Notas iniciais
E chegamos, finalmente aqui... Foi um mês de escrita cheia de bloqueios, me deitar no chão pra escrever pelo calor, ficar horas e horas com nem um parágrafo direito feito, mas também foi um mês de aprendizado de português, de comprometimento a fazer uma história para uma moça genial (sim eu puxo teu saco pq eu te admiro Ana) e prum grupo de Whatsapp cheio de mulheres FODAS cheias de vida, motivação. Me incentivaram desde o comecinho, eu desesperada por ter pego a Ana (eu apostei no teu plot mas estava mesmo doida para ler o resulto, e olha no que deu!). Beijos também na Josy que me aguentou desesperada sem ter ideia do que eu escrevia! UM BEIJÃO EM CADA UM QUE CHEGOU ATÉ AQUI COMIGO! Um abraço apertado enviado por sedex para a Ana, claro. E AGORA, QUE RUFEM OS TAMBORES, APRESENTO O "CAPÍTULO 8", ÚLTIMO PEDACINHO DESSA HISTÓRIA. Boa Leitura ;) obs: matei Walburga tá bom antes do canon pq eu precisava!

CAPÍTULO 8

Da janela, vejo

luzes da cidade, o peso,

todo o desejo

de um lugar nesse clarão.

Como eles correm

tão certinhos quanto à sorte;

rima com a morte.

Mando um grito, mando um sinal.

— Casa, Baleia



A tarde passou com Harry voando na vassoura de brinquedo, Remus um pouco desesperado correndo atrás dele e Sirius assistindo alguém assumir seu papel de “Harry vai me matar!”. A noite tomava canto do céu com velocidade a medida que cada vez mais neve caia, enfeitando as janelas com flocos fascinantes para a criança da casa. Enquanto Remus se aventurava com Harry num banho onde, Black tinha certeza, o homem acabaria mais molhado do que o menino, ele aproveitou para pensar sobre como faria a dinâmica dos presentes de Natal.

Chamar Monstro para preparar o jantar fora sua última opção. Seus temores remanescentes de uma infância de conspirações sobre o elfo doméstico envenenar a comida o assombravam, mas Monstro parecia ter algum estranho apreço pelo garoto que derrotara o Lorde das Trevas.

As vozes vindas do banheiro faziam algo de leve e quente começar a saltar em seu peito. Harry definitivamente não aproveitaria uma ceia à meia-noite, mas Sirius não se importava nem um pouco de mudar os horários, afinal, aquele era um Natal vibrante feito para o seu menino.

A maior parte dos presentes chegaria pela manhã, mas naquele momento, sentindo-se inspirado ao observar a foto de Lily e Pontas no primeiro Natal do casal na casa, Sirius convocou com um Accio o presente que preparara para Remus. A embalagem dourada repousou com suavidade no chão ao redor da árvore de Natal, solitária. Poderiam trocar presentes depois de colocarem Harry para dormir definitivamente.

Sirius escutou a voz de Remus falando com Harry se tornar mais alta seguida dos prováveis passos apressados de um Remus segurando um Harry enrolado em toalhas felpudas. O relógio batia cinco horas e trinta minutos, o jantar seria servido às sete em ponto – Monstro o avisara que estaria preparado para organizar o ambiente festivo às seis e meia – o que dava a ele e Remus um tempo para se prepararem.

Remus desceu as escadas de mãos dadas com um teimoso Harry que não queria ser carregado, e notou as flamas deixando a varinha de Sirius e dando vida a lareira.

— Ele queria te ver – falou para o moço de cabelos pretos, balançando as mãos com Harry.

Sirius deixou a varinha na mesinha de centro da sala que retomara seu lugar e se ajoelhou, estendendo os braços.

— Vem pro padrinho. – Sua voz era rica em emoção, e Harry desajeitadamente largou a mão de Remus para em seus pequenos passos se atirar nos braços dele.

Remus observou a cena com um pequeno sorriso.

