As Cores

21 Capítulo 20


Notas iniciais
Gente, as músicas que eu coloco no meio do texto estão linkadas pra vocês ouvirem enquanto leem, são as músicas que eu ouvi enquanto escrevia a parte em que eu linko... Enfim, ninguém é obrigada a ouvir, mas tem gente que gosta de ouvir musica enquanto lê, então eu acho mais fácil AI TANTO FAZ, PODEM LER

Bellatrix coçou as costas de sua mão, ignorando as vozes em sua cabeça.

Ela notou o olhar de Irina em suas mãos marcadas e controlou-se, respirando profundamente, agora coçando atrás de sua orelha, perturbada.

A jovem mulher não gosta de Covens, tentou frequentá-los sua vida inteira, mas detestava, sentia raiva da demora, das conversações... Ela gostava de ser individualista, gostava de suas orações solitárias. Observou Charlotte Avery encher as duas xícaras de chá, a perfeita imagem da dona de casa dos anos 1960. Agradeceu, assistindo-a sentar-se. As duas se fitaram, em silêncio. Bella desviou o olhar, analisando a casa dos Avery em silêncio. Tom disse que chegaria em breve com os outros rapazes, mas não disse que demoraria quase duas horas. Enquanto isso ela tinha que ficar ali, com todas as esposas da gangue.

Irina Yaxley mordeu um biscoito, fazendo um barulho de triturador no silêncio da cozinha. Amélia Travers abaixou os olhos, os rolando rapidamente. Bella suspirou, desconfortável.

Ela queria estar no trem para Hogwarts, e não ali com um bando de mulheres que preferiam cozinhar do que ir para a luta. Odiou Tom com todas as suas forças por ter feito ela levantar cedo para ir tomar chá! Bateu sua bota no chão e coçou atrás da orelha, arrancando um pouco de pele.

A Travers olhou as olheiras negras de Bellatrix, um pouco assustada com seu rosto cadavérico.

— Então. — Charlotte lhe deu um sorriso dócil. — Milorde nos disse que você é muito religiosa.

Milorde? Bella forçou um sorriso.

— Sou.

— Você tem um Coven? — indagou Irina, tomando um gole de chá.

— Gosto de viagem solo.

— Mas uma família é tão mais divertido! — disse Amélia, a olhando como se fosse uma aberração. — Compartilhar um ritual, não há nada mais gratificante.

Bellatrix acendeu um cigarro, fazendo Charlotte olhá-la com malicia.

— Suponho que você seja a Alta Sacerdotista — disse ela, apontando o cigarro para Charlotte.

— Ponto para você. — sorriu ela, dócil. — Minha família é muito religiosa, tive uma criação pura das primeiras bruxas.

Desviou o olhar, pensando em alguma desculpa para voltar para casa. Charlotte entretanto ainda tinha seu sorriso dócil quando colocou os cotovelos sob a mesa, fitando Bella com simpatia.

— Eu gostaria de ter alguém como você em nosso grupo.

— E qual o nome desse Coven? Clube das Donas de Casa? — debochou Bellatrix, fazendo Amélia olhá-la com repulsa, enquanto Irina abaixava os olhos, parecendo aguardar algo. Charlotte riu, fechando sua mão lentamente, fazendo com que em um segundo o cigarro de Bella simplesmente explodisse no ar. A garota arregalou os olhos mais ainda quando ela agitou a mão para trás dela, fazendo uma caixa de tarot flutuar até sua mão.

— Pensou que só nosso Lorde domina as artes de encantamento? — sorriu Charlotte abrindo a caixa, ignorando a expressão de espanto no rosto de Bellatrix. — Sabe, Bella... Quando você realmente se dedica à suas raízes, você é capaz de abrir um mundo novo.

Ela distribuiu as cartas pela mesa, ainda sorrindo. Bellatrix olhou a casa, observando todos os objetos religiosos e a quantidade de poções que ela tinha. Arrependeu-se do deboche.

