As Aventuras de Igor e Marina
4 Origens
Segunda, 28 de Dezembro de 2015, 16:20
— Oi, Marina, ainda bem que você está online! Tem tempo pra conversar?
— Oi, Igor, tenho sim, finalmente.
— Pode me explicar o que tá acontecendo?
— Bem, não sei se posso, mas vou te contar.
— Eu tô ficando maluco, haha.
— Bem, tudo começou quando...
Sexta, 24 de Julho de 2015.
Em uma tarde fria, Amélie e Fernanda, duas antigas integrantes da banda Black Cachaça, estavam preparando para gravar uma canção nova do projeto musical chamado Havenna.
— Não tá legal, Fê. – reclamou Amélie – Não acho que seja uma boa ideia ficar gritando por 8 minutos seguidos.
— Por que não? – perguntou Fernanda.
— Ninguém quer ouvir essas coisas, precisamos fazer algo mais acessível.
— Você está parecendo com o nosso antigo produtor.
— Credo!
— É verdade.
— Mas precisamos fazer algo que dê dinheiro, pra salvar essa droga de gravadora.
— Não entendo o porquê desse lugarzinho fedido ser tão importante pra vocês.
— Não entende, é mesmo? Parece até que esqueceu do que passamos aqui.
— Tá falando do Black Cachaça? Sério? Só gostava de gravar com aquela banda por estar louca nas drogas. Sou uma pessoa diferente agora, Amélie.
— Por que não admite que foram bons tempos?
— Deixa eu cheirar um pouco a minha cola que eu te respondo.
— Desgraçada.
— Vamos gravar mais uma vez, prometo que vai ser sem os gritos.
— Beleza.
Amélie e Fernanda passam horas e horas ensaiando, usando apenas dois teclados como instrumentos, as duas não conseguem alcançar o resultado esperado.
— Fê, acho que o projeto Havenna não tem como dar certo.
— E o que você propõe?
— Que devemos terminar, óbvio.
— E nós ao menos começamos?
— Sabe no que eu tava pensando?
— Não desenvolvi o poder de ler mentes ainda, querida.
— Que tal a gente voltar com o Black Cachaça?
— Péssima ideia.
— A gente poderia continuar as gravações do V.
— Ideia pior ainda.
— Por que?
— O V, apesar de não ser totalmente ruim, soa como um álbum pop genérico.
— Não é isso que faz dinheiro hoje em dia?
— Sim, mas isso seria totalmente se vender, não sou uma vendida.
— Foda-se, Fê, os fãs vão ter que entender.
— Fãs?! O que é isso?
— De acordo com minhas pesquisas, temos cerca de 35 fãs.
— Quantas vendas nós precisariamos pra reerguer essa lugar, Amélie?
— 5.000.
— Caralho, quase a tua idade.
— Cala a boca, vagabunda, você é mais velha que eu!
— Como vamos conseguir tudo isso?
— Marketing, queridinha.
— E ainda teríamos que convencer os outros membros a fazer isso, não é tão fácil assim.
— Bem, o Ricardo voltaria fácilmente, ele não faz nada da vida.
— Acho que Lucas também volta, falei com ele há alguns dias.
— E o Evandro?
— Ele tá morando em SP, com a família, montou um negócio lá.
— Que saco, não podemos voltar sem ele, que tal ligar para ele?
— Ligar? Acabei de mandar mensagem no whatsapp pra ele, velha atrasada.
— Eu só tenho 37 anos!
— Ele respondeu, disse que pode gravar a bateria lá mesmo!
— Já é um avanço.
— Ricardo e Lucas já responderam, aliás, até estão vindo para cá.
— Espero que eles não sejam barrados.
— Já fizemos as pazes com a gravadora.
— Você e eu conseguimos contrato, já os outros...
— Se acalma, caramba, eles foram demitidos há 13 anos.
— Opa, eles chegaram!
— Que rápido, meninos!
— Eu moro no outro lado da rua. – disse Ricardo.
— E eu estava na casa dele. – completou Lucas.
— Como vocês foram recebidos lá na entrada? – perguntou Amélie
— Nós entramos pela janela. – respondeu Lucas.
— Vocês não mudaram nada mesmo! – disse Fernanda, dando risadas.
— E se alguém ver vocês aqui? – perguntou Amélie, preocupada.
— A gente apaga eles, ué. – disse Ricardo.
— Eu amo vocês – disse Fernanda. – Talvez não tenha sido uma má ideia a banda voltar.
— Qual é o plano, Amélie?
— Precisamos encontrar as gravações antigas!
— Onde? – perguntou Ricardo.
— Está no computador de alguém.
— Seja mais específica.
— Rick, tem um computador lá no estudio principal.
Segunda, 28 de Dezembro de 2015, 16:30.
— Meu pai disse a banda conseguiu invadir o estudio e Amélie conseguiu usar o PC. – contou Marina.
— E o que aconteceu depois?
— Te conto mais tarde, preciso sair agora.
— Tchau, Marina.
— Até mais, Igor. ♥
Igor começa a ouvir a canção 4, do álbum Black Cachaça I.
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