— Ele está sonolento, talvez você consiga pô-lo para dormir antes de comermos. – sugeriu.

Sirius levantou a criança no seu colo, e Harry após um pequeno grunhido, esticou as macias mãos pelo ombro dele, apoiando sua cabeça na curva do pescoço do mais velho.

— Acho que ele embala rápido – concluiu ao sentir o estado do pequeno.

— Espero que sim –, replicou Remus, andando lentamente para trás, meio sem jeito, mãos enfiadas no bolso da calça – vou aproveitar e me aprontar para a ceia.

Sirius desviou o olhar do bebê para responder o moço.

— Claro, tome seu tempo para se embonecar – disse com uma piscadela. – Assim que eu tiver certeza de que ele está bem adormecido vou começar meu tratamento capilar também.

Remus apenas piscou os olhos lentamente, falhando em emitir um riso. Sirius obviamente notou a falta de efetividade de seu humor e começou a andar em círculos com Harry, tentando niná-lo, ainda sem saber como contornar a tensão.

Ele havia ido até a porta de Remus a fim de acertar aquilo, James e Lily demandariam a presença de Lupin na vida de seu filho. Porém, tê-lo como convidado para Harry implicava em uma companhia antes ativa e entranhada nele. Todos os momentos passados juntos apenas pareciam ser salvos como tiros de raspão, Harry empurrando-os longe o suficiente da bala, mas não impedindo que o sangue jorrasse.

Esperando escutar a porta do quarto de visitas ranger para ter certeza de que não cruzaria com Remus no corredor, já que ele estava no quarto em frente ao seu, na diagonal do de Harry, Sirius continuou a ninar a criança. Cantarolando alguma melodia trouxa que provavelmente conhecera em uma de suas muitas idas a bares trouxas durante a sua rebelde adolescência, o calor do corpo que o abraçava dava-lhe segurança e receio. Ele não era um pai, mas teria que ser o mais próximo disso. Era estressante, na maior parte das vezes ele parecia andar a esmo com Harry.



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Um feitiço de monitoramento fazia com que uma nuvem com a imagem de um bebê dormindo fosse a decoração de uma das paredes da sala de jantar. Monstro fora pontual e resmungara ao notar a presença de Remus na casa, mas Lupin o tratou com tanta paciência que o elfo aquiesceu suas reclamações.

Adotando a postura de anfitrião de um só convidado, Sirius colocara sua melhor jaqueta de couro em cima de uma camisa de botões de cor vinho. Até botas de pele de dragão serviam em seus pés, apesar de estar em casa. Ele, porém, não queria exagerar em sua extravagância, mantendo o ambiente como uma reunião informal. Ele até recebera convites para passar o natal com Harry na casa de algum dos remanescentes amigos, mas eles precisavam criar suas próprias tradições.

Sirius observou criticamente a disposição da mesa, um prato em cada cabeceira e a cadeira adaptada para Harry ao lado de uma das cabeceiras. Revirando os olhos, trouxe a louça distante para o outro lado da ponta da mesa: ali não seria feito como na casa onde crescera, um abismo físico-emocional representado pelos lugares nos jantares. Pelo menos, Monstro conjurara com seu estalar de dedos brilhos flutuantes e fadinhas decorativas.

Ajeitando os talheres, Sirius não notou o elegante homem que aparecia pelas escadas. Remus tentava não bagunçar os cabelos alinhados enquanto descia os degraus, seus sapatos sociais fazendo um estalido em cada madeira que batiam. Levantando os olhos, Sirius teve que conter o queixo que parecia brigar com ele por cair.

O casaco bege de Remus ia até seus joelhos e o cachecol azul costurado por Lily durante seu confinamento caia perfeitamente bem nele. A calça branca definitivamente comprada em algum brechó trouxa, reparou Sirius, fazia par com uma camisa preta.

Black seguiu o rapaz com os olhos, cada vez mais próximo.

— Acho que preciso subir e me trocar para ficar a sua altura, Remmie.