— Hogwarts nos castra feito animais. Saímos quase... Trouxas, daquele lugar! Não foi em Hogwarts em que aprendi Legilimência, Oclumência, e fazer o que podemos fazer desde pequenos, magia sem varinha, você se lembra quando era pequena e conseguia fazer tudo flutuar? Sem uma varinha?

Amélia e Irina olharam para Bellatrix, com um sorriso confidente.

— Milorde não lhe mandou aqui a toa. — disse Charlotte, distribuindo as cartas. Bella uniu as sobrancelhas, ainda curiosa com a forma que ela se referia a Tom. — Você precisa conhecer as esposas dos homens que andam ao lado dele.

— Para? — indagou Bella, irônica. — Ele vai me tomar como esposa?

— Nos seus sonhos. — debochou Amélia, recebendo um olhar torto de Bella. O gato preto de Charlotte pulou em seu colo, envolvendo-se nela, arranhando o pentagrama em seu pescoço. Bellatrix olhou para os lados, impaciente. As meninas olharam Bella, esperando.

— Vamos, irmã. — sorriu Charlotte Avery — Tire uma.

Bella girou os olhos e tocou uma das cartas. A garota pegou a carta e virou, olhando.

O Mago.

— Manipulador por perto. — disse Charlotte. — Ele pode ser um guia beneficente, mas alguém que não tem propriamente os melhores interesses em mente... Ele também pode representar o seu ego, a autoconsciência ou a embriaguez do poder...

A garota a olhou, confusa.

— Já ouviu a frase não confie em homem nenhum? — sorriu ela.

...

Andie sentou-se para ler seu livro, roendo as unhas.

Mal fazia uma semana que estava em Hogwarts e não conseguia parar de pensar o quanto Ted lhe fazia falta. No começo ignorou, se negando a sentir falta do palerma, mas aos poucos sentiu uma necessidade quase desumana que tê-lo por perto. Cartas todos os dias não eram o suficiente e Edward pareceu assustado quando ela conseguiu escrever quase meio rolo de pergaminho apenas explicando o desejo dela de fazer todos os tipos de sacanagem com ele. Relendo a carta ela também sentiu um pouco de medo de si mesma.

Nunca tinha sentido a necessidade de alguém, era uma explosão de sentimentos novos que ela não sabia explicar. Olhou o jardim rapidamente, olhando Sirius ao longe. Tapou a boca, ainda chocada com o primo. O garoto conseguiu o feito de ser o único Black que não caiu na Sonserina. Narcissa ficou meio hora puxando sua orelha, perguntando se ele tinha pedido para o Chapéu não coloca-lo na Sonserina de propósito, mas entre gemidos e empurrões, Sirius disse que se quisesse sacanear a família teria ido para a Lufa Lufa e não para a Grifinória.

Não queria estar por perto quando tia Walburga colocasse suas mãos nele.

Rabastan Lestrange apareceu ao longe, parecendo ir em direção da garota. Ela sorriu, mas sentiu-se desconfortável, sentia que já era casada com ele e o traiu.

— Posso? — indagou ele, apontando para o lado de Andie.

— Sim, claro. — ela afastou-se mais um pouco e Rabastan sentou-se na grama, sendo protegido pela sombra. — Está estudando para os N.I.E.M’s?

— Estava, dei uma pausa. — ele encostou sua cabeça no tronco. O crachá de monitor chefe brilhava em seu uniforme. — Já tenho minha passagem para a Cidadella.

— Poções? Você vai estudar Poções? — impressionou-se ela.

— Pretendo... São os meus planos para o próximo ano. — ele sorriu para Andie. — Enquanto você termina seu último ano, eu inicio meus estudos e bem, há ótimas escolas de Curandeiros na Irlanda. Não que você seja obrigada a ir comigo, eu posso estudar onde quer que você queira fazer seu curso...

— Rabastan... — cortou Andrômeda, risonha. Ela sentia uma onde de ternura pelo garoto que lhe deixava sorridente. Ele era muito diferente do irmão. — Não quero atrapalhar seus estudos.

— E nem eu os seus. — ela pegou sua mão.

