Notas iniciais
Espero que vocês gostem! Pode haver um errinho ou outro, porque ainda não foi betada.

Não fazia muito tempo desde que a Loja de Artigos para Adivinhação havia sido aberta pelas gêmeas Padma e Parvati Patil. Mesmo assim, os rumores sobre acontecimentos bizarros surgiam e se confirmavam a cada dia.

Por cada canto do Beco Diagonal, desde a entrada do Gringotes até a parte mais escura da Travessa do Tranco, as supostas previsões gratuitas que eram feitas pelas videntes aos fregueses da loja eram alvo de comentários.

— Eu acredito — falou Lorcan Scamander, maneando a cabeça positivamente.

— Eu não! — declarou Scorpius Malfoy. — Papai estudou em Hogwarts junto com elas e disse que desde que elas começaram com essa bobagem de Adivinhação, ficaram malucas!

— Talvez seja apenas uma jogada de Marketing — sugeriu Lysander, o irmão gêmeo de Lorcan.

— Ou talvez elas só sejam doidas mesmo! — apontou Alice Longbottom II.

Do outro lado da rua, Rose e Roxanne Weasley seguiam animadas na direção do estabelecimento cheio, acompanhadas por suas mães.

— Ainda dá tempo de enviar uma carta de correção para a Profª Minerva — lembrou Angelina enquanto caminhavam. — Vocês poderiam escolher outra matéria. Talvez algo um pouco mais, hum... Lúcido, não acham?

— Também acho — apoiou Hermione. — Aritmância, por exemplo. É bem bacana, sabiam? Estudar os números e suas propriedades mágicas...

Seus olhos brilharam de satisfação e Angelina lançou-lhe um olhar de explícita reprovação.

— Assim você não está ajudando! — sussurrou ela.

— Eu quero ganhar uma consulta grátis com a Srta. Patil! — exclamou Roxanne, entusiasmada.

— Eu também! — disse Rose.

Hermione girou os olhos e Angelina suspirou, correndo os olhos ligeiramente pela vitrine abarrotada de artefatos curiosos.

— Bem, chegamos — anunciou uma delas.

As crianças apressaram-se porta adentro e a servente da loja riscou num pedaço velho e rasgado de pergaminho uma senha.

— Nossa, quanta gente! — Hermione ergueu as sobrancelhas, surpresa.

— Você também vai passar, mamãe? — sorriu Rose, fixando as órbitas em Hermione.

— Eu não!

— Ah, vamos — pediu Angelina.

— Angie! Acabamos de recomendar que elas escolhessem outra matéria e...

— Ah, mas, de qualquer forma, mal não vai fazer — argumentou ela.

Hermione bufou e se deu por vencida.

— Vira-casaca! — reclamou ela, virando-se para a atendente. — Mais duas senhas, por favor.

oOo

— Aproximem-se, aproximem-se! — chamou uma das videntes de maneira teatral.

— Senhas 374, 375, 376 e 378, família Weasley. Podem se aproximar! — anunciou a segunda, ajeitando o pano colorido na cabeça.

— Hum, boa tarde — cumprimentou Hermione, assentando-se na cadeira vaga ao lado da filha diante da mesa arredondada. Enquanto ajeitava-se, ela corria os olhos por toda a espelunca, claramente desconfortável.

— A cigana tudo sabe! — gritou Padma de repente e Angelina deu um pulo da cadeira. — A cigana tudo vê!

— Elas realmente são ciganas? — perguntou Rose à prima em um murmúrio inaudível para as outras.

— Sei lá, bicho — respondeu Roxanne, dando de ombros.

Parvati começou a deitar várias cartas aleatórias na mesa até formar uma cruz sobre a toalha colorida, bagunçando a sequência do baralho. Ao seu lado, a outra irmã realizava movimentos circulares com as mãos abertas em volta da bola de cristal.

— Alguma de vocês está grávida, mocinhas? — perguntou a cartomante, erguendo a sobrancelha esquerda com desconfiança.

— Ora, mas é claro que... — Hermione demonstrou-se levemente ofendida com a sugestão, mas Roxanne a cortou.

— Mamãe estava enjoada hoje cedo! — acusou ela.

— Hum, hum — analisou Parvati. — Bem como esperado. As cartas não mentem.

— Espere um momento, eu não estou grávida! Roxie, não diga bobagens! — protestou Angelina, lançando à filha um olhar de censura.

— Claro, claro... Se você diz... — Padma deu de ombros, apertando os olhinhos para enxergar o que a bola de cristal lhe mostrava. — Vejo aqui que só a filha de uma de vocês vai ser aprovada esse ano.

— Ai, caramba! — desesperou-se Roxanne.

— Espera aí! — Angelina arregalou os olhos e apertou-os logo em seguida para a filha, furiosa. — Como é que é?

— Eu não acredito que vocês estão mesmo levando isso a sério! — criticou Hermione, maneando a cabeça negativamente.

— Shh, mamãe! — pediu Rose. — Mais, mais! O que mais vocês vêem?

