As Cores
6 A Manchete do Jornal
Notas iniciais
Mas vamos a fic...Capítulo novo feito com muito carinho pra vocês. Aproveitem.
A casa era realmente bem pequena, porém aconchegante. O suficiente para duas pessoas morarem sem nenhum problema. Dois quartos, um banheiro, uma sala e uma cozinha no tamanho ideal e ainda tinha uma área de serviços, onde a mãe de Thalia cultivava algumas plantas, mas que a essa altura, obviamente, estavam mortas pela falta de cuidado.
Na sala, havia uma enorme pintura que chamava muita atenção. Eram deuses, os deuses gregos. Doze. Um deles estava em destaque, Zeus, o deus dos céus, mestre dos raios. Lembro-me de quando o senhor Linus falou sobre ele nas aulas de mitologia no orfanato.
- Minha mãe gostava muito desse quadro. Uma vez, ela me disse que foi meu pai que deu a ela. – Thalia falou, se aproximando – Às vezes, eu a pegava conversando com a pintura, mas assim que ela me via parava de falar, como se não quisesse que eu escutasse o que ela dizia. Nunca entendi, mas sempre quis saber o que ela tanto falava com estes deuses.
- Talvez estivesse rezando. – falei com os olhos grudados na pintura.
- É, talvez. – ela concordou – Ela devia ter muita fé nesses deuses gregos.
E devia mesmo, porque a pintura não era a única coisa referente a eles presente ali na sala. Havia, no alto de um armário, estatuetas de gesso retratando cada um deles. Mas dessa vez eram treze. Hades, o deus dos mortos também estava ali representado.
- Então, o que acha que podemos levar daqui? – Thalia perguntou.
- Hum... Não sei. Comida? Roupa? Cobertor? O que você achar melhor. Você entende de rua melhor do que eu. – respondi dando um meio sorriso.
- Roupa e cobertor é uma boa. Está muito frio ultimamente. Mas eu creio que o que tiver de comer aqui já está vencido. Mas podemos checar.
Fomos até a cozinha e abrimos os armários e a geladeira. Thalia tinha razão. Estava tudo vencido. O máximo que conseguimos aproveitar foi uma caixa de suco que ainda tinha dois meses de validade.
- Tudo bem. – eu disse tentando ser otimista — Se não for problema pra você, eu posso saquear mais alguma coisa no mercado. Problema, eu quero dizer, se você não ficar pensando que tem um amigo ladrão.
- Tá brincando? – ela disse sorrindo – Não é problema nenhum. Isso é ótimo. Eu queria ter dito isso ontem, mas não tive oportunidade. Eu realmente achei incrível como você escapou tão fácil dos seguranças da loja. Se conseguir fazer isso sempre vai ser ótimo pra nós.
- É claro que consigo. – disse orgulhoso de mim mesmo. Orgulhoso não por estar roubando, mas sim por deixar alguém impressionado. Que eu me lembre, nunca causei uma boa impressão em ninguém. Normalmente eu sempre sou piada em tudo por causa da dislexia e do TDAH. – Eu posso fazer isso amanhã. Pra hoje ainda temos algumas coisas.
- É claro. – ela disse balançando a cabeça em aprovação – Bem, eu acho que podemos pegar as roupas, não é?
Voltamos até o quarto de Thalia e tiramos do guarda-roupa alguns casacos de frio. Ela me deu algumas blusas brancas e pretas lisas que me serviam. Pegou outras pra si.
- Obrigado. – agradeci.
- Sabe o que eu estava pensando? – ela disse – Nada mal se pudéssemos vir aqui, talvez, uma vez por semana, tomar um banho. Os chuveiros ainda funcionam.
- Eu acho que sim. É uma boa ideia. Todos os dias, talvez, não daria certo, mas acho que uma vez por semana não tem nenhum problema. Além do mais, um banho nos faria bem.
- É, e não é tão longe, fica ótimo para nós. Você quer tomar o banho primeiro?
- Não. As garotas na frente. E a propósito a casa é sua, você primeiro.
Ela não discutiu. Pegou as roupas e foi para o banheiro. Resolvi dar mais uma volta na casa para tentar encontrar algo a mais que fosse útil. Entrei em um quarto que devia ser o da mãe de Thalia. Apesar da poeira, estava bem organizado. Ali tinha outra pintura grega, porém essa só retratava Zeus e tinha um tamanho menor do que aquele da sala. A cama ficava no meio e do lado esquerdo, uma mesinha de cabeceira com dois porta-retratos. Um tinha a foto exatamente igual aquela no quarto de Thalia e o outro era uma fotografia dela bebê, brincando em um balanço. Os mesmos olhos azuis como o céu chamavam a atenção.
Coloquei os porta-retratos de volta na mesinha e me sentei na cama. Dei uma olhada em tudo em volta e então baixei os olhos. Foi então que percebi uma folha de jornal jogada encima da cama ao meu lado. Uma foto de uma mulher com sua filha estavam estampadas na página e apesar da minha dislexia consegui ler o que dizia em letras grandes na manchete: “Mulher e filha morrem em acidente de carro”.
E a foto era a mesma do porta-retratos da cabeceira da cama. Thalia e sua mãe.
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