— Vamos dar um jeito. — o garoto molhou os lábios, olhando ao redor, reprimindo um sorriso. — O quê?

— Eu gosto de você. — Andie sentiu a culpa gritar na cara dela. — Eu me sinto aliviado em perceber que meu casamento não vai ser um contrato.

Andrômeda desviou o olhar, sentindo o peso do castelo em suas costas. Mordeu os lábios, com a consciência pesada. Era um monstro, não conseguia ser que nem a irmã, ela teria um infarto de tanta culpa antes de casar-se com Rabastan, precisava contar para ele, ela precisava dizer que teve um caso, não precisava dizer com quem, só que já não era virgem.

— Tudo bem? — perguntou Rabastan. Andrômeda o olhou, quase abrindo a boca, mas a voz dela também parecia temerosa. Assentiu lentamente, engolindo seco.

...

Lucius deu um gritinho e colocou a mão no peito, apoiando-se em seu joelhos.

Era a sua primeiríssima ronda sem um monitor chefe o ensinando e aconselhando e nos primeiros minutos de ronda, ele encontra Narcissa Black em um dos corredores do sexto andar. A garota parecia estar lhe esperando no escuro e só acendeu a varinha quando viu que ele estava chegando. Ela segurou o riso enquanto garoto se recuperava, suando frio.

— Qual o seu pro... — ele tomou ar, ainda sentindo seu coração arrebentar a caixa torácica. — Você devia estar no seu dormitório!

— Eu vim parabenizar o mais novo monitor da Sonserina. — sorriu ela, dócil. Lucius a olhou, ainda irritado. A garota ficava mais e mais bonita a cada ano e naquele em particular ela parecia estar no auge, igual a todos os outros anos em que ele achava que ela não conseguiria ficar mais bonita.

Ela deu mais uns passos, ficando bem próxima. Então fechou os olhos e aproximou-se, fazendo biquinho. Lucius olhou o rosto próximo da garota, arregalando os olhos, desviou o rosto lentamente, temeroso.

— O que você está fazendo? — indagou ele, quase quebrando o pescoço de tanto se afastar da boca de Narcissa. Ela sorriu, ainda de olhos fechados.

— Te dando um beijo? — ela abriu os olhos e matou o sorriso ao perceber que ele estava desviando o beijo. — Tentando.

— Eu não acho uma boa ideia. E você deve ir para o dormitório, se te virem aqui vão lhe dar uma detenção e eu vou levar uma chamada por não ter te dado uma anotação. — Cissy balançou-se, dócil.

— Você não faria isso com sua noiva, faria? — sorriu ela.

— Sim? — retrucou ele. — Você é uma aluna igual a todos os outros!

— Tão justo... — sorriu ela, carinhosa, acariciando os ombros de Lucius, aproximando-se novamente dele. — Então me dê meu beijo que eu volto para a Sala Comunal.

— Eu... — Lucius deu mais uns passos para trás. — Eu acho melhor guardarmos para a noite de núpcias.

Narcissa arregalou os olhos.

— Quê?! — esganiçou ela. — Falta três anos! Vai ficar três anos sem me beijar???

— Quanto mais esperarmos, mais especial vai ser! — ele forçou um sorriso.

— Garota, pare de se humilhar e vá para seu dormitório. Eu quero dormir! — disse um quadro em algum lugar do corredor. Narcissa inspirou profundamente e apontou para Lucius, trêmula.

— Você vai ter que me beijar uma hora ou outra, Lucius Malfoy! — sibilou ela.

— Mal posso esperar. — retrucou o garoto, abrindo espaço para a garota passar. Assistiu ela desaparecer pelo corredor e soltou o ar em seu pulmão, aliviado.

— Ela é tão bonitinha, por que não a beijou? — indagou um senhor idoso no quadro ao lado de Lucius. O menino virou-se, arrogante.

— Porque não tenho solvente para limpar minha boca após o beijo. — retrucou seco. —E... Eu tenho pessoas melhores para beijar.

