Notas iniciais
Heey, desculpe a demora gente, eu estou viajando e custo a achar um ponto bom pra poder postar. Aproveitem a leitura! Beijnhos

Nossa carona não demora muito, e a viagem transcorre em silêncio, exceto por Hill descrevendo nosso papel na missão. Natasha segue calada, e não confesso a ela o quanto me magoaram suas palavras. Eu estava esperando que ela fosse ser um pouco mais sensível, afinal eu a escolhi acima de Wanda quando ela requisitou.

Chegamos ao edifício, que é como uma base, no entanto bem menor do que a que ficamos presos. Natasha faz um sinal com a cabeça para mim quando entra, dizendo que a barra está limpa. De repente ela para, apoiando o corpo contra a parede, e eu faço o mesmo. Um guarda tranquilo, com espinhos no pescoço, passa assobiando, mas Natasha silenciosamente o enforca com um mata-leão, depositando seu corpo delicadamente no chão e acenando para eu segui-la.

Paramos de novo e encontramos pelo menos seis guardas mutantes a postos. Chegamos a um acordo tácito e atacamos ao mesmo tempo, ela com suas pulseiras-ferrão e eu com meu escudo. Temos o elemento surpresa e derrotamos cada um deles, continuando nosso caminho, não antes de Natasha pegar dois cartões dos guardas, para que pudéssemos ter acesso a todas as áreas.

No fone no meu ouvido ouço Hill indicar o caminho, dizendo-nos para seguir reto. No final do corredor, encontramos uma porta extremamente fortificada, dando de cara com dez guardas, mais os procedimentos de identificação.

Natasha salta em cima de dois guardas, torcendo o pescoço de um com suas pernas e enforcando o outro com as cordas finas de seu equipamento. Eu jogo meu escudo no mais próximo, que ricocheteia na parede e acerta mais um, enquanto eu chuto outro na cabeça. Conseguimos acabar com todos eles sem muita dificuldade.

Natasha passa os cartões de identificação, e para nossa surpresa, e sorte, funcionou. Entramos no que parece ser uma prisão aprimorada do futuro, com pessoas em celas de vidro. A iluminação de hospital torna o local ainda mais sombrio, os azulejos brancos refletindo tanta luz que me causa dor de cabeça só de olhar.

— Mas que merda é essa? — Natasha murmura, olhando ao redor.

As pessoas presas variam desde criancinhas até adultos como nós, alguns com características marcantes, como os espinhos do guarda que Natasha matou.

— São todos mutantes. — eu digo.

— Estamos aqui para libertar todos ou só a Zoey? — ela indaga.

— TODOS. — respondo rapidamente, contrariando a resposta de Hill.

— Por que deveríamos salvar somente ela? — Natasha indaga no microfone.

— Porque ela pode nos ser útil. O poder dela é... Essencial.

— Quer usar uma criança em uma guerra?! Não estamos sendo melhores que eles nesse aspecto. — retruco, indignado.

— Não é como se fossemos mantê-la em cativeiro. — Natasha rebate. — Vamos só, soltá-la, está bem?

Encontramos um painel de controle, e eu não consigo deixar de achar estranho a solenidade da nossa missão, parece até que eles deixaram que nós entrássemos. Achamos a cela de Zoey, e quando estamos indo, Natasha toma um rumo diferente e diz para mim:

— Tenho uma missão diferente. Vou copiar informações para a SHIELD, liberte a garotinha.

Nem tenho tempo de protestar, pois ela já desapareceu. Quando encontro Zoey, meu coração parece afundar no peito. A pequenina estava sentada no canto da sala, abraçando os joelhos e chorando. Quando me vê, um brilho ilumina seus olhos e ela corre para me encontrar no vidro, colocando seus dedos sobre os meus por cima da tela.

— Vou soltar você. — sussurro. — Afaste-se.

Lanço meu escudo no vidro, mas ele apenas ricocheteia e volta para minha mão.

— Droga. — sussurro.

Volto para o painel e tento processar toda aquela informação, tentando inutilmente encontrar um meio de abrir a cela de Zoey. Mas era uma tecnologia avançada demais, e de repente vários guardas entram e me atacam.

Mal tenho tempo de me defender, e já sinto golpes por todo o corpo. Alcanço o escudo e me protejo de alguns e consigo atacar os mais próximos, mas o círculo deles vai se tornando mais denso ao meu redor, e sinto que estou um pouco complicado quando ouço armas de fogo atirando por todo lado e os adversários vão caindo, até que eu consiga enxergar minha salvadora: Natasha.

— Precisava de uma ajudinha Capitão? — ela sorri com deboche.

