamente por Druella, que não assustou-se com a imagem pavorosa de sua filha. A mulher mostrou a poção para ela.

— Eu fiz essa poção, joguei a de Kreacher fora. — disse ela, firme. Bellatrix entregou-se ao choro, exausta, sentindo um enorme alivio em seu peito. Druella olhou o pulso em carne viva da filha, sentindo seu coração contorcer-se. Deu o pequeno frasco na mão da jovem, assistindo-a tomar tudo, ainda soluçando de tanto chorar.

— Ele pegou Andrômeda... Pegou minha irmãzinha... — soluçou ela, abraçando a mãe. — Ele vai vir me matar, ele vai... Ele vai vir...

— Eu não vou permitir. — sussurrou Druella em um abraço firme. — Só por cima do meu cadáver.

...

Ted soltou um arroto tão longo que até mesmo seu cachorro olhou, assustado.

— Perdão. — sorriu ele, batendo em sua barriga estufada. A garota desviou o olhar, enojada, detestava-o tanto que não conseguia entender como Frank Longbottom poderia ser o melhor amigo daquele traste. Observou novamente a tal cafeteira, impressionada como trouxas eram engenhosos, apesar de serem uma raça tão miserável.

A casa do menino era visivelmente de baixa renda, pequena e escassa em materiais. Não sentia-se confortável em ficar ali, mas sempre tivera curiosidade em conhecer algo trouxa de perto. Seguiu o garoto até a cozinha, observando tudo. Sentou-se no banco da bancada, ainda atenta ao seu redor.

— E então? Gostou da culinária trouxa? — ela deu de ombros, olhando o teto mofado, enojada.

— Não é tão ruim assim.

— Como ousa? — brincou ele, colocando a louça para lavar. Ted coçou a cabeça, brincando com seus suspensórios, dando um olhar dócil para a menina. Ela uniu as sobrancelhas, incomodada.

— O quê?

— Não sei, estou impressionado em saber que você é uma pessoa legal. Eu gostei de te ver durante as férias.

Andrômeda e Ted se entreolharam, como se tivessem se visto pela primeira vez. Ele a achava a mais bonita das irmãs, ele gostava de sua personalidade rabugenta. Ele sempre parava par admirá-la pelos corredores, apesar de nunca ter conseguido chegar muito perto, a não ser pelo Clube de Xadrez. Achou charmoso sua verruga na testa. A garota gostava de seus olhos azuis intensos, mas seu rosto risonho e cômico a incomodava.

No primeiro domingo em que se reuniram, ela foi seca e não teve dó em derrubá-lo da vassoura, xingá-lo de inútil por não conseguir fazer as manobras e jogou sem dó o balaço em sua direção. Mas, aos poucos, ela fora perdendo a dureza, criando uma espécie de paciência especial para Ted, se sensibilizando com a deficiência do garoto.

— Eu só te vi porque eu estava sendo paga e não porque eu quis.

— Você é simpatizante de trouxas.

Andrômeda arregalou os olhos como se Ted tivesse lhe estapeado.

— Eu.... Como ousa... Retire isso agora! Retire! Retire o que disse!

— O quê? Amante de trouxas? — Andrômeda deu um berro, tapando os ouvidos, o que fez Ted gargalhar. A garota levantou-se, voltando para a sala, pegando suas coisas. O garoto foi atrás dela, tentando desculpar-se, mais ainda rindo dela. Entretanto, Andrômeda não tinha achado nem um pouco engraçado o que lhe fora dito. Para ela, ser chamada de amante dos trouxas era um xingamento gravíssimo.

Marchou em direção da saída, ainda ignorando Ted, até ele agarrar seu braço. Andie fora rápida em pegar a varinha em seu bolso e dar um choque na mão de Edward, que deu um pulo e um grito para trás, pegando em sua mão que começava a ficar roxeada, com suas veias à mostra. Ela apontou a varinha para o rosto do garoto, fria.

— Não confunda as coisas. — sibilou, andando em sua direção, não abalando-se com os olhos aguados do garoto, segurando sua mão machucada, indefeso. — Eu não sou sua amiga, eu não me misturo. Você me pagou para ser sua professora e eu cumpri minha promessa. Não confunda as coisas.

Apontou sua varinha para a porta de Ted, explodindo a tranca da porta, não se importando em chutar os restos para fora de seu caminho. Para finalizar, o sol radiante da manhã tornou-se em um temporal sem fim. A garota andou pelas ruas de Londres, certa de que levaria um raio na cabeça.

Finalmente chegou em casa, encharcada, quase arrastando sua vassoura pelo chão. Assim que abrira a porta de sua casa, surpreendeu-se com o medibruxo de Bellatrix na Sala de Estar, vendo seus sinais vitais. Não surpreendeu-se com o estado decadente da irmã, com os olhos vermelhos, provavelmente de tanto chorar, o pentagrama Wicca marcado em seu torso, provavelmente de tanto apertá-lo, como se quisesse enfiá-lo no peito.

Havia sangue em suas unhas enquanto o medibruxo curava a ferida em seu pulso. Ela tinha o terrível olhar vazio e opaco dos minutos que vinham após tomar sua poção em uma mistura mais concentrada e forte.

— Onde estava? — questionou Druella, levantando-se do sofá.

— Praticando. — retrucou Andie, não entendendo a rispidez da mãe.

— Sua irmã quase morreu de preocupação, Andrômeda.

— Ela não estava acordada quando eu sai...

— Não me interessa, é sua obrigação tomar conta de Bellatrix, especialmente nesses períodos obscuros do mês, se você rezasse com frequência saberia... Onde vai? — Andrômeda quase afundou o piso em passadas largas e fortes em direção de seu quarto, irritada. Gritou no topo da escada.

— Eu não tenho culpa dela ser esquizofrênica! — Druella apareceu no corredor, de olhos arregalados.

— Desça já aqui!

— ME DEIXA EM PAZ — Trancou a porta, por mais que soubesse que Druella poderia abrir a hora que bem entendesse. Tirou suas roupas encharcadas e deitou-se em sua cama, fitando o teto.

Ignorou os chutes do pequeno Sirius na porta.

Notas finais
Esqueci de avisar que a fanfic aborda a religião wicca também, aliás, se tivermos alguma bruxa aqui conosco, por favor, me conte um pouquinho da sua religião porque meus estudos são dificeis sozinha! Espero que gostem! ;)