Remus finalmente encontrou os olhos do outro rapaz, e percorreu os trajes dele. Bufou, apoiando as mãos na cabeceira agora desprovida de talheres.

— Boa piada.

Sirius ergueu os braços em formato de rendição.

— Eu estou falando sério.

— Claro, Sirius, sem dúvidas – retrucou o lobisomem, contornando a mesa e passando direto por Sirius, indo para a cozinha.

Sirius se virou para acompanhar Lupin.

— Boa-noite, Monstro, como estão indo as coisas? – perguntava gentilmente no momento que Black adentrou a cozinha.

Monstro estava encurvado, limpando travessas claramente trazidas da casa dos Black.

— Não há necessidade de supervisionar meu espaço, Sr. Lupin – respondeu com certo mau-humor.

Desde a recente morte de Walburga, aproximadamente dois meses antes – não, Sirius não se dignara a pisar no funeral da falecida mãe — Monstro se tornara a criatura mais amuada de todas, lamentando pela sua Senhora.

— Ei, mais respeito, Monstro – advertiu Sirius.

Contrariado, o elfo apenas murmurou:

— Peço perdão, meu Amo.

— Não há razão para se desculpar, Monstro – Remus disse abanando uma mão, e retornando para a sala de jantar, extensão da sala de estar.

Sirius saiu da cozinha junto do rapaz de olhos de mel, quem caminhava em direção aos sofás.

— Ele vai colocar a comida na mesa em poucos minutos, o que acha de abrirmos um vinho? – sugeriu.

Lupin ajeitou o cachecol.

— O que você preferir, Sirius.

Contendo o suspiro diante da inexpressividade de Remus, Sirius convocou duas taças e a garrafa com a varinha. Outro toque da varinha, e o vinho estava caindo num tilintar suave e as taça de Remus se dirigia até ele.

— Obrigado – agradeceu, levantando levemente o copo em um brinde antes de beber do líquido arroxeado.

Sirius se aproximou de onde Remus estava. O rapaz observava novamente as fotos que circulavam a árvore. Sem se encararem, eles apenas ficaram lá, bebendo aos poucos e se aquecendo com o calor vindo da lareira.

— Eu estava querendo te perguntar... – começou Sirius, um pouco nervoso – Você está bravo comigo ou algo do tipo, pelo que aconteceu durante a guerra?

Remus deixou um longo suspiro escapar e pendeu o peso para outro pé.

— É Natal, Sirius. – Seu tom pesava aos ouvidos de Black. – Se você realmente está disposto a conversar -, ele certamente duvidava a boa vontade de Black – melhor fazermos isso depois da ceia, depois de garantirmos que Harry teve boas lembranças dessa noite.

— Se é o que você quer – concedeu Black, esvaziando sua taça, sentindo um calafrio atravessar sua espinha.

Remus apenas balançou a cabeça e enviou a taça encantada para a mesa.

— É o que é preciso.

Anuindo, Sirius levantou a mão para repousá-la no ombro de Lupin, mas reteve-se em meio a sua ação.

— Vou acordar Harry antes de Monstro se prontificar para ajudar nisso.

Lupin olhou por sobre seu ombro.

— Tarde demais.

Monstro descia as escadas flutuando com um Potter vibrante no colo, penteado como Sirius era na sua infância. Black rolou os olhos e Remus sorriu ternamente para a cena. O elfo doméstico parecia estar vivendo o auge de sua noite.


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O macacão vermelho, além de ser uma graça, esquentava o bebê. Harry estava muito disposto, se divertindo com Monstro no tapete de brincar. O elfo fazia luzinhas voarem ao redor da criança, e Harry tentava alcançá-las em tropeços e pulos, causando risos nos rapazes.

Cada um em um sofá, Remus e Sirius tentavam evitar qualquer estranheza pré-conversa-marcada, tratando de amenidades como as novas notícias do Profeta Diário sobre vigilância. Uma bandeja com as tradicionais Mince Pies, tortinhas recheadas de frutas secas, circulava entre os dois. O doce deveria vir com alguma mensagem dentro, mas Monstro não era adepto ao costume trouxa, então quando eles abriam uma estrela saltava e ficava flutuando próxima ao teto.

