As Cores
22 Capítulo 21
Narcissa olhou ao longe uma garota admirar Lucius rindo de algo com seus amigos, fumando na porta do Cabeça de Javali. Ela caminhou até o ponto de visão da menina, a olhando com frieza. A garota desviou o olhar, parecendo assustada, e desapareceu entre suas amigas. Ela passou a mão em suas madeixas e voltou para onde suas amigas estavam, voltando a falar sobre os sapatos novos que comprara, mas sua amiga parecia distraída.
Com o passar do tempo, Narcissa enjoou-se de estar apenas com Clementine e aprendeu a usar seu cinismo também para conquistar amizades. Fazia um elogio ou outro, sempre falando a verdade em sua mente. Ou, melhor, quando estava entediada, simplesmente dizia a verdade com outras palavras, mas as garotas burras feito portas não entenderiam no fim das contas.
— Gostei das suas botas, Barbra, elas são muito bonitas, fato. — Narcissa sorriu docilmente para sua amiga bolsista da Alemanha. Essas são as botas mais feias que eu já vi na minha vida, você deve ter algum problema mental pra usar algo desse tipo. Sorriu mais ainda.
Não via muita utilidade nelas, apenas as usava como companhia pelos lugares e para falar sobre coleções de sapatos e roupas, quando se enjoava delas, as desprezavam ou arranjava algo para elas se ocuparem bem longe dela. Então seu grupo se resumia a ela, tendo absoluta certeza que era a mais bonita, Nzogi, que tinha uma pele escura e estava sempre com longas tranças, a idiota da Clementine, e Barbra, a alemã que nunca entendia muito bem o que elas estavam falando.
— Ok, eu preciso dizer que... Lucius Malfoy parece interessado em mim. — disse Nzogi, jogando suas longas tranças negras, com um casaco que causou um pouco de inveja em Narcissa. A garota congelou seus olhos azuis, fazendo suas duas outras amigas se afastarem.
— O quê? — sussurrou Narcissa.
— Lucius..
— Você não pode ficar com o Lucius, ele é da Narcissa, isso são as regras do feminismo! — exclamou Clementine, olhando Nzogi de olhos arregalados.
— Mas foi ele quem deu em cima de mim!
Narcissa abriu a boca de choque, sendo segurada por Barbra. Empurrou a garota brutalmente, tirando o cabelo da frente.
— Desde de quando? — questionou Narcissa, em choque. Lucius parecia um cachorro no cio, mal se livrou de Nikolina e agora aparecia outro problema.
— Nas rondas... Olha, temos que fazer as rondas juntos, eu não tenho culpa. — Nzogi colocou a mão no peito e Narcissa quis rasgar sua jaqueta. — Eu posso contar a ele que você não gostou de saber disso... Digo, se vocês estivessem juntos, ele não daria em cima de mim.
A garota ficou sem reação, como se seu cérebro tivesse dado um nó. Ela engoliu seco e desviou o olhar, tocando seu cabelo, extremamente desconfortável. Forçou um sorriso convincente para Nzogi, simpática.
— Você pode ficar com quem quiser, Nzogi. — disse Cissy. — Eu realmente não me importo, na verdade, eu decidi que vou ao Baile com Billius Prewett, já contei a vocês?
As garotas se animaram, chocadas, entre surtinhos e gritinhos de excitação. Todos do quinto ano conheciam a idolatravam Billius Prewett, o mais novo Capitão da Grifinória. Mas Narcissa, óbvio, além de não nadar a mínima para o garoto, não conseguia entender a animação imbecil das garotas ao seu redor. Agora ela precisava dar um jeito de ir ao Baile com o garoto, ela continuou inventando em como ele insistiu para que os dois fossem juntos e a venceu pelo cansaço enquanto o procurava por Hogsmeade com os olhos, o achando saindo da Dedosdemel com seus amigos.
— Lá está ele, já volto meninas, preciso falar com ele sobre a cor da gravata. Um assunto... Muito importante. — as meninas concordaram, ainda animadas, e Narcissa virou-se bufando, girando os olhos. Marchou até a porta da loja, respirando fundo, vendo mais uma vez, os amigos de Billius pararem de se entupir de doces para admirá-la.
