As Cores
2 Capítulo 01
Narcissa torceu seu nariz para o garoto a sua frente.
Ela estava entrando no seu primeiro ano e definitivamente já estava detestando. Havia coisas boas em ir para Hogwarts: Ficaria perto de suas irmãs, conheceria novas pessoas, finalmente teria uma varinha e aprenderia coisas novas... Mas ela não queria ficar longe de sua mãe. Desejou voltar para casa mais fortemente enquanto olhava para Lucius Malfoy, a sua frente.
Ele parecia estar em outra cabine de tanta força que fazia para ignorá-la. Era como se tivesse um banco vazio a sua frente. Ciça sempre o achou estranho, mas agora achava mais ainda. Sempre com uma expressão de tédio profundo gravado no rosto como se o mundo fosse um longo filme de drama.
— Espero cair na Sonserina. — disse ela, tentado chamando atenção do garoto. Ele já estava no segundo ano, e a função dele naquela cabine, pelo menos na cabeça de Ciça, era informa-la sobre Hogwarts, dizer o que os primeiranistas devem evitar, fazer... Mas ele parecia cansado demais (de não fazer absolutamente nada) para poder falar.
Ele focou seus olhos cinzas nos dela por alguns segundos e assentiu, voltando a olhar a paisagem. Narcissa arregalou os olhos, chocada. Odiava ser ignorada, odiava! Sentia vontade de chorar! Que castigo!
A porta da cabine finalmente se abriu, com Bellatrix enfiando sua cabeça na cabine, com a boca cheia de doce:
— É aqui o enterro? — debochou ela, abrindo a porta com um riso. O lugar foi invadido pelos amigos de Bella e Andy, deixando Ciça mais tranquila, pelo menos eles não pareciam zumbis.
— Chega pra lá. — Andrômeda quase jogou Lucius para fora do banco, rindo de algo de Scabior dissera. Ciça não conhecia algumas pessoas ali, como o garoto de olhos azuis e a menininha ruiva que o acompanhava. Evan sentou-se no colo de sua prima Andrômeda e sorriu para Narcissa.
— Ansiosa?
— Muito! Não vejo a hora de ser selecionada!
— Scabior. — chamou Bella, rindo de algo, fez com que Ciça levantasse e sentasse em seu colo, já que a cabine estava cheia demais para todos sentarem. — Conte sua seleção para Ciça.
— Ahhhhh, foi a 84 anos atrás... — a cabine gargalhou com o teatro do garoto. Narcissa riu, ela gostava dele, ficava um pouco assustada com a quantidade de tatuagens que ele tinha, mas ele era muito divertido. — Eu falei para o chapéu “Qualquer casa menos a Lufa Lufa” e aí ele berrou “LUFA-LUFA” e eu quase mijei nas calças, então ele falou “Brincadeira, garoto, SONSERINA”. E aqui estou eu.
— Imagine nossa vida se ele tivesse sido deixado na Lufa Lufa? — sonhou o Nott, com a boca suja de chocolate. — Por que, Merlin? Por que?
— Bella iria morrer sem a minha presença. — disse Scabior, apontando seu alcaçuz para a irmã de Ciça. A garota apenas riu, ainda comendo seus doces. A viagem seguiu com Lucius em silêncio e Narcissa batendo seus olhos nele de dois em dois minutos para garantir se estava mesmo vivo. Quando finalmente chegaram em Hogwarts, Narcissa sentiu que ia vomitar no lago.
Ela sabia que deveria ir para a Sonserina e queria ir porque as únicas pessoas que conhecia no mundo estavam lá. Seu nome foi chamado e ela sentou-se rapidamente, vermelha.
O chapéu ficou em silêncio por segundos que nunca acabavam e o sorriso de Bella começava a vacilar.
— SONSERINA!
MESES DEPOIS
A garota jogou-se na cadeira, cruzando os braços para o homem à sua frente.
Apesar de fazer sua melhor expressão de dissimulação e tédio, sempre sentia seu sangue congelar quando era “convidada” a visitar o diretor, algo que era frequente desde que entrou em Hogwarts. Particularmente, ela tem a leve impressão de que os professores estão começando a fazer isso simplesmente para se livrar dela em suas aulas, o que a mesma acha uma honra.