Sirius olhou para Harry, uma ideia surgindo na sua mente.

— Algo está faltando nesse Natal! – exclamou, com um sorriso maroto.

Após mexer os lábios brevemente, uma vitrola e um vinil desceram pelas escadarias até chegarem à sala. O pequeno Potter até desviou a atenção da brincadeira com Monstro para observar o aparelho trouxa repousando no chão. Curioso, arrastou-se até lá, mantendo uma distância considerada “segura” em sua mente. Tomando um susto com o som que subitamente começou a escapar de lá, a voz de James Brown encheu a sala.

Animado, Sirius pegou Harry no colo, e rodopiou lentamente com ele, cantarolando a música. Carinho estava estampado nos olhos do moço quem observava a cena.

— Ain't no use in saying you don't love all your brats, 'cause I'm watching you as you hustle them off to play— a voz melodiosa do Black acompanhou a música com clareza a medida que ele se soltava.

Harry sorria exibindo seus poucos dentes de leite. Pedindo para ser posto no chão, começou sua própria coreografia, mexendo os bracinhos de forma animada.

— Auado, auado – chamava o pequeno, olhinhos verdes brilhantes.

Remus balançou a cabeça rindo e se levantou, segurando as mãozinhas de Harry numa dança divertida. Sirius também mexia o corpo sozinho, fazendo caretas para o afilhado, quem dava vários gritos agudos de animação. Outra faixa começou a tocar, e Harry decidiu que girar no próprio eixo muito rápido seria a sua escolha, acabando tontinho e caindo de bunda no tapete com uma gargalhada.

Remus parou seus movimentos, respirando fundo para tentar amenizar a provável vermelhidão em seu rosto.

— Quem quer ir comer, Harry? – perguntou curvando-se.

O menininho desajeitadamente levantou e esticou a mão.

— Eu! – sua vozinha se soltava com os dias.

Monstro havia se retirado da cena, mas parecendo sentir as falas, com um “puf” apareceu.

— O jantar está servido, senhores. Adoraria, Senhor Black -, voltou seus grandes olhos para Sirius em tom de clemência – poder servir o pequeno Senhor Potter nessa noite especial, se meu amo permitir.

A primeira coisa que Sirius fez foi procurar os olhos de Remus, quem discretamente assentiu com a cabeça. Natal era sobre dar alegrias para os outros, também.

— Permissão concedida, Monstro – falou não disfarçando um pouco de seu incômodo.

Monstro abriu algo que se assemelhava a um sorriso e começou a estalar os dedos. O peru recheado, as batatas coradas, e várias outros pratos típicos recheavam as travessas que surgiram em cima da mesa.

— Vejo que meu senhor Black mudou a disposição de pratos – disse Monstro com uma pitada de reprovação na voz.

— Temos outros costumes aqui, Monstro – Sirius tentou explicar.

Remus encostou na parte inferior das costas de Sirius com a ponta dos dedos, passando um fluxo de energia que fez a espinha do homem se arrepiar.

— Vamos? – convidou, mantendo a expressão educada que Black observara-o sempre usar com professores.

— Você primeiro – gracejou.


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A refeição foi comida com calma, ambos entretidos em conversar com Harry – sempre uma experiência onde eles saiam mais conhecedores do mundo – e a música foi reduzida, mas continuou a tocar no fundo. Aquilo definitivamente era uma ceia de Natal, tendo Harry como o verdadeiro príncipe da festividade.

— Essa noite o Papai Noel vai trazer presentes, Pontas Junior – Sirius contou para Harry, quem pareceu se interessar pela palavra “presentes”.

— Olha a cara dele – riu Remus – igual James nos primeiros anos quando o Natal chegava.

Sirius suspirou satisfeito com a comida, apoiando seus talheres no prato.