Ele sorriu, apagando sua varinha.

...

— Você sabia que... Os homens trouxas chamam as mulheres trouxas de bruxas quando elas se recusam a ajoelhar? — indagou Margareth, sorrindo para seu chá.

— Bem, quando uma mulher é poderosa e confiante, ela é uma bruxa. — retrucou Bella, dando-lhe um sorriso cínico. As duas se fitaram, em silêncio, como se disputassem um xadrez mental. A garota não sabia que os negócios da família Lestrange eram praticamente matriarcais, uma vez que Evan Lestrange era um porco bêbado que só queria saber de apostas. Olhou para uma elfa esverdeada no canto as sala, como se fosse um cão de caça, ignorando toda a doçura de suas feições.

— Kitty. — sorriu Margareth. — Todo bom bruxos tem um elfo fiel, certo?

Elas se fitaram, com palavras nunca ditas.

— Não sei o que seria de mim sem Kreacher. — sussurrou Bella, forçando um sorriso.

Bellatrix pegou sua xícara de chá sem tirar os olhos de Margareth. A mulher tinha marcas de expressão fortes e rígidas, nem um pouco femininas. Ela tomou seu chá lentamente, ainda sem piscar para a garota. Estavam há mais de vinte minutos no escritório de seu marido, aguardando Rodolphus chegar de seja lá o lugar onde estava.

Ela tomou o chá, sentindo o gosto amargo da planta. Bella tomou um frasco de antítodo para poções fatais, caso alguém tentasse envenená-la, mas não conhecia tão bem assim seu opositor. A mulher mais velha sorriu, colocando sua xícara em cima do pratinho.

— Como vai Druella?

— Triste. — a voz de Bella nunca fora tão suave.

— Foi uma fatalidade.

— O destino nunca revela suas estradas. — sorriu Bella, com uma expressão cínica. Margareth pegou um cigarro, não oferecendo para a menina. Assistiu a mulher acendê-lo, colocando os cotovelos sob a mesa, sentando em uma posição melhor em sua grande poltrona antiga.

— Fico surpresa em querer manter compromisso uma vez que Druella acha que Cygnus morreu de métodos... Suspeitos. — ela semicerrou os olhos.

— Uma mulher em dor diz besteiras.

— Não... — sorriu ela, com uma voz gélida. — Ela diz a verdade.

— A senhora está insinuando algo?

— Eu só estou ardendo de curiosidade para saber como Cygnus Black morreu. Suponho que ele tenha muitos... Antagonistas?

— Não consigo me lembrar de nenhum. Ele era um homem muito admirado.

— E rico. E poderoso. — Margareth bateu levemente em seu cigarro, voltando para mais um trago longo, olhando Bellatrix como se lesse sua mente. A garota trancou a mandíbula, com vontade de pular em cima da mulher. — Se ele tivesse filhos homens, eu diria que foi... Um golpe de poder.

As duas se fitaram em silêncio.

— Mas veneno não é uma arma feminina só das mulheres trouxas. — sussurrou ela. Bellatrix fechou seu sorriso, mostrando sua verdadeira face de ódio. Ela sabe?, indagou-se, mantendo seu olhar. — Seu pai era um dos bruxos mais inteligentes que já tive o prazer de conhecer. Quando ele lhe ofereceu para Rodolphus... Eu quis soltar fogos.

Ela forçou um sorriso dócil.

— Ele disse: “Seu filho é homem o suficiente para casar com a mulher mais bela do mundo bruxo?” — Bellatrix trancou sua mandíbula, sentindo seus olhos marejarem. Margareth parecia sentir o prazer de enfiar uma faca na garota. — “Minha filha nasceu para ser uma realeza... Comandará a Suécia como ninguém o fez antes”.

Bellatrix ficou em silêncio, não movendo-se quando as lágrimas rolaram em seu rosto. Margareth tomou mais um gole de seu chá, quase sorrindo. A jovem mulher semicerrou os olhos, a avaliando com repúdio controlado. Desviou o olhar lentamente, repondo sua paciência.