Ela finalmente chegou no grupo, sorridente e delicada. Billius, com a boca suja de chocolate, congelou no ato, admirando cada detalhe do rosto de Cissy, provavelmente apaixonado.
— Olá meninos. — disse ela, dócil, acenando rapidamente. — Será que podem me deixar sozinha com Billius por um momentinho?
Eles assentiram freneticamente, se afastando, dando risinhos masculinos em direção de Billius, parecendo um bando de macacos. Narcissa reprimiu seu mal humor e sorriu mais ainda para o ruivo que limpava sua boca, arrumando-se com um sorriso nervoso. Ele era inegavelmente bonito, mas era tão... Desastrado! Olhou para seu grupo de amigas mais uma vez, arrependida de ter dito que iria ao baile com um Prewett. O olhou novamente, sorrindo.
— Billius, acho que você me conhece...
— Quem não conhece Narcissa Black... — riu ele, tentanto ajeitar seu cabelo. Ela forçou um risinho, querendo morrer internamente.
— Bem, eu vim até aqui perguntar se não gostaria de ir ao Baile dos Fundadores comigo. — o garoto arregalou os olhos azuis, recuperando-se em segundos com um enorme sorriso e um riso nervoso. Cissy ergueu as sobrancelhas, esperando a resposta.
— Uau, digo, sim... Claro, eu... Nossa...
— Ok, ótimo, então vamos juntos. Só que vamos fingir que você me convidou, já que é mais adequado, certo? — ele assentiu, quase dando saltos de alegria. A garota retribuiu o sorriso, inspirando lentamente, quase girando os olhos, sentindo-se violada.
...
Toda vez que Ted tentava falar, Andrômeda simplesmente o beijava.
Não queria ouvir sua voz, queria absorvê-lo de uma forma que não sentiria sua falta pelo resto da semana. Toda noite de sábado ambos se encontravam no porão da Dedosdemel. Ela pela passagem secreta, Ted e sua forma de dar um jeitinho em tudo. O garoto ria, sentindo os beijos dela sob seu rosto, mal percebendo que ela já estava quase sem roupas.
— Ei, calma... — ele a parou. — Sério? Aqui?
— Se você não veio para isso, então para que veio? — questionou ela, estúpida. Edward olhou a garota, digerindo o coice.
— Conversar?
— Não tenho nada para conversar com você!
— Ok, então eu quero meu pagamento primeiro.
— Quê?!
— Não sou qualquer tipo de puta, quero cem galeões adiantado. — Andrômeda girou os olhos e saiu do colo de Edward, colocando sua saia. — Eu estava com saudades de você, eu não vim aqui só transar!
— Mas eu vim. — retrucou, abotoando sua camisa. — Pode ir para casa, perdeu seu tempo.
— Deus do céu, como você é insuportável! — Edward levantou-se, com as mãos para o céu. A garota o olhou com nojo, como todas as vezes em que ele usava o deus dos trouxas. Colocou sua gravata, maneando a cabeça negativamente.
— Deus não existe. — retrucou Andrômeda. O garoto parou, a olhando de forma estranha. Ela apenas amaciou suas madeixas, colocando os grampos que tirara. — Os homens existem e usam este deus falso para nos controlar. Você é um trouxa ou um bruxo? Não se esqueça das minhas antepassadas queimando em fogueiras. Misoginia justificada em nome de deus... Eu sinto até mesmo pelas mulheres trouxas que foram confundidas.
— Isso foi séculos atrás! — disse ele, receoso, sentando-se novamente, arrependendo-se de ter citado Deus.
— Mas eu não esqueci. — cortou, seca. — Você nasceu entre eles, então nunca vai entender... Não entende o que é se esconder do mundo como se você fosse a aberração e não eles.
— Ok, você está me assustando agora. — riu Ted, temeroso. — Então você acha que os trouxas deveriam ser exterminados?
Andie tomou colocou suas sapatilhas, tranquila.
— Não fariam falta.
