As Aventuras de Annabel

1 O diário misterioso


Notas iniciais
Olá, bruxos e bruxas, eu juro solenemente não fazer nada de bom! Bem, está é a minha primeira fanfic de Harry Potter e já quero começar a deixar claro todos os direitos autorais reservados e de propriedade intelectual da J. K. Rowling em relação aos personagens e situações já existentes no universo de Harry Potter. No decorrer da história poderá haver a existência de personagens de minha autoria, como é o caso da Annabel. Estou baseando a história nos acontecimentos do livro Câmara Secreta! Annabel é filha do Ted Tonks e Andrômeda Black, consequentemente irmã mais nova da Ninfadora e prima de segundo grau do Sirius, muahahahahah ~sim, isso era para ser uma risada maligna não sei por que~ Queria deixar acertado que ainda não defini os dias fixos em que postarei capítulos, mas pretendo postar um toda semana. Caso ocorra algum atraso, peço paciência, pois vida de universitária não é nada fácil ~tem nada a ver com o que é mostrado nos filmes, lol~ e que eu sou lenta em alguns momentos para escrever as ideias que tenho. Enfim, leiam e comentem o que acharam!

1 de setembro de 1992.

Silêncio. A cabine vazia em que me encontrava era de certo modo reconfortante e ao mesmo tempo solitário, muito solitário. Ninguém para perturbar, ninguém para dar satisfação. Ninguém para conversar. Já fazia um ano desde que estava em Hogwarts e não consegui fazer ao menos uma amizade. Sendo sincera... É deprimente. Colegas não contam, certo? Quer dizer, falam comigo por conveniência, quando é realmente muito necessário. Não é difícil notar quando não querem sua presença por perto ou que nem sabem da sua existência. Ainda me questiono se o chapéu seletor me colocou na casa correta.

Com o meu diário aberto, um suspiro baixo ecoou no ambiente ao encarar a página portadora do título "Lista de desejos" e não hesitei em preencher a lista com apenas três vontades:

Tirar notas boas e orgulhar meus pais.

Ser como a Dora.

Ter amigos.

À medida que cumprir os meus objetivos, os riscarei, sabendo que meus desejos favoritos foram realizados. Mordi o lábio inferior e fechei o diário, guardando-o na mochila, logo em seguida, encarando a figurinha repetida de Merlin que ganhara do sapo de chocolate. Sorri por lembrar a primeira vez em que encontrei tal figurinha, tudo graças à Dora, e elevei o olhar para o horizonte, a fim de apreciar a paisagem única que o Expresso proporciona. Entretanto, inesperadamente um velho carro turquesa surge no céu, sobrevoando o trem.

— Por Merlin... — murmurei receosa por notar que o motorista não estava obtendo sucesso ao tentar controlar o veículo.

De repente, a porta da cabine é aberta por uma garota de cabelos castanhos, volumosos e ondulados, a qual analisava o local.

— Com licença, mas posso sentar aqui? As outras estão lotadas. — perguntou. Demorei alguns segundos para assentir.

Ela não tardou a sentar em frente a mim e a abrir um livro que estava entre seus pertences. O reconheci por estar na lista dos materiais exigidos para as aulas. Ao voltar à atenção para o exterior do Expresso, o carro azul já não estava mais no meu campo de visão. Frustrada, bufei baixo e, depois, suspirei. Será que os passageiros são invasores? Senão, será que estão bem?

Imediatamente, retirei da mochila e abri o diário para anotar o que havia visto, sem perceber que comecei a cantarolar uma música, da qual possuía grande apreço.

— Você também é nascido-trouxa? — a garota que lia indagou. Talvez, eu tenha cantado alto demais.

— Não... Mas gosto muito das músicas dos trouxas... — respondi baixo de início e a questionadora encarava-me cautelosamente. E silêncio. Esta situação estava ficando embaraçosa, o que a Dora faria? Ela não teria problema em puxar assunto ou continuar a conversa... Espere, e se eu agir como ela? Pode funcionar... Certo, apenas preciso imaginar o que ela faria — Hã... Você é?

Ok, essa foi péssima e qualquer criança poderia perguntar sem esforço algum, Dora não teria perguntado isso.

— Eu sou. E você? — ela questiona.

— Mestiça... Meu pai é um nascido-trouxa. — engoli em seco, não sabendo o motivo.

— Um dos meus melhores amigos é mestiço. Aliás, me chamo Hermione Granger. E você é...?

Mas é claro! Dumbledore havia dado pontos por lógica para a Grifinória, ano passado, por causa dela, como pude esquecer isto?

— Annabel... Annabel Tonks. — ótimo, consegui me apresentar, agora nada de pior pode acontecer — Er... Prazer. — uma risada nervosa escapou de mim, sem controle. Eu me enganei.

