As Aventuras de Merlin - Final alternativo
12 Cap. 12 – Epílogo - 2012
Sentado na beira da praia, de frente para onde fica a ilha de Avalon que, atualmente, poucos viam, Merlin guardou seu antigo caderno, onde havia escrito sua história com seu amigo Arthur Pendragon, e o que haviam feito juntos, para construir o reino de Albion. Mais de 1.100 anos haviam se passado. O mundo mudara muito nesse milênio, Albion a muito tinha passado a se chamar Grã Bretanha e era regida por um único monarca, no momento uma rainha. A magia, que durante muito tempo floresceu, tinha voltado a ser perseguida no que chamaram Idade das Trevas, e seus praticantes tiveram de se esconder novamente. Milhares de feiticeiros, e muitos que não tinham magia alguma, mas de alguma forma haviam contrariado as pessoas erradas, tinham encontrado seu fim na fogueira. Nessa época, Avalon recebeu um enorme número de feiticeiros e feiticeiras, e o próprio Merlin se escondeu na ilha junto com Aithusa, que também estava sofrendo com a perseguição, e quase não saia mais de sua caverna. Ele era o último de sua espécie, já que Kilgharra há muitos anos havia morrido, feliz, em Avalon. Quando as coisas se acalmaram, quase dois séculos depois, Merlin voltou ao mundo dos “homens comuns”, mas Aithusa ficou por lá. Não havia mais lugar para dragões nesse mundo sem magia. Depois disso, Avalon havia se fechado para o mundo, e apenas Merlin e alguns poucos magos atuais, conseguiram vê-la.
Merlin continuou a esperar a volta de Arthur e isso aconteceu no final do século XVIII. Seu amigo não veio na família real, como ele esperava, mas era de família nobre. Foi em 1900 que Merlin sentiu a presença de Arthur. Ele já era adulto, tinha 26 anos, estava na política e se chamava Winston. Usando magia, voltou a ser o jovem Merlin dos tempos de Camelot e aproximou-se do jovem político indo trabalhar como empregado na casa dele. Em pouco tempo a ligação entre eles aflorou. Merlin sempre aconselhava Winston, que nem sempre o ouvia, tendo tido, por isso, problemas durante a 1ª Guerra Mundial. Aos poucos os dois foram se tornando muito amigos e Merlin passou a trabalhar diretamente com Winston, mas sempre na retaguarda. O político passou a ouvir mais o que ele dizia e quando a Alemanha Nazista começou a crescer, Merlin insistiu que o amigo tentasse mostrar ao governo Britânico que era necessário que o Reino Unido se preparasse para uma possível guerra, aumentando seu poderio militar, no que Churchill o atendeu, implorando junto ao governador para que isso fosse feito. Em 1940, nove meses após a invasão da Polônia pela Alemanha, Winston Churchill foi eleito primeiro-ministro britânico. Sua oratória incendiária (que tinha a mão de Merlin por trás), manteve o povo britânico unido durante as horas de prova suprema: os bombardeios contínuos da Alemanha sobre Londres e outras cidades do Reino Unido. Churchill ajudou a conduzir os aliados à vitória na 2ª Guerra Mundial, e continuou na política até pouco antes de falecer, em 1965. Mais uma vez Merlin ficou junto ao amigo até o último minuto, sofrendo novamente a perda de Arthur.
Merlin se sentia solitário. Ele estava cansado e sabia que, em breve, sua hora chegaria. Por isso estava ali. Aguardaria a noite, chamaria o barco e partiria para Avalon, para junto de amigos que a muito não via. Conforme foi escurecendo, Merlin pegou seus poucos pertences, entrou nas águas do velho lago e chamou o barco. Conforme Avalon ia ficando mais visível, a cidade ia desaparecendo na névoa. Com um último olhar, Merlin se despediu do “mundo comum”, ao qual a muito não pertencia, sorriu e dirigiu-se para a ilha, onde viveria até o fim de seus dias.
FIM
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