— Mas quando ele chora, eu só consigo ver Lils. Quando ela soube que a Sra. Evans faleceu, ficou tão arrasada.

Remus remexeu no repolho em seu prato, um desconforto cavando morada em seu estômago. Pela clara mudança de humores na cara do lobisomem, Sirius limpou a garganta.

— Eles ficariam muito felizes em saber que você está aqui, Aluado.

Remus assentiu, esforçando-se para sorrir minimamente. Sirius continuou a falar, inseguro de suas palavras.

— Acho que deveríamos brindar a eles. O que você me diz? – seu olhar desoladamente esperançoso trouxe algo em Remus a tona.

Prontamente ele empurrou a cadeira para trás com o corpo, chamando a atenção de Harry e Monstro, quem estavam ocupados numa disputa para Harry engolir as cenouras.

— Pelos melhores amigos que a vida poderia me dar – falou Remus com sua honestidade habitual, os olhos caramelados brilhando contra as luzes do teto.

Sirius levantou-se também, sorrindo abertamente.

— Que eles vivam conosco em nossos corações. Feliz Natal – complementou, sentindo-se reconfortado pelo clichê.

Sirius e Remus brindaram com os copos de vinho, trocando olhares de compreensão. Harry emitiu alguns sons desconexos, querendo trazer a atenção de volta para si. Os dois sorriram e voltaram a atenção para Harry, ambos terminando de comer antes que Harry finalizasse seu prato.

Depois que Harry estava de barriga cheia, Monstro estalou os dedos, fazendo as travessas sumirem, assim como os pratos sujos. Remus e Sirius travavam uma conversa amena sobre como as crianças tinham que aprender com os erros, Sirius curiosamente querendo proteger Harry de tudo, enquanto Remus explicava seu ponto:

— Vamos lá, se o Harry nunca bater a cabeça na mesa não vai aprender o perigo de ficar se enfiando embaixo dela. Ele precisa desses aprendizados.

Porém, quando Black ia fazer sua elaborada resposta, um grande pudim surgiu na frente deles, junto de um pavê de chocolate, doces decorados e outros refinados itens.

— Uau! – Sirius deixou escapar – Nunca vi tantos doces feitos por Monstro.

Remus lambeu os lábios, mas antes de se servir, ofereceu um dos bonecos-biscoito para Harry, quem um pouco incerto mordeu a cabeça do boneco.

— ‘om – falou de boca cheia.

Sirius bateu palmas, um sorriso iluminado no seu rosto barbado.

— Uma nova palavra. – orgulho exalava de seus poros, acariciando os cabelos pretos do menino – Parabéns, estrelinha.

Remus bebericou de sua taça, uma sobrancelha arqueada.

— Você é bem paterno.

Sirius ficou sério, vincos na sua testa.

— Isso é ruim?

Os olhos de Remus se arregalaram.

— De jeito nenhum, é ótimo. – explicou-se.

Novamente inspirando leveza pelo rosto, Sirius se serviu do pudim.

—----

— Ele relutou bastante, mas finalmente desistiu de brigar com o sono – falou ao chegar ao último degrau da escada. Murmurou um feitiço e a imagem de um Harry dormindo em tempo real se formou na parede da sala novamente.

Remus estava recostado num dos sofás, encarando as chamas mágicas queimarem incessantemente.

— Suponho que seja nossa hora. – falou, olhando com sobriedade para Sirius apesar da taça quase vazia em sua mão.

Black passou as mãos pelo cabelo, sentindo um nervoso escorrer da sua mente por todo seu corpo, dominando-o. Convocou um copo e whisky de fogo, mas não chegou a virar a bebida no copo.

— Você precisa se embebedar para ser honesto comigo, Sirius, de verdade? – A voz de Remus finalmente transparecia o cansaço que ele carregava em suas olheiras.

Sirius olhou para os próprios pés, e enviou tanto o whisky como o copo de volta para suas moradas anteriores. Caminhou até a poltrona que ficava ao lado da lareira, o mais próximo de em frente ao rapaz de rosto pálido.