— Você também é da Grifinória? — alternava o olhar entre mim e o grande livro em sua frente.

— Sou... Mas como quase nunca falei com muitas pessoas da casa, poucos me conhecem. Na verdade, acho... Que essa foi a conversa mais longa que já tive com alguém da Grifinória. — confessei e imediatamente senti as bochechas ganharem tons avermelhados.

— Curioso. Fiz alguns amigos ano passado, mas eles estranhamente não estão no Expresso. — levantou os ombros sutilmente e retornou a atenção para o livro.

A conversa está acabando? Não, não, preciso pensar em alguma coisa para prolongar o assunto, afinal, como Take On Me salienta: se arriscar é melhor do que se arrepender.

— A-ah... Instantes antes de você aparecer, eu avistei um carro azul flutuante ao redor do trem. Diria que isso é mais curioso ainda.

— Carro flutuante? — voltou a me encarar, franzindo o cenho.

— Sim, estava voando por aqui. — apontei para a janela — Mas sumiu. Parecia que o motorista estava sem controle.

— Por que não chamou ninguém? Pode ser alguém perigoso. — alfinetou coberta de razão.

— B-bem... Hã... Eu não pensei nisso. Porém... Como sumiu e nada aconteceu com o trem, imaginei que era inofensivo. Afinal, teriam avisado ou parado o Expresso, certo?

Justificar minha falta de atenção e sagacidade para uma pessoa tão inteligente quanto Hermione me parecia um desafio impossível. Ela não deixa de ter razão... Eu devia ter sinalizado, mas... Para quem? Dora certamente saberia como lidar com isso...

— Não deixa de ser perigoso. Se algo acontecer com alguém e tiver relação com aquele carro, terei que dizer sobre o seu avistamento não relatado. — demandou severa.

A primeira pessoa com quem tenho uma longa conversa já quer me dedurar. Eu sou de fato uma bruxa muito sortuda.

Somente respirei fundo e abaixei o olhar para o meu diário, encolhendo os ombros e continuando a escrever sobre os últimos acontecimentos e a minha tentativa fajuta de aproximação. O restante da viagem fora silenciosa e sem mais aparições estranhas. Logo que o trem parou na estação da pitoresca Hogsmeade, esperei que Hermione deixasse a cabine e respirei aliviada por não ser alvo de seus criteriosos olhares. Eu deveria ter imposto a minha opinião com mais firmeza... Com mais coragem... Aquele chapéu idiota deve ter me colocado na casa errada, agora, sou um grande erro que caminha pelo salão comunal da Grifinória.

Singelas lágrimas escorriam pelo meu rosto de maneira involuntária, enquanto retirava a minha mochila e livros da cabine. Cabisbaixa, deixei o trem e caminhei entre os risonhos alunos que conversavam entre si pela estação. Olhando distraidamente para o chão, não notara que outra pessoa estava centímetros à frente e sequer havia chance de desviar, o que resultou em livros espalhados no piso e demasiada dor na lateral do braço.

— Er... Me perdoe... Eu não tinha te... Visto... — tentei dar uma explicação, limpando as lágrimas disfarçadamente, enquanto reunia os meus livros.

— Tudo bem, eu também estava distraída. — a baixa voz da garota que recolhia seus livros — Você está bem? Parece que estava chorando.

— Eu... Estou bem. — funguei baixo e endireitei a coluna, segurando os livros cuidadosamente. Apenas neste momento pude avistar a garota que agora me encarava: os cabelos cor de fogo contrastavam com a pele branca e o rosto sardento, seus olhos castanhos completavam o conjunto. Era magra e mais baixa do que eu.

— Mesmo? Ok. — interrogou não se convencendo da resposta que ganhara.

— Falo sério...

— Eu acredito, aliás, me chamo Gina Weasley. — sorriu.

— Meu nome é Annabel Tonks. — tentei forçar um sorriso, mas não saiu da maneira que almejava.

— Seu sobrenome não me é estranho... — comenta Gina, pensativa — Meus irmãos estão me esperando. Até mais, Annabel.

A menina de cabelos flamejantes tornou a correr na multidão de estudantes que se aglomeravam para pegar a carruagem que nos levaria para os terrenos de Hogwarts. Na escola, para o meu azar, sentei em frente à Granger na mesa para o banquete de boas-vindas.

