Notas iniciais
Olá! Aqui estou eu. Por favor, não atirem pedras, facas e tridentes. Eu sei que faz um bom tempo, mas talvez eu possa justificar com provas, trabalhos pra caramba e uma micro viagem que fiz de dois dias. Bom, o que importa é que aqui estou eu e vou postar um hoje e um amanhã pra compensar. Não me odeiem.
Espero que estejam gostando e prometo que vou continuar empenhando em escrever bons capítulos pra vocês. Obrigada por tudo. Beijos Isabell.

Ok. As coisas não estão claras. Eu estou confuso. Ainda mais confuso do que antes. Parece que quanto mais coisas eu descubro sobre a falsa morte de Thalia, mais confuso eu fico. A única coisa de que tenho certeza é que ela não está morta como as pessoas dizem. Mas a questão é: porque todos acham isso?

O que me deixa mais intrigado é que as pessoas não parecem estar mentindo como Thalia acha. Aqueles dois garotos, Toby e Taylor, acreditavam fielmente que ela estava morta. Além disso, não existe um por quê deles omitirem a verdade.

Talvez Thalia estivesse errada. Mas como dizer isso a ela?

Volto para o beco e assento-me do lado dela. Ficamos num estranho silêncio por alguns minutos até que eu digo:

- Engraçado aqueles seus colegas, Toby e Taylor, eles parecem falar em sincronia. – ri.

- É. – ela riu também – Eles sempre andam juntos e sempre falam em sincronia.

- O que o Toby tem? Quer dizer, porque ele estuda lá?

- Ele tem um tipo de diabetes muito forte. Daquelas que tem que tomar injeção pra não dar nada errado.

E novamente ficamos em silêncio. Eu estava um pouco ressentido de contar pra ela sobre o que eu pensava. Não queria magoá-la, mais do que ela já estava magoada com tudo que acontecera. Mas foi em vão no momento em que ela quebra o silêncio:

- Chris estava lá? Ele disse alguma coisa sobre a minha falsa morte?

- Não. – respondo – Ele não estava. Ele foi embora da escola uma semana depois que você desapareceu. Ele também acha que você está morta.

- Então ele também estava mentindo. – ela esfregou as mãos no cabelo e olhou para baixo.

- Thalia... – respirei fundo – Eu não acho que essas pessoas estejam mentindo. Seria algo muito sério se elas falsificassem a sua morte. E não tem sentido fazerem isso.

- Então, como explica... – ela ergueu os ombros – tudo? Tudo o que está acontecendo?

- Talvez você realmente não tenha ido à escola naquele dia.

- Mas eu fui. Luke, eu fui, eu me lembro. – ela falava em um tom forte e lutava para as lágrimas não caírem dos olhos.

- Eu só estou querendo dizer que talvez você tenha se confundido, trocado os dias. Quem sabe suas lembranças não sejam de outro dia? Eu não estou dizendo que você estava no carro no dia do acidente, porque sei que está aqui. Mas talvez você tenha ficado em casa, ou em algum outro lugar e não tenha ido para a escola.

- Você não acredita em mim, não é? – ela disse e as lágrimas já escorriam pelo seu rosto. – Você disse que acreditava Luke, eu confiei em você. Você mentiu, como todo mundo. Achei que era meu amigo.

Droga Luke, droga. Você é um idiota perfeito. – e dessa vez não era a voz na consciência que me dizia isso. Era eu mesmo. – Como pode magoa-la? Ela é sua amiga. A única que teve em toda a sua vida.

- Thalia, me perdoa. Eu só acho que...

- Não quero saber o que você acha. Não me importa. Você não acredita em mim, então vai embora. – ela falou chorando. – Eu não preciso de você, não preciso de suas coisas.

- Eu acredito em você, mas... – eu tentei falar, mas ela me interrompeu novamente.

- VOCÊ TÁ SURDO? VAI EMBORA. AGORA. EU NÃO QUERO VOCÊ AQUI. VAI. EMBORA. – ela gritava e as lágrimas dos olhos não paravam de descer.

Eu não tive escolha. Peguei minha mochila e sai correndo. E corri. Como no dia em que fugi do orfanato. A diferença é que dessa vez eu não fazia ideia do que estava correndo. De mim mesmo? Do mundo? Não sei, mas não me cogitou a ideia de parar. Corri até chegar à praça. A mesma praça daquele primeiro dia.

Cá estava eu, sozinho de novo, sem ter pra onde ir, sem ter ninguém. Eu tinha construído um lar, quase uma família com Thalia e destruí tudo em pouquíssimo tempo. E quando eu digo lar, não significa uma casa, um lugar pra morar. Significa uma união, onde um tinha a companhia do outro. E agora não havia mais nada, graças a mim.

Não acredito no quanto eu sou idiota. Eu estava com raiva de mim mesmo. Muita raiva. Peguei uma garrafa de cerveja vazia no chão e atirei contra uma árvore. A garrafa se espatifou em milhões de pedaços. Algumas pessoas que estavam por ali olharam para mim, mas logo voltaram sua atenção ao que faziam. Depois, esfreguei, com força, a mão nos cabelos e me sentei num banco da praça.

Eu queria chorar, queria abraçar os meus joelhos e chorar até secarem as lágrimas. Mas eu não merecia essas lágrimas. Fui idiota o suficiente pra magoar Thalia. Agora eu tinha que aguentar as consequências. Dei um suspiro forte e então comecei a pensar no que iria fazer a partir de agora. Abri minha mochila, mas sem procurar nada em específico. Toda a comida que eu tinha saqueado na loja de manhã estava lá dentro. Eu não tinha deixado nada pra Thalia. Cada vez mais me surpreendo com a minha estupidez e idiotice.

Pensei em voltar lá e deixar alguma coisa pra ela, mas não queria ser expulso aos gritos novamente. Resolvi então comer aqueles suprimentos, eu não estava com muita fome, mas seria melhor que jogar fora.

Enfio a mão no fundo da mochila a procura de uma lata de Coca-Cola para acompanhar o sanduiche e tiro de lá de dentro uma coisa que não me é familiar. Algo que eu tinha certeza de que não estava lá hoje de manhã.

Uma faca.