As Cold as a Black Widow
6 Nightmare
Notas iniciais
De volta à realidade, sem campos floridos para percorrer, ou a brisa fresca para vergastar os cabelos. Trabalho, força, treinamento... Não percebo o quão distante estou enquanto esmurro um saco de pancadas até que Steve segure meus ombros com força.
— O que você quer?! — indaguei, impaciente por ter o treino interrompido.
— Temos um visitante. Estão todos em alerta, mas ele já foi revistado e está esperando no salão.
— Mutante?
Steve dá de ombros e nos conduz até o salão principal. Fecho o moletom para não estampar o decote e arrumo disfarçadamente os cabelos. Nosso visitante é um homem alto, de pele clara e barba e cabelos negros aparados. Era robusto e bastante amedrontador. Stark e James o ladeavam, mas ele permanecia tranquilo. Sorriu ao nos ver.
— Olá. — ele cumprimentou educadamente. — Sou Simon, fotógrafo e grande fã de vocês.
Poderia ser lutador de box, mas escolheu ser fotógrafo. Ele agora não parecia tão ameaçador. Sorria de orelha a orelha ao apertar nossas mãos.
— Por que está aqui, senhor Simon? — Steve perguntou.
— Eu queria convidá-los para um baile de gala...
— Baile de gala?! — Tony repetiu as palavras que tanto atraíram sua atenção.
— Sim, é um baile beneficente, apenas para a elite. — bem, então só Stark estava sendo convidado. — Vocês foram requisitados por todos! Mas eles duvidaram que conseguiríamos atrair vocês.
— Então vamos ser tipo macacos de circo? — apelei.
— Não, não, claro que não, srta. Romanoff. Vocês seriam convidados de alto padrão, e não há nada de mal em curtir uma festinha, não é mesmo? — uma parte alerta no meu cérebro me dizia para não ir, mas todos pareciam bem convencidos.
— Você estará fotografando lá? — Sam perguntou.
— Ah, sim, claro.
— Estamos dentro! — Stark exclamou, sem nos questionar antes. Porém, só eu estava com o pé atrás nisso.
Então, dei de ombros, e aceitei. Afinal, um baile não faria mal algum.
...
Tirei o resto do dia para treinar mais e mais, e quando já estava exausta e enxergando pontinhos pretos dançando na minha visão, decidi dormir um pouco. Me senti tentada a desviar do meu quarto e seguir para o de Steve, mas obviamente era uma ideia louca. Tomei uma ducha rápida e me deitei. Logo que encostei a cabeça, adormeci, e juntos, vieram os sonhos...
— Natasha, corra... — Ivan Petrovic sussurrou, cuspindo um pouco de sangue.
— Não vou deixa-lo aqui! — uma versão mais nova e inocente de mim gritou de volta.
Uma dor lancinante apertou meu peito, e eu não sabia diferenciar se era a garota jovem ou eu mesma. Ivan cuidou de mim quando meus pais morreram, e depois de um tempo separados, nos reencontramos enfim, e agora... Ele estava desfalecendo em meus braços, ferido por uma bala...
— Há uma maneira de salvá-lo. — uma voz fria e robótica me despertou: James Bucky, o Soldado Invernal.
— Você o matou! — eu berrei, cheia de ressentimento e dor. As lágrimas quentes embaçavam minha vista, e suas feições não passavam de borrões monstruosos.
Aquela devia ter sido a última vez que um homem me viu chorar honestamente. Com uma violência desnecessária, ele me empurrou, gritando bem perto do meu rosto:
— Você não quer salvá-lo?! É assim que demonstra sua gratidão. — o choro vinha descontroladamente, e eu sentia muito, muito medo naquele momento.
— Quero... — consegui murmurar, reunindo todas as minhas forças para produzir não mais que um som fraco e patético.
— Vai fazer tudo que eu mandar, entendeu? — eu assenti com veemência, pela última vez colocando a vida de alguém antes da minha.
E foi assim que fui levada para a KBG...
— Natasha! — um grito me acordou.
Percebo que eu mesma estivera gritando, e minhas bochechas quentes indicam que eu estava chorando. Steve estava sentado na beirada da minha cama, segurando meus pulsos e com um semblante horrorizado. As cenas do pesadelo ainda martelam em minha mente...
— Ei... Tudo bem. — ele afagou meus cabelos e secou as lágrimas do meu rosto com as costas da mão. — Foi só um pesadelo, você está bem agora... — ah, se ele soubesse com quem eu estava sonhando, não falaria assim.
Ainda assim, as palavras me reconfortaram, e ele me puxou mais para perto. Apoiei a cabeça em seu peito. O som de seu coração batendo acelerado me acalmou. Fechei os olhos com força e deixei que as imagens se apagassem, e que aquele momento me consumisse. Éramos só Steve e eu... O cheiro de lavanda em sua camisa me deixava extasiada, e o calor de seus braços ao meu redor... Era simplesmente inebriante.
Consigo reunir forças para larga-lo, e segurando sua mão, deitei-me de volta, sendo atingida pelo verdadeiro cansaço.
— Fique... — sussurrei.
Ele se deitou ao meu lado, novamente mantendo distância, mas eu cortei essa privacidade, colando nossos corpos, recostando minha cabeça em seu peito e deslizando as mãos por seus braços fortes até encontrar sua mão, e segurá-la. E assim, dormimos juntos uma noite tranquila.
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