As Companhias
3 Agosto, 1993
Tenho que confessar a vocês, que nesse caso eu não tive culpa, não foi minha escolha, ela apenas me telefonou, e se entregou para mim, bem que ela tentou outras vezes, e eu a ignorei, não sou tão fácil assim, oras! Pensa que sou qualquer uma? Que é só “eu quero” e eu irei até você? Não! Desta vez fiquei curiosa, ouvir o chamado dela de longe, um pequeno grito de dor. Mas, de quem eu estou falando? Vou apresentar a vocês, a da vez foi Joly uma quase adolescente que me queria como companhia, eu acho que ela pensava que eu era um tipo de saída ao qual uns jovens andam dizendo, na verdade, eu estou me sentindo usada ultimamente! Sentindo-me totalmente sem valor, não estão tendo o mínimo de respeito comigo, onde que se enfiou o medo dessa garotada? Enfim! Fiquei interessada, desta vez foi patético meu papel, entrei pela entrada de ar do banheiro, lá estava ela em uma banheira, alguns frascos secos de remédios jogados no chão, provavelmente ela haverá ingerido todos antes que eu chegasse, nem vem reclamar! Eu custei a chegar lá, teve um maldito retardado que bateu o carro, e fez eu ter o trabalho de levar ele para ser minha companhia. Voltando ao rumo da história, ela tinha em mãos uma lâmina, e sangue em todo seu braço, naquela semana foi a companhia mais avermelhada que eu encontrei... O celular dela tocava uma música bem ocasional, fui dar uma pequena olhada no aparelho telefônico dela, e adivinha? Uma foto dela e da Nênia! Oras, oras! Amigo destino que muito quer me enfiar na vida dessa maldita garota! Joly me olhava, me hipnotizando, sorri levemente para ela, e passei a mão sobre as suas pálpebras fechando-as... A tomei nos braços cuidadosamente, aquela pele maravilhosa, que me causava arrepios, apenas a segurei, bem firme e ao mesmo tempo cuidadosa, passei pela porta a tempo de ver uma mulher gritando o nome da minha companhia, a beijei cautelosamente na testa para que não escutasse que a chamavam, e apenas caminhei de volta para casa... Não sei oque senti... Oque foi? Agora não posso sentir mais nada? Oras!!! Acho que pela primeira vez senti algo tão diferente ao ponto de dar uma chance das duas garotas se encontrarem antes que eu a levasse, mas eu não podia fazer isso, e apenas fiz o que tinha que ser feito, e ela me foi uma bela companhia, como a mulher. Ela me contou várias coisas da Nênia, e cada vez mais, acredite! Eu tenho admiração por ela...
Sempre tive a vontade de ir ao encontro de Nênia e perguntar o que ela sentiu naquele dia, mas creio que seria péssimo isso, ela me bateria, me bateria tão forte e rápido ao ponto da minha mente e meu corpo não funcionarem como antes...Desde aquele dia de agosto a garota começou a me chamar, a querer me ter como amiga, como se naquele momento em diante eu fosse a melhor coisa para ela, e vocês acham que eu não achei isso ótimo? Claro que sim, mas o orgulho de não fazer o que ela queria me tomou, e eu estou aguentando, e me aguentei para não ir até ela. Sim, por um lado estou fugindo não quero uma garota mimada me enchendo a paciência com reclamações, ninguém nunca me entende. O que custa entender que esse é meu trabalho? Que eu vivo sozinha, tão sozinha quanto vocês e preciso de alguém para conversar, sim, eu preciso. Pelo que vejo conheceu umas garotinhas que nunca viu na vida, eu até conheço de vista, mas tem uma que vai se casar comigo em breve, vamos as apresentações?
Felipa, uma pré-adolescente mimada ao extremo, acha que mantém todos na palma da mão dela com chiliques e dramaturgia, mora a bastante km de distância das outras, eu nunca fui boa de contagem! Enfim, estou totalmente revoltada com a frequência que essa garota me chama, pelo que soube Nênia teve um envolvimento com ela, um namorico distante, vários planos envolvidos... E vou contar mais sobre isso, agora vamos falar de Elma.
Elma também uma pré-adolescente, recentemente descobriu seus desejos e segue padrão da sociedade, sempre concordando com os outros para que estejam bem, e nunca expressando sua própria opinião, o que realmente é uma pena, me chama todas as vezes que se sente triste, ou por problemas familiares, grandes traumas durante a infância e um passarinho negro me contou que ela acabou o namoro com Nênia, e eu contarei mais sobre isso. Juro.
Sobre Amina, enfim minha futura mulher! Fico impressionada como ela me chama ao mesmo tempo que me recusa, tentando fazer com que todos os outros fujam de mim, e me recusem, até que pelo lado é bom, tem umas pessoas extremamente irritantes sobre isso! Ai vocês devem estar se perguntando por que ela é minha noiva... Oras! Não está na cara? Ela está prometida a mim, tomarei ela nos braços em breve, graças a um problema de saúde irreversível, ao qual ela usa para os outros desistirem de mim, preciso realmente livrar ela de tudo que passa, das chatices, daqueles amigos patéticos que ficam me chamando o tempo todo, me atordoando por besteiras, e xingando meu querido amigo Destino, já ouvir chamarem ele de Filho da puta! E realmente eu gargalhei, gargalhei o suficiente para ser notada e causar um arrepio em quem estava por perto. Amina é uma adolescente, amiga... Bastante amiga da Nênia o que me causa ciúmes. Mas como nada aqui me tira de questão, eu estou na história dessas duas, e prometo que vou continuar presente até que... Não sei, ainda não conheço nada mais forte que eu!
Recentemente eu trouxe para ser minha companhia uma amiga de Amina, que nem me lembro o nome... Até hoje ela me xinga, acho que já faz uns cinco meses que isso aconteceu e ela ainda se lembra muito bem. Não quero entrar em detalhes foi doloroso, bastante doloroso para todos, até para mim, tinha bastante pessoas no braço, e só pesou, eu ainda acho que não foi necessário a trazer mas já o fiz, agora sem lamentos.
AH! Lembrei-me de mais um relato, vamos lá...
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