— É uma fatalidade que seu pai tenha partido tão cedo. — ela semicerrou os olhos. — Irá demorar para aparecer outro homem como ele.

— Eu tenho seu sangue. — retrucou Bella, rouca. — Vou honrá-lo.

— Não, não vai. Você não chega nem aos pés dele. — Bellatrix sentiu-se menor que uma barata. — Mas você é muito esperta para o seu próprio bem, senhorita Black. E eu admiro isso.

Margareth sorriu, fria.

O escritório finalmente fora aberto, mas as duas demoraram para terminarem o contato visual. Bellatrix virou-se na cadeira com um sorriso dócil para Rodolphus. A velha Lestrange levantou-se do seu posto, indo até o filho e apertando seu braço com carinho, dando um sorriso falso para Bella. A garota levantou-se, o olhando docilmente. Rodolphus aproximou-se, com a culpa estampada no rosto.

— Bella, minha senhora, eu quis lhe visitar, mas...

— Tudo bem. — ela forçou o sorriso. — Está tudo bem.

Bellatrix abriu os braços para Rodolphus e ele sorriu feito um imbecil, correndo em sua direção feito um cachorro domado, a tirando no chão com o abraço. A garota parecia uma boneca em seus braços, desejando com todas as suas forças estar jogando da forma certa. Acariciou as costas de Rodolphus, pensativa.

O jogo era mais complicado do que parecia em seus planos.

...

A Rua Merlin, próximo a aldeia de Upper Flagley era conhecida por ser frequentada apenas pela alta sociedade do mundo bruxo.

Antigamente, era um point para os de sangue puro, mas após o Estatuto Internacional de Sigilo em Magia, os mestiços, traidores do sangue e nascidos trouxas se misturaram.

Um grupo de homens de negro andou pela rua, em passos quase compassados. Todos estavam de sobretudo negro, com seus ternos caros e os sapatos recém lustrados que pisavam em poças d’água formadas pela garoa forte. O homem de feições lupinas usava um chapéu tophat e ao seu lado, o homem que mancava, usava luvas de couro de dragão, da marca mais luxuosa e em falta na cidade de Londres.

Pararam de frente para um clube de pilares brancos, com uma porta enorme de mármore negro. O de boina abriu espaço entre seus companheiros, não era o mais alto e definitivamente não era o mais forte, mas havia um espirito de liderança inegável. Todos eles passaram a varinha a frente de seus rostos, fazendo materializar-se máscaras de ferro, cada uma com detalhe diferente para tom diferenciá-los. Mas ele manteve apenas um feitiço que distorcia seu rosto, o tornando irreconhecível.

Nico Vega – Beast

Ele ergueu sua varinha branca para a porta, fazendo-a abrir-se. O local estava cheio e barulhento quando eles entraram, com diversos pares dançantes, com passos violentos por todos os lugares. Champanhes sendo estourados na mesa, dando mais brilho ainda ao local de iluminação amarelada. Os diamantes e rubis brilharam de longe enquanto Tom Riddle pegava seu maço de cigarros no bolso interno de seu sobretudo, o acendendo com a varinha.

Os garçons enfeitiçavam as badejas para cima e para baixo, com copos cheios de uísque ou qualquer outra bebida que custasse a mensalidade de um aluguel. Ele olhou a decoração renascentista, fascinado com a arquitetura bruxa. Ele virou-se para os homens atrás dele, com um sorriso seco.

Matem os traidores do sangue. — ordenou.

Tom parecia ver tudo em câmera lenta quando todos os homens de negro sacaram suas varinhas quase em sincronia, jorrando feitiços para todos os lugares. Virou-se a tempo de ver Fenrir quebrar uma garrafa de champanhe e cortar a garganta de uma mulher desesperada, mordendo e arrancando fora a orelha de seu acompanhante. Ele andou em meio a batalha, apenas maneando sua varinha secamente, sequer olhando os autores dos feitiços que iam em sua direção.

Desviou de Dolohov nas escadas, arrancando as roupas de uma moça que gritava alucinadamente, desviou sua varinha para a cara da mulher, a matando em apenas um movimento.

