Notas iniciais
De alguém que espero um dia encontrar.

Olá, menino escritor.

Eu sou D. Te conheci há um ano.

Nossa, como foi incrível o modo como nos conhecemos.

Eu estava sozinha no Amsterdan, aquele local com karaokê, porque me deixaram lá, meus outros amigos. Então você chegou e ficou olhando admirado o pub. Você entrou em meio a um turbilhão de gente. E estava sorrindo.

O tempo todo.

E então começou a tocar uma seleção de musicas no karaokê. Incrivelmente, você conhecia quase todas, e cantava de cor.

E então tocou aquela: Nobody Loves Me Like You.

Você pulou no palco. Era meio desajeitado, mas sua empolgação deixou os outros excitados pra te ouvir cantar.

Você cantou. E as pessoas silenciaram.

Não você não era como a Katniss, nem como o Fat Charlie Nancy.

(Eu os conheci depois, quando você me emprestou os livros).

Foi uma espécie de empatia que passeou por ali, as pessoas ouviam sua voz rouca sair pelos alto-falantes, e se sentiam abraçadas. Elas sentiram como se você, por meio da música, estivesse cantando para cada uma delas.

Elas se sentiram amadas.

Elas se sentiram confortadas.

Elas choraram.

Eu chorei.

Se estivéssemos em 2015, eu diria que ficaram todos na bad.

Você repetia as linhas com certo receio, e repetia e repetia. Era como um shoegazing...

A música chegava em seus acordes finais. Algumas pessoas bebiam suas cervejas, mas seus olhos estavam vidrados.

Elas pensavam na vida.

Na quantidade de vezes que ficaram com a voz rouca. Com o aperto no peito que uma declaração nos faz sentir.

Mas eu, eu estava admirada.

Ali eu percebi que havia muita coisa dita nas entrelinhas; que você não era um garoto comum. Você tinha cicatrizes escancaradas e eu as estava vendo.

Você passou por coisas demais na vida.

Mas, só pra te avisar, ela melhora.

Ou, pelo menos, conseguimos nos tornar mais fortes.

Um abraço. Enquanto não nos encontramos, enriqueça sua alma.

No futuro, há um homem, e a dele é de ouro.

D.