Curiosamente, os alunos cochichavam entre si algo que não pude ouvir ao certo, mas tinha relação com o famoso Harry Potter. Embora estudássemos juntos, nunca nos falamos e eu mal pude vê-lo cara a cara. Logo, Dumbledore começou o discurso que iniciaria mais um ano letivo em Hogwarts. Uma das grandes novidades era que Gilderoy Lockhart foi contratado para lecionar Defesa Contra as Artes das Trevas e devo confessar que não tenho esperanças de que ele será um bom professor, mesmo que seja um colírio por ser tão, tão... Bonito. Os cabelos ondulados e dourados são impecáveis assim como sua bela arcaria dentária. Outra coisa intrigante é a cadeira vazia do temido professor Snape. Ele teria se aposentado? Ou... Havia sido demitido? De qualquer forma, a seleção do chapéu seletor já havia terminado e todos começaram a comer.

— Annabel. — uma voz em tom sério chamou minha atenção. Era Hermione. — Eu queria... Na verdade, eu senti que devia desculpas pela maneira que falei com você mais cedo.

Meus olhos abriram-se mais do que o normal pela surpresa. Nunca pediram desculpas a mim. Involuntariamente, um sorriso sincero ocupou o meu rosto.

— Obrigada. — murmurei — O que... O que a fez sentir que devia desculpas?

— Eu soube quem estava no carro e que talvez tenha sido dura demais com você. — explicou Hermione.

— E quem estava no velho carro turquesa?

— Meus amigos, Harry e Rony. — o desapontamento era nítido ao pronunciar os nomes dos meninos.

— Espera... Está falando do... Harry Potter?

— O próprio. — limitou-se a responder.

Eu deveria continuar a conversa? Dora continuaria, é, tenho que agir como ela.

— E... — fiz um barulhinho coçando a garganta — Está zangada com eles?

Hermione ponderou por instantes, desviando o olhar para o seu suco de abóbora e comeu um pedaço do frango posto no prato dourado.

— Estou. Eles foram vistos e quebraram regras, podem ser expulsos por isso.

— Agora entendi o porquê os sussurros eram sobre eles... Foram muito imprudentes. — levantei os ombros sutilmente.

— Exatamente. Fico imaginando o inquérito que o pai do Rony terá que enfrentar. — no instante que Hermione terminou de falar, encarou Gina — Ao menos a irmã dele entrou para a nossa casa.

— Esse Rony é um Weasley? — perguntei, colocando um sanduíche no prato.

— Disse Weasley?

— Somos nós. — dois garotos iguais completaram a frase um do outro em tom humorado. Eles não são tão diferentes de Gina, os cabelos flamejantes certamente são uma herança de família.

— Rony está muito encrencado. — Gina lamentou e sorriu a me ver — Annabel, como é bom te ver aqui.

— Parabéns... Por ter sido escolhida para a nossa casa. — minha voz saiu mais baixa do que queria. A emoção me dominava. Estava conseguindo fazer amigos mais rápido do que qualquer coisa que tive na vida. Espera, eles já podem ser considerados amigos? Ou... Eles me consideram como amiga?

— Annabel, parece nome de um bolinho. — disse um ruivo.

— Mas ela não combina com esse nome, Jorge. — brincou o outro ruivo — Podemos arrumar um muito melhor.

— Podemos. — franzi o cenho, sem entender do que pretendiam.

— De qualquer forma, Rony e Harry estão muito encrencados. E ainda nem tiveram coragem de aparecer para jantar. — disse Hermione.

O restante da festa de boas-vindas ocorreu de maneira tranquila. Não tive mais coragem para iniciar mais uma conversa, uma vez que todos conversavam entre si amigavelmente. Eu falei tanto para apenas o meu primeiro dia. Extasiada de alegria, aprecei-me para seguir os segundistas para o salão comunal da Grifinória, a nova senha é mais intrigante do que a antiga. Maçarico. Surpreendentemente, fiquei no mesmo dormitório que Hermione, esta que foi procurar os amigos antes de dormir. Não me atrevi a socializar com as outras meninas do quarto, mas uma delas parecia ser indiana. Estava ansiosa para escrever uma carta a Dora e contar tudo que havia ocorrido até o momento. Apressei-me no banho e na troca de roupa, imediatamente pegando um pedaço de pergaminho e minha pena favorita, mergulhando a ponta no tinteiro sob a mesa de madeira.

"Querida Dora, fico feliz em escrever logo no meu primeiro dia de aula no segundo ano em Hogwarts. Não acreditará quando te contar que eu possivelmente já tenho amigos! Bem, não diria amigos, mas... Conhecidos! Diferente do ano passado, os alunos que conheci são divertidos e talvez, torne-se uma amizade duradoura. Eu cheguei bem e o banquete da festa de boas-vindas foi divino! Não conte para a mamãe que a torta de abóbora daqui é melhor do que a dela, aliás, como eles estão? Tem notícias da mamãe e do papai? E como você está indo nos estudos para se tornar Auror? Aquele tal de Moody é legal ou tão assustador quanto dizem? Responda-me quando puder, quero ter notícias suas. Com amor, Annie."