Edward novamente lembrou-se que sua namorada, ou pelo menos quem ele achava estar namorando, era uma realeza entre os bruxos, e era preconceituosa da raiz dos cabelos até os pés. Abriu uma das caixas e pegou um alcaçuz, mordendo. Andrômeda colocou sua capa e o olhou, parecendo irritada.
— Não vamos mesmo transar? — indagou ela, como se perguntasse se eles iam ou não em algum show. O garoto maneou a cabeça negativamente.
— Eu quero namorar com você.
Andrômeda bufou, girando os olhos.
— Eu quero ser o amor da sua vida. — Ted levantou-se, sorrindo docilmente.
— Por que você tem que fazer essa inversão de papéis idiota? — reclamou ela, afastando-se. — Pelo amor de Merlin, eu só quero transar!
Edward riu, e apesar de estar brava, Andrômeda acabou rindo também, levando um susto quando o garoto a tirou do chão em um segundo, com o alcaçuz pendendo no canto da boca. Ted a beijou e Andie sorriu com o gosto doce, finalmente tendo o que pediu para ter.
...
Bellatrix estava dura, sentindo-se uma anã ao lado de Fenrir Greyback.
Ela perguntou-se quem era enquanto observava Tom ensinar como torturar alguém. Era como assistir uma aula prática em Hogwarts. A jovem mulher olhava o homem trouxa no chão, aos soluços, parecendo assistir sua alma sair do corpo e sentia seu estomago duro feito pedra. Negou-se a sentir pena do homem, mas não conseguia desviar o olhar. Não tivera aula sobre as três maldições imperdoáveis em seus anos escolares e falar seus nomes era quase como cometê-las.
Usar Magia das Trevas e corromper-se e tornar-se quem você realmente é. É quase uma purificação da alma, é tornar-se um bruxo original, o mais puro possível.
Assistiu o homem contorcer-se e berrar a cada demonstração de Tom ao usar a maldição Cruciatus. Sentiu seu corpo entrar em uma onda de dormência com a beleza da varinha do homem soltar uma ondulação inacreditavelmente poderosa em direção do trouxa.
— Esta maldição é... Delicada. — explicou Tom, retirando o feitiço e dando um chute do homem para que ele parasse de chorar. — Mais delicada do que qualquer outra que costumamos fazer. Vocês precisam ter um controle mental absurdo para conseguir executá-la. Sua mente precisa estar calma e seu objetivo jamais deve ser matar a pessoa de dor, e sim enlouquecê-la.
Tom sorriu para Bella.
— Gostaria de tentar, Senhorita Black? — ela sentiu seu coração acelerar, mas sua varinha estava indo a loucura em sua mão. Queria saber o que Tom sentia ao torturar o homem.
Bellatrix aproximou-se, temerosa. Apertou sua varinha, ao lado de Tom. Sentiu suas mãos sob seus ombros e seu corpo pareceu pegar fogo. A iluminação amarelada daquele porão da casa de Avery lhe dava dor de cabeça e era impossível ignorar a tosse incessante de Travers. Olhou os olhos molhados do homem trouxa no chão, com diversas cicatrizes de outras maldições, bolhas de queimaduras e a espuma esverdeada que saia de sua boca, provavelmente pela Poção de Extermínio que fizeram para ele na semana passada, que tinha a função de matar cada órgão seu, lentamente.
Apontou a varinha, ofegante, sentindo-se nervosa. Tom sussurrou em seu ouvido, como uma cobra falante, sentiu uma tontura quase anestesiante, seus olhos não conseguiam focar em nada.
— Ele é cristão. — sussurrou Tom. — Provavelmente tem o sangue de algum homem que não hesitou em jogar Joana D’Arc em uma fogueira.
Ela apertou a varinha, trêmula, sentindo todas as vozes em sua mente misturarem-se com a de Tom e por um segundo, ele parecia ser a única pessoa que sussurrava coisas perversas em sua mente desde pequena.
Bellatrix assumiu uma face sombria quando agitou sua varinha levemente, sem piscar.
