As Cores

14 Capítulo 13


Bellatrix tomou sua poção, exausta de estudar para os N.I.E.M’s.

Assistiu suas companheiras de dormitório sumirem a cada piscada. Ela sentia a poção dopá-la aos poucos, tirando sua consciência. Antes de saber que tinha um problema mental, seus pais lhe fizeram passar por diversos tratamentos malucos, pensando que ela estava tomada por algum tipo de magia negra. Quando descobriram se tratar de uma doença trouxa, começaram a olhá-la de forma torta, principalmente Druella.

Fitou o lençol, transformando-se num mar de pano, a afundando cada vez mais na cama. Lembrou-se dos experimentos malucos, curandeiros sociopatas que se vendiam para seus pais, dizendo que tinham a cura. A cura era tentar abrir seu cérebro e vasculhar. Não, desta vez é apenas um choque. Talvez um mata-leão seja a cura. Mantê-la amarrada vinte e quatro horas talvez seja a cura.

Apenas no dia em que Bellatrix, após meses dopada, vítima de experimentos malucos, agarrou a mão do pai e implorou para que a matasse, se não ela mesma o faria, foi deixada em paz.

Limitaram-se a uma poção mata leão misturada a uma pesquisa bruxa que os pais financiaram, com as medicações trouxas para pessoas esquizofrênicas. Ela sentia-se fora de órbita na maior parte do tempo, ouvindo sussurros do além, mas aprender a conter-se. Aprendeu a não contar para ninguém que há algo sussurrando em sua mente, dizendo para ela fugir, esconder-se, ou atacar outra pessoa.

Nunca foi fácil viver em sua mente.

Sua personalidade excêntrica, aos olhos dos outros, atraiu Scabior. Ela pediria para seu pai casá-la com ele, pelo menos eram melhores amigos e ela não se incomodaria em casar-se com ele, mas seu pai nunca trocaria um Lestrange por um Scabior, uma família russa de sangue duvidoso. Assim como Scabior, os amigos dele também gostaram de Bella e não demorou muito para ela ser a única mulher entre o grupo de Sonserinos bardeneiros. A não ser pelas namoradas deles.

Mas agora, a vida de Bella se dividia no antes e pós Tom Riddle.

No pós, ela vive ansiosa, delirando em sonhos no qual consegue tocá-lo, trocar mais que meia dúzia de palavras. A noite é a pior parte, ele parece tê-la amaldiçoado, os sonhos que tem com ele a dominando quase lhe tiram o ar. Revira em sua cama, sentindo seu toque invisível, onde ele a possui de uma forma que ninguém nunca o fez. Quando finalmente disperta, tem vontade de chorar de frustração ao perceber que fora tudo um sonho.

Sabia que os meninos iam as reuniões sem ela e não tinha como pegá-los de surpresa, provavelmente foram dada as ordens para que não a levassem. Meses se passaram, até que, após o Natal, Scabior sussurrou-lhe a data.

A garota respirou, aliviada. Ele a queria! Ele a queria!

Escolheu o vestido para o dia, ansiosa. Scabior disse que era o casamento de um de seus comparsas mais antigo, Avery. Era onze da noite de sexta quando Bellatrix Black e mais de cinco garotos sumiram do dormitório, esgueirando-se pela passagem secreta. A garota apertava o braço de Scabior, tremendo de ansiedade. Eles aparataram assim que conseguiram se afastar das proximidades de Hogwarts, acabando em um bairro rico de Londres.

Os garotos vestiam-se com classe, em seus smokings, acendendo ou apagando cigarros, afundando seus pés em poças de água, com os sobretudos ondulando pelo vento forte da noite. A casa marrom estava iluminada e barulhenta quando eles entraram, era como se fosse uma mini mansão, pela sua grama impecável e a decoração luxuosa da entrada da casa.

Scabior entrou na casa lotada, abrindo espaço para os outros. Tinha muita gente no local. Ele pegou a mão da garota e eles passaram pelas pessoas falantes, conversando entre tragos e goles de uísque. As mulheres exibiam seus vestidos brilhantes e tiaras de diamantes. Eles desceram em direção de um porão e ela ainda tremeu quando passou pelo lobisomem Fenrir Greyback.

— É a porra do meu casamento! — gritou Avery, acendendo o cigarro. — É meu casamento!

Bella sentiu seu coração parar, ao ver Tom Riddle rir, olhando para Avery.

O porão escuro estava lotado, todos os homens que estavam na primeira reunião que Bella fora. Ali ainda estava Dolohov, estranho e deformado, agora com um olho branco onde lhe faltava. Travers mancou até a mesa, sentando-se nela, rindo com seus dentes de ouro, fazendo as cicatrizes em seu rosto distorcerem. Os únicos com classe naquele bando de malucos mal encarados eram os mais velhos. Ao lado de Tom tinha um senhor que Bella já vira em algum lugar e se não estivesse errada, era o senhor Goyle. Ele fumava um cachimbo, dizendo coisas para Tom, que ele apenas parecia ponderar.

