Durante três anos, Arthur, Merlin e os Cavaleiros, junto com os líderes dos demais reinos aliados, consolidaram relações, fortaleceram a paz, a prosperidade e a justiça para todos. O reino de Albion floresceu e se consolidou. Aithusa, agora um dragão adulto, ajudava a patrulhar as fronteiras à noite, dizendo o que tinha visto para Merlin. Arthur era considerado o melhor rei que já havia existido.

A única coisa que entristecia o Rei, era ver Gwen sofrendo por não ter conseguido dar um herdeiro para Arthur. Por duas vezes ela havia engravidado, mas não conseguiu terminar a gestação. Ela perguntou a Merlin se não havia nada que ele pudesse fazer, e ele respondeu que, por mais que eles quisessem um herdeiro, Arthur não ia correr o mesmo risco que Uther. O que só Arthur sabia, e mantinha em segredo a pedido de Aimos, era que não haveria herdeiro para ele. Quando ainda estava em Avalon, o Alto Sacerdote o alertou quanto a isso. Por esse motivo não insistia para Gwen tentar engravidar, pelo contrário, dizia para ela esquecer isso. Eles eram felizes e isso bastava. Sabia que Albion continuaria, mas a linhagem dos Pendragon acabaria com ele.

Várias vezes Merlin, Arthur, Gwen e Gwaine foram para Avalon visitar os amigos que tinham feito por lá. Kilgharra estava bem, apesar da idade, e fazia questão de receber os amigos sempre que chegavam. Gaius, Alice e Deryl também foram muitas vezes para aprenderem e se aperfeiçoarem.

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Um dia, quatro anos após a volta de Merlin e Arthur para Camelot, Deryl foi procurar o mago em seus aposentos com urgência.

– Merlin, por favor, você precisa vir depressa.

– O que foi Deryl?

– É Gaius. Desde ontem apareceu uma febre, que não está cedendo de maneira alguma, não importa o que eu ou Alice tentemos.

Ao chegarem no quarto de Gaius, o velho médico estava deitado, respirando com dificuldade, e com uma febre muito alta. Alice estava sentada ao lado dele, com lágrimas nos olhos. Merlin se aproximou, pegando o pano que estava dentro de uma bacia com água, e começou a passa-lo na testa do amigo. Nesse momento, Gaius abriu os olhos.

– Merlin, acho que chegou minha hora meu filho.

– Não fale isso Gaius, você tem muito que fazer ainda.

– Merlin, acho que você, tanto quanto eu, sabe muito bem que meu tempo está acabando. Não tenho medo, tive uma vida boa, que melhorou muito depois que você veio para Camelot. Você é o filho que eu nunca tive.

– E você é como um pai pra mim – falou Merlin com os olhos cheios d'água.

– Não chore por mim rapaz. Estou feliz. Albion é uma realidade, você é o grande mago que nasceu para ser, Arthur é o melhor rei que já existiu, pude viver anos felizes junto a mulher que sempre amei. E deixo substitutos melhores do que eu para Camelot – falou virando-se para Alice e Deryl — O que posso querer mais?

– Obrigado por me considerar tanto, mestre – falou Deryl.

– Deryl, podia chamar o Rei e a Rainha. Quero me despedir deles.

– Estou indo, mestre.

– Gaius, não há nada mesmo que possamos fazer por você? — perguntou Merlin, mesmo já sabendo a resposta. Silenciosamente ele havia verificado todos os sistemas do velho médico e sabia que, aos poucos, estavam falhando.

– Merlin, pensa que não sei o que você estava fazendo com a mão na minha cabeça? — falou com um sorriso – Posso não ser um grande mago, mas conheço magia.

– Sinto muito. Queria poder te ajudar.

– Mas você ajudou. Tornou os últimos anos de um velho em algo maravilhoso. Me fez ter vontade de viver, de ver Albion existir. Só tenho que te agradecer, filho.

Nesse momento, Arthur e Gwen entraram no quarto.

– Gaius, como você está – falou Gwen, com os olhos cheios d'àgua, sentando ao lado de Alice e segurando sua mão, enquanto Arthur se sentava ao lado de Merlin.