— Porra! — gritou o homem. — Acha que eu pratico necrofilia?

Ele caminhou até uma mesa ilesa e maneou sua varinha, fazendo o copo se limpar sozinho enquanto se enchia de uísque da garrafa recém aberta por ele. Foi até a varanda do segundo olhar, assistindo a batalha sem preocupações. Travers era o mais perverso, dando Imperius em diversas pessoas para que elas começassem a se esfaquear até a morte e controlando alguns sangue puros para que matassem os nascidos trouxas.

Tomou mais um pouco do conteúdo do copo, impressionado em como havia uísque da melhor qualidade em festas de ricos. Desviou o corpo que fora arremessado ao seu lado e ignorou Mulciber espancar até a morte um homem. Andou pelo local, desviando a destruição, indo em direção do grande palco do segundo andar. Chutou para fora de seu caminho uma mulher que sangrava abundantemente pelo pescoço, tentando agarrar-se ao que lhe restava de vida.

Jogou o copo na cara de um homem que sofria pela perna perfurada no andar debaixo e estralou o pescoço, balançando os braços, preparando-se. Colocou a varinha em seu pescoço e sorriu para a gritaria e confusão no andar debaixo.

— Me desculpe interromper a festa desta forma... — Tom sorriu. — Não tenho muitas regras sociais.

Yaxley gargalhou finalizando sua tortura e abrindo o peito do homem brutalmente em um feitiço poderoso, sujando-se inteiro de sangue.

— Mas estou aqui para avisar que este lugar está sob nova direção e é melhor vocês espalharem a mensagem. Limpamos a casa, não ousem sujar novamente. — ele tirou a varinha, mas lembrou-se de algo e a colocou novamente. — Ah, e está na direção de Lord Voldemort. Eu não esqueceria isso se fosse vocês.

O homem deu as costas aos poucos sangue puros sobreviventes e juntou-se aos Death Eaters, saindo do local com todos eles. Animados, faziam planos para a comemoração da noite, mas Tom tinha outros compromissos. Passou a varinha em seu sobretudo e boina, os fazendo desaparecer. Arrancou alguns assovios e gargalhadas dos Death Eaters, revelando seu smoking.

— Boa noite, rapazes. — sorriu ele, arrumando seu smoking negro e passando a mão no cabelo escuro, aparatando em seguida. O homem apareceu no Hall barulhento tanto pela multidão como pela música alta, era época de eleições no Ministério da Magia. Tom rapidamente pegou uma taça de uísque com um elfo, misturando-se a multidão. O longo e esplêndido átrio, tinha um piso polido de madeira escura e o teto azul esverdeado dava um olhar único para o local, ainda mais com a belíssima orquestra proporcionando uma melodia dos anjos.

O homem focou seus olhos em Nobby Leach, sentindo um sorriso frio cortar seu rosto. Ele iria se reeleger pelo segundo ano consecutivo e seria agora que Tom conseguiria mata-lo de vez. Metade do Diretório dos Sangue Puros estava ao lado do primeiro Ministro da Magia nascido trouxa, mas Tom tinha a outra metade em suas mãos e faltava muito pouco para ele conseguir controle de todos. Apesar de alguns...

Precisava garantir a vitória de Eufenia Jenkins, uma irlandesa de sangue puro. Já havia conversado com a mulher algumas vezes, mas sentia uma vontade quase lacerante de simplesmente explodir a cara dela quando a mesma começava a desviar os assuntos políticos para algo sexual, tendo esperança de que Tom se interessaria por ela.

Ele só fodeu uma mulher em sua vida, e foi a Rainha Suprema da África. Sorriu levemente ao lembrar-se de Ifemelu, completamente fascinado com seu poder de fazer magia apenas com as mãos, e a forma como ela riu debochadamente quando viu sua varinha.