— Crucio. — Bellatrix sentiu seus olhos se encherem de lágrimas enquanto um sorriso nascia em seu rosto, parecia senti-lo. Ofegou, segurando a varinha com as duas mãos, sentindo seus ossos queimarem e as vozes em sua mente pararem por um segundo, pela primeira vez em toda a sua vida.
Os berros do homem pareciam tirar dela o peso do demônio em seu ombro. Colocou todas as suas forças no feitiço, Tom tentou pará-la, mas em um segundo, o homem simplesmente parou de berrar e contorcer-se, imóvel no chão.
— Ótimo, Wendelin matou nosso trouxa. — resmungou Avery. Bella deixou sua varinha cair, trêmula.
Tom apertou seu ombro, rindo.
— Tudo bem, é normal descontrolar-se na primeira vez. — disse ele, animado. — Eu tenho material o suficiente para nossas aulas.
Tom virou-se para os outros, mas Bella mal conseguia se mover, de olhos arregalados para o homem morto diante dela. Abaixou-se lentamente e tocou seu rosto morto, não acreditando que a vida simplesmente saiu de seu corpo, assim, em um segundo. Sua visão estava turva, sentiu seu corpo dominado por uma mistura aterrorizante de terror, medo e prazer.
Pegou sua varinha torta, a olhando, digerindo que fizeram aquilo juntas.
Não há volta.
Levantou-se, cética. Seu coração parecia ter parado de bater. Limpou suas mãos, enojada em ter tocado no cadáver. Ergueu o queixo, juntando-se aos outros, ouvindo os sussurros em sua mente. Entretanto, de alguma forma, ela os controlava agora. Posicionou-se ao lado de Tom enquanto homem quebrava o encantamento que selara a porta próxima as escadas.
Ele abriu, entrando no local.
Bellatrix entrou no local, olhando as três gaiolas gigantes, torcendo o rosto de nojo com o cheiro degradante do local. Diversos trouxas estavam presos na gaiolas, alguns desmaiados, outros enlouquecidos, berrando por justiça, implorando para serem libertados. Bellatrix olhou a pequena menininha choramingando, forçando seu rosto contra as barras de ferro.
Ignorou Crabbe, que irritara-se com o choro de uma mulher e a matou friamente, assustando mais ainda os trouxas.
— Eu quero queimá-los. — disse Bellatrix.
Tom virou seu rosto para ela, lentamente, parecendo admirado. Avery soltou um “uau” e gargalhou com os outros, rindo de Bellatrix com descredito.
— Quero queimar todos eles. — afirmou, virando-se. — Quero fogomaldito... Milorde.
Tom sorriu para ela lentamente, parecendo estar apaixonado. Ela havia notado como sua fisionomia parecia estar mudando desde que ele começara a ensiná-los feitiços proibidos. Havia algo vermelho em seus olhos, como se sangue tivesse salpicado entre o verde.
— NÃO, POR FAVOR, DEUS, POR FAVOR! — urrou uma mulher, agarrando a gaiola, enlouquecida, tentando arrancar os próprios cabelos. — Por favor, tenha misericórdia... Misericórdia... Deus, nos salve... Deus!
Olhou a mulher, impassível.
Não há Deus. Não há justiça... Tom riu, parecendo divertir-se com as súplicas da mulher. Agitou sua varinha levemente na direção dela, como uma faca invisível, um risco profundo cortar-se em sua gargante, a fazendo cair para trás, espirrando sangue não só nos outras na gaiola como em Bellatrix e Tom.
Ela sentiu o líquido quente em seu rosto e virou-se a tempo de Travers abrir uma gaiola, degolando um homem. Avery agarrou pelos cabelos um homem idoso, lançando-lhe um feitiço delirante. A loucura instalou-se no local, mas Bellatrix não conseguia se mover.
Continuou observando a chacina, imune, sentindo a renda de seu vestido apertar-lhe o pescoço. Sentia sua varinha vibrar em suas mãos cruzadas na frente do corpo. Parecia uma estátua no meio da sala, não incomodando-se em levar espirros de sangue de todos os lados. Parecia estar sendo banhada. Sua alma seria limpa... Ela honraria suas antepassadas.
Seria a reencarnação de Morgana Le Fay e de todas as outras antes dela.
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