— Você não respondeu aquela minha pergunta. – foi seu jeito de retomar o assunto.

Remus passou a mão pelos fios acastanhados, e encurvou o corpo, finalmente o encarando.

— Bravo? Não, eu não carrego isso comigo.

Sirius assentiu.

— Mas... – gesticulou, prevendo que havia mais. Remus deixou uma risada seca ecoar na sala, o fogo crepitando sendo o único som além de suas respirações.

— Mágoa. Rejeição. Tristeza. Raiva, sim, confesso que um pouco de raiva porque estar desolado me causou raiva. Se você não me dava uma chance para me explicar, então quem daria? – questionou para o ar, finalmente colocando os sentimentos para fora.

— Eu sei que não te dei brecha – concedeu Sirius. – Talvez eu tenha sido precipitado sobre Greyback, mas eu estava tão desesperado, Remus.

Os olhos de Remus encheram-se de um fogo visto em abismos de sonhos.

— Eu sempre estive desesperado. Desde que Fenrir me mordeu, eu me sentia condenado. A guerra conseguiu expor o pior de todos nós. Eu desconfiava da minha própria sombra. Eu sou fraco, Sirius.

Black arregalou os olhos, sua expressão se desconfigurando da pacificidade anterior.

— Você é tudo menos fraco, Remus, por Merlin.

Remus pareceu ignorar solenemente o que o rapaz de cabelos escuros falou.

— Você condenou Alexei sem nem mesmo tomar conhecimento de quem ele era. – acusou, descobrindo em si mesmo as frustrações que guardava quanto à reação de Sirius. – E nem comunicou a Ordem, o que me deixou maluco.

Sirius se encolheu, não falando nada. Remus deixou um pesado suspiro permear sua próxima fala:

— Por que você fez isso, Sirius?

Black desviou os olhos para o teto, onde fadinhas continuavam a circular, seus brilhos parecendo uma piada.

— Acho que é porque eu te amo – murmurou, um pouco contrariado.

A audição de Remus não deixou isso escapar.

— Você me ama. – A fala impressionou-o um pouco, mas ele manteve sua postura. – Isso não responde a minha pergunta.

Black bufou.

— O que você quer que eu te fale? Eu preferia te ver com Greyback do que perseguido pela Ordem.

— Você disse que eu estava trabalhando para Voldemort – falou arisco.

Sirius deu de ombros, encontrando os olhos caramelos novamente.

— Você era a última pessoa de quem eu desconfiaria. Por Morgana, se eu tivesse aplicado esse raciocínio a Pettigrew, Lils e Pontas ainda estariam aqui! – estava estarrecido, voz embargada. Remus se levantou, sentando-se ao lado de Sirius.

— Nem eu desconfiei de Peter, ele sempre foi tão apagado e junto de nós. – falou.

Black virou o corpo, ficando de frente para o rapaz-lobisomem. Cruzou os braços, observando as cicatrizes no rosto de Lupin.

— Naquele momento da guerra, Remus, por quê Greyback? De todas as pessoas...

Remus fincou os olhos nos globos acinzentados do outro.

— Eu não podia falar na época e não posso agora, mas ele tinha, digamos... – pensou com cuidado nas palavras. – sua importância.

Sirius assentiu, ainda com um gosto amargo na boca.

— Eu cheguei a conhecê-lo aos onze anos, acho. Meu pai e Greyback tinham assuntos a discutir, e ele deixou o menino lá em casa durante a reunião. Bella e ele ficaram muito próximos – revelou, contendo um revirar de olhos.

— Por isso você me condenou, Sirius Black? Pela impressão que teve aos onze anos? – Remus estava oficialmente mortificado e se retraiu.

Sirius logo se deu conta da impressão que tinha passado e arregalou os olhos, se aproximando de Remus, pousando a mão em seu joelho.