Vocês, europeus, são uma piada com esses galhos, ria ela, fazendo tudo mover-se ao seu redor apenas com o poder da mente. Conseguia transfigurar-se como um metamorfomago, era mestre em Oclumência e Legilimência. Tom pensou que, pela primeira vez em sua vida, estava apaixonado. Mas estava apaixonado por sua sabedoria e passou anos ao seu lado, como seu aluno. E no fim, quem estava apaixonada era ela.

Excelente professora, sorriu Tom, finalizando seu uísque, pegando outro em uma mesa.

Focou-se novamente em conseguir aliados. Olhou Septimus Weasley ao lado de Cedrella Black, tomando coragem para aproximar-se. Cedrella como uma Black se encantaria por suas palavras, mas ele não tinha certeza do Weasley. Precisava ter certeza. Tomou todo o conteúdo em seu copo, sendo surpreendido por uma mulher próxima da velhice, arrastando seu vestido negro.

— Você estava no enterro de Cygnus. — disse a mulher. Tom recorreu a sua lista mental, a idenfiticando como Margareth Lestrange. Deu-lhe um sorriso simpático, é a matriarca dos Lestrange, o cérebro por trás do saco de gordura que é Evan Lestrange, pensou, reunindo toda a sua simpatia.

— Permita-me. — beijou a mão da mulher. — Eu sou Tom Riddle. E a senhora é a Margareth Lestrange, claro.

— Não teria como não reconhece-lo... — sorriu ela, mas os olhos não enganavam. Tom a avaliou, cheirando o cinismo. — Parecia muito amigo de minha futura nora.

Ele fingiu-se de sonso.

— Senhorita Black? A mais velha? — fez uma expressão digna de alguém quem só viu Bellatrix duas vezes na vida. — Não a conheço muito bem, na verdade...

— É mesmo? — cortou ela, ainda sorrindo. Os dois se fitaram por segundos intermináveis até Tom sorrir um pouco mais, desviando o olhar, controlando sua paciência. — O senhor não é um político... Nem um nobre... Muito menos um funcionário do Ministério...

Tom cravou seus olhos nela, sem piscar.

— Sou apenas um admirador da História da Magia. — sorriu Tom, pegando mais um copo de uísque com um elfo. A mulher tomou seu vinho, o analisando lentamente. — Apenas um homem... — sua boca cortou um meio sorriso. — Comum.

— O que você faz, senhor Riddle?

— Eu não costumo responder perguntas importunas, é isso o que faço. — respondeu, suave feito uma pena. Margareth sorriu, divertindo-se.

— Você parece um homem muito inteligente para se interessar por uma criança esquizofrênica. — disse ela, delicada. Tom quase riu, desviando o olhar para o salão cheio. As joias das mulheres brilhavam mais que as luzes do lustre e seus vestidos que custavam salários inteiros eram parte da decoração. — Todos os homens bruxos da Grã Bretanha gostariam de casar com uma Black.

— Como a senhora disse, a senhorita Black é uma criança. E eu sou um plebeu velho... Meus anos de ouro já se passaram. — ele tomou um gole de seu uísque, controlando sua respiração. Olhou-a, imaginando-se cortando sua garganta, assistindo a vida sair de seu corpo lentamente enquanto ela se contorce no chão, ensanguentada, sentindo a morte.

— Também não podemos esquecer que ela é uma garota da realeza e eu não me recordo deste nome... Riddle... Em nenhum lugar de importância.

O homem virou seu rosto lentamente para ela, tão terrivelmente sério que Margareth esforçou-se para manter seu olhar seco. Ficaram alguns segundos em silêncio, enfrentando-se com os olhos.

— Como eu disse, sou um plebeu, e a senhorita Black, uma nobre.

— Bem... O mundo não divide mais desta forma, não? — apazigou ela, dissimulada.

A senhora Lestrange riu, compartilhando com o homem um olhar confidente. O Riddle forçou um riso mecânico, sentindo seu rosto doer. Avistou Bellatrix ao longe, no mesmo momento em que ela o viu. A garota começou a despedir-se das pessoas ao seu redor e Tom girou os olhos, abaixando o rosto, arrumando sua gravata. Paciência, Tom... Paciência, pensou ele, inspirando fortemente.