— Senhorita Black... Está é a... — Bellatrix deu-lhe um breve sorriso.
— Quarta.
— Quarta vez na semana que recebo sua visita. — sorriu Dumbledore, colocando seus cotovelos sobre sua mesa. Ela olhou seu chá rapidamente, desviando seus olhos azuis. — O motivo?
— Falar a verdade incomoda muita gente nessa escola. — revelou tentando não desviar o olhar. Na verdade, se fosse qualquer outro aluno, Bella acha que eles já teriam sido expulsos diante de tantas advertências. Pobre, McGonagall, aposto que é o sonho dela.
— Você acha? — disse Dumbledore, calmo como sempre.
— Eu disse que você era amigo de Grindelwald e concordava com a visão dele e pelo jeito isso quebrou o coração da professora McGonagall. — deu de ombros, sorrindo descaradamente. —O que eu posso fazer além de desejar melhoras?
Dumbledore pareceu se divertir.
— Srta. Black... Gosto quando me chama de você — Bella engoliu seco —, creio que na verdade a professora irritou-se por ter interrompido a aula dela.
— Que seja. — murmurou, olhando a janela, rezando para que ele a expulsasse da sala o mais rápido possível. – Será que pode assinar minha ficha logo?
— Não vejo porque. — retrucou ele, devolvendo sua ficha. — A senhorita só falou a verdade, não é mesmo?
A Black arregalou os olhos por alguns segundos, tremendo. Ela odiava olhá-lo, sentia que ele sabia tudo que estava pensando ou sentindo e isso a deixava extremamente nervosa. Pegou sua ficha rapidamente e levantou-se.
— Posso? — ele assentiu rapidamente e ela enfiou a mão em seu pote de biscoitos, pegando alguns. — Obrigada.
Ela colocou um na boca, querendo gargalhar. Desceu as escadas da gárgula, encontrando Scabior a esperando no final.
— E aí? — indagou ele, ansioso. Bella gargalhou de boca cheia, esfregando sua ficha no rosto do amigo, que pegou alguns biscoitos de sua mão, enfiando na boca. Ele agarrou a ficha, lendo as advertências. — Ele não assinou?
— Não!
— Por que isso só acontece com você? — indignou-se Nathan, afrouxando sua gravata verde. — A última vez que eu respondi a McGonagall eu tive que limpar privadas!!!
— Vocês lembram daquela vez em que Nathan quase tocou fogo na capa dela? — gargalhou Jordana, como toda vez que se lembrava desse episódio.
Eles continuaram falando ao seu redor, mas ela estava focada em chegar até a McGonagall e pegar de volta os pontos roubados de sua casa. Adentraram o Salão Principal e ela foi em sua direção.
— Hm, com licença? — Bella sorriu para a mulher que virou-se com uma expressão de desgosto. Olhou no fundo de seus olhos escuros. — Aqui está minha ficha. Dumbledore não assinou, ele não tem costume de castigar alunos por falarem a verdade, ao contrário de alguns professores...— Bella a mediu por inteiro, sorrindo de canto de boca. — Agora se puder devolver os pontos da Sonserina, eu ficaria muito agradecida. Ordens de Dumbledore. Tchauzinho.
Virou-se abrindo espaço entre o grupo atrás dela, que começou a segui-la segundos depois, entre gargalhadas e pequenos estalos para cima com a varinha. A Black daria TUDO para ter olhos nas costas e ver a grande cara de merda que a professora ficou. Acabou gargalhando assim que saiu do salão, quase sendo esmagada pelo abraço de Scabior.
— Você é uma vaca! — riu ele. Bella parou de repente, assustada. O azul no cabelo do garoto ao longe a congelou. — Que foi?
— Ele voltou... — sussurrou ela, abrindo um grande sorriso. — EDWARD!
Bellatrix simplesmente soltou-se dos braços de Scabior e correu em direção do metamorfomago, que virou-se a tempo de abraçar a garota que pulou em cima dele. Ele deu um berro de felicidade ao ver sua antiga amiga e os dois ficaram conversando entre gritos em um abraço apertado.
Tonks e Bellatrix eram velhos colegas.
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