– Já estive melhor, minha rainha.

– Gaius, tem alguma coisa que possamos fazer por você? — perguntou Arthur.

– Você já fez muito. Acreditou no meu menino, fez a magia voltar a Camelot, é um Rei que todos adoram. Me permitiu trazer Alice para morar comigo. Chamei vocês, porque queria me despedir dos três. Não se preocupem, estarão em boas mãos. Deryl e Alice são excelentes médicos.

– Sabemos disso.

– Sejam felizes, todos vocês. Sigam sempre seus corações, sejam leais a ele, que não falharão. Preciso descansar agora. Arthur, você permite que Merlin fique comigo.

– Claro velho amigo. O tempo que precisar, ele estará a sua disposição.

Naquela noite, o velho médico entrou em coma e morreu dois dias depois. Merlin ficou desolado, Gaius era mais que um mentor, e o jovem mago sentiu como se estivesse perdendo seu pai, novamente. Alice estava arrasada, mas agradecida pelo tempo que puderam passar juntos. Deryl, também estava bastante abalado, ele gostava muito do velho médico. Arthur e Gwen sentiram muito a perda do velho amigo, e deram a ele o funeral de um nobre. Mesmo tristes Deryl e Alice continuaram o trabalho como médicos da corte.

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Num dia de verão, mais de cinco anos após a batalha de Camlan, Arthur e Gwen estavam em reunião com o conselho, quando ele começou a sentir dores no peito. Merlin rapidamente avaliou a situação, pediu para que a reunião fosse adiada e levou, junto com Gwen, o rei para seus aposentos. Lá, constatou que o trabalho feito pelos Altos Sacerdotes de Avalon, estava perdendo o efeito. Usando magia ele estabilizou o amigo.

– Merlin – falou Arthur – o fragmento está se soltando, não está?

– Está. Pelo que senti, ele deve se soltar completamente, em menos de um mês – disse Merlin sério, com os olhos marejados, sabendo que o amigo só aceitaria a verdade.

– Um mês? — falou Gwen — Aimos não pode fazer mais nada?

– Guinevere, nós sabíamos que isso ia acontecer, mais cedo ou mais tarde. Demorou mais do que esperávamos. Tivemos cinco anos de felicidade, pudemos construir Albion juntos, e ainda temos alguns dias para nos despedirmos. Para quem ia morrer em Camlan, está muito bom, não?

– Eu sei, sempre falamos sobre isso, mas nunca quis pensar muito no assunto – falou Gwen chorando.

– Não chore, não quero passar meus últimos dias em tristeza e sim alegria. Esses cinco anos foram uma dádiva, meu amor. Vou cumprir meu destino, sem que tenha deixado nada por fazer.

– Arthur, vou preparar um tônico para que você não sinta dor durante esse período, e vou acompanhar o processo. Acho que, fora os cavaleiros mais chegados, Alice e Deryl, ninguém mais precisa saber o que está acontecendo.

– Concordo Merlin. Você acha que vou poder ir ao casamento da princesa Mithian. Está tudo preparado para a viagem, daqui a dois dias, e se não formos, vão achar estranho.

– A cavalo seria uma viagem muito cansativa para você, mas vou pedir a Aithusa para levar você e Gwen até um ponto próximo, e nos encontramos lá.

– Ele não gosta muito de servir de montaria.

– Mas obedecerá se necessário. Esse é o único jeito de você ir e pra voltar será a mesma coisa.

– Então faremos isso. Gwen, quero que você seja a rainha mais linda dos cinco reinos, mais do que a noiva.

– Vou tentar, meu amor – falou a rainha, tentando se mostrar animada.

– É melhor você descansar hoje, Arthur. Vou trazer seu remédio o mais rápido possível.

Merlin se dirigiu a sala dos médicos permitindo no caminho que as lágrimas corressem livremente. Apesar de saber que essa hora chegaria, ele sentia o coração apertado. Estava chegando a hora de se despedir do amigo de tantos anos, com quem havia dividido tantas aventuras, lutas e alegrias. Como Arthur tinha dito, esses cinco anos tinham sido um dádiva, e era isso que tinha que ter em mente, quando a hora de se despedir de Arthur chegasse. Quando chegou, limpou o rosto e contou aos médicos o que estava acontecendo e pediu sigilo. Ele preparou o remédio e voltou aos aposentos de Arthur.