— Ok, todos estão aqui, um aviso rápido: Hoje é meu casamento. — Avery tinha um penteado típico dos anos vinte, igualmente seu bigode longo e enrolado nas pontas. Ele tinha um inglês difícil e visivelmente irlandês, chegava a ser um pouco cômico.

— Você já disse isso, puta que pariu! — reclamou Travers, jogando uma garrafa nele, mas o mesmo desviou com a varinha, irritado com os risos coletivos. Ele marchou até Travers e lhe deu um tapinha no rosto.

— Sem drogas, seu filha da puta! — alertou. Aproximou-se de Dolohov. — Nada de foder minhas primas! — quase encostou seu rosto em MacNair. — NADA DE DROGAS!

Apontou para Scabior.

— Nada de brigas! — apontou para Gibbon. — Sem brigas! — apontou para Nott. — SEM BRIGAS!

SEM BRIGAS, CARALHO! — urrou, olhando para todos. Deu alguns passos para trás e acabou tombando em um garoto. — SAI DA FRENTE, PORRA!

Empurrou o menino, dando-lhe um choque com a varinha. Roubou o cigarro de Tom Riddle, que o olhou, risonho. Os homens começaram a se dispersar, mas Bellatrix queria tomar coragem para falar com quem queria. Apesar de vultos negros passarem o tempo inteiro, Tom pareceu sentir a presença de Bellatrix, focando seus olhos gélidos nela, parecendo não ouvir os homens que falavam com ele. Ela observou a fumaça que saia lentamente de sua boca, esvaindo-se pelo ar.

A garota parecia estar sendo empurrada pelo nada até ele, segurando seu vestido como se fosse seu bote de salva vidas. Pegou o maço de cigarro no bolso de seu sobretudo, colocando um cigarro entre os lábios. Os homens que conversavam com Riddle pararam de falar quando Bellatrix parou diante dele. Tom a analisou lentamente, tragando seu cigarro. Pegou a varinha no bolso interno de seu smoking e acendou o cigarro na boca de Bella.

Ele levantou-se, fazendo com que a garota começasse a olhar para cima.

Os outros bufaram, vendo que perderam a atenção do homem, e se dispersaram, indo atrás de outros. Ele sorriu lentamente, admirando cada detalhe do rosto jovem de Bellatrix, que sequer conseguia respirar corretamente, completamente apaixonada.

— Senhorita Black. — sussurrou ele, pegando a mão de Bella, educadamente, depositando um beijo seco. Em nenhum momento os olhos se desgrudaram e a garota queria agarrá-lo a todo custo. — Detesto que veja esse grupo de animais falantes.

Ela sorriu, extasiada.

Eu te amo, pensou. Eu amo a textura de sua pele, amo seus olhos que parecem cor de gelo, amo a aparente maciez de seu cabelo, amo cada parte de seu corpo. De suas orelhas até seus pés que nunca vi. Amo até mesmo a exclusividade da escuridão de seu cabelo. Eu preciso de você na minha vida, espero que também precise de mim.

Tom tocou seu rosto, parecendo ouvir tudo que tinha na mente de Bella.

— A senhorita me daria a honra? — indagou, oferencendo-lhe o braço. Eles subiram para o térreo, com Bellatrix enfeitiçada por seu aroma. Era um cheiro único da mistura de sangue, cigarro e perfume. Sentia-se o ser humano mais sortudo que pisou na terra, ao seu lado. Queria que todas as mulheres sentissem inveja dela.

Eles sentaram-se juntos para assistir a cerimônia e Bella surpreendeu-se que quem casaria Avery e sua noiva era Mulciber, que até prendera seus dreads, sorridente com seu canino de ouro. A mulher com quem Avery se casava era extraordinariamente bonita, e bem mais alta que ele, era um casal não muito usual, mas perfeito. A cerimônia foi rápida e interrompida várias vezes pois Avery simplesmente não conseguia se segurar e acabava beijando sua esposa de minuto em minuto, estressando Mulciber, que separava os dois, aos berros, com os convidados gargalhando.

Bella sentia seu coração disparar toda vez que sentia os olhos de Tom Riddle nela, a avaliando. Se sorrisse, seu sorriso ocuparia todo o seu rosto. Quando Avery e sua mulher, Charlotte, finalmente estavam casados, Tom pegou sua mão no meio dos aplausos e eles se levantaram, para cumprimentar os recém-casados. A festa deu-se inicio e Tom apresentou Bellatrix a quase todas as pessoas da sala, como se ela fosse alguém especial:

— Este homem aqui é um professor de Artes das Trevas no Chile. — apresentou ele, batendo no ombro de um homem de olhos puxados e pele escura. — E essa, é Bellatrix Black, primogênita de Cygnus Black, uma das famílias mais antigas e puras do mundo bruxo!

Ela apertou tantas mãos, sorriu para tantas pessoas que começou a ficar zonza. Todos pareciam querer um minuto com Tom, ouvir um conselho, perguntar algo, oferecer algo. Ele era gentil e educado, parecendo ter a paciência de um sábio. Quando finalmente pararam para tomar um uísque, a garota já conhecia todo o local. Tinha de professores, curandeiros e intelectuais a Ministros e chefes de departamento de diversos países.

