As Bruxas do Bosque
5 Capítulo V
Notas iniciais
Depois das boas-vindas, as neófitas já purificadas dos maus presságios e protegidas dos males do caminho. A iniciação delas continua sendo desenvolta pelas duas auxiliares, ambas de meia idade, no centro do círculo, enquanto as demais jovens cantam e dançam ao redor.
As chamas sagradas estão crepitando nos inúmeros gravetos na fogueira, preparada para preparar o banho de purificação e a limpeza das neófitas, paradas na frente do caldeirão, sendo borrifadas pela mistura aromática pela assistente, usando um pequeno ramo.
Depois de iniciadas, elas entram no círculo de poder entre as outras sacerdotisas, girando entorno da fogueira, tocando instrumentos antigos e entoando cânticos de louvores a deusa, exaltando os elementos da criação com seus elementais e guardiões.
No bosque, localizado a poucos metros da velha estradada Vila, nesta hora da noite, dificilmente passará um carro ou outro tipo de transporte. Por isso, a cerimônia segue como esperado pela anciã e também pelas iniciadas nos mistérios dos povos originários.
— Pelo divino propósito — declarou a anciã — dedicamos esta cerimônia à nossa grande mãe ...
Após esta dedicação, o círculo de poder humano, unindo todas as iniciadas presentes na celebração, parou de girar entorno da fogueira. Respeitosamente, eles aguardam as orientações da anciã, parada no centro do círculo, ao lado do caldeirão, observando-as unidas.
Após escolher as auxiliares das neófitas, mentoras para explicar lhes o pacto inicial da irmandade, a anciã começa a mexer a mistura no caldeirão. Durante os poucos minutos, as novas iniciadas conversam com as auxiliares indicadas pela líder.
Elas foram alertadas de que, caso aceitasse ficar entre elas, não poderão sair do acampamento sem a permissão da líder, porque os oráculos, manifestos naquele bosque, determinarão o caminho delas. E, por isso, precisavam decidir antes de continuar o ritual.
— Vocês aceitam este solene convite de ficar entre nós? — perguntou a anciã — Agora que estão iniciadas nos mistérios dos antigos povos dessa terra.
— Eu vou ficar! — se adiantou uma das neófitas que estava no círculo de poder antes delas.
— Então, — disse a anciã — a notícia sobre o seu desaparecimento será a separação daquele mundo, para dedicar se a nossa irmandade.
— Sim, senhora! — disse humildemente e continua:— estou aqui pra servir nossa grandiosa mãe e honrar a nossa irmandade.
— E vocês duas – olhando as duas aventureiras, a anciã pergunta: — pretendem ficar também entre nós?
As duas amigas se entreolham por alguns instantes. Essa, definitivamente, não era uma decisão muito fácil pra fazer em poucos segundos — ainda mais na idade delas. Se estar na rua, nesta hora, já era um problemão, imagina ter que sair de casa sem uma boa justificativa.
Meio sem jeito, observada pelas demais membras da irmandade do bosque, a mais velha diz:
— Bem — pausou para recuperar o folego e, após acalmar-se, diz: — se nós dissermos que, desta vez, não poderemos ficar entre vocês?
— Não tem nenhum problema, minha filha — disse amigavelmente a anciã — A grande mãe tem a hora certa para acolher cada uma de vocês. Sigam em paz!
Após ouvir estás últimas palavras, as auxiliares cobrem as com as vestes cerimoniais e as ajudam a sair do círculo de poder depois de receberem as bençãos da anciã para futuras oportunidades. Todos têm o tempo certo para atender ao chamado e se conectar.
A celebração de recepção das neófitas continua, enquanto as duas amigas retornam pra cabana. As duas, agora, cabisbaixas e pensativas, são confortadas pelas auxiliares na saleta de reunião do coven.
— Não fiquem preocupadas! — confortou uma das auxiliares, enquanto elas retiram as vestes cerimoniais numa saleta da cabana.
— Cedo ou tarde, todas estas coisas farão sentidos pra vocês. Por isso, não tem motivo pra isso. — acrescentou a outra.
Deixando o bosque, a sombria trilha de volta pra casa foi percorrida em poucos minutos, porque esperavam chegar antes das 21h. Não transcorreu muito tempo depois do crepúsculo, mas, em vista da aventura inesperada, o tempo parecia uma eternidade.
Durante o percurso, as duas conversavam sobre os últimos acontecimentos do anoitecer, tentando manter a calma durante o sombrio retorno pra casa, iluminadas pelo luar, sob os olhares das sacerdotisas da irmandade do bosque do vilarejo.
Após se despedirem delas, no portão do parque, as sacerdotisas retornam para celebrar com as outras iniciadas no coven da irmandade, na frente da cabana da anciã, enquanto, sem passar pela praça, elas caminham calmamente pra casa.
— Nos falamos daqui a pouco! — após se despedir, as duas caçaram o caminho de casa.
No bosque, visto pela janela, ainda é possível avistar os sinais da fumaça, um pequeno fogo fátuo no próximo horizonte, alimentando o Imaginário popular. Ficou durante alguns instantes observando o distante lugar pela janela, agora, um lugar especial.
Realmente, aquele lugar é cheio de encantos, não é crendice dos religiosos da vila. Por muito pouco, não ficaram presas naquela cabana, quando, porventura, invadiram a propriedade de uma irmandade dos povos originários do vilarejo.
— Oi? — a notificação no chat retira da meditação noturna, trazendo pro mundo contemporâneo.
— Já chegou em casa? — perguntou a amiga, enquanto se ajusta na cadeira do computador.
— Sim, cheguei ainda pouco da rua. Vamos conversar mais tarde hoje, que tal?
— Por mim, tudo bem! — combinou a mais velha, sem perguntar o motivo da ausência.
— Então, até daqui a pouco! Não esquece, — disse aos risos — a grande mãe tem um tempo certo pra tudo!
Após trocar estas mensagens pelo chat do Facebook, ela reinicia a playlist de pagan goth para apreciar os encantos da noite. Agora, precisa relaxar e organizar as ideias porque tem boas páginas para escrever no conto sobre aquele maldito, porém encantador lugar.
—__Nota do Autor: Algumas fraternidades exigem dos iniciados um alto grau de dedicação. Então, pense bem antes de entrar nestas fraternidades ou círculo de amigos.
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