Ele olhou Bellatrix ser seguida por Rodolphus, com uma careta de raiva. Finalmente aproximaram-se, abrindo espaço entre os dois.

— Senhora Lestrange... — Bellatrix apertou sua taça. — Vejo que já conhece o senhor Riddle.

— Tivemos uma boa conversa. — disse ela. Rodolphus tomou para si a cintura de Bellatrix quando Tom passou seus olhos no decote da jovem, dando a mão em seguida para que ele apertasse. O Riddle avaliou o sorriso petulante e simpático de Rodolphus. Mais um pirralho de berço de ouro, pensou ele, dando-lhe seu melhor sorriso.

— Senhor Lestrange, um prazer conhecê-lo. Senhorita Black me fala muito bem do senhor.

— Estranho, eu nunca ouvi falar de você — riu ele, olhando para sua noiva, que ainda tinha uma expressão de ódio controlado. Ele sustentou seu sorriso simpático para o olhar avaliativo e petulante de Rodolphus.

Margareth Lestrange focou seus olhos em Tom, pendendo a cabeça docilmente, esperando uma resposta. O homem apenas olhou Bella, fingindo embaraço. A garota adiantou-se, dando de ombros.

— Por que não me espera com os outros? — ela tocou o ombro de Rodolphus, afastando-se dele.

Rodolphus olhou para Bellatrix, pronto para negar-se a sair, mas sua mãe envolveu seu braço no dele e praticamente o arrastou para longe dos dois. Tom olhou a garota, aproveitando que os Lestrange estavam de costas e agarrou seu pulso, aparatando em seguida. Assim que apareceram na rua acima do subsolo do Ministério, Bellatrix deu um grito, surpresa pela mudança brusca de cenário.

Ela arregalou os olhos, rindo em seguida, jogando sua taça longe.

PJ Harvey — Long Snake Moan

Ele analisou a infantilidade de Bellatrix, admirando o local, como se fosse uma criança em um parque diversões, ela apertou seus braços por conta do frio gélido e olhou para ele, não se importando que o vento estivesse bagunçando seu penteado luxuoso.

— O que estava falando com aquela velha maldita? — perguntou ela. — Não vou conseguir viver no mesmo teto que ela, vou matá-la.

Tom gargalhou.

— Você nunca matou ninguém, só deu uma ordem ao seu elfo. — ele tirou algumas mechas de cabelo do rosto de Bella, fazendo a menina ficar vermelha feito uma adolescente. Ele a achava uma completa idiota, a mais fácil de ser manipulada, mas Bellatrix era talentosa e ele tinha planos para ela, precisava mantê-la por perto. — Aquela mulher é esperta, teremos que ter cuidado com ela.

Teremos? — sussurrou ela, fascinada com a palavra no plural.

— Estamos planejando isso juntos, não? — indagou ele, sem tirar seus olhos dela. Bellatrix assentiu, com seus olhos apaixonados. Era como jogar um imperius sem realmente usar o feitiço, tocou seu rosto, saboreando a ideia de que poderia manda-la se matar caso quisesse. Quem sabe quando não tivesse mais utilidade. Beijou Bellatrix com todo o vigor que pode, sentindo seu corpo trêmulo. Sentiu um prazer alucinante, mas não pelo beijo e o contato em si, mas por saber que Rodolphus Lestrange jamais conseguiria ter o efeito que ele tem sob ela.

Bellatrix era como uma peça de xadrez que lhe faria ganhar em uma única tacada.

Notas finais
EU EU TO COM AS PERNAS TREMENDO ATÉ AGORA, FINALMENTE SAIU O TRAILER DA MULHER MARAVILHA, AND JUSTICE LEAGUE, AND FANTASTIC BEASTS EU TO SEGUIMOS EM FRENTE, FORÇA GENTE Espero que gostem... **Juntei esses dois capítulos pq eu não aguento mais a enrolação que eu mesma criei, então vamo adiantá. Beijos!