Escrevi meia página do pergaminho e sorri satisfeita pelo resultado, assim que a tinta secou, tornei a dobrá-lo cuidadosamente e a procurar por um envelope entre os livros, pretendia enviar a carta pela tarde no Corujal. Lembrei-me que havia guardado alguns dentre as páginas velhas do meu diário e ao encontrá-lo, franzi o cenho, sem entender o estranho objeto que estava praticamente escondido no meio dos livros. De imediato percebi que era um diário. O ano quase que ilegível na capa apontava ter praticamente cinquenta anos de idade. Eu não sou boa com contas. Será que deveria abrir? Afinal, é um tipo material muito pessoal e se um dia encontrassem o meu próprio diário, não gostaria que o lessem.

Entretanto, a ansiedade fazia os dedos formigarem, como se o caderno estivesse pedindo para ser aberto. Olhei para os lados, pretendendo conferir se as colegas de dormitório estavam acordadas e ao concluir que não, folheei o achado e na primeira página havia o nome "T. S. Riddle" gravado com tinta borrada. Era até mesmo difícil confirmar se isso estava escrito. Passei os olhos pelas páginas e todas estavam vazias. Que esquisito... Quem seria esse T. S. Riddle? Não me lembro de conhecer alguém com este nome... E como será que esse diário foi parar no meio das minhas coisas? Seria alguma pegadinha da Ninfadora? Ah, eu a mataria se fosse.

Se já havia cinquenta anos que ele foi usado, teria problema se eu escrevesse algo nele, não? A curiosidade para saber se era algum tipo de objeto mágico fazia-me morder o inferior da bochecha, pensativa. Fitei o misterioso diário por alguns minutos até decidir apanhar a pena e escrever em uma das folhas límpidas. O pior que poderia acontecer era ser azarada. Nunca ouvi falar de bruxos que morreram por escreverem em diários.

"Olá, diário."

Me senti meio boba por esperar que alguma explosão ou azaração saísse de dentro das páginas velhas. Surpreendentemente, o que eu havia escrito foi sugado pela página e cada letra brilhou momentaneamente, desaparecendo logo em seguida. Seria um diário que torna a escrita invisível? Segundos depois, letras surgiram na folha.

"Olá, como se chama?"

Meus olhos arregalaram-se e ficara boquiaberta. Seja quem for, era como se o diário estivesse vivo. Engoli em seco e tornei a molhar a ponta da pena, escrevendo outra vez.

"Meu nome é Annabel Tonks. E o seu?"

Novamente, as letras brilharam e desapareceram. A resposta veio em seguida:

"Olá, Annabel Tonks. Meu nome é Tom Riddle. Como encontrou o meu diário?"

"Eu ainda não sei, para ser sincera... Como consigo falar com você?"

"Sou uma lembrança do meu 'eu' com dezesseis anos, quando estudava em Hogwarts."

"Puxa! Estou em Hogwarts agora. Sou segundista."

"Então, você tem doze anos? É mais jovem do que imaginei, não escreve como uma bruxa da sua idade."

"Costumo a ler e escrever muito. É o meu passatempo favorito, mas... Não sei se deveria estar me comunicando com você, afinal, nem nos conhecemos."

"Eu sou Tom e você é Annabel, já nos apresentamos, acredito que não somos mais desconhecidos um para o outro, não acha?"

Involuntariamente, acabei rindo fraco. Ele tem razão...

"Você me convenceu. Agora preciso ir, já é muito tarde."

"Podemos nos falar amanhã? Você aparenta ser uma garota muito interessante e gostaria de conhecê-la melhor."

Ninguém... Ninguém nunca disse algo assim para mim. Crispei os lábios e ouvi passos por perto, provavelmente é a última garota que faltava no quarto, Hermione.

"Eu pensarei sobre isso. Até mais, Tom!"

"Até, Annabel."

Respirei fundo ao assistir as palavras sumindo e fechei o diário no instante que Hermione surgiu no quarto. Pela expressão irritadiça no rosto dela, ainda estava zangada com os amigos. Coloquei o fino livro logo abaixo do meu diário antigo e repousei a pena sob a mesa, tornando a deitar na cama. Avistei Hermione retornar do banheiro e ponderei se deveria perguntar se ela estava bem ou se havia encontrado os amigos, mas decidi permanecer em silêncio... A ideia de fazer novos amigos fazia meu coração palpitar de felicidade e, assim, adormeci contente.

Notas finais
E então? Curtiram? Deixem um comentário, ajuda demais no incentivo! Eu estou pretendendo fazer uma Saga com as aventuras da Annabel começando dessa história. Nos vemos no próximo capítulo! Bye bye, malfeito feito!