— Eu vejo aqui que uma de vocês vai se tornar médica no Hospital St. Mungus — profetizou Parvati.

— E a outra vai se casar com um menino bem rico — completou Padma. — E de sangue-puro! — acrescentou depressa.

— E esse homem, como ele é? — quis saber Roxie.

— Loiro, de olhos verde-esmerada — ela descreveu. — E muito bonito. Um ótimo partido, sem dúvidas.

— Espera aí, mas esse é o...

— O filho do Malfoy! — gargalhou Hermione, achando aquilo tudo muito engraçado.

— Roxanne Weasley, se eu ficar sabendo... — ameaçou Angelina.

— Ei, espera aí! — protestou ela. — Por que não posso ser eu a médica solteirona e bem-sucedida?!

— Um momento! Estou captando alguma coisa! — Parvati pediu e reteve as pálpebras dramaticamente, respirando fundo e fazendo silêncio durante alguns instantes. — Estou vendo aqui que uma das mamães vai ser promovida.

— E, a outra, demitida. — Padma assentiu em concordância e fechou os olhos também, elevando o indicador até a testa e pressionando-a de modo teatral.

— V-VERDADE? — exaltou-se Angelina, subindo a voz e arregalando os olhos de repente. — E quem é? V-Você pode dizer?

— Sinto muito, não — informou, para a decepção de Angelina, que cruzou os braços e emburrou-se como uma adolescente mimada.

— Ei, Srta. Patil — chamou Rose. — Eu serei nomeada Chefe do Grêmio Estudantil esse ano?

Parvati respirou profundamente e fechou os olhos mais uma vez, crispando os lábios e invocando a visão interior. Enquanto isso, Padma voltou a passar as mãos ao redor da bola de cristal, tentando enxergar mais alguma coisa.

— Sinto muito, querida — lamentou Parvati. — Mas ouvi dizer que não vão estar aceitando nenhum aluno com notas menores do que “Aceitável” no primeiro semestre.

Rose moldou um perfeito "o" com a boca, descrente quanto a possibilidade de que suas notas decaíssem tanto.

— Ora, que absurdo! — indignou-se Hermione, levantando-se da cadeira. — Vamos embora agora mesmo, isso é um insulto!

— Também vejo nas cartas que Ron Weasley trai sua esposa todas as noites com Cormac McLaggen — informou Parvati e as outras três arregalaram os olhos, perplexas.

— COMO É? — exaltou-se a Sra. Weasley, subindo várias oitavas ao falar.

— É verdade — reforçou Padma. — Inclusive, se você correr, agora, ainda dá tempo de fazer um a três.

— A quatro! — corrigiu Parvati, fechando os olhos e descrevendo outra de suas visões. — Cho Chang também está envolvida.

— Não, não! É Romilda Vane! — contestou a gêmea corvina.

— Certamente que não — contradisse a outra. — É Cho Chang.

— Romilda Vane.

— Cho Chang!

— Romilda Vane! — Padma aumentou a voz, batendo com força o punho na mesa.

— É CHO CHANG! — Parvati abriu os olhos com tudo, rosnando para a irmã do lado.

— SERÁ QUE DÁ PRA IR LOGO AÍ? — gritou Draco Malfoy ao fundo da fila. — ALGUNS DE NÓS TEMOS COISAS A FAZER.

— ARGH, VOU MATÁ-LAS! — descontrolou-se Hermione, avançando contra as gêmeas e tentando estrangulá-las, uma com cada mão.

Parvati arregalou os olhos e Padma estapeou o braço da freguesa, tentando libertar-se da Sra. Weasley, que, possuída pelo estado de nervos, parecia ser ainda mais forte do que costumeiramente.

— MAMÃE! — desesperou-se Rose, levantando-se da cadeira e dando dois passos para trás.

— HERMIONE, NÃO! — Angelina levantou-se num salto, agarrando a outra mulher pela cintura e a arrastando para fora dali. — MENINAS, VENHAM!

— A CONSULTA SEPARADA CUSTA DEZ GALEÕES! — ralhou Parvati, massageando o pescoço inchado e marcado pelos dedos de Hermione. — VOLTEM E COMPREM ALGUMA COISA.

— GRRRRRR... — Hermione rugiu e tentou libertar-se de Angelina, que apertou-a com mais firmeza e a conduziu às pressas até a fachada da loja, deixando para trás vários clientes espantados, que comentavam a confusão entre si aos sussurros. — SUAS GÁRGULAS! EU VOU MATÁ-LAS!

Do lado de dentro, as irmãs recuperaram a postura condescendente e assumiram novamente as feições teatrais, ignorando o incidente — como se não fosse o primeiro desde a inauguração.

— Essa gente inventa cada coisa! — disse Padma.

— Também acho. — Parvati assentiu e começou a reembaralhar as cartas, enquanto a irmã reorganizava a fila e Hermione, fora de controle, se afastava cada vez mais do estabelecimento, ainda contida por Angelina.

Notas finais
E aí, gente? Algo a dizer? hahaha
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!