Agarro sua mão contra minha vontade, um pouco dolorido da derrota. Ela tem um arranhão aqui e ali, mas fora isso está em perfeitas condições.

— Não ia coletar informações? — questionei, arrastando os pés atrás dela.

— Já fiz. — ela tira do vão entre os seios um pen-drive, me deixando constrangido demais para continuar olhando. — Está ficando coradinho, Capitão. — ela provoca, bagunçando meus cabelos.

Com muito mais facilidade do que eu, Natasha opera o painel de controles e em alguns minutos consegue abrir a cela de Zoey. A criança mantém-se encolhida, amedrontada.

— Não tenha medo, vamos leva-la para um lugar seguro. — eu digo, esticando a mão para ela. — Não se lembra de mim? Eu ajudei você no prédio.

— Vocês disseram que salvariam minha mãe! Mentiram pra mim! — ela atirou.

Eu e Natasha nos entreolhamos visivelmente conturbados.

— Nós tentamos, querida. — é a vez dela de se pronunciar, a melodia em sua voz ecoando. — Eu garanto que sua mãe gostaria que salvássemos você agora.

— Como vou saber que posso confiar em vocês? — ela indaga, aproximando-se.

— Eu juro de mindinho que não vou decepciona-la. — eu prometo, inclinando o dedo mindinho pra ela, que aperta sem pensar duas vezes.

Natasha mantém o olhar magnético na cena, turbilhões de pensamentos parecem rodear sua mente naquele momento. Eu queria ter pelo menos uma ideia do que se passava lá.

Subitamente, um alarme é disparado, pegando todos nós de surpresa. Vários guardas entram pelas portas armados. Rapidamente pego Zoey no colo e corro com Natasha em meu encalço para a única direção livre.

Damos de cara com mais um bando de guardas, mas conseguimos cuidar conta deles (sendo mais difícil com Zoey nos braços).

— Eu vi uma saída de emergência no caminho, me siga! — Natasha sinaliza.

Lutamos com mais alguns aprimorados antes de finalmente encontrarmos um alçapão onde adentramos, saindo numa espécie de subsolo. Sabemos que estamos encrencados e sem saída, e quando os mutantes estão se aproximando, o carro de Hill entra estilhaçando a parede. Eu protejo Zoey e Natasha com o escudo, e nós entramos depressa no veículo, Natasha atirando contra eles antes de fechar as portas.

...

Ao invés de voltar para a torre, decidimos passar a noite em um hotel. Zoey já está adormecida na cama ao lado da nossa (tivemos que fingir que éramos um casal com a filha). Natasha está deitada olhando para o teto em silêncio, e eu estou sentado olhando para ela, admirando sua beleza.

— O que você tanto olha? — ela pergunta de repente.

— Você fica bonita desse jeito.

— Que jeito?

— Sabe, depois de uma missão, você... Não parece cansada e devastada, parece que isso te dá um brilho renovador. — isso arranca uma gargalhada da garganta dela.

— Obrigada, eu acho. — passamos um momento em silêncio, e eu decido quebrar o gelo e dizer o que realmente sinto.

— Eu sei que você quer esquecer tudo entre nós, você deixou bem claro, mas quero que você saiba que eu não consigo.

— Não consegue?

— Não consigo deixar pra lá, fingir que não mexeu comigo. Porque isso importa para mim muito mais do que pra você Natasha.

— Está me chamando de vadia? — ela senta ereta de repente.

— O que? Não!

— Porque pareceu que você disse que eu não me importava com os caras que eu beijava.

— Não foi o que eu quis dizer. É só que... Você foi a primeira desde... Sabe, desde 70 anos atrás. — ela sorriu, então pegou minhas mãos nas suas.

— Eu me importei sim, Steve. Mais do que eu gostaria. É só que... Isso não é fácil pra mim também, sabe? Eu não costumo deixar as barreiras para baixo, e você entrou com tanta facilidade, isso me assusta... — eu quis beijá-la naquele momento, a suavidade e fragilidade em suas palavras derretendo meu coração.

— Eu não vou machuca-la, nunca. — deslizei os dedos por sua bochecha e ela fechou os olhos.

— Podemos levar isso devagar, sabe? Nós dois temos falta de experiência com relacionamentos, bem, mais ou menos, — ela se corrige, me fazendo rir — e podemos levar as coisas num ritmo que ambos conseguimos acompanhar.

— Acho que isso pode ser uma boa ideia. — eu sorri, me aproximando e depositando um beijo suave em seus lábios.

Zoey se mexe na cama, e nos separamos num pulo.

— É melhor deixarmos a parte divertida pra quando estivermos a sós. — ela diz, me fazendo corar.