Sendo levado por Aithusa, Arthur pode ir ao casamento de Mithian, sem se cansar. Ele e Gwen se encontraram com Merlin e os cavaleiros em um local afastado e tiveram de cavalgar apenas meia hora, para chegar ao castelo de Nemeth. Ninguém diria, vendo Arthur, que ele estava morrendo. Ele estava feliz em poder assistir o casamento da amiga. Ao voltarem a Camelot, Merlin recomendou que Arthur passasse o resto do dia em repouso, no que foi atendido.

Durante as três semanas seguintes, Arthur agiu normalmente, apenas sem fazer muito esforço, mas participando das reuniões do conselho e da Távola Redonda, atendendo aqueles que precisavam falar com ele, amando Gwen.

Quatro semanas após Arthur ter os primeiros sintomas, Merlin acordou assustado e correu para o quarto do amigo. Quando chegou lá, ele estava com febre, suando frio e com a respiração ofegante. Gwen acordou assustada com a entrada de Merlin no quarto e ficou preocupada quando viu o estado do marido. Merlin usou magia para tentar estabilizar o rei, mas só conseguiu uma pequena melhora. Mesmo assim, foi o suficiente para que Arthur respirasse melhor e acordasse. Merlin arrumou uma toalha e usou a água de uma jarra, para poder limpar o rosto do amigo.

– Está chegando a hora, velho amigo – falou Arthur para Merlin – Gwen, não chore. Estou feliz pela oportunidade que tivemos. Não quero que a última imagem que eu tenha de você, seja chorando. Merlin, cuide de Gwen para mim, por favor. Ajude-a a manter Albion forte.

– Pode deixar comigo, Arthur. Agora não fale muito.

– Ei, em breve vou descansar, quero aproveitar esses últimos minutos com vocês – falou abraçando Gwen – Obrigado meu amor, pelos anos maravilhosos que vivemos juntos, pela sua força, sua coragem e seu amor. Quando eu me for, você será a Rainha de Camelot. Não tem ninguém melhor para assumir o trono.

– Não sei se consigo.

– Claro que consegue, e Merlin estará ao seu lado. Ouça seus conselhos e teu coração, e você será uma grande Rainha.

– Merlin, sente-se aqui, me de um abraço – o mago, com os olhos cheios de lágrimas, fez o que o rei pediu – Sem choro, velho amigo. Obrigado por mim, por Camelot, por nosso sonho de construir Albion. Com você e Gwen, sei que Albion estará segura – a voz de Arthur fraquejou e sua respiração ficou mais difícil. Merlin colocou a mão no peito do amigo, e sentiu que o fragmento havia chegado ao coração, causando uma forte hemorragia. Bloqueou qualquer dor ou desconforto que o amigo pudesse sentir, usando magia – Obrigado, Merlin. Mais uma coisa. – falou ofegante — Quero que leve meu corpo para Avalon. Eu havia pedido isso a Aimos e fui atendido. Ele saberá o que fazer. Fiquem em paz, porque eu estou em paz – falou com um sorriso, e abraçado ao amigo e a mulher que sempre amou, fechou os olhos, para não abrir mais.

A morte de Arthur foi sentida por todos os reinos aliados. Todos os representantes foram a Camelot, prestar as últimas homenagens ao rei, que havia conseguido trazer a Paz àquelas terras, participar da coroação de Gwen e jurar lealdade à nova rainha. Após as solenidades, Merlin, Gwen, Sir Leon, Gwaine e Percival, junto com Aimos e Eoin, realizando o desejo de Arthur, levaram seu corpo para Avalon, onde foi queimado e teve suas cinzas espalhados pelo jardim de reuniões, que Arthur tanto gostava.

De volta à Camelot, Guinevere começou seu reinado e junto com Merlin mantiveram a promessa que fizeram a Arthur, de manter Albion forte e justa.