— Não exatamente. Os rumores sobre Greyback, Fenrir, no caso, sempre foram sórdidos, até Bellatrix nas últimas vezes que eu a encontrei mostrava o desprezar profundamente. O pouco que escutei de Alexei mostrava que eles eram próximos. O que o maldito Fenrir fazia com as mulheres... – ambos estremeceram.

Após uma pausa para analisar brevemente se Remus parecia menos ultrajado, continuou a falar.

— Eu fiz merda. Eu não queria escutar, desculpa Remus. Eu não sei o quão sozinho você ficou, depois daquela noite você sumiu do radar por completo, mas me perdoa.

Remus pareceu deixar um peso escorrer de seus ombros.

— Acho que eu aceito suas desculpas –, concluiu em um tom milimetricamente pausado. – Não pense que eu vou ficar cheio de amores da noite pro dia, mas podemos trabalhar nisso.

Um sorriso que cegava como apenas uma estrela poderia fazer inundou o rosto de Sirius.

— Obrigada, Aluado, de verdade. – apertou levemente o joelho do rapaz, quem finalmente se deixou se encontrar nas írises acinzentadas de Black. – Cheio de amores, hein? – completou em tom brincalhão.

O rosto de Lupin abraçou as matizes de vermelho, mas seus lábios rapidamente moldaram um risinho maroto.

— Você quem disse me amava – retrucou, piscando um olho. – Ou algo do gênero.

Sirius sorriu, descendo os olhos para os lábios rosados do lobisomem e retornando para encará-lo, alguns centímetros mais próximo.

— Sabe, bem que James me enchia a paciência no quinto ano para fazer isso – deixou o pensamento vagar e Remus pousou uma mão no braço de Sirius.

— Isso o quê, exatamente? – perguntou com uma curiosidade disfarçadamente inocente.

Após juntarem os olhos num só ato, Sirius inclinou-se, selando seus lábios com os de Remus em uma mistura de excitação e medo, mas ele rapidamente se surpreendeu, tomado pela avalanche da reciprocidade que o inundava.

Lupin rapidamente enfiou as mãos pelas madeixas encaracoladas do homem, aprofundando a troca que acontecia entre eles. Os corpos suspiraram junto ao crepitar da lareira, como se deixassem escapar uma tensão maior do que eles mesmos ao se encontrarem daquela forma. A aspereza da barba de um era apenas um farfalhar em mãos que percorriam corpos feitos de continuidades.

Por alguns breves minutos de pouco ar, não havia palavras os cercando pelos cantos, astutas para puxarem o tapete do par. Mergulhados na vazão que davam a olhares fugazes trocados há anos e beijos estalados em noites torpes, eles apenas se deixavam sentir.

Sirius afundou as mãos pelas barra da blusa de Remus, entrando em contato com a pele quente e recebendo um grunhido inteligível em resposta ao seu movimento. Tendo seu pescoço explorado por Remus, as coisas pareceram se encaixar, luzes piscantes no teto integrando o quadro de uma ilusão inconsciente.

Então, um miar seguido de soluços e um choro agudo, desolado, vindo tanto do andar de cima como da projeção na parede, atravessou a cena. Aquele seria um Natal para se lembrar em detalhes, mas havia uma casa de pedras vermelhas em Godric’s Hollow onde morava um famoso menino. E, naquele momento em específico, esse menino deixava lágrimas tomarem conta de seu corpo clamando por dois homens entrelaçados em palavras, sussurros e coisas certamente inexplicáveis.



Notas finais
É o clichê, todo o fim é um começo! Agradeço do fundo do coração quem me acompanhou nessa jornada, tô pasma de ter FINALIZADO uma fanfic grandinha assim (sim pra mim isso foi grande :P). Agora posso comentar em CDM, hein, Dona Ana? Espero que vcs tenham chorado comigo, de tristeza, emoção e alegria, nesse processo. WOLFSTAR RAINHA, O RESTO NADINHA. Beijocas hein! Ai, ai... To até estranhando estar finalizando isso...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!