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Ela começou a perguntar-se o que ele realmente fazia de fato. Tom acendeu um cigarro e deu outro a Bellatrix, enquanto tomava todo o conteúdo em seu copo, pegando outro em seguida. A garota tragou seu cigarro, olhando ao redor, virou seus olhos para Tom, lentamente, tomando coragem para falar:

— Vou me casar em breve. — anunciou. Tom olhou-a, com o cigarro pendendo no canto da boca. Ele deu-lhe um sorriso dócil.

— Parabéns, senhorita Black, posso sa...

— Não, eu não quero me casar. — corrigiu ela, fazendo Tom olhá-la de forma curiosa. — Digo, não com ele. Não com o Lestrange.

— Ah, os rapazes Lestrange. — sorriu, tomando um gole de uísque. — Imagino que seja o mais velho, certo? Rodolphus, estou certo? Uma família muito antiga, vai agregar muito aos Black.

Bellatrix sentiu-se confusa.

— Eu não quero me casar com ele. — reforçou ela. — Odeio Rodolphus, se Merlin fosse justo, ele vestiria saias e eu as calças.

Tom sorriu, rindo, mas Bella estava irritada. O homem notou a irritação da garota e conteve-se, dando mais um trago em seu cigarro, admirando a festa. Bellatrix respirou fundo e o olhou, séria.

— Talvez... Se eu escolher um pretendente, meu pai aceite. — explicou ela. — Eu consigo convencê-lo.

O homem parecia saber o que vinha em seguida.

— Você não tem ninguém... — Bella não conseguia olhá-lo, então ficou olhando o uísque em seu copo, quase infartando. — E tem muitos contatos, provavelmente precisa de financiadores para algo que desconheço... Bem, os Black são milionários. — Olhou Tom, ofegante. — Casar-se com uma Black lhe traria uma fortuna.

Bellatrix sentiu pena de si mesma quando Tom lhe deu um olhar estranho, como se ela tivesse perdido a graça para ele. Engoliu seco, cega de amor. Se não pedisse aquilo, morreria. Ele era sua única chance, sua única saída. Quando seu pai soubesse que ele é um homem tão poderoso, tão focado, tão... Jamais diria não. E se dissesse, Bella fugiria com ele. Faria o que Tom quisesse, estava dominada por um feitiço mais forte de Imperius. O homem respirou fundo, parecendo preparar-se para falar. Novamente, tomou todo o conteúdo em seu copo e finalmente terminou seu cigarro, o apagando dentro do copo com gelo.

Tom simplesmente agarrou a cintura de Bellatrix e pegou seu maxilar com força ao beijá-la. Ela mal conseguia respirar, ele tomara o controle completo de seu corpo. Sua língua parecia uma navalha, abrindo caminho em sua boca. A garota abraçou o homem, acariciando suas costas, sentindo suas pernas fraquejarem. Sentiu seu corpo em chamas, parecia que ia explodir de excitação e desejo.

Quando o beijo finalmente terminou, Tom olhou-a, sério.

— Eu não posso me casar com você. — sussurrou, fazendo os olhos de Bella se encherem de lágrimas em segundos. — Já sou casado com meu dever.

Ele soltou Bella, olhando-a docilmente.

— Pare de se comportar que nem uma criança. Isso é um mundo de homens. — apertou seu queixo, frio. — Há apenas uma coisa que pode cegar uma garota tão inteligente como você, senhorita Black.

Tom Riddle deu-lhe um último olhar e saiu, aparatando em seguida. Bellatrix tocou seu pentagrama, extasiada. Sentou-se no local mais próximo e fitou o nada, imersa em um limbo sem saída. Bellatrix ofegou, trêmula e desesperada. Levantou-se de supetão, sentindo que iria explodir de chorar a qualquer segundo. Parecia mover-se em câmera lenta ao empurrar as pessoas para fora de seu caminho até a saída, não importando-se em procurar Scabior ou algum conhecido.

Abriu a porta da casa, não assustando-se com a briga que acontecia na rua, entre exatamente as pessoas que Avery berrou para não brigarem. Não importou-se em levar um feitiço enquanto caminhava pela rua, ouvindo berros de comemoração e dor, xingamentos e estalidos de feitiços fortes. Suas lágrimas pareciam de gelo enquanto saiam de seus olhos. Ergueu a mão da varinha, com o Noitibus materializando-se na sua frente em segundos.

Entrou.

Notas finais
Gente essa música não é linda? Desde que eu assisti Montage of Heck que eu procuro e só agora eu achei, nossa, que cover perfeito... ENFIM Não caiam na rede do Tom que nem a Bella hein, não vamos esquecer que ele não gosta de ninguém, muito menos da Bella... To contando os capítulo que nem moedinha pra começarmos a ver mais dele Espero que gostem, a próxima